O Sábio e o Tolo
Não é através do silêncio que alguém tolo e confuso se torna um sábio. Aquele que é sábio, como se tivesse uma balança, pesa e adota apenas aquilo que é bom.
O tolo quer que tudo aconteça no seu tempo e do seu jeito, o sábio espera e confia no tempo e no jeito de Deus.
Sobre a Vaidade da Sabedoria
A sabedoria não leva a nada.
Como morre o tolo, morre o sábio.
Tudo o que o sábio sabe é, em última instância,
para alimentar a própria vaidade —
para poder se orgulhar do que supõe ter entendido.
É verdade que, às vezes, a sabedoria o livra
de certos abismos onde o tolo cai sem perceber.
Evita-lhe perigos, enganos, precipícios.
E o tolo, ignorante de tais ciladas,
paga caro — muitas vezes com a própria vida,
morrendo antes da hora,
ceifado pela própria inconsequência.
Contudo, nem isso é razão suficiente
para que o sábio receba honras imerecidas
por seu árduo trabalho em busca do saber.
Pois todo conhecimento, por mais vasto,
se perde no tempo e no espaço,
como areia que escapa por entre os dedos
do homem que acreditava segurá-la.
A crítica ao tolo é perda de tempo, uma vez que só o ofende. Ao sábio, no entanto, o faz poupar tempo, pois se norteia e aprende.
Sábio é o que se cala, e deixa o tolo falar a vontade, pois o sábio aprende mais pela boca do tolo, do que o tolo pode aprender por mil dizeres bem colocados pela boca do sábio.
Tem tolo que é inteligente, porém o homem sábio, logo percebe que a inteligência sem humildade não leva a honra verdadeira.
O tolo é tolo mesmo, e por mais que tente favorece-lo para o torna-lo mais sábio, é em vão o seu trabalho nisso.
