Versos de Tempo

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À noite, eu olho o mundo ao redor
E tudo parece tão calmo
Ao mesmo tempo em que com tanta pressa
Tudo se move, os carros correm
As pessoas não olham para o que há no interior
Olhares fugazes, brilhos forjados
Todos estão fingindo viver
Enquanto são engolidos pela própria vida
No tempo que nunca mais retornará.


O céu escuro se perde noite adentro
Como as pessoas perdem a si mesmas diariamente
Não há estrelas iluminando a escuridão dessa noite
Mas o vento leva os pensamentos distantes
O que é central se sobressai e revela
Nesse gelo, que quase leva o corpo à tremedeira
Tudo aquilo que tentamos tanto esconder
Brilha mais do que qualquer estrela.
- Marcela Lobato

Entre o Tempo e o Silêncio


Ninguém percebeu quando começou. Talvez tenha sido no instante em que o relógio parou, ou quando o último som se dissolveu no ar como névoa. A cidade, antes pulsante, agora parecia suspensa, como se aguardasse algo que ninguém ousava nomear.


As ruas estavam intactas, mas havia uma ausência que doía. Não era medo. Era expectativa. Como se o mundo tivesse prendido a respiração.


E então, veio o sussurro.


Não pelas bocas, mas pelas paredes. Pelos espelhos. Pelos sonhos. Uma mensagem codificada em memórias esquecidas, em gestos repetidos, em olhares desviados. Algo estava voltando. Ou talvez nunca tivesse ido embora.


A pergunta não era "o que é isso?", mas "por que agora?"


Evans Araújo.

Ela é cor onde o mundo desbota


Quando ela passa,
o tempo desacelera —
como se o universo também quisesse admirá-la.


Tudo ao redor fica em tons de cinza,
mas nela o brilho se multiplica,
como se a vida tivesse guardado
todas as suas tintas
para que só nela houvesse cor.


Meus olhos, que vagavam em busca do belo,
enfim encontram descanso,
como quem chega ao cume da contemplação
e se perde no que vê.


Ela é o instante em que o comum se cala
e o sublime se revela —
e, ao vê-la, desejei que o tempo se rendesse à eternidade.

A vida não espera. O tempo é agora. O futuro é apenas o próximo segundo.


Plante com propósito, mas viva com presença; porque só quem vive o agora tem tempo de colher o amanhã.


Aniz

O sucesso vem das escolhas certas.
Sempre haverá o tempo correto, para as coisas acontecerem.
A natureza é sábia.

Há lembranças que o tempo não apaga; apenas aprende a embalar com mais ternura.
São pedaços de amor que permanecem,
mesmo quando a presença já virou silêncio.


Recordar é como abrir a janela e deixar o vento tocar o rosto:
há doçura, há ausência, há um fio invisível que ainda une.
A saudade, quando vem mansa, é quase oração.
É o coração dizendo baixinho:
“obrigada por ter existido em mim.”


— Edna de Andrade

Com o avanço da Inteligência Artificial
as pessoas terão cada vez mais tempo livre,
até que fiquem totalmente desocupadas.
E desempregadas.

Na ampulheta da vida
Tento recuperar o tempo perdido,
que escapou das minhas mãos
como areia levada pelo vento,
sem que eu percebesse.
E quando me dei conta,
já era tarde demais.

Deixo-me fluir
ao findar da tarde
sem ruídos ao tempo
apenas contemplando
a beleza do horizonte

O tempo corre, mas a ferida não.
O mesmo vazio persiste, amargo e fundo.
Foi a palavra não dita, a incompreensão,
que nos lançou em lados opostos do mundo.
​Não foi a falta de amor, e sim o medo.
A covardia sutil de quem se cala.
Guardamos o maior de todos os segredos:
a dor que o orgulho, em silêncio, instala.
​Nada mudou.
​Mas hoje, na moldura do "antes",
escutei sua voz — um fio de luz,
lembrando os juramentos distantes,
do amor que a alma ainda conduz.
​E se a distância foi por nós criada,
eu creio na ponte que o tempo pode refazer.
Pois o que foi quebrado, em cada madrugada,
ainda pulsa em mim, e pode reviver.

O tempo, cruel, passou em vão.
Viu a estação mudar, o ponteiro avançar.
Mas o vazio aqui, no meu coração,
recusa-se a sair, a se findar.
​Somos dois mundos, sem a ponte.
Distantes, sim, e o drama é meu.
Vejo o futuro lá no horizonte,
mas ele é igual ao dia que você partiu.
​Nada mudou.
​Na quietude fria da sala,
onde só o silêncio me acompanha,
escutei, em uma onda, uma farra,
o murmúrio da sua voz, tão estranha.
​É o toque final desta melancolia:
saber que a dor tem seu nome, sua morada.
O amor se foi, mas a saudade é magia
que te traz de volta, em cada madrugada.

Tudo passa,
O tempo passa e a vida passa.
No final viramos histórias.

No tempo da escravidão corrente e cadeado no pescoço
hoje em dia a escravidão continua
acordo bem cedo para ir ao trabalho
do trabalho para casa
da casa ao trabalho


bem-vindo à nova realidade da escravidão
pois é, ela acabou
só que agora sem chicotada nas costas
sem marcas no braço
a marca é no cansaço


noite após dia
dia após noite
tudo isso para ganhar
menos de um salário mínimo


pois é
essa é a escravidão
nos dias de hoje

Pra hoje? Um poema!

Eu amei

Em mim não existe arrependimento, eu amei, mas, não tive tempo e nem condições de amar, eu amei na adversidade.

No contrário das ondas, no andar contra o vento, no desespero da dor.

Na insônia de minhas noites, na solidão das minhas dores, eu amei na inutilidade que meu ser devora, na ausência de saúde em mim.

No pensar de uma canção de outrora, no pesar de quem não fui bastante, na incerteza do meu choro em pranto.

Amei sem poder amar, mas, amei!

Obs. Esse é um trecho do meu livro: O último dia, do último mês.

Uma frase ou um poema… Parte 1

Lápide

Fiz tudo que o tempo me permitiu fazer, mas, ainda que tivesse tempo, seria tarde pra fazer o que não fiz!

"Quem gasta tempo atacando outra mulher perde tempo de evoluir a si mesma.
Ataques entre mulheres não enfraquecem a outra, só mostram a fraqueza de quem ataca.

Mesmo o tempo sendo o mesmo para todos ele passa diferente para cada pessoa. Cada um aproveita e faz uso dele em intensidade, carinho e modo que lhe faz sentido e satisfaz a alma. E isso com a sua impressão digital. E você, como tem usado seu tempo?


W. Asano

“Por muito tempo, eu estive nesse meio.
Preso entre o que já foi e o que poderia ser, observando a vida passar.
Até o momento em que percebi que era hora de escolher uma fila, de seguir adiante.


A libertação não vem quando fugimos do passado, mas quando paramos de carregá-lo.”

Temporário


Somos momentos.
Dentro de algumas dezenas de anos.
Passando esse tempo, no entanto tão pensante sobre o fim.
Distraindo a mente do caminho que deve seguir.
Senta no sofá e assiste a embriaguez da sua crítica, feita para te salvar da vida submersa nas rotinas.

Quem vive olhando
a vida alheia,
nunca terá tempo
de viver a sua.