Tudo Oque eu Sentia Acabou
E hoje eu aprendi que estar sozinho não é sinônimo de solidão, mas apenas um momento de reconciliação entre você e sua própria alma.
Percebi que agradar alguém quando se está se desagradando é o maior sinal de falta de amor próprio e você deve realmente procurar alguém que te ajude a recuperá-lo, antes que seja tarde demais.
Aprendi que enquanto você chora, a maior parte ri. E, que o choro de lágrimas revoltadas e raivosas são tão inúteis quanto querer perto aquele que não te quer.
Enxerguei que quando as pessoas perdem a paciência comigo, a minha já se esgotou há tempos e estou concentrada, tentando ser alguém melhor.
Aprendi que recebemos presentes inesperados, de pessoas inesperadas e, que estes presentes, quase sempre nem são materiais, são olhares, palavras, abraços, coisas que durante a limpeza do armário nunca conseguirei jogar no lixo.
E eu vi que buscar amizades é a coisa mais tola que podemos fazer! Verdadeiros amigos nos amam como somos e aceitam, ajudam; não destilam palavras negativas a seu respeito quando não concordam com você.
Entendi que posso ficar horas, dias, semanas tentando explicar a complexidade de meus sentimentos a alguém e, isso não muda o fato de que ele, provavelmente, jamais entenda nem mesmo uma palavra do que eu disse e ainda me julgue como chata ou louca.
Mas, mais que tudo, aprendi que todos os dias vivo aprendendo, descobrindo, vendo coisas que ontem mesmo estavam diante de mim e eu não enxergava.
Que exuberância é mesmo viver! Nunca temos a última oportunidade, a última vez, a última descoberta. O caminho abriga segredos só descobertos pelos mais audaciosos.
Todas as vezes que desacreditei, a vida se encarregou de mostrar todo o brilho. Só vê o brilho quem quer, só sente, quem deixa a magia tomar conta...
Sim! Eu sei muito bem de onde venho!
Insaciável como a chama no lenho
Eu me inflamo e me consumo.
Tudo que eu toco vira luz,
Tudo que eu deixo, carvão e fumo.
Chama eu sou, sem dúvida.
Hoje eu sou o retrato do fracasso
Inquilina da solidão
Íntima da tristeza e amiga da depressão
Veja, oh, bela moça; olhe onde você chegou, veja onde sua sede por felicidade te levou, estás agora presa em uma dimensão de fingimento. Cuide de tua depressão antes que termine em morte.
Não fique assim, bela moça,
Não fique triste, por favor.
Recupere suas forças,
Floresça no amor.
Erga tua cabeça,
Lute! Sempre em frente!
Mas nunca se esqueça,
Ainda existe "a gente"!
Sorria e seja gentil,
Ame e seja amada.
Mostre pra quem ainda não viu...
Que a guerreira está armada!
Porque eu tenho pesadelos que parecem tão reais até quando você me abraça. E eu acordo triste, e brigo de verdade e passo o dia grave e dolorida como quando a gente leva um tombo no piso liso... que é só o passado. É como se eu sentisse um ciúme horroroso do meu livro predileto comprado em sebo, a dedicatória apaixonada que não é a minha, os resquícios do manuseio de outras mãos. Alguém corrompeu o trecho que eu mais gostava quando grifou à caneta algo que não pude apagar com borracha e que era tão secretamente meu. Desenhou corações onde só havia minha dor e eu discordei da interpretação alheia. E achei aquilo tudo de uma crueldade atroz. Mas permaneci com o livro no colo, cheia de um afeto confuso por ele: afeto pelo que era, angústia por já ter sido de outro alguém, e aquela sensação (imbecil) de falta de exclusividade. Eu que sempre achei que tudo é e está para o mundo. Perdoa o meu senso de autoimportância, já que não consigo perdoar o meu egoísmo. Eu sei que em alguns presentes, no embrulho, laços do passado são aproveitados. Eu só queria que eles não fossem tão vermelhos: desses que doem nos olhos e no coração.
