Tradição Gaúcha
Pala amigo
Meu velho pala amigo
Companheiro de vaquejada
Contigo rodeei os muros
Das geladas madrugadas.
Meu velho amigo, meu pala
Do aço provaste o gosto,
E sem fazer muito esforço
Cerzi alguns buracos de bala.
Agora descansa ai...
Deitado sobre os pelegos,
Feito a velha gaita surrada
Pelo tempo e pelos dedos.
Minuano aguerrido,
Não te faz de distraído...
Com certeza tu sabes
Da enorme saudade
Que sibila na tua canção,
Pois traz na tua garupa,
Mais que frio... traz solidão...
Brasão farroupilha
Meu velho manto sagrado de pala a coberto
Sempre com muito valor te levei na minha encilha,
Hoje te trago por cima dos meus joelhos dobrado
Pois sei que no meu passado, muito tu me cobriu
Da chuva, do vento e do frio...
Hoje... porém, estou velho não monto só pastoreis...
Quando me despedir dos arreios que encilham esta vida
E se fizer liberta minha alma farroupilha,
Te levarei jaz ali... jogado por cima,
Minha mortalha, o meu brasão farroupilha.
Galpão Fronteira.
Velho galpão de madeira
Aonde canta o Bem-te-vi
Rude construção campeira
Na margem do Rio Vacacaí.
Foste meu primeiro abrigo
No aconchego com meus amigos.
Rodeado pelo Arvoredo
A beira dos areais
Estou sob seu teto
E não esquecerei jamais.
Nas sombras dos Angicais
Saudades guardo de ti
Lembranças de outrora
Dos tempos de guri.
Grande galpão fincado
Já com portas e janelas
Ainda ouço o burilar
Do vento na batida das tramelas.
Chuva caindo do alto
Vento minuano ou geada
De longe vejo teu vulto
Assentado na beira da estrada.
Que Nossa Senhora permita
E que nosso Deus queira
Que sempre posso estar junto à ti
Grande Galpão Fronteira!
Um dia vendi meu cavalo.
Foi num domingo, nessas voltas de rodeio...
Eu garboso bem faceiro vinha com pingo a lo largo....
Me ofereceram um trago e seguimo ali proseando...
Logo vieram ofertando uns troco no meu Picasso...
Era lustroso o bagual, calmo como chirca em barranca...
Mansidão não hay quem compra, disse um velho paisano...
Largaram uns peso no pano de primeira refuguei...
Depois logo pensei, hão de cuidar do pingo...
Eu nunca fui de apego, meu rancho é a solidão...
Ainda dei o xergão e vendi o meu velho amigo...
Quando voltava pras casa, a pezito curando o trago...
Fui lembrando das andanças que fizemos pelo pago...
Lembrei até duma noite, que quase se fomo nas barranca...
Por causa de uma potranca o Picasso enlouqueceu...
Depois obedeceu e voltou a compostura...
São coisas da criatura, da natureza do bicho...
Eu sei bem como é isso comigo se assucedeu...
Mas eu já tinha vendido, de nada mais adiantava...
A vida continuava, quantos já venderam cavalos...
Uns bons outros malos, mas é coisa da tradição...
Depois pegamo outro potro...
Domamo e mais um tá pronto pras lides de precisão...
E assim se passaram os anos, e nunca mais vi o Picasso...
Mas ainda tinha a lembrança daquelas festas campera...
Debaixo de uma figueira nos posando prum retrato...
Eu virado só em dente, tamanha felicidade...
E ele bem alinhado, com pescoço arrolhado, mostrando garbosidade.
E o tempo foi passando, eu segui domando potros...
Mas um deu pior que outro nunca mais tirei pra laço...
Lembrava do meu Picasso, manso, bom de função...
Trazia ele na mão, nunca me refugo...
Desde do dia que chegou potranco bem ajeitado...
Se acostumou do meu lado vivendo ali no galpão...
A vida é cerca tombada, quando se sente saudade, dói uma barbaridade...
O coração em segredo as vezes marca no peito, qual roseta na virilha...
Não fica bem pro farroupilha ter saudade dum cavalo...
Que jeito se vai chorar, são coisas de índio macho...
Sentimento é um relaxo difícil de aquerencia...
Mas o tempo vem solito, não trás amadrinhador...
Num dia desses de inverno, juntando geada no pala...
