Tudo Oque eu Sentia Acabou
— palhaço —
e foi assim, entre seus risos,
que eu traduzi a maneira
dela dizer que me amava,
sem dizer que me amava.
Eu chegava,
transito intenso,
carros e pessoas cruzavam,
olhei para o relógio,
era quase quatro horas da tarde,
meu coração assaltava algumas batidas.
Eu a vi pela janela,
e foi como uma fotografia,
nunca mais esqueci
dos detalhes do dia
em que eu a conheci.
Talvez eu precise me ouvir mais,
em voz alta, ou em silêncio.
Saber o que realmente se passa
em minhas angústias e em meu tédio.
Fazer uma lista do que eu amo,
fazer uma lista do que eu gosto,
uma lista do que eu quero,
ou talvez, até listar menos.
Talvez eu precise ouvir aquela música
mais algumas vezes.
Talvez eu só precise conversar com calma,
com a criança ressentida
em minha psique, e finalmente,
explicá-la que crescemos.
Talvez, eu só precise sorrir mais,
lembrar que, em uma realidade
em que eu não tenha nada,
eu trocaria tudo,
pelo que tenho.
Talvez, eu só precise
lembrar que hoje,
é tudo que eu preciso.
E se eu não reclamar,
do celular que descarregou,
do ônibus que atrasou,
do guarda-chuva que quebrou
e da chuva que me molhou.
Será que assim,
até às sete horas
da noite,
meu dia já melhorou?
Parecia que
a vida sorria,
quando eu me via,
quando eu me descobria,
quando eu me permitia.
A vida sorria,
quando nela
eu existia.
Me manda
áudio sorrindo,
me fala do seu dia,
manda sua música favorita.
De você, eu só quero
coisas que não se guarda
numa galeria de fotos.
Eu gosto de gente emocionada
Em algum momento nessa linha do tempo eu me perdi, na parte de que você ser uma pessoa emocionada virou sinônimo de coisa ruim. Claro. Eu entendo que existe o extremo dos dois lados, mas aqui não vim falar de exageros, no sentido literal da palavra.
Quero falar daquelas situações que não nos importamos com os “limites” que a sociedade impôs, sobre o quanto você deve sentir ou não sobre uma determinada situação. É como se em seu consciente, tivesse de estar sempre atento sobre quais formas e intensidade deve-se expressar ou não. Porque de acordo com o que dizem, existe uma linha tênue entre ser uma pessoa ''dentro dos padrões'' e uma pessoa emocionada.
Ser considerado uma pessoa emocionada para mim, é alguém que sente com toda sua intensidade e está presente de corpo e alma, que não se importa de fato de como é que vão interpretar aquilo, importante é que consiga se expressar verdadeiramente o que existe em você. E não necessariamente isto precisa ser uma declaração imensa e nem o tempo todo, mas o fato de não importar com opiniões alheias, nem mesmo o amedrontador sentimento de vulnerabilidade ao expor o que sente, já é uma forma muito boa de praticar a liberdade.
E a liberdade carrega consigo a aventura e a mania constante que a vida tem de surpreender. E para romper esse estado de torpor que a sociedade aplica sutilmente, é preciso aventurar por essa liberdade, e para isso é também preciso tal ato de coragem.
Portanto, eu gosto de pessoas emocionadas, assim como que ter qualidade de tempo é mais importante do que ter tempo, viver com intensidade é melhor do que simplesmente viver.
Meus olhos ainda procuram por você,
em lugares que eu sei que você não está,
mas que você esteve comigo.
Não sei se te procuro
com o cabelo preto curto,
ou pelos ruivos cacheados.
Não sei se te procuro
sozinha ou com alguém.
A sua imagem
ficou impressa minha memória,
está lá, de alguma maneira
em todos os lugares que estivemos,
mesmo que não estamos mais lá,
meus olhos ainda procuram por você.
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