Um dia a Gente Aprende Mario Quintana

Cerca de 442033 frases e pensamentos: Um dia a Gente Aprende Mario Quintana

O que prejudica a minha preguiça prejudica o meu trabalho.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
Inserida por pensador

O comum dos homens só se interessa pela sua própria pessoa, mas o poeta só se interessa pelo seu próprio eu.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
Inserida por pensador

A borboleta mais difícil de caçar é o adjetivo.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
Inserida por pensador

A morte não iguala ninguém: há caveiras que possuem todos os dentes.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
Inserida por pensador

A poesia, como todo verdadeiro jogo, é uma luta da astúcia contra o acaso.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
Inserida por pensador

O espaço é cheio de buracos: nós, as coisas, os mundos. A perfeição seria o espaço puro, fica ele a pensar com os seus buracos... Mas isso, Sr. Espaço, é uma coisa tão impossível como a poesia pura.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
Inserida por pensador

Sempre fui metafísico. Só penso na morte, em Deus e em como passar uma velhice confortável.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
Inserida por pensador

A nossa própria alma apanha-nos em flagrante nos espelhos que olhamos sem querer.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
Inserida por pensador

O progresso é a insidiosa substituição da harmonia pela cacofonia.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
Inserida por pensador

O ópio

Dizem os comunistas que a religião é o ópio do povo; outros dizem que o ópio do povo é precisamente o comunismo; se pedissem a minha opinião, eu diria que o ópio do povo é o trabalho.

Mario Quintana
Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2006.
Inserida por pensador

Do trabalho

O trabalho é a farra dos velhos.

Mario Quintana
Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2006.
Inserida por pensador

"Pus meus sapatos na janela alta, sobre o rebordo.
Céu é o que lhes falta pra suportarem a existência rude.
E lá, imóveis eles sonham
Que são dois velhos barcos abandonados
À margem tranquila de um açude."

Inserida por rapha777

⁠Da condição humana

Se variam na casca, idêntico é o miolo,
Julguem-se embora de diversa trama:
Ninguém mais se parece a um verdadeiro tolo
Que o mais sutil dos sábios quando ama.

Inserida por pensador

⁠Sempre

Sou o dono dos tesouros perdidos no fundo do mar.
Só o que está perdido é nosso para sempre.
Nós só amamos os amigos mortos
E só as amadas mortas amam eternamente…

Inserida por pensador

⁠Viver

Quem nunca quis morrer
Não sabe o que é viver
Não sabe que viver é abrir uma janela
E pássaros pássaros sairão por ela
E hipocampos fosforescentes
Medusas translúcidas
Radiadas
Estrelas-do-mar… Ah,
Viver é sair de repente
Do fundo do mar
E voar…
e voar…
cada vez para mais alto
Como depois de se morrer!

Mario Quintana
O segundo olhar. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2018.
Inserida por pensador

⁠Verão

Há sempre, afastada das outras, uma nuvenzinha preguiçosa que ficou sesteando no azul.

Mario Quintana
O segundo olhar. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2018.
Inserida por pensador

⁠Canção de vidro

E nada vibrou...
Não se ouviu nada...
Nada...

Mas o cristal nunca mais deu o mesmo som.

Cala, amigo...
Cuidado, amiga...
Uma palavra só
Pode tudo perder para sempre...

E é tão puro o silêncio agora!

Mario Quintana
Antologia poética. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.
Inserida por pensador

⁠Da arte de escrever

O mais difícil da arte de escrever é quando temos que redigir as dedicatórias.

Mario Quintana
O segundo olhar. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2018.
Inserida por pensador

⁠Guerra

Os aviões abatidos
são cruzes caindo do céu.

Mario Quintana
Antologia poética. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.
Inserida por pensador

⁠Uma simples elegia

Caminhozinho por onde eu ia andando
E de repente te sumiste,
– o que seria que te aconteceu?
Eu sei... o tempo... as ervas más... a vida...
Não, não foi a morte que acabou contigo:
Foi a vida.
Ah, nunca a vida fez uma história mais triste
Que a de um caminho que se perdeu...

Mario Quintana
Antologia poética. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.
Inserida por pensador