Eu vinha nos corredor pensando nas cosa da vida...
Foi quando vi um cavalo magro ali atirado junto a cerca caída.
Fui chegado mais perto daquele coro jogado
Os olho perdido e triste, me perguntei qual existe gente mala nesse mundo.
Pra atirar assim um crinudo, pra morrer a própria sorte
Pedi licença pra morte em me cheguei sem alarde.
Não creio em divindade, mas o milagre aconteceu
Ali na beira da cerca, quando me olhou com tristeza...
Na hora tive a certeza que aquele pingo era o meu.
Levei ele pro rancho, tratei e curei os bixado...
Dei boia e fique do lado, até ele melhora...
Perdão meu Picasso amigo, agora ficas comigo...
Não te vendo nunca mais...
Por mim pouco importa se já não serves pra lida...
Aqui será tua vida até o dia que morrer...
Talvez não tenha perdão, sofresse em outras mãos...
O que fiz naquele dia?
Te vendi por alguns trocados, um amigo não tem preço, o que fiz foi judiaria...
Nunca mais vendo cavalo.
Acordei meio abatido, pensei ter sido engolido pelas frustrações do dia passado, mas sempre ao meu lado meu bom e velho livro o mesmo que foi escrito a milênios já transformados.
Talvez quem ouça não creia mas minha fé é segura e não há altura que desafie meu consciente, tentando desesperadamente me tirar o norte no balanço da morte desta vida consequente.
"Gaúcho Raiz"
Sou peão, xucro mesmo
Levo minha prenda pela estrada
E não me preocupo com nada
Carrego sempre minha adaga
É ela quem me defende
Sou galdério de traz pra frente
E meu verso
Não é repetente
Sou gaúcho raiz
Nascido lá no rincão
E trago minh tradição
De sapiranga
A porto Alegre
Que aprendi la no galpão
Lembrança do meu casebre
Cabelos de Prenda
Os cabelos de uma prenda
devem ser bem cuidados,
e sobretudo perfumados,
os cabelos de uma prenda
podem ser como ela quiser
e podem até mesmo ser
curtos porque o comprimento
dos cabelos jamais definem
a feminilidade de uma mulher.
Se for uma prenda veterana
de cabelos longos em especial
se usa um elegante coque
para mostrar quem é quem
manda como um fino toque
de quem conhece todos
os passos e ritmos percorridos
que a lapidaram como mulher.
Os cabelos de uma prenda
sempre são capazes de capturar
o coração de um gaúcho
como se pega um peixe no rio,
por isso devem receber
o devido trato sempre fio a fio.
As mulheres têm por tradição nos menosprezar quando o assunto se refere à paternidade de meninas ou às tarefas domésticas! E elas são tão convincentes, tão boas nisso, que muitos de nós acabam acreditando.
No livro do Gênesis, narra-se que segundo a tradição judaica o homem foi criado à imagem e semelhança do próprio Deus. Se ponderarmos algumas das características inerentes à Deus, destacaremos dentre elas que Ele é justo, perfeito e reto. Se, correlacionarmos então, que, o homem criado à sua imagem e semelhança, ao buscar viver em integridade, justiça e retidão vai impreterivelmente, parecer-se com seu Criador, Deus.
Na minha casa café é tradição, não começo meu dia sem toma meu cafezinho!
Olha qual é o meu preferido café que transforma meu dia, com muito mais alegria!
Prender miúdos e proteger graúdos é a tradição brasileira que nós estamos fazendo força para superar.
Nada me impressiona nesse mundo, orgulho, honra e tradição. Será que todos são imbecis e não entenderam que de nada vale tanta vaidade se a única certeza da vida é o paradoxo, a própria morte ?
Cuscuz nordestino!
No nordeste é tradição
é o alimento preferido
é a melhor combinação
quando tem ovo mexido
e na mesa do cidadão
pode até faltar feijão
mas o cuscuz eu duvido.
- Relacionados
- Frases gaúchas femininas que traduzem a essência da mulher do Sul
- Chimarrão
- Frases sobre cultura e tradição popular que honram raízes
- Dia do Gaúcho: 23 frases para celebrar o 20 de setembro
- Frases gaúchas que são um retrato da alma e da tradição sulista
- Versos gaúchos que revelam a magia e a tradição sulista
- Frases sobre tradição
