Versos de Tempo
Nada fica no pico o tempo todo.
Emoção não sustenta intensidade máxima por muito tempo. O corpo cansa, a mente cede. Isso não é fraqueza, é fisiologia.
Acontece.
As pessoas mudam.
Os afetos se transformam.
Algumas promessas não sobrevivem ao tempo.
E mesmo assim, certas histórias não se apagam.
Só aprendem a existir de outro jeito.
Hoje o vento trouxe o cheiro do tempo
e bateu no rosto sem aviso.
Tinha gosto de estrada,
de coisa vivida,
de lembrança que não vira saudade,
mas pede atenção.
Refletir é aceitar que nem tudo precisa de resposta imediata.
Algumas coisas só pedem tempo, distância e honestidade suficiente para não mentir pra si mesma.
Crescer dói menos quando a gente para de brigar com o que já aconteceu e começa a escolher melhor o que fica.
A cidade segue funcionando, as pessoas riem nos lugares errados, o tempo insiste em andar para frente.
Eu não acompanho.
Eu administro a falta. Em silêncio. Em turnos.
Não chamo de saudade porque saudade é doméstica demais para o que ficou.
Isso aqui é permanência forçada.
É carregar alguém mesmo quando a outra pessoa largou o peso.
A vida não avisa.
Ela arranca.
Me tirou de um lugar às pressas, sem tempo de pensar, sem tempo de sentir.
Quando vi, já tava com o coração na mão e o corpo em outro canto..
outro teto, outra rua…
o mesmo peso.
E como se não bastasse, o destino foi irônico.
Me deixou exatamente onde eu não pisaria de novo.
Não por saudade.
Não por escolha.
Mas por necessidade.
A rua é a mesma,
o silêncio é diferente.
Eu passo sem olhar.
Não por fraqueza...
Mas porque dessa vez eu aprendi.
Tem portas que não se batem mais.
Tem nomes que não se chamam mais.
Tem histórias que não se reescrevem.. se enterram.
Eu já me dei demais.
Já fiquei demais.
Já insisti onde só eu existia.
Agora não.
Agora eu passo.
Fria por fora, inteira por dentro.
Porque ir embora, às vezes, não é sair do lugar.
É sair de quem a gente era quando aceitava tão pouco.
O tempo passa, sim.
E não pede licença.
Ele desgasta o toque,
apaga o costume,
e transforma presença
em lembrança mal resolvida.
A intimidade, que um dia foi abrigo,
vira território estranho —
onde dois corpos se reconhecem,
mas já não se encontram.
Porque o tempo, quando não é cuidado,
não cura…
ele afasta.
Não é o lugar, nem quem passou,
o tempo mente... Nada levou.
Há algo em mim que insiste em ficar:
não acaba… aprende a morar.
O tempo não passa - ele cobra.
Ele não espera você se encontrar,
não respeita seu medo,
não negocia com sua dúvida.
Ele ruge.
Enquanto você hesita,
ele arranca pedaços do que você poderia ter sido.
E a vida?
A vida não pausa pra você se organizar.
Ela acontece no improviso,
no erro,
no “vai assim mesmo”.
Tem gente esperando o momento certo.
Tem gente esperando coragem.
Tem gente esperando aprovação.
E tem quem entendeu.
Que o agora é bruto,
imperfeito,
e mesmo assim… suficiente.
Não é sobre dar conta de tudo.
É sobre não se abandonar no meio do caminho.
Porque no fim,
o tempo não leva só os dias.
Ele leva versões suas
que nunca tiveram a chance de existir.
A temporal...
Quando o tempo pula sem te mostrar direção ou norte
e se sentir vivo
é exatamente a única coisa sensata
dentro do caos chamado...
mente.
"Onde o Tempo Nasce Tarde".
Aqui os dias nascem tarde.
E, quando finalmente nascem, parecem durar uma eternidade.
O tempo passa de um jeito estranho,
como se cada hora tivesse aprendido a se esticar.
Às vezes me pergunto
se estou envelhecendo mais depressa
ou se foi este lugar
que me recriou de uma forma diferente.
Porque há lugares
que não mudam apenas a paisagem.
Mudam a maneira como o tempo atravessa a gente.
