Todo Sopro que Apaga uma Chama Reacende
Incisões de uma Alma Poética
O tempo
e o vento
levam tudo...
Nunca
as palavras
germinadas,
entalhadas
na alma...
O tempo devora,
o vento dispersa,
tudo se vai...
Tudo,
menos as palavras
que sangraram da alma,
gravadas em silêncio,
como cicatrizes
que não cedem
à erosão dos dias...
O tempo passa,
o vento leva...
Mas ficam,
no âmago,
as palavras
que um dia floresceram
em terreno de dor e beleza,
raízes sutis
que o esquecimento
não alcança...
✍©️@MiriamDaCosta
Afirmar que uma operação com mais de 100 mortes é um sucesso... É no mínimo deficiência cognitiva somada à puro sadismo caracterial ...
Assim como dizer que criticar as dezenas de mortes é defender criminoso... que os mortos foram poucos... que todo mês deveria ter uma operação como essa... é sinônimo de sociopatia ... um distúrbio da psique humana , muito atual nessa sociedade gravemente doente...
Usar a inteligência , desde o combate ao crime até a interpretação do nefasto resultado... não é prerrogativa de uma sociedade cada vez mais longe do entendimento de si mesma e de seus deveres e direitos... que chamá-la de sociedade chega à ser um insulto ao significado do termo...
Mas... quem sou eu para criticar ou julgar os críticos e juízes de plantão...que só enxergam as leis dentro de meio palmo do próprio raciocínio... muito limitado .
Fiquem em paz 🕊 Sejam paz 🕊
✍©️@MiriamDaCosta
A aridez dessa contemporaneidade
Vivemos uma época em que a inteligência,
a criatividade e o talento perdem espaço
para a estultícia, a esterilidade e o hebetismo.
O mais inquietante é que essas últimas parecem ser não apenas toleradas, mas premiadas e aplaudidas...
Estamos atravessando um tempo estranho,
um tempo em que a ignorância veste gala,
a mediocridade desfila confiante, e o talento é silenciado.
A estultícia virou espetáculo,
a esterilidade virou mérito
e o hebetismo, agora, é aplaudido de pé...
Há dias em que sinto que a inteligência
anda cansada,
que a criatividade se recolhe,
e que o talento se torna um sussurro
no meio do alarido...
Enquanto isso, a estultícia dança,
a esterilidade sorri para as câmeras,
e o hebetismo colhe aplausos...
✍©️@MiriamDaCosta
Um dia,
eu sussurrei à brisa
que queria escrever uma poesia...
Logo depois,
ela voltou para me arrastar
num vendaval de versos...
Certa vez,
eu confessei à brisa,
quase em segredo,
meu ( constante) desejo inquieto
de parir uma poesia...
Mal terminei o sussurro
e ela voltou feroz, decisa,
me puxando pelos pulsos,
me lançando inteira
num vendaval de palavras
que me cortavam e me curavam
ao mesmo tempo...
Um dia,
eu murmurei à brisa
que meu coração ansiava
por escrever poesia...
Ela ouviu.
E, suave como quem conduz um destino,
voltou para me tomar pela mão,
erguendo-me delicadamente
num bailado de versos,
onde cada sopro
era um convite para sentir
e cada palavra
um abraço do vento...
✍©️@MiriamDaCosta
Fiz uma aliança
com a paciência e o silêncio,
eles são imbatíveis
no decorrer do tempo.
Fiz uma aliança solene
com a paciência e o silêncio.
Eles não se apressam,
não se ferem
e não se desgastam
apenas atravessam o tempo
com a força indestrutível das coisas
que sabem esperar.
Eu, que já fui tempestade,
aprendi com eles
que nada vence aquilo
que permanece firme
no seu próprio ritmo de eternidade.
Fiz uma aliança mansa
com a paciência e o silêncio.
São meus companheiros antigos,
guardiões do instante.
No decorrer do tempo,
descubro que eles vencem tudo...
o ruído das urgências,
o peso das inquietações
e das horas que tentam me arrancar
de mim mesma.
Com eles, aprendi a respirar o mundo
no sopro suave do que não pressiona,
mas floresce...
✍©️@MiriamDaCosta
Passado...Futuro...Presente...
O passado é uma casa onde já moramos,
e que podemos visitar vez ou outra,
sem nos demorarmos nela.
O presente é a casa onde vivemos
e que precisamos cuidar com atenção.
O futuro é uma casa em construção,
da qual ainda não sabemos
se chegaremos a abrir a porta.
O passado é uma casa velha que ainda cheira a nós,
paredes impregnadas de ecos,
móveis que guardam nossos silêncios.
Visitamos, às vezes, só para lembrar
que já fomos outros
e que não podemos morar ali de novo.
O presente é a única casa habitável:
tem luz acesa, chão gasto,
plantas que precisam de água
e um telhado que pede reparos —
é viva, é urgente, é agora.
O futuro é um terreno em obras, poeira suspensa,
barulho de martelos, vento atravessando vãos.
Não sabemos se veremos essa casa pronta,
nem se haverá chave para nós,
mas seguimos sonhando a planta dela.
O passado é uma casa onde deixamos
versões antigas de nós;
às vezes voltamos, devagar,
como quem acaricia um álbum amarelado,
mas sabemos que não há cama pronta
nem lugar para ficar.
O presente é a casa que respira conosco,
com suas frestas, suas manhãs,
seus pequenos cuidados cotidianos
que sustentam o que somos.
O futuro é uma casa azul desenhada no horizonte,
em obras, em névoa, em promessa,
e caminhamos rumo a ela
sem saber se um dia
ela nos reconhecerá na porta.
✍©️@MiriamDaCosta
Dilúvio Universal
Não existe uma arca
onde se possa abrigar e salvar
a si mesmo, a fauna e a flora.
Não há como sobreviver
ao dilúvio
da ignorância humana.
✍©️@MiriamDaCosta
A vida é uma fruta.
Saboreie!
Morda o instante,
deixe o suco correr,
não economize doçura...
A vida é uma fruta.
Saboreie!
Morda o instante
e deixe o suco doce do agora
tocar seu paladar...
A vida é uma fruta madura
que escorre pelos dedos
antes mesmo da gente perceber.
Saboreie sem pudor,
rasgue a casca,
morda com fome,
deixe o caldo manchar tudo,
pois viver é essa lambança bela
que não se lava nunca...
A vida é uma fruta que repousa
entre as mãos que a acolhem.
Saboreie devagar,
como quem escuta o silêncio
do próprio coração.
Cada mordida é um instante que se abre,
um perfume que se desprende,
um gesto de ternura com o tempo...
✍©️@MiriamDaCosta
A verdade é uma só…
Dos bastidores em geral
(políticos, humanos, íntimos)...
a única certeza que temos
é que não sabemos da missa
nem a metade...
O que chega até nós
é só o eco, o ruído,
a sobra da sobra
de algo muito maior,
muito mais sujo,
muito mais ardiloso
do que ousamos supor...
E eu, só de imaginar,
sinto horror,
sinto náusea,
sinto o peso de tudo
o que nunca veremos,
de tudo o que é varrido
para debaixo do tapete,
para trás da cortina,
para debaixo da mesa,
para dentro das sombras
onde a verdade apodrece
sem testemunhas...
©️✍@MiriamDaCosta
Ser ignorante
é uma condição humana,
ser menos ignorante
é possibilidade de todos,
mas... infelizmente,
é capacidade de poucos.
✍©️@MiriamDaCosta
Lembranças da Infância 🌺 Hibisco-Colibri 🌺
Houve um tempo
em que entre uma brincadeira e outra,
pegávamos uma florzinha fechada
de hibisco
para sugar o mel dela.
Era um tempo
onde o mundo escondia doçuras
e a natureza era companheira generosa
nas descobertas.
Éramos pequenos colibris
aprendendo o sabor da vida
direto da flor, sem pressa,
sem medo e sem saber que aquilo
também era felicidade.
✍©️@MiriamDaCosta
Existe uma contradição, fruto da ignorância
do não saber/conhecer e também do caráter,
no afirmar que Trump liberou a Venezuela de um ditador.
Óh, céus da ignorância!!!
Onde um ditador pode liberar
um Nação de outro ditador?!!
Essa ignorância nasce tanto da ignorância política quanto da má-fé discursiva.
Dizer que Trump “libertou” a Venezuela de um ditador é um nonsense conceitual.
A resposta é simples e incômoda:
- Em lugar nenhum.
Isso só existe na propaganda, na ignorância política ou na conveniência ideológica.
E acreditar nessa narrativa exige ignorar o óbvio , ou seja, o autoritarismo não se
combate com autoritarismo.
Isso não é libertação , é pura propaganda política de parte.
✍©️@MiriamDaCosta
Critica-se a Lei Rouanet em nome de uma suposta “indignação ética”, sem sequer compreender que ela não é esmola,
não é “dinheiro dado a artistas”,
mas um mecanismo de renúncia fiscal , dinheiro que já sairia do bolso público e que passa a ser direcionado, com regras, para cultura, educação simbólica, memória e pensamento crítico.
Os mesmos que se arvoram como “cidadãos do bem”:
receberam auxílio emergencial indevidamente,
vivem de benefícios estatais históricos,
defendem privilégios corporativos (militares e suas viúvas e filhas eternamente pensionistas),
e jamais questionam isenções fiscais bilionárias concedidas a bancos, igrejas e grandes empresas.
A indignação, portanto, não é moral , é seletiva.
Ela escolhe alvos simbólicos fáceis: artistas, intelectuais, escritores e produtores culturais vários.
Porque cultura incomoda, questiona, expõe contradições, desorganiza certezas e encenam a história que tentam apagar.
Não se trata de repúdio ao uso do dinheiro público.
Trata-se de repúdio àquilo que pensa, cria e revela.
Em resumo:
Não odeiam o Estado beneficiador,
odeiam o Estado quando ele não os beneficia diretamente; e odeiam ainda mais quando ele financia ideias, sensibilidade e pensamento crítico que são contrários às próprias ideologias politicas, religiosas e culturais.
✍©️@MiriamDaCosta
A Medalha Ajoelhada e Profanada
Não foi um gesto de paz.
Foi uma reverência.
Maria Corina não ofereceu uma medalha,
ofereceu-se.
Despiu-se da dignidade
e a deixou no mármore frio
da Casa Branca,
ajoelhada diante de um homem
que nunca carregou a paz
nem no discurso,
nem nas mãos.
Uma medalha do Nobel
(símbolo que deveria arder
como consciência)
foi reduzida a adorno político,
a chave dourada
tentando abrir portas
que se movem por interesse,
não por justiça.
Há algo de profundamente indecente
em entregar a “paz”
a quem cultiva muros,
ameaças, sanções
e guerras travestidas de ordem.
A medalha não caiu das mãos:
foi arrancada da ética.
Não houve altivez,
não houve soberania,
não houve respeito ao próprio povo.
Houve submissão encenada,
gesto calculado,
dignidade trocada
por um aceno imperial.
Quando a paz é usada
como moeda de barganha,
ela deixa de ser símbolo
e se torna farsa.
E quem a entrega assim,
sem pudor, sem vergonha,
não "enobrece" o destinatário,
empobrece a si mesma,
perdendo cada vestígio de dignidade,
e trai o sentido da palavra
que fingiu honrar.
Vergonha para todo o Universo feminino!
✍©️@MiriamDaCosta
Encontrar o sentido da existência
é como encontrar
uma pérola rara e preciosa
dentro da concha do viver.
✍©️@MiriamDaCosta
*26 de janeiro - Dia Mundial da Educação Ambiental*
Como proporcionar uma Educação Ambiental
num mundo que carece de Educação Humana?
Essa pergunta não é apenas pedagógica,
é civilizatória.
Vivemos em uma era
que ensina a explorar,
mas não a respeitar;
a consumir,
mas não a cuidar;
a competir,
mas não a coexistir.
Fala-se em sustentabilidade
sem tocar na insustentabilidade
das relações humanas.
Discute-se o futuro do planeta
enquanto se negligencia o presente
da dignidade, da empatia,
do pertencimento.
A crise ambiental não nasce
no solo devastado,
nas florestas queimadas
ou nos oceanos adoecidos.
Ela nasce antes,
no empobrecimento
da sensibilidade humana,
na ruptura do vínculo
entre o homem e a vida.
Educar para o meio ambiente exige,
primeiro, educar para o cuidado,
para a responsabilidade,
para o reconhecimento do outro
(humano ou não)
como parte do mesmo sistema vital.
Não se preserva aquilo
que se enxerga como recurso.
Preserva-se aquilo
que se reconhece como relação.
Enquanto a Educação Humana for substituída
pela lógica da indiferença,
da pressa, do lucro acima da vida,
qualquer Educação Ambiental será apenas retórica bem-intencionada.
Cuidar da Terra implica,
inevitavelmente,
reaprender a ser humano.
Porque só quem compreende
a própria humanidade
é capaz de compreender
que destruir a natureza
é, em última instância,
destruir a si mesmo.
✍©️@MiriamDaCosta
⚖ 🐕 Justiça pelo cão Orelha!
Estátua não, Justiça sim! ⚖ 🐕
Construir uma estátua é um gesto vazio
quando a impunidade segue sendo defendida
a unhas, dentes e poder financeiro
pelos próprios envolvidos no caso.
Antes da pedra, do bronze e do verniz simbólico, que se construa a Justiça.
A verdadeira,
a que não negocia vidas,
a que não se curva ao privilégio,
a que não transforma crime
em nota de rodapé.
Depois, só depois,
falamos em estátua, em memória,
em homenagem ao cão Orelha.
E ainda assim,
que seja um dever ético
que cada centavo dessa homenagem
seja custeado por seus assassinos,
como lembrança permanente
do que fizeram
e do que tentaram apagar.
Santa Catarina,
estado que os fatos insistem em denunciar
como o mais xenófobo do Brasil,
agora amplia sua lista de intolerâncias:
além das pessoas, volta-se também
contra os cães de rua.
Quando a violência escolhe os mais vulneráveis
e a Justiça escolhe o lado do silêncio
e do poder de famílias abastadas...
não há estátua que absolva,
não há homenagem que repare,
não há memória que se sustente
sobre o alicerce da impunidade.
✍©️@MiriamDaCosta
Escrevo para semear palavras. Se uma delas florescer no coração de alguém, minha missão terá sido cumprida.
Você não tem ideia do poder que você tem nas mãos, uma flor que você oferece a alguém, você ajuda a consertar meio mundo, isso é amor.
Tenho uma profunda sintonia
com a praia assim:
nublada, deserta,
serena e silenciosa.
Há algo nela de sublime
que toca as veias
da minha inspiração.
Sinto uma simbiose visceral
com a paisagem
cinérea, solitária,
entregue ao próprio silêncio
e à própria paz.
Há uma serenidade antiga
que não pede sol
nem testemunhas.
Algo nela é sagrado:
o céu contido,
as pedras em vigília,
o mar que sussurra versos.
É ali, nesse quase-nada,
que minha inspiração
encontra o tudo,
nas veias abertas,
e pulsa
sem pressa
sem expectadores.
✍©️@MiriamDaCosta
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