Um Texto sobre a Mulher Maravilhosa

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Um Punhado de Poeira Cósmica


há 13.8 bilhões
de anos,
o universo vem reunindo
os átomos
em movimento constante,


de infindáveis
maneiras,
para formar galáxias,
estrelas, planetas
e vida,


em instantes únicos,
inigualáveis.


especificamente
hoje,
este instante é nosso;
único;
inigualável.


13/02/23
Michel F.M.

[A única coisa certa]


Um dia nossa vida vai acabar,
todas as vidas acabarão.


Um dia nosso planeta se encerrará,
todos os planetas encerrarão.


Um dia nosso sistema dissolverá,
todos os sistemas dissolverão.


Um dia, nossa galáxia se extinguirá,
todas as galáxias extinguirão.


Um dia, nosso universo, se apagará,
todos os universos, apagarão.


Um dia o próprio tempo terminará
E com ele, todos os dias terminarão.


Pois só há uma coisa que perpetua
E não é a vida, não são os universos,
Nem os sonhos ou sofrimentos,


Não é a infinitude, nem o tempo.
Não é o começo de nada e nem o meio,
A única coisa certa, é o fim.


13/06/23
Michel F.M.

O desejo de contar um segredo pode ser movido ao interesse de cativar um inimigo.


Vivemos em uma sociedade egoísta, de alguma forma se construindo justa com dificuldades. Existem traidores...


Mesmo quem precisa de suporte efetivo é tratado com indiferença, negligência, violência e muitas vezes o silenciamento, suicídio, o direcionamento para a morte.


Ciclos de violência espantam as possibilidades de viver o potencial da natureza humana.

Estive entre ossos secos e almas já sem brilho, um cemitério de olhos que não mais ardia. Corvos pousavam nas minhas falhas, cravando olhares como pregos, aguardando o instante em que eu iria finalmente ceder. O vento cheirava a metal e pó, passos distantes soavam como facas nas paredes do peito. Como um carvalho retorcido pela tormenta, segurei o que restava de mim. Juntei raízes como dedos enegrecidos, afundei-os na terra estilhaçada e bebi, com avareza, o pingo de água que sobrava. A umidade tinha gosto de lembrança e sangue seco. Numa fenda da planície estéril, meu cárcere aberto ao sol, apareceu uma lâmina tão pequena que quase se escondia, uma promessa miúda, de luz, como se a aurora tivesse voltado com as unhas quebradas.
Cada fibra do meu corpo lutava contra o esquecimento, contra a areia que roçava os tendões e tentava sepultar a centelha final. A areia não era neutra: sibilava, entrava pelas gengivas, raspava a língua. Sobreviver não bastava. Havia que coagular a dor, transformá-la: o peso da solidão, o sussurro venenoso da desistência, tudo virou húmus amargo para uma vontade que recusava morrer.
O solo rachado não ofereceu descanso, ofereceu lições. Rachaduras cuspiam pó que cheirava a ossos e foi nelas que aprendi a perfurar, a furar a crosta do desespero com unhas encravadas. Busquei, com um fervor áspero, uma nascente que se escondia debaixo do olhar dos mortos, uma força profunda, mútua com a escuridão, que não se entrega ao alcance.
As sombras permaneceram comigo, não como inimigas, mas como mapas invertidos: eram faróis que apontavam para onde eu jamais devia olhar de novo. E então, o tronco que antes dobrava sob o sopro do mundo começou a endireitar, não por graça, mas por insistência, por teimosia sórdida. Mesmo naquele deserto que parecia ter consumido até a fé, a vida voltou, torta e obstinada, rasgando a casca do nada para cuspir, por um instante, seu próprio clarão, sujo, ferido, impossível de apagar.

