Tratar as Pessoas
Gosto de pessoas: intensas, incorpóreas, inadiáveis e que tragam nos olhos poemas e, no peito, infinitos.
Conheci pessoas com alma de paraíso a viverem em infernos.
Conheci pessoas com alma de infernos a viverem em paraísos.
Há momentos na vida em que devemos fazer uma dieta espiritual: pessoas, lugares, rotinas, sentimentos, confiar e acreditar.
Já ajudei pessoas a emergir do abismo, mesmo quando eu próprio nesse momento, estava no fundo desse abismo.
As pessoas intensas vibram cento e sessenta e quatro horas num dia, vivenciam trezentos e sessenta e cinco dias em seis meses, dormem mil quatrocentos e sessenta horas ao ano e relativamente ao Amor, são galácticas, falam a língua do Universo e das almas.
Manter milhões de pessoas no mundo abaixo da linha de pobreza é propositado. Metodologia eficaz.
Os famintos não pensam;
Jamais sairão do ciclo da indigência;
Morrerão miseravelmente.
A arte incomoda. Principalmente quando vem de pessoas cheias de personalidade, errantes e imperfeitas. Ter a arte na sua alma, quer dizer ter a fome que provoca a paciência, ter arma que desarma e pesa sobre guerras internas e externas.
Ter arte é calar sem sequer ouvir a si próprio. É gemer calado, é exprimir o inesperado.
A Arte incomoda a mim e a tantos.
Eu tenho uma coisa boa dentro de mim... Não guardo as pessoas... Guardo o que elas representam para o que eu represento em mim
Não exijo amor alheio
Mas insisto em amar o alheio
Há muitas ausências nas pessoas de muitos lugares. As vezes desejo bem no meu íntimo, viver em outro lugar que não seja desta mesma complexidade que o mundo se alimenta em seu rumo progressivo e destruidor. Como eu queria a solidão da planície verde, do deserto de paz, da invasão dos ventos me abraçando. Um outro lugar que não seja este planeta cheio de horrores. Me sinto bem e em casa quando estou perto da natureza. O único lugar que me sinto melhor mas que infelizmente culpada... Pq está natureza está ferida, derrotada em sua esperança de se manter. Nós destruímos a cada dia nosso lugar, o nosso habitat natural.
As plumas mesmo sendo macias, quando caem sobre as feridas, fazem doer.
E as pessoas perversas ou mal intencionadas que sabem disso... é que direcionam o vento que as carregam.
E pode ser um gesto tão leve, delicado, que se torna adoravel aos olhos. Mas no final, um abismo se abre e o pesadelo vislumbra toda a beleza das plumas.