Chore por mim, eu posso te comprar qualquer coisa, mas a dor ainda é a mesma e o dinheiro não ajuda.
A partir de agora, se me prenderem, eu viro herói. Se me matarem, viro mártir. E se me deixarem solto, viro presidente de novo.
Dentro do cartão, eu dizia a Sam que o presente que eu estava dando havia sido dado a mim por minha tia Helen. Era uma velha gravação em 45 rpm com "Something", dos Beatles. Eu costumava ouvir todo o tempo quando era pequeno e pensava em coisas de gente grande. Eu ia para a janela do meu quarto e olhava meu reflexo no vidro, e as árvores por trás, e ouvia a música por horas. Decidi na época que, quando conhecesse alguém que eu achasse tão bonita quanto a canção, eu daria o disco de presente a essa pessoa. E não quis dizer bonita por fora. Eu quis dizer bonita de todas as formas. E assim, eu estava dando para Sam.
Você sabe que eu não sou do tipo que costuma amar. Ou você acaba magoando alguém, ou alguém te magoa. Então qual é o sentido?
São os pequenos detalhes que eu observo, aqueles que quase ninguém se importa, aqueles que quase ninguém vê, aqueles que quase ninguém ouve, aqueles que quase ninguém faz, são esses detalhes que fazem a diferença, são esses detalhes que mudam totalmente o rumo de uma história, são esses detalhes que mais gente precisa ver.
É incrível como as pessoas esperam que eu seja perfeito para elas, mas paciente com o defeitos delas.
Jamais pense que você saiu da minha vida porque decidiu. Desculpa, mas eu só desisto das coisas que não me interessam mais.
Eu não quero espaço. Quero você. Quero você perto de mim o tempo todo. Na verdade, quero você comigo agora. Eu só quero você, ok? Mande uma mensagem, ligue, mande um pombo-correio, qualquer coisa. Faça o que quiser, mas não me dê espaço.
Eu posso alcançar a imortalidade: basta não me desgastar.Você também pode alcançar a imortalidade: basta fazer apenas uma coisa notável.
Não é que eu faça questão de ser feliz, eu só queria que parassem de morrer de fome a um palmo do meu nariz.
Eu sou meio pacata, às vezes impulsiva. Eu sou muito sensata, às vezes emotiva. Eu sou um tanto chata, um tanto positiva. Louca de fato, complicadamente viva.
CANTE LÁ QUE EU CANTO CÁ
Poeta, cantô da rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.
Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,
Sem de livro precisa
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá, que eu canto cá.
Você teve inducação,
Aprendeu munta ciença,
Mas das coisa do sertão
Não tem boa esperiença.
Nunca fez uma boa paioça,
Nunca trabaiou na roça,
Não pode conhece bem,
Pois nesta penosa vida,
Só quem provou da comida
Sabe o gosto que ela tem.
Pra gente cantá o sertão,
Precisa nele mora,
Te armoço de fejão
E a janta de mucunzá,
Vive pobre, sem dinhêro,
Trabaiando o dia intero,
Socado dentro do mato,
De apragata currelepe,
Pisando inriba do estrepe,
Brocando a unha-de-gato.
Você é munto ditoso,
Sabe lê, sabe escreve,
Pois vá cantando o seu gozo,
Que eu canto meu padece.
Inquanto a felicidade
Você canta na cidade,
Cá no sertão eu infrento
A fome, a dô e a misera.
Pra sê poeta divera,
Precisa tê sofrimento.
Sua rima, inda que seja
Bordada de prata e de oro,
Para a gente sertaneja
É perdido este tesôro.
Com o seu verso bem feito,
Não canta o sertão dereito
Porque você não conhece
Nossa vida aperreada.
E a dô só é bem cantada,
Cantada por quem padece.
Só canta o sertão dereito,
Com tudo quanto ele tem,
Quem sempre correu estreito,
Sem proteção de ninguém,
Coberto de precisão
Suportando a privação
Com paciença de Jó,
Puxando o cabo da inxada,
Na quebrada e na chapada,
Moiadinho de suó.