Um menino de costas carrega nas mãos vazias
tudo o que não pôde salvar. O piano calado chora por dentro, o violão perdeu as cordas como quem perdeu a fé. Anjos sujos ajoelham na lama, pedindo perdão por não terem chegado a tempo. As máquinas, cansadas de pensar, aprenderam o silêncio. E mesmo assim, ao longe, a água insiste em cair, porque o mundo acaba muitas vezes, mas a vida sempre encontra um jeito de continuar descendo.

Há um cansaço que não se cura com o sono, uma espécie de ferrugem silenciosa que começou nos meus ossos e agora dita o ritmo lento do meu sangue.
Viro os bolsos da alma e só encontro os restos de quem eu prometi ser, enquanto o silêncio da casa se torna um inquilino que não paga aluguel e ocupa todos os cômodos.
Escrevo para não ter que gritar contra as paredes, mas as palavras saem como estilhaços de um vidro que eu mesmo quebrei, cortando a garganta antes de ganharem o ar.
O tempo aqui dentro não corre, ele sangra, transformando cada lembrança num peso morto que eu insisto em carregar como se fosse um troféu ou uma condenação.
No fim, sobra apenas esse corpo que é um mapa de lugares onde ninguém mais quer morar, e a triste certeza de que a solidão é a única coisa que nunca me deixou pela metade.

Vivemos tempos em que a pressa virou rotina,
e sentir profundamente passou a ser quase um ato de resistência,
porque o mundo exige respostas rápidas para dores que são lentas,
sorrisos imediatos para feridas que ainda sangram em silêncio,
companhias virtuais para vazios cada vez mais reais,
muitos conversam o dia inteiro, mas poucos realmente se escutam,
há casas cheias e corações desertos coexistindo sem alarde,
gente exibindo felicidade enquanto coleciona cansaços invisíveis,
relações rasas em excesso e compreensão em escassez,
esta é a realidade: nunca estivemos tão conectados e tão ausentes.

Mas *Mas Um Vez, Mais Uma Chance

Quando mais eu tenho que perder até que o meu coração seja perdoado?
Quanto mais eu tenho que sofrer até que eu possa te encontrar novamente?
Mais uma vez, eu não quero que as estações mudem
Mais uma vez, quando nós brincaremos juntos

Sempre que nós discutíamos, eu era o primeiro a desistir
Sua natureza egoísta me fez te amar ainda mais
Mais uma chance, as memórias restringem os meus passos
Mais uma chance, eu não posso escolher o meu destino

Estou sempre procurando sua imagem em algum lugar
Na plataforma oposta, nas janelas, pela rua
Mesmo sabendo que você não estaria em tal lugar
Se o meu desejo se tornasse realidade, eu estaria ao seu lado agora mesmo
Não haveria nada que eu não pudesse fazer
Eu arriscaria tudo e te abraçaria

Se eu apenas não quisesse me sentir sozinho
Qualquer um serviria, mas
De noite parece que as estrelas cairão por isso
Não consigo mentir para mim mesmo
Mais uma vez, eu não quero que as estações mudem
Mais uma vez, quando nós brincaremos juntos

Estou sempre procurando pela sua imagem em algum lugar
Em um cruzamento, no meio dos meus sonhos
Mesmo sem chance que você estaria em tal lugar
Se um milagre acontecesse, eu logo mostraria a você
Uma nova manhã, quem eu estou me tornando
E as palavras que eu nunca disse: Eu te amo

As memórias do verão circulam, de repente, minha pulsação desapareceu

Estou sempre procurando pela sua imagem em algum lugar
No amanhecer da cidade, em sakuragi-cho
Mesmo sabendo que você não viria para tal lugar
Se o meu desejo se tornasse realidade, eu estaria ao seu lado agora mesmo
Não haveria nada que eu não pudesse fazer
Eu arriscaria tudo e te abraçaria

Estou sempre procurando por um pedaço seu
Em uma banca de jornal, numa loja de viajantes
Mesmo sabendo que você não estaria lá
Se um milagre acontecesse, eu mostraria a você
Uma nova manhã, quem eu estou me tornando
E as palavras que eu nunca disse: Eu te amo

Eu acabo sempre procurando pelo seu sorriso em algum lugar
No cruzamento dos trens, esperando o expresso chegar
Mesmo sabendo que você não estaria em tal lugar
Se pudéssemos recomeçar nossas vidas, eu estaria ao seu lado o tempo todo
Eu não iria querer nada mais
Nada importaria além de ter você de volta*

Minha Vida, Minha Voz.

