Um dia a Gente Aprende Mario Quintana
Quando o professor acata a denominação de colaborador dentro de um sistema de ensino transformado em empresa, deixa de ser agente transformador, emancipador, para se assumir como construtor de modelo satisfatório para este sistema que enxerga como objetivo de suas ações, a excelência do próprio sistema e não o aluno.
A inquietação que paira na dúvida sobre um determinado agir, não é a insegurança na consciência do ato, mas o medo da resposta que possa vir.
A dificuldade que um aluno apresenta em sala de aula, pode estar onde nenhuma metodologia ou prática pedagógica possa chegar, sendo assim, o educdor deve ter a sensibilidade de enxergar o que o impossibiloita de evoluir.
Quando se educa comprometido com a demanda de um sistema que produz a desigualdade, desfaçada em necessidade, não há construção de conhecimento, mas produção de ensino, pois educar se traduz em algo a mais do habilitar para as nescessidades de um mmercado.
Na ansiedade da busca de ser feliz, esquecemos que somos um constante vir a ser, logo nunca seremos, assim, estabelece o paradoxo da ideia do ser, que nos coloca como completo, contrariando a nossa incompletude.
A escola é um poço de contradições, onde a solução está no discurso que nunca se concilia com o ato.
Dentro de um sistema educacional onde se adota a ideologia neoliberal, o foco deixa de ser o aluno para direcionar as ações em prol dos resultados, mensurados por um modelo de avaliação arcaico, excludente e que ignora a diversidade dos avaliados.
Numa educação movida por metas, o verdadeiro professor é um colaborador, dentro do sistema, que se frusta por se ver cobrado para apresentar um modelo de ensino que ele repudia, por não se identificar com a ideologia educacional de fabricar resultados.
O homem precisa enxergar que ele não é o ser mais importante na natureza, mas um deles, que tem, diferentemente dos demais, meios de contribuir para que todo o sistema consiga manter a sua harmonia, mas para isso, esse homem denominado de sapiens, deve agir como tal.
Um aluno que chega ao 5° ano do ensino fundamental, sem ter se apropiado da habilidade leitora, não sendo portador de nenhum trastorno de aprendizagem, o problema não é dele, mas de um sistema que construiu uma ideología do educar para obtenção de resultados apresentáveis.
O que é ser livre em um mundo coberto pelo medo?
Que liberdade podemos desfrutar se não sabemos até aonde podemos ir, pois o livre arbítrio do ir e vir, não nos pertence, pelo menos para a classe desafortunada de seguranças privados, de condomínios fechados, de carros blindados, de proteção por não pertencer de nenhum dos lados, e ainda por cima, temos que ver e ouvir tudo calado, pois é uma pequena garantia de não terminarmos velados.
Como posso chegar para um aluno e dizer-lhe que tenha uma alimentação saldável se ele me ver com uma garrafa de coca? como posso falar de inteligência naturalista e cuidados do meio ambiente para os alunos de uma escola, se os professores dessas escola utilizam copos descartáveis na hora do lanche? Como posso falar de consumo consciente se sou homo consumptor? Como posso querer que meus alunos escutem falando sobre reciclagem seletiva e a importância de enxergarmos que mais importante do que reciclar é não produzir o que reciclar, se não acredito no processo e muito menos sou capaz de enxergar o que eu quero que eles enxerguem?
A vida é um ciclo interminável, que termina para todos, parq que outros possam continuar nos seus ciclos, que por sua vez também terá um fim e assim continue sendo.
Não há nada mais inquietante para um professor do que perceber que faz parte de um processo de ensino e aprendizagem que pode ser taduzido pelo significado, literal, da palavra "processo", pois o mesmo é uma sequência contínua de fatos ou operações que apresenta uma unidade, contrariando a diversidade que é uma caracteristica inata daqueles que ele pretende mediar o conhecer.
Quem passa o seu tempo
em busca de um sentido para a vida
esquece de viver sentindo
o que ela pode lhe oferecer,
logo, ele não passa pelo tempo,o perde.
Quando tratam a educação como meio populista de um governo, não obtemos, dos atos de seus agentes, aprendizagem, e sim, respostas de estratégias que focam os esforços em produzir números satisfatórios.
Aquele que não tem um sonho,
apenas sobrevive, caminha com o único objetivo de seguir fazendo o que sempre fez.
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