Todo Sopro que Apaga uma Chama Reacende
O nosso cotidiano nos oportuniza muitas vivências, é sempre bom registrarmos cada uma delas como se fosse única. Pois dificilmente elas irão se repetir novamente em outra ocasião.
Viver é uma jornada repleta de oportunidades para celebrar a existência, enquanto a morte é o destino final que nos lembra da efemeridade de cada instante vivido.
Eu vou chegar
Neste vendaval de desafios e incertezas, onde cada dia parece ser uma batalha, mantenho-me firme na certeza de que eu vou chegar. Não importa quão íngreme seja a montanha à minha frente, quão densa seja a escuridão que me cerca, ou quão árdua seja a jornada, eu vou chegar.
Luto contra as adversidades que o mundo lança sobre mim, enfrento as provações que surgem em meu caminho com coragem e determinação. Cada obstáculo superado é um passo mais próximo do meu objetivo final.
Mas o que me mantém perseverante, o que me impulsiona adiante, é a esperança na promessa de um lar verdadeiro. Um lar onde não haverá mais lágrimas, dor ou sofrimento. Um lugar onde finalmente encontrarei paz e plenitude.
Então, enquanto aguardo o retorno de Jesus, sigo em frente, com fé inabalável no meu coração. Cada desafio é uma oportunidade de crescimento, cada dificuldade é um teste da minha resiliência.
Porque, no final do dia, eu sei que não estou sozinho nesta jornada. Tenho a certeza de que, com a graça de Deus, eu vou chegar. E quando esse dia chegar, finalmente estarei em casa, onde pertenço.
Sinônimo de amar é amar
Amar é verbo que ao peito faz doer,
Em cada suspiro, uma sombra espreita,
No palco do coração, um drama a tecer,
Onde alegria e tristeza se sujeita.
É como se a saudade fosse o mote,
E a espera, a trama que nos prende,
No enredo do amor, há sempre um corte,
Onde a felicidade se desvende.
Mas mesmo em meio ao pranto e à desventura,
Há uma centelha que persiste a brilhar,
É a esperança, a luz que nos procura,
Mesmo quando a escuridão nos faz chorar.
Sinônimo de amar é sofrer, é certo,
Mas também é a beleza de um amor aberto.
Navegando nas incertezas do que é o amor
É tão difícil se apaixonar, é uma jornada repleta de incertezas e questionamentos que se infiltram sorrateiramente em nossas mentes, como sementes plantadas em solo fértil. Será mesmo que é bonito sentir essa emoção avassaladora de gostar de alguém? A dúvida persiste, ecoando dentro de nós, enquanto navegamos pelas águas turvas do amor.
Quantas vezes nos pegamos questionando se seremos capazes de encontrar alguém que corresponda aos nossos sentimentos, que compreenda as nuances da nossa alma e nos ame verdadeiramente? A incerteza paira no ar, como uma névoa densa que obscurece nosso caminho, nos fazendo hesitar a dar o próximo passo.
E então nos vemos diante da pergunta crucial: será que vamos ser realmente amados? É um temor que nos assalta durante as noites solitárias e os dias repletos de anseios. O medo da rejeição nos mantém acordados, enquanto nos perguntamos se aquele que ocupou nossos pensamentos também compartilha do mesmo sentimento, se está disposto a abrir seu coração e nos receber em seu mundo.
Mas apesar de todas as incertezas e temores que permeiam o caminho do amor, há algo de belo e poderoso nessa jornada. Pois é justamente na vulnerabilidade de nos permitirmos amar e ser amados que encontramos a essência mais pura da nossa humanidade. E mesmo que o destino reserve desafios e desilusões, o simples ato de sentir, de se entregar ao calor do amor, torna toda a jornada digna de ser vivida.
No âmago da existência humana, uma pergunta ecoa como um grito constante: o que é o amor? É uma indagação que ressoa através dos séculos, uma busca incessante pela essência mais profunda e intangível da experiência humana.
