Tudo Oque eu Sentia Acabou
Exercício para ganhar tempo
Eu queria nesta tarde chuvosa
nem de alegria ou lamento
um pouco de urbanidade do tempo
e neste dia vinte e seis
outubro quase fim que é
deste ano que apressou o pé
um pouco mais de consideração
Do senhor de todas as horas
Peço todas as demoras
Não tenho pressa não
REFLEXO DA VIDA
O que importa o que sou? Importa quem eu sou imaterialmente. O que fiz, faço e o que ainda posso fazer para com as pessoas. É o que mais faz sentido hoje. Doar-se.
O que importa é como eu trato as pessoas e como convivo com quem amo. Como luto pelo bem-estar das pessoas. É como um espelho que reflete. Se elas estão felizes também estou. É o meu ideal de vida. Batalhar para as coisas darem certo, para as pessoas terem o direito a algo que já pertencem a elas.
Lutei contra muitos, me magoei na maioria das vezes. Chorei até secarem todas as lágrimas que tinha dentro de mim. Nadei contra a maré muitas vezes sem me cansar. Mas, nunca desisti de lutar. Nunca. Sempre me defrontei com muitos obstáculos, mesmo assim venci todos. Conquistei muitas coisas e outras ficaram para trás por motivos que não consigo descrever aqui.
Terminei sendo alguém que por ações pouco consegui avançar, porém, que profundamente procura expor o que sente através das palavras. As palavras escritas e publicadas jamais serão destruídas ou mesmo vencidas.
Elas serão imortais e exprimem sentimentos que brotam das profundezas ocultas do meu íntimo.
Não sei de que lugar eu pertenço. Em que área eu me localizo, de onde venho ou quem sou. Vivo na incógnita da vida. Nos profundos e intensos mistérios que ela me reservou. Apenas me refaço a cada segundo e sobrevivo intensamente a cada momento. Rita Padoin
Eu me faço e me refaço até chegar no caroço. Renasço a partir daí, como se o mundo estivesse me levando em seus braços.
Há um amor
Há um amor dentro de mim
Dentro de mim há um amor
Ele grita querendo sair
Eu o alimento para não morrer
As cortinas do tempo abriram-se
E o palco da vida se iluminou
Transformando o espaço
Em um grande cenário mágico.
Fechei os olhos para te imaginar
E trazer-te para junto de mim;
Vieste, trouxeste teu sorriso maroto.
Meu coração dedicou-te todo meu sentimento.
A bruma da manhã divide seu aroma,
A cortina se fecha guarnecendo a cena
Deste amor que guardei
Esperando-te chegar.
Se preciso de amor? Lógico! O amor está enraizado em mim. Ele vive em aqui dentro e eu sobrevivo dele.
É claro que o tempo é o meu guardião e as horas minha bussola. Só que nada tem importância se eu não estiver alinhada a tudo.
Refúgio nas Linhas
Eu poderia me declarar, mas o medo de ser rejeitada me faz recuar. Não nasci para o desprezo – nasci para ser aceita, amada e adorada. São as minhas exigências como mulher. Trago em mim a convicção de que a mulher nasceu para ser amada, admirada e idolatrada. É a minha essência: romântica, inteira e sonhadora. Prefiro recolher-me em mim mesma do que receber um “não” ou um “talvez” sem coragem. Há dentro de mim um lugar sagrado, reservado ao amor e o amor, quando chega, precisa ser inteiro.
Eu poderia ligar, mandar mensagens, áudios – qualquer outra coisa revelando o que sinto. Poderia fazer surpresas, enviar músicas que tocam meu coração e minha alma, músicas que talvez tocassem a dele também. Eu poderia escrever uma carta manuscrita. Cartas a próprio punho são tão românticas –revelam a presença íntima de quem escreve, o perfume do papel, o calor das mãos que desenharam palavras amorosas. É como se o coração encontrasse refúgio nas linhas.
Há tantas formas de se declarar. No amor são infinitas as possiblidades. Eu saberia como fazê-lo, mas e se...e se desse errado? E se ele apenas achasse graça da minha declaração? E se não entendesse minha intenção? E se não sentisse o mesmo que eu? Esses “e se” ficam pipocando na minha cabeça e não me deixam seguir adiante. Deixam-me em polvorosa, só de imaginar-me tentando me declarar – e recebendo um “não” como resposta.