E se?
E se tudo fosse diferente?
E se o destino mudasse o roteiro?
E se o tempo voltasse em silêncio,
corrigindo cada desespero?
E se os encontros não fossem atraso,
nem as despedidas, punição?
E se o amor chegasse primeiro,
antes de qualquer solidão?
Talvez eu fosse outra pessoa.
Talvez o mundo fosse outro também.
Mas a vida não responde aos "e se...",
ela apenas pergunta:
o que você fará com o agora que tem?
A dor ensina a se portar quando já não podemos reagir a tudo. Ensina paciência quando o tempo não obedece à nossa urgência. Ensina resiliência quando a vida nos derruba e, ainda assim, alguma parte nossa decide levantar.
E talvez a maior lição seja esta: resiliência não é aprender a suportar qualquer coisa. É aprender quando permanecer de pé e quando finalmente ir embora.
Talvez a vida não nos permita ter todo o tempo que gostaríamos… 🤍
Mas quando alguém realmente importa, a gente aprende a desejar menos quantidade e muito mais intensidade.
Um café sem pressa.
Uma conversa que atravessa a noite.
Um olhar que diz aquilo que as palavras não conseguem.
Um abraço que faz o mundo parecer distante.
Porque existem momentos que duram pouco no relógio,
mas permanecem por muito tempo no coração.
E se eu pudesse escolher um pequeno pedaço da eternidade,
não escolheria um lugar perfeito,
nem uma vida sem problemas.
Escolheria apenas um instante verdadeiro,
ao seu lado,
onde o tempo pudesse esquecer de passar.
Porque, no fim,
o que torna um momento inesquecível
não é quanto tempo ele durou…
É **quem estava com a gente quando ele aconteceu.** ❤️
Tanto tempo juntos que parece que ficamos, cada dia, mais parecidos um com o outro. Olho pra ela e é como se estivesse de frente a um espelho. Muito mais que isso é que nossos espíritos se fundiram e desapareceram portanto o “meu” e o “dela”, agora é o “nosso” espírito.
Obrigado SENHOR por ter-nos selados para a eternidade.
Ney Paula B.
Na rica literatura bíblica de sabedoria, o Rei Salomão nos ensina que há um tempo determinado para cada propósito debaixo do céu: “há tempo de nascer e tempo de morrer”(Eclesiastes 3:1-2). No entanto, a mesma tradição nos alerta em Provérbios que nossas escolhas diárias têm o poder de gerar vida ou morte (Provérbios 18:21). A verdadeira sabedoria não está em antecipar o fim, mas em honrar o tempo presente. Gastar a mente com a certeza da finitude é inverter a ordem das estações; é escolher o inverno na primavera da vida. Portanto: “Pensar na morte não é perda de tempo — é perda de vida."
Autor: Ney Paula Batista
É que o tempo, esse menino desvairado
que corre no quintal da minha casa,
foi chegando, foi chegando, chegando,
e com ele vieram tantas coisas:
cabelos que foram ficando brancos,
por que não dizer platinados,
rugas que apareceram no canto dos olhos
de tanto que eu sorri na vida,
mãos enrugadas
de todas as vezes que as usei
para escrever minha lida.
Hoje eu me olho no espelho,
talvez os meus olhos ainda não consigam ver
como deveriam,
porque quando eu me olho
eu ainda me vejo tão menina
quanto esse tempo que corre pela vida,
uma menina querendo encontrar paz
e ser feliz.
Mas eu já sou,
nada me falta,
nem amor.
Nildinha Freitas
O Caminhar
Vou me desconstruindo
ao longo do tempo,
sem alardes e sem pressa.
Vou me desmaterializando
de corpo, alma e espírito.
Vou me desmistificando
da carga que trazia;
já não faz sentido algum
estar preso a ela.
Eu preciso caminhar
sem dar ouvidos ao acaso.
A sorte não é amiga,
apenas a competência
diante dos ardis da vida
que nos colocam frente
às adversidades,
desafiando o nosso pesar.
Vou me contestando,
sentindo o frio gelado na espinha
por mais uma batalha vencida
ou perdida.
Vou me destituindo
dos meus "eus",
para estar pronto
no fim do caminho.
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