Use o Silencio quando Ouvir

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O riso escapa às vezes como quem rouba um remédio proibido. Dói o riso quando sei o preço que ele tem: esquecer por instantes. Mas prefiro esses lapsos de luz a um cotidiano contínuo de negrume, pois há beleza mesmo nos intervalos em que a alma consegue respirar.

Quando a dor parece ocupar toda a sala, eu falo com ela como a um parente. Pergunto seu nome, ofereço café, faço perguntas óbvias sobre seu humor. Às vezes ela responde com socos, outras, aceita sentar e dividir o jornal. Descubro que humanizar o sofrimento é um modo de domesticar o desespero.

Quando me olho no espelho, o reflexo traz um mapa antigo. Marcas de batalhas que ninguém viu, trilhas sem sinal. Ainda assim, há um brilho tímido como vela em igreja pequena. A esperança é um resto de luz que insiste em ser farol. Sento-me e soube que, ao menos, sei esperar.

Ele ficou, quando o mundo desabou em telas mortas e a música aprendeu a sangrar. Com a roupa rasgada pela história, olha anjos quebrados que esqueceram o céu, e corvos que sabem o nome do fim. Há almas passando por ele como neblina que não pede licença, e uma cachoeira distante tentando lembrar que ainda existe queda, e ainda existe som.

Há palavras que se escondem no bolso justo da memória. Aparecem só quando o corpo precisa de consolo. Algumas são duras, outras acariciam a garganta. Se pudesse, as colocaria em moldura e as olharia todas as manhãs. Seria um museu íntimo de pequenas verdades.

Quando penso em coragem, lembro de pequenas decisões. Elas não soam heroicas, mas movem montanhas internas. Trocar o olhar, dizer o nome, abrir uma porta. São gestos pobres, mas imprescindíveis. E a soma deles nos reconstrói, dia após dia.

Quando ela chegou, o amor que eu sentia ficou pequeno, um rascunho diante do que nasceu.

Quando a noite se senta ao meu lado, não falo. Ouço-a dizer o que minhas palavras não alcançam. Ela traz histórias de quem caminhou antes de mim. E entre as histórias, encontro uma trilha de volta. Sigo os passos, mesmo sem saber o destino.

A memória é pássaro que pousa em qualquer janela. Quando pousa, canta e revela céu. Algumas músicas me levam a lugares que nem sei nomear. Elas nascem de saudade e terminam em consolo. E eu as coleciono como quem junta estrelas.

Quando tudo parece ruir, existe um fio invisível. Ele amarra as coisas que não queremos perder. Não se vê, mas se sente firme como corda de navio. Segurar esse fio é ato de fé pequeno e contínuo. E por ele chegamos a novas margens.

Quando lembro de rostos que se foram, sinto biblioteca. Cada rosto é livro que permanece em pé. Releio páginas e guardo citações vivas dentro do peito. A memória é editorial que não fecha jamais. E eu sou leitor fiel dessa editora íntima.

O caminho se torna mais leve quando aprendemos a escolher com sabedoria as nossas batalhas, compreendendo que nem todo desafio merece nosso desgaste. Algumas coisas, na verdade, exigem apenas o silêncio, uma forma de vitória elegante e superior que protege a nossa energia. Já fomos iludidos por promessas vazias, mas hoje a crença reside nas atitudes concretas, pois a verdade sempre assume forma e quem realmente quer, age, o resto é ruído que não merece atenção. A vida nos ensinou a desconfiar das facilidades, sabendo que o que vem rápido se esvai na mesma velocidade, e que a verdadeira permanência exige esforço e construção. Mesmo nos dias em que caminhamos sentindo que estamos sem um destino aparente, o propósito e a guia de Deus permanecem firmes e silenciosos, bastando a certeza de que nunca caminharemos sós. É crucial entender que, embora nem todos mereçam uma segunda chance da nossa parte, nós sempre merecemos recomeçar, sendo o nosso próprio ponto de partida, o nosso destino e a única bússola a seguir em frente.

A fé inabalável é a bússola que nos guia mesmo quando o horizonte se esconde sob densas nuvens de incerteza, sendo a certeza da presença Dele em cada passo. Eu escolho confiar, mesmo sem entender o desenho completo dos planos divinos, pois a Palavra dita que Seus caminhos são mais altos e Seus pensamentos maiores do que podemos conceber em nossa limitada visão humana. É nessa entrega total que reside a verdadeira força, sabendo que a ausência de resposta imediata não significa Seu abandono, mas sim a preparação de algo que transcende toda expectativa, exigindo apenas a paciência daquele que sabe que o melhor de Deus está por vir.

Quando o inimigo tenta nos convencer de que a situação não tem mais solução e que os gigantes são grandes demais para serem vencidos, lembramos que a nossa força não vem de nós, mas do Deus que cria o mar e a terra. A voz do desespero se cala diante da promessa irrevogável de que Ele peleja por nós e nos dá asas para voar sobre o medo, transformando-nos em campeões e vencedores. A vitória não é para os sortudos, é para os persistentes que nunca param de lutar, pois a sua fé inabalável os torna imbatíveis e os coloca no controle divino de cada situação.

A fé me ensinou a esperar, mesmo quando tudo parece tardio, o tempo de Deus não falha, e quando chega, chega perfeito.

Quando o coração se expressa, esculpe-se sempre algo de sacro, e, desse modo, toca-nos a alma, independentemente de outras razões inválidas para a Arte.

AOS PSIQUIATRAS A PROCURA DE FAMA E APROVAÇÃO - A VOZ QUE NÃO CABE NO MANUAL


Quando um homem normal escreve sobre o autismo, dizem que é ciência.
Quando um autista escreve sobre o homem normal ou sua própria experiência, dizem que é delírio.


O primeiro ganha aplausos, o segundo ganha silêncio e às vezes, diagnóstico para pertencer ao circo imaginário.


Parece que o mundo só aceita a diferença quando ela vem traduzida no idioma da maioria?


Mas há coisas que só quem vive pode dizer. E o que se vive, não se explica, se revela, não se inventa ou distorce para próprio benéficio.


Talvez seja isso que tanto assuste,
ver a lucidez onde esperavam loucura,
ou encontrar humanidade onde só enxergavam um caso clínico?


Enquanto isso, seguimos escrevendo,
não para provar que existimos,
mas para lembrar que pensar diferente
também é uma forma de poesia.


Lembre da hora da morte, daqui não se leva nem o corpo, muito menos a fantasia.

Daqui não se leva o corpo,
nem o disfarce.


Só o que fomos
quando ninguém estava olhando.


Do que vale uma vida de vaidades e aprovação comparado a eternidade?

A FARSA DA VAIDADE
O ABISMO DO INVALIDADOR



Quando o trabalho de um indivíduo nasce da tentativa de diminuir o de outro,
em sua origem o invalidador já é uma farsa.


Usurpador que tenta galgar atenção com a ilusão do esforço alheio,
mentiroso sem escrúpulos que sustenta um corpo oco,
voando na brisa da própria enganação.


De todas as vaidades,
quem flutua em ilusão é sempre o primeiro a colidir com o muro da realidade.


Atravessam o tempo apenas aqueles que cultivam o esforço e, sem intervalos,
falam a verdade no silêncio, sem necessidade de cúmplices ou testemunhas.

Perdido em pensamentos, todos atentos e nenhum alento em meu peito quando transpiro você.
Sombra de noite, uivo de dia, gotas caindo, olhos perdidos me perco sorrindo ao lembrar-te.
Não importa o tempo ou julgamentos, só a distancia, em um mundo que se tornou tão pequeno, entre eu e você.