Preciso tratar esse meu ferimento interno. Cuidar da autoestima que, talvez, ande em baixa. Não sei responder às perguntas que me faço diariamente sobre esse medo da rejeição. Já pensei, repensei, tentei encarar o que pode ter acontecido num passado não tão distante. Tentei relembrar fatos que me deixaram assim, mas nada vem à mente. Talvez, eu precise reorganizar meu mundo interno, entender que é coisa da minha cabeça, que esse medo não existe de verdade. Talvez essa rejeição que sinto seja apenas fruto da minha imaginação. Talvez seja só isto. Talvez.
Talvez eu escreva uma carta ou mande uma mensagem me declarando. Amar é se arriscar. É colocar o coração na beira do precipício. E se ele dizer não, aceitarei, pois terei dito o que sinto – e isso, por si só, já é uma forma de liberdade.
Rita Padoin
Escritora
Eu me faço e me refaço até chegar no fundo – e renasço, como se o mundo me carregasse em seus braços.
Desafio
Eu sempre desafio o mundo. Desafio porque quero provar certas coisas que nem eu mesma sei se estão certas ou erradas. Só sei que sou capaz – capaz de qualquer coisa. Sou forte o suficiente para seguir sem me ferir.
Essa luta de provar algo é para que eu mesma entenda. Porque a vida não quer saber de provas; ela exige demonstrações. A vida quer que eu assuma meus erros e meus acertos. Quer que eu supere os obstáculos.
E eu, sem entender seus propósitos, sigo vivendo.
Rita Padoin
Escritora
Tenho traumas que nem eu mesma compreendo. É um pavor que consome minha alma e não me permite seguir em frente.
Amor invisível
Eu amo alguém sem rosto, sem corpo e sem nome. Amo como se o próprio amor me abraçasse. É um sentimento que não sei explicar, mas sinto, com certeza, que ele existe. Está em algum lugar deste mundo ou talvez além dele. É como se nossas almas se reconhecessem nessa travessia silenciosa, ainda sem encontro, mas já entrelaçadas no invisível.
Não é como o amor carnal. É encontro de essência, de espírito, onde não há distância nem tempo. Ali, nos reconhecemos, nos entregamos, e nos alimentamos desse laço sutil.
Assim como o corpo precisa do alimento físico, a alma também busca o seu sustento. E é nesse amor invisível que ela se fortalece, se nutre e continua a existir.
[Pre-Chorus]
Cansei de ler entrelinhas
De esperar sua notificação
Hoje eu viro a página
E desligo a conexão
[Chorus]
Vou deixar você em modo avião
Dar um descanso pro meu coração
Chega de espera, chega de iludir
Vou deixar você em modo avião
Bloqueio as saudades e a tensão
Chega de novela, chega de mentir
Hoje eu te digo para ter calma e confiança, pois as dificuldades passam e a força se renova a cada amanhecer.
A Alegria Por Um Fio...
(Múcio Bruck)
Era eu um entusiasta da vida
Com meus segredos, planos e aspirações
Meio perdido: um adolescente "virando" adulto
Sem domínio das explosões incontidas
Meus planos de vida eram poucos
Mas os que me haviam eram riquíssimos
Estudar, trabalhar, ter um emprego
Amar... Ah, como me era caro o amor
Era único, era real, era-me necessário
E, o temor e em plena imaturidade
Descobri nos arroubos que me vinham
"Amar nada se relaciona com saber amar"
Naqueles idos, tinha prá mim
Que seu valor era maior que o meu próprio eu
Que você, em minha natureza
Merecia entregas e meu mundo particular
Eis o meu engano, erro maior de mim
Ter-me suprimido e a vendo maior
Maior que eu ou de tudo o que eu era
Me peguei pequeno ante de sua grandeza
Como um relação assim poderia vingar?
Você, "madura", a tudo via e nada dizia
Parecia gostar, mas, sem se importar
Fosse com minha entrega
Fosse com a prioridade de um diálogo
Assumo, o negro ciúme feria-me
Hoje, sei que tudo se deu por seu desamor
Minha ilusão era sua satisfação
Não me pergunte se eu sou mais emocional ou racional, pois eu opero constantemente sendo ambos — o sujeito emocional e o racional — porém, estabeleço uma hierarquia, onde o emocional raramente dá a palavra final.
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