Um dia a Gente Aprende Mario Quintana
O LUGAR DA TRANSGRESSÃO
Encontrei um sapo cochilando dentro de
Minha botina. Nunca me meti em botina
De sapo. Que liberdades são essas?
Vivo um romance psicológico
inigualável morando num carrossel
de perguntas sem respostas,
Não tem como não negar
que a gente combina por dentro,
Se de longe isso é percebido,
imagino como deverá ser quando
estivermos perto um do outro.
Admito o estupor labiríntico vertiginoso
em estado de alta costura poética,
em nome do desejo efervescente
renovado constantemente
pelo lance ignescente, sedutor
ou talvez até mesmo perigoso,
desta anatomia metafísica
que sutil ocupa constante a derme
com eflúvio vibrante e perene.
O verbo sardanapalesco tem como
rito costurado os meus poros
para receber os teus poderosos,
e tornar-me a habitante dos sonhos,
que cuida e eleva os teus impulsos,
Com sabor de Goiaba-serrana
para trazer sorriso com gosto -
para a rendição do teu corpo todo.
A nova era da pandemia mundial revela aos poucos um triste quadro preocupante, de uma grande quantidade de doentes físicos e biológicos, de doentes emocionais e mentais e de doentes espirituais e dimensionais.
Um jeito ausente tão presente no olhar
Você chegou sem barulho, mas fez casa no silêncio.
Tem um jeito ausente tão presente no olhar... Corpo que foge pro mundo, olhos que ficam aqui, me achando em cada pausa.
Teu olhar não mente.
Diz "fica" quando você se cala. Diz "eu tô aqui" mesmo quando jura que foi embora.
E é nesse paradoxo que eu moro.
No amor que não faz alarde, mas permanece. Que me olha distraído e me encontra inteira.
No fundo, teu olhar é tua forma mais sincera de ficar.
E eu escolho morar nele.
As palavras doces
e os mimos só cansam
quando não há uma
intenção verdadeira;
Quando há uma
intuição excessiva,
elas rompem a represa.
RECOMEÇO
Uma visão, uma mão sobre o vidro da janela.
Um pensamento alheio, longe, vago, distante
Um destino a ser traçado, uma nova vida a ser definida
Olhos distantes buscam o vazio. Vidas não vividas.
É noite. A cidade acordara. O breu lá fora apavora
Às luzes ultrapassam as cortinas que através do vidro emolduram a sala
O medo ficou do lado de fora. É tempo de repensar, de ir além
O que estava guardado a sete chaves e o que estava oculto vieram à tona.
O Jazz toca na vitrola. A nostalgia se fez presente.
O passado trouxe lembranças de um tempo que desconhecemos
E que precisava ser vivido hoje. Resquícios de uma vaga lembrança. Um filme.
Nossa música, um vinho na taça, um brinde, uma dança.
Uma caneta esquecida no móvel da sala. Um pedaço de papel sobre a mesa
História para contar. Relatos que nem lembrávamos de que um dia fez parte
Da nossa história. Vem. Chegou a hora. Precisamos revirar as páginas
Recomeçar. Reescrever. Reinventar ou talvez deixar acontecer.
A madrugada se despede neste momento e eu preciso partir.
O que precisava terminar, o tempo se encarregou de levar
Um novo período irá começar. Uma nova porta irá se abrir.
Uma nova chave no chaveiro. Um novo tempo e uma nova escolha.
A Literatura não é, como tantos supõem, um passatempo. É uma nutrição.
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