Estou aqui tentando explicar: não é um ensaio, é vida real.

Ao iniciar uma escalada, sempre haverá luzes e sombras que te acompanham — e é por isso que sua luz precisa ser forte e intensa.

Negue-se a viver refém do medo, esse é o meu recado.

Sua vida precisa ser guiada pela sua própria voz, não pela de terceiros. Seja sua própria diva. Ria, sorria, gargalhe — afinal, esses gestos suavizam a vida e a tornam mais leve.

Não se assuste: não temos dublê. Ainda que pequenos, podemos ser grandes e poderosos — mas, acima de tudo, precisamos ser do bem.

Não se esconda para sofrer ou chorar sozinho. A vida sempre foi um mistério, e dividi-la também é parte do caminho.

Não é pecado ser. Dizem que são os atos que definem, mas o que seria do amor sem os atos? Sem os toques, os abraços, os choques?

Na verdade, seja sempre sincero e transparente. Não tenha medo do amor, pois as formas de amar são um leque aberto.

Penso que o mundo ainda não está preparado para a sua realidade e sua igualdade. Talvez porque muitos conceitos tenham sido corrompidos — e o que foi transmitido, muitas vezes, soa ilógico, irracional e cruel… ao menos dentro da minha visão.

Bem-vindo à minha sinceridade.

Cada vida é um colar. Pérolas!
Cada momento é uma conta. Valores, costumes, realizações, dores, alegrias, conhecimento, histórias…
Quem parte lega sua jóia. Algumas ficam bem guardadas. Quase esquecidas.
Outras são passadas de geração em geração. Com o passar do tempo muitas se arrebentam.
E as contas ficam por aí, perdidas nas frestas dos assoalhos.

A saudade é um oceano. Profundo, imprevisível e, muitas vezes, indomável. Quando alguém que amamos parte, somos lançados a esse mar sem aviso, sem mapa e sem bússola.
No começo, tudo parece um naufrágio: as lembranças vêm como ondas altas, quebrando sobre o peito, levando o ar, o chão e o sentido.

Um “Deus abençoe”, um “Senhor, visita essa vida”, já carrega um poder imenso quando vem de um coração que se importa.
Não é sobre a forma… é sobre a fé. Não é sobre quantidade… é sobre verdade.
Então, não deixem de orar por alguém por acharem que não sabem “orar bonito”. O céu se move também nas orações simples, porque Deus nunca despreza um coração sincero.
Que cada pequena oração nossa seja como um abraço invisível alcançando quem precisa.

Sou como um canto que nasceu livre, mas aprendeu cedo o peso invisível das próprias grades, não as que se veem, mas as que se sentem no fundo da alma. Há em mim um desejo antigo de voo, desses que não pedem destino, apenas horizonte, mas que se desfazem toda vez que a lembrança me puxa de volta. Minha liberdade mora longe, talvez no tempo em que o peito ainda não conhecia o silêncio imposto pela dor. E mesmo assim, continuo cantando baixo, como quem tenta não esquecer a própria essência, ainda que tudo ao redor insista em aprisioná-la. Porque existem almas que nasceram para o céu, mas aprenderam a sobreviver dentro de gaiolas feitas de saudade.


- Tiago Scheimann

Trago no peito a lembrança de um tempo simples, onde o riso corria solto e a vida cabia inteira na inocência de dois caminhos que ainda não conheciam despedidas. Éramos feitos de chão, de poeira e de afeto bruto, desses que não se explicam, apenas se vivem, como se o mundo fosse pequeno demais para nos separar. Mas o tempo, silencioso e inevitável, foi abrindo distâncias onde antes só havia presença, transformando parceria em memória. Hoje carrego comigo aquilo que ficou, não como peso, mas como parte de quem me tornei, marcado pelas ausências que ensinaram mais que qualquer permanência.
Porque existem laços que nascem lado a lado, mas o destino insiste em escrever em caminhos diferentes, deixando na alma a saudade do que poderia ter sido eterno.


- Tiago Scheimann

O corpo é um mapa de lugares onde ninguém mais quer morar, um terreno baldio cheio de placas de “vende-se” que ninguém se interessa em comprar. Mas eu ainda cultivo algumas flores nesse solo cansado, umas orquídeas de esperança que teimam em brotar entre as rachaduras. E mesmo quando o vento leva embora o pouco de cor que resta, há raízes silenciosas insistindo em permanecer, como se soubessem algo que eu ainda não entendi. Porque dentro desse abandono aparente, existe uma vida que não se rende, uma força quase invisível que recusa o esquecimento. Talvez ninguém veja beleza nesse cenário quebrado, mas há uma espécie de milagre discreto acontecendo aqui, uma resistência quieta, que não pede aplauso, só espaço para continuar existindo. E é nessa teimosia delicada que eu ainda me reconheço.


- Tiago Scheimann

O sofrimento é o cinzel nas mãos de um escultor invisível, retirando de nós o excesso de vaidade para revelar a essência de mármore. É preciso a agonia de um prelúdio de Chopin para que possamos entender a paz que sucede a tempestade interior. Não tente apressar o tempo da sua cura, pois cada nota tem seu tempo exato de ressonância no salão da vida. A beleza que nasce da dor é a única que possui autoridade moral para falar sobre a esperança.


- Tiago Scheimann

Não busque a cura que apaga o passado como se ele fosse um erro, mas busque a força que transforma a cicatriz na sua medalha de honra mais valiosa e reluzente. O mundo tentará silenciar o seu grito com a mediocridade do barulho cotidiano, então transforme-o em um adágio eterno, profundo e absolutamente inabalável. No final, o que sangra em você hoje é o que dará ressonância à sua majestade amanhã.


- Tiago Scheimann

O amor real não é um refúgio covarde contra a tempestade, mas o compromisso inegociável de dois náufragos que decidem construir uma ilha de paz no centro exato do furacão. Exige a coragem brutal de mostrar as próprias ruínas sem maquiagem e a paciência de reconstruir, pedra por pedra, o altar da confiança em solo movediço e incerto. Não aceite afetos rasos que temem a profundidade das suas águas escuras e a complexidade do seu arranjo interior mais íntimo e sagrado. Quem não sabe lidar com a gravidade do seu silêncio, jamais terá o direito de reger as sinfonias que pulsam em suas veias abertas. O amor é para os que não temem a intensidade de uma nota sustentada até o limite do fôlego.


- Tiago Scheimann

Que cada palavra aqui escrita seja um semente de superação, um escudo de honra e um hino de amor pela vida que não se rende à mediocridade do deserto rasteiro e sem alma. Você é o mestre da sua sinfonia, o autor da sua história e o arquiteto da sua paz interior sob as estrelas infinitas de um destino que você mesmo esculpe. Toque a sua música com todo o seu ser, ame com toda a sua verdade e viva com a dignidade suprema de quem sabe que o sublime é o seu único e verdadeiro lar.


- Tiago Scheimann

A felicidade é um ato de resistência política e espiritual contra um mundo que lucra com a nossa angústia e que se alimenta da nossa sensação de incompletude constante. Sorrir diante do abismo é a forma mais refinada de protesto, pois prova que o espírito humano possui uma fonte de luz que nenhuma treva externa é capaz de sufocar totalmente. Que a nossa alegria seja profunda e fundamentada na lucidez, nunca na ignorância, sendo o farol que guia outros náufragos para a praia da dignidade.


- Tiago Scheimann