Versos de Tempo

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A História nunca foi exclusividade Europeia, nem do tempo traçado pela mesma. Esta pertence a todas às culturas e valores de todos os tempos, do que temos registros escritos ou não, porém relatados pelo ser humano

A morte encerra o tempo das escolhas, mas inaugura o tempo das consequências.

Sou do tempo em que os árbitros eram juízes! Sua decisão era a lei! Hoje, não passam de marionetes, guiados por vozes na cabeça!

Há um erro em acreditar que toda escolha pode ser desfeita. O tempo não é uma estrada de mão dupla. Certos caminhos aceitam apenas a ida, e quem os percorre por impulso descobre tarde demais que o retorno deixou de existir.

É estranho pensar que, depois de tanto tempo com o coração fechado, foi você quem conseguiu fazer eu sentir tudo de novo. E dessa vez, do jeito certo.

"Chega uma hora em que é preciso parar de perder tempo com aquilo que não nos leva a lugar nenhum, deixar o passado para trás e ter coragem de recomeçar do zero, construindo um futuro melhor."

Um dia reencontrei ela após tanto tempo pensei que nunca mais iria ver ela.

A paixão encanta os olhos, mas a convivência revela o caráter. O tempo mostra aquilo que o encanto esconde. Se quiser conhecer alguém antes que a vida revele tudo, converse com os pais.

O tempo transforma homens em memória e o silêncio em herança.

O Primevo nunca nasce nem morre. Precede o tempo, sobrevive à memória e permanece indiferente às metamorfoses da identidade. Apenas aguarda o instante em que as máscaras se enfraquecem para recordar ao homem aquilo que jamais deixou de ser.

⁠O tempo não cura: apenas descasca. Cada estação remove uma pele, até que reste o osso nu daquilo que sempre fomos.

O tempo não passa: dissolve-se. E nós, inconscientes, caminhamos sobre suas águas turvas, acreditando navegar. Cada lembrança é um navio naufragado que insiste em surgir na superfície, e cada encontro, um fantasma de nós mesmos que insiste em nos reconhecer.

O tempo observa em silêncio, indiferente às nossas urgências. Cada escolha que acreditamos decisiva é apenas um fio lançado sobre o abismo, e cada desejo não realizado ecoa como sombra de nós mesmos, lembrando que nada nos pertence, nem mesmo a própria esperança.

A lucidez é um veneno lento: ao mesmo tempo que ilumina as frestas da existência, corrói a ingenuidade que nos mantinha respirando; e assim, entre claridade e vertigem, aprende-se que pensar demasiado é também uma forma de morrer em vida.

A eternidade não é o tempo sem fim, mas o instante em que o coração se dissolve na presença; nesse breve clarão, o universo inteiro cabe no sopro de um ser que se reconhece parte da mesma fonte que o criou.

O tempo esmaga com delicadeza cruel: cada memória se desfaz, cada esperança se dobra, e no espaço entre o que fomos e o que seremos, o vazio se revela como o único companheiro fiel.

O tempo não ensina: ele expõe. Apenas amplia aquilo que já estava inscrito no caráter e na coragem. Quem amadurece não é quem viveu muito, mas quem teve a lucidez de se olhar sem indulgência enquanto atravessava os dias.

Há uma maturidade que não se anuncia: ela se reconhece na recusa de provar valor o tempo inteiro. O ser que já se encontrou não disputa lugar, não implora reconhecimento, não se explica em excesso. Caminha com a sobriedade de quem sabe que a própria presença basta — e que toda necessidade de aplauso é apenas fome de confirmação.

O tempo não é apenas dimensão de passagem — é operador de inscrição psíquica. Não escorre fora do sujeito: deposita-se dentro, como sedimento que modifica a estrutura sem que se perceba o processo. Cada experiência deixa rastro que reorganiza, ainda que imperceptivelmente, a economia psíquica. Quando se tenta mensurar o tempo, o que se mede não é ele: é a extensão da transformação que operou sobre a carne e sobre o aparato de percepção. O sujeito que acredita que o tempo passou descobrirá, se interrogar com cuidado, que foi ele quem cedeu ao desenho paciente que o tempo traçou por dentro.

As doenças psíquicas tornaram-se quase ordinárias no nosso tempo porque o sujeito foi lançado num campo que exige resposta contínua: produzir, aparecer, interpretar, escolher, otimizar — sempre mais, sempre agora. Nesse ritmo, foi-lhe negado o intervalo onde a experiência se decanta e ganha forma. Sem pausa, não há assimilação; sem assimilação, não há consistência. E o que não se sustenta por dentro acaba por ruir em silêncio — ainda que, por fora, permaneça funcional.