Amigo, não tenha quêxa,
Veja que eu tenho razão
Em lhe dize que não mexa
Nas coisa do meu sertão.
Pois, se não sabe o colega
De quá manêra se pega
Num ferro pra trabaiá,
Por favô, não mexa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá que eu canto cá.
Repare que a minha vida
É deferente da sua.
A sua rima pulida
Nasceu no salão da rua.
Já eu sou bem deferente,
Meu verso é como a simente
Que nasce inriba do chão;
Não tenho estudo nem arte,
A minha rima faz parte
Das obra da criação.
Mas porém, eu não invejo
O grande tesôro seu,
Os livro do seu colejo,
Onde você aprendeu.
Pra gente aqui sê poeta
E fazê rima compreta,
Não precisa professô;
Basta vê no mês de maio,
Um poema em cada gaio
E um verso em cada fulô
Seu verso é uma mistura
É um ta sarapaté,
Que quem tem pôca leitura,
Lê, mais não sabe o que é.
Tem tanta coisa incantada,
Tanta deusa, tanta fada,
Tanto mistéro e condão
E ôtros negoço impossive.
Eu canto as coisa visive
Do meu querido sertão.
Canto as fulô e os abróio
Com toda coisas daqui:
Pra toda parte que eu óio
Vejo um verso se buli.
Se as vez andando no vale
Atrás de cura meus males
Quero repará pra serra,
Assim que eu óio pra cima,
Vejo um diluve de rima
Caindo inriba da terra.
Mas tudo é rima rastêra
De fruita de jatobá,
De fôia de gamelêra
E fulô de trapiá,
De canto de passarinho
E da poêra do caminho,
Quando a ventania vem,
Pois você já tá ciente:
Nossa vida é deferente
E nosso verso também.
Repare que deferença
Iziste na vida nossa:
Inquanto eu tô na sentença,
Trabaiando em minha roça
Você lá no seu descanso,
Fuma o seu cigarro manso,
Bem perfumado e sadio;
Já eu, aqui tive a sorte
De fumá cigarro forte
Feito de paia de mio.
Você, vaidoso e facêro,
Toda vez que qué fumá,
Tira do bôrso um isquêro
Do mais bonito meta.
Eu que não posso com isso,
Puxo por meu artifiço
Arranjado por aqui,
Feito de chifre de gado,
Cheio de argodão queimado,
Boa pedra e bom fuzí.
Sua vida é divertida
E a minha é grande pena.
Só numa parte de vida
Nóis dois samo bem iguá
É no dereito sagrado,
Por Jesus abençoado
Pra consolá nosso pranto,
Conheço e não me confundo
Da coisa mio do mundo
Nóis goza do mesmo tanto.
Eu não posso lhe inveja
Nem você invejá eu
O que Deus lhe deu por lá,
Aqui Deus também me deu.
Pois minha boa muié,
Me estima com munta fé,
Me abraça, beja e qué bem
E ninguém pode negá
Que das coisa naturá
Tem ela o que a sua tem.
Aqui findo esta verdade.
Toda cheia de razão:
Fique na sua cidade
Que eu fico no meu sertão.
Já lhe mostrei um ispeio,
Já lhe dei grande conseio
Que você deve toma.
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá que eu canto cá.
(De Cante lá que eu canto Cá - Filosofia de um trovador nordestino - Ed.Vozes, Petrópolis, 1982)
Eu. Sim, eu mesma.
Sozinha, sem ninguém, sempre serei eu. Eu sou a única que pode julgar a forma como eu ando, o jeito do meu cabelo, as minhas roupas e o meu corpo. A única! Sou eu que irei tomar as decisões pra minha vida, sendo boas ou não. Sou eu, mais ninguém. O resto das pessoas que me julgam, dizem o que eu faço ou deixo de fazer, são apenas pessoas, que sabem o meu nome, e mais algumas coisas sobre mim. O que eu já passei, e os problemas que passo ainda, só eu sei. Por essas e outras, eu vivo a minha vida, da maneira como eu acho melhor pra mim.
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