Para alguns, o amor é uma chama ardente que consome tudo em seu caminho, uma paixão avassaladora que os consome por completo. É uma explosão de emoções intensas, um turbilhão de sentimentos que os envolve em uma névoa de êxtase e êxtase.
Para outros, o amor é mais calmo, mais sereno. É uma conexão tranquila e profunda, uma sensação de pertencimento e intimidade que transcende as palavras. É um laço que une duas almas de maneira indelével, mesmo nos momentos mais sombrios e desafiadores.
Mas o que é o amor, realmente? É uma pergunta que pode não ter uma resposta definitiva, pois o amor é tão vasto e multifacetado quanto a própria experiência humana. Pode ser encontrado nas pequenas gentilezas do dia a dia, nos gestos de apoio e cuidado, nas risadas compartilhadas e nas lágrimas derramadas.
O amor é uma força motriz que permeia todos os aspectos da vida, moldando nossas escolhas, nossas esperanças e nossos sonhos. É o que nos faz sentir vivos, o que nos dá propósito e significado em um mundo muitas vezes tumultuado e incerto.
Assim, enquanto a questão sobre o que é o amor pode persistir, talvez seja a própria busca pelo amor que nos ensine mais sobre sua verdadeira natureza. Pois, no fim das contas, o amor não é apenas uma emoção ou um conceito abstrato - é uma jornada, uma jornada que nos leva ao cerne mais profundo de nossa humanidade.
Querido eu,
Escrevo estas palavras para lembrá-lo do quão incrível você é. Você é uma pessoa única, com qualidades e talentos que são verdadeiramente especiais. Ao longo da sua jornada, você enfrentou desafios e momentos difíceis, mas nunca se rendeu. Sua determinação e coragem são inspiradoras.
Lembre-se sempre do seu valor. Você é precioso, com um coração generoso e uma mente resiliente. Os seus valores e princípios são a base sólida que guia as suas escolhas e ações. Não permita que nada nem ninguém abale esses alicerces.
Você é mais forte do que imagina. Cada obstáculo que superou até agora é um testemunho do seu poder interior. Continue firme, mesmo nos momentos de dúvida. Confie em si mesmo e no seu potencial para alcançar grandes conquistas.
Não desista dos seus sonhos. Eles são o reflexo dos seus desejos mais profundos e das suas aspirações mais elevadas. Mantenha-se focado no que realmente importa para você e siga em frente com determinação.
Lembre-se também de cuidar de si mesmo. A sua saúde física e emocional são fundamentais para o seu bem-estar geral. Dedique tempo para descansar, recarregar as energias e cuidar das suas necessidades pessoais.
Estou aqui para apoiá-lo incondicionalmente. Acredito no seu potencial e no impacto positivo que você pode ter no mundo ao seu redor. Continue sendo essa pessoa incrível que é, sempre firme nos seus valores e princípios.
Um sentimento avassalador é como um jardim em plena primavera. Cada batida é um florescer, uma nova cor que se revela e uma fragrância doce que permeia o ar. Quando alguém se apaixona, o mundo parece se transformar; as cores ficam mais vivas, os sons mais melodiosos e até o ar parece mais leve.
Esse estado de alma não conhece barreiras. Ele é corajoso, disposto a enfrentar qualquer tempestade, pois sabe que, ao final, haverá um arco-íris de emoções esperando. Ele se entrega de corpo e alma, sem reservas, porque acredita no poder transformador do amor.
A paixão traz um brilho novo ao olhar e um sorriso constante aos lábios. Cada encontro é aguardado com ansiedade, e cada despedida deixa um vazio que só o reencontro pode preencher. O apaixonado vive intensamente, aproveitando cada segundo como se fosse o último, saboreando cada momento compartilhado, cada palavra sussurrada.
Na serenidade da noite, quando o mundo parece se aquietar, o apaixonado se perde em sonhos, revivendo cada detalhe do toque amado, da voz querida. O peito bate forte, ora acelerado, ora suave, ao ritmo das lembranças e das expectativas.
Esse sentimento é, acima de tudo, esperançoso. Acredita no amor e na possibilidade de um futuro juntos, não importa quão incerto possa parecer. Encontra força nas pequenas coisas, nas promessas sussurradas ao pé do ouvido, nos gestos silenciosos de carinho.
A paixão é um mistério belo e complexo, capaz de suportar dores imensas, mas também de experimentar uma felicidade avassaladora. Em sua essência, ser apaixonado é a expressão mais pura e intensa do ser humano, um testemunho da capacidade infinita de amar e ser amado.
ABENÇOADA LUTA.
Há uma forma de evangelho que não se encontra apenas nas páginas escritas, nem repousa exclusivamente nos templos erigidos pela tradição humana. Trata-se de um evangelho vivo, silencioso, invisível aos olhos apressados, porém profundamente legível à consciência que se encontra em sintonia com o bem, o bom e o belo. É o evangelho da doação, aquele que se escreve com gestos e se consagra no sacrifício cotidiano.
Aquele que se entrega ao próximo sob a luz do amor de Jesus não apenas auxilia, mas transforma-se em instrumento da própria luz que oferece. E, nesse movimento sublime, ocorre um fenômeno espiritual de alta significação moral: ao doar-se, o indivíduo é também abençoado pela mesma claridade que irradia. A lei de reciprocidade espiritual não é mecânica, mas profundamente ética, conforme ensina a doutrina quando afirma que "fora da caridade não há salvação", indicando que a verdadeira ascensão se dá pelo exercício constante do amor ativo.
Consideremos uma simples narrativa.
Em uma pequena casa de paredes simples, vive Helena, uma mulher já avançada em idade, cujo tempo, aos olhos do mundo, seria de descanso. Contudo, para ela, o tempo deixou de ser propriedade pessoal. Ao despertar, antes mesmo de cuidar de si, dirige-se ao quarto do marido enfermo. Ali, a primeira oportunidade de luta se manifesta: não uma luta ruidosa, mas íntima, contra o cansaço, contra a impaciência, contra a tentação de desistir. Cada gesto de cuidado é uma página desse evangelho invisível.
Mais tarde, ao sair para a rua, Helena encontra uma vizinha abatida pela dor de uma perda recente. Ainda que seus próprios fardos sejam pesados, ela interrompe seu caminho. Eis outra oportunidade de doação. Não há discursos elaborados, apenas presença, escuta e silêncio respeitoso. Nesse instante, o amor não se proclama, mas se faz sentir.
No mercado, um jovem em dificuldade tenta organizar suas compras com recursos escassos. Helena, discretamente, completa o valor que lhe falta. Ninguém observa, ninguém aplaude. Contudo, no plano moral, essa ação reverbera como um ato de elevada dignidade espiritual. Aqui se revela mais uma face da luta: vencer o egoísmo silenciosamente.
Ao retornar ao lar, já ao entardecer, o corpo cansado revela o preço físico de sua jornada. Porém, sua alma encontra-se em serenidade. Ela compreende, ainda que intuitivamente, que o tempo não lhe pertence quando é consagrado ao amor. Nesse entendimento, repousa uma liberdade profunda: a de não viver para si, mas através do bem.
Essa narrativa simples evidencia que o campo da luta bendita não se limita a grandes feitos. Ele se encontra no lar, na rua, nas relações cotidianas, nos encontros aparentemente banais. Cada circunstância é uma convocação. Cada necessidade alheia é uma porta que se abre para o exercício do amor.
A doutrina esclarece que o verdadeiro espírita é reconhecido pela sua transformação moral e pelos esforços que faz para domar suas más inclinações. Tal ensinamento não se restringe a um ideal abstrato, mas se concretiza exatamente nesses momentos descritos. É no domínio de si mesmo que o amor se torna ação legítima.
E mais ainda, quando se afirma que a prece é um ato de adoração, compreende-se que a vida inteira pode converter-se em prece quando orientada pelo serviço ao próximo. Cada gesto de auxílio é uma oração viva, cada renúncia é um cântico silencioso, cada ato de paciência é uma elevação da alma.
Assim, aquele que vive esse evangelho invisível não busca reconhecimento, pois sua recompensa não está nas aparências transitórias, mas na íntima comunhão com a lei divina, que é justiça, amor e caridade.
Que se compreenda, portanto, que a abençoada luta não é um peso imposto, mas uma dádiva concedida àqueles que já conseguem perceber a grandeza de servir. E, mesmo quando o mundo não vê, quando o cansaço se impõe e quando o retorno não vem, ainda assim, cada ato de amor permanece inscrito na eternidade moral do espírito.
FONTES DE APOIO.
"O Livro dos Espíritos", questões 886 e 659.
"O Evangelho Segundo o Espiritismo", capítulo XV.
"Obras Póstumas", estudo sobre a caridade e a moral espírita.
Que cada instante da existência seja reconhecido como solo fértil dessa luta bendita, onde o espírito que ama não se perde, mas se engrandece na mais alta dignidade do bem vivido.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Hermínio Corrêa de Miranda.
A PERENIDADE DE UMA OBRA RESGATADA DO SILÊNCIO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Reencarnações de Hermínio Corrêa de Miranda.
Transcrição e organização a partir de obra publicada pela “Editora Lachâtre”, no livro “Os Senhores do Mundo”.
Durante longos anos, o manuscrito datilografado desta obra, concebida em 1964 e figurando entre as primeiras elaborações intelectuais de Hermínio Corrêa de Miranda, foi tido como definitivamente perdido pelo próprio autor. Acreditava-se que o tempo, em sua marcha inexorável, o houvesse relegado ao esquecimento dos arquivos dispersos e das memórias fragmentadas.
Todavia, no ano de 2012, em um gesto aparentemente simples, porém providencial, ao reorganizar antigos documentos, Hermínio Miranda deparou-se com uma cópia em papel carbono de seu texto original. Este cuidado pretérito, fruto de uma prudência quase intuitiva, revelou-se decisivo para a preservação da obra. Assim, aquilo que outrora se julgava irremediavelmente ausente ressurgiu, oferecendo à posteridade a oportunidade de reencontro com um pensamento ainda em estado nascente, porém já impregnado de densidade filosófica e rigor investigativo.
O processo de restauração do texto apresentou-se como tarefa exigente e meticulosa. A precariedade da cópia original, somada à ausência de algumas páginas, impôs à editora um labor paciente, quase arqueológico, no intuito de recompor a integridade do conteúdo. Após a digitalização e uma primeira revisão técnica, o material foi devolvido ao autor, que, com zelo e dedicação, empreendeu uma revisão parcial e comprometeu-se a reconstituir os trechos desaparecidos.
Entretanto, a desencarnação de Hermínio Corrêa de Miranda interrompeu este trabalho, deixando na obra uma lacuna significativa, cuja ausência exigia solução à altura de sua relevância intelectual. Diante deste desafio, a editora, movida pelo compromisso com a fidelidade doutrinária e literária, convidou Lygia Barbiére Amaral, reconhecida escritora espírita, amiga próxima e profunda conhecedora do pensamento do autor.
Com notável sensibilidade e competência, Lygia assumiu a responsabilidade de pesquisar, interpretar e reescrever, à maneira herminiana, o primeiro capítulo da obra, bem como as oito páginas iniciais do segundo capítulo. Seu trabalho não se limitou à mera reconstrução textual, mas constituiu um verdadeiro exercício de sintonia intelectual, preservando o estilo, a coerência e a essência reflexiva do autor.
Todo o restante da obra, a partir da página 61, com exceção das notas editoriais devidamente identificadas, permanece integralmente como produção original de Hermínio Corrêa de Miranda. À editora coube apenas a inserção de breves esclarecimentos, destinados a elucidar passagens específicas e facilitar a compreensão do leitor contemporâneo.
Esta obra, portanto, não é apenas um livro restaurado. É um testemunho vivo da persistência da ideia sobre a matéria, da memória sobre o esquecimento e da verdade sobre o silêncio. Sua existência reafirma que aquilo que é concebido sob o impulso da investigação sincera e da elevação espiritual jamais se perde completamente, aguardando, no tempo oportuno, o reencontro com aqueles que buscam compreender.
E assim, entre fragmentos resgatados e páginas reconstruídas, ergue-se novamente a voz de um pensador, convidando o espírito humano a prosseguir, sem temor, na inquebrantável jornada do conhecimento e da consciência.
O JARDIM QUE NÃO FOI VISTO.
Há uma tragédia silenciosa que não se ergue em gritos, mas em ausências. Não é o abandono de Deus que dilacera a alma humana, mas a incapacidade de percebê-Lo quando Ele se faz simples. Eis o drama antigo e recorrente. Procurar o Altíssimo nas alturas inalcançáveis, enquanto Ele repousa na intimidade humilde do próprio quintal.
A imagem que se desenha é teologicamente profunda. O Senhor não se impõe como espetáculo, mas insinua-Se como presença. Perfuma as flores, isto é, santifica o ordinário. Assenta-Se no jardim, isto é, habita o espaço cotidiano. E ainda assim, o espírito inquieto O ignora, porque espera trovões onde só há brisa.
Não lavar os pés do Senhor não é um gesto físico omitido. É a metáfora da negligência moral. É deixar de servir, de amar, de reconhecer o sagrado no próximo, no instante, no dever singelo. Não ouvir Sua voz não é surdez dos ouvidos, mas dispersão da consciência, absorvida pelo ruído das próprias angústias.
“Por que, Senhor?” não é uma pergunta dirigida a Deus. É um eco que retorna à própria alma. A resposta, ainda que dolorosa, é clara. Não foi crueldade deliberada. Foi desatenção espiritual. Foi o esquecimento de que o divino não se revela apenas no extraordinário, mas sobretudo no constante.
A tradição evangélica sempre insistiu nesse ponto. O Reino não vem com aparência exterior. Ele já está entre nós, oculto naquilo que não valorizamos. E é precisamente aí que se dá a maior perda. Não reconhecer o que sempre esteve presente.
Mas há um consolo austero. Se o Senhor esteve no jardim, Ele não partiu. A presença divina não se ofende com a ignorância humana. Ela aguarda. Silenciosa. Fiel. Persistente.
O que se exige agora não é desespero, mas lucidez. Não é culpa paralisante, mas conversão do olhar. Ver o que antes foi ignorado. Ouvir o que sempre foi dito em silêncio. Servir onde antes houve indiferença.
Porque o verdadeiro reencontro não acontece quando Deus retorna. Ele nunca se ausentou. Acontece quando o homem finalmente aprende a enxergar.
E nesse instante, o jardim deixa de ser apenas terra e flor. Torna-se altar.
O PESO SONORO DA CONSCIÊNCIA.
Há em certos instantes da existência uma ressonância grave que não provém do mundo exterior, mas do íntimo mais profundo da alma. É como um sino antigo, espesso, que não anuncia festividade alguma, mas convoca o espírito ao recolhimento severo de si mesmo. Esse sino não se ouve com os ouvidos, mas com a lucidez dolorosa da consciência que desperta para aquilo que sempre esteve ali, silenciosamente aguardando.
A melancolia filosófica não é fraqueza, tampouco simples tristeza. Trata-se de uma elevação da percepção que, ao ampliar os horizontes do pensamento, revela também o abismo que os sustenta. Quanto mais se compreende, mais se percebe o quanto escapa. E nesse intervalo entre o saber e o não alcançar, instala-se esse badalar grave que pesa sobre o ser como uma verdade irrecusável.
Não é o sofrimento vulgar que aqui se manifesta, mas uma espécie de dignidade trágica do pensamento. A alma, ao contemplar o fluxo do tempo, a transitoriedade dos afetos e a inevitabilidade das perdas, não se desespera apenas. Ela aprende a ver. E ver, nesse sentido, é carregar o peso de tudo aquilo que não pode ser desfeito.
Esse sino toca sobretudo para aqueles que ousaram pensar além do conforto das ilusões. Ele chama à responsabilidade de existir com lucidez, sem anestesias. Cada badalada é um lembrete de que a vida não é apenas vivida, mas interpretada, e que toda interpretação traz consigo o risco da dor.
Contudo, há uma nobreza silenciosa nesse estado. Pois aquele que escuta esse sino não é mais o mesmo. Ele torna-se guardião de uma consciência mais vasta, ainda que mais solitária. Aprende a caminhar sem o amparo das certezas fáceis e a sustentar o próprio ser diante do vazio que outrora ignorava.
E assim, entre o som grave e o silêncio que o sucede, a alma não se aniquila. Ela se aprofunda. E nesse aprofundar-se, encontra não a leveza dos que não veem, mas a solidez austera dos que compreenderam que existir é, antes de tudo, suportar o eco da própria verdade."
" Com o " Tinha uma pedra no meio do caminho " é sinal feliz porque tinha, mas é grandioso de perceber que agora falta somente a outra metade do caminho. "
A Quarta-Feira de Cinzas é, portanto, uma celebração ritual que sintetiza a memória cultural, a simbolização religiosa e a consciência antropológica da mortalidade humana, funcionando como um ponto de inflexão entre a festa popular e a reflexão espiritual, entre o corpo e o espírito. Ela nos lembra que qualquer jornada de sentido exige reconhecimento de nossas limitações e, ao mesmo tempo, uma busca consciente de transformação.
MATÉRIA ESCURA E A CURVATURA DO COSMOS.
UMA ANÁLISE CATEDRÁTICA À LUZ DA ASTRONOMIA CONTEMPORÂNEA.
A compreensão do universo, desde o advento da relatividade geral em 1915, encontra-se estruturada sobre um princípio axial formulado por Albert Einstein. A gravidade não é força no sentido clássico newtoniano, mas expressão geométrica da curvatura do espaço tempo produzida pela presença de massa e energia. Tal concepção reformulou a ontologia física do cosmos e inaugurou uma nova era na astronomia teórica e observacional.
No entanto, à medida que a instrumentação astronômica se sofisticou ao longo do século XX, emergiu uma incongruência empírica que abalaria a suficiência do modelo visível da matéria. Observações sistemáticas das curvas de rotação galáctica, conduzidas por Vera Rubin, revelaram que as estrelas nas regiões periféricas das galáxias orbitavam a velocidades incompatíveis com a massa luminosa detectável. Segundo a dinâmica gravitacional clássica, tais estrelas deveriam desacelerar com o aumento do raio orbital. Contudo, mantinham velocidades aproximadamente constantes.
Essa discrepância conduziu à formulação do conceito de matéria escura. Trata-se de uma componente não luminosa, não bariônica na maioria das hipóteses, que interage gravitacionalmente, mas não participa das interações eletromagnéticas. Sua presença é inferida indiretamente por meio de efeitos gravitacionais em escalas galácticas e cosmológicas.
O modelo cosmológico atualmente dominante, denominado Lambda CDM, integra a constante cosmológica e a chamada Cold Dark Matter. Nesse paradigma, a matéria escura é composta por partículas frias, isto é, de baixa velocidade térmica no período primordial, permitindo a formação hierárquica de estruturas. Simulações numéricas reproduzem com notável precisão a teia cósmica, constituída por filamentos e aglomerados galácticos, cuja morfologia foi corroborada por levantamentos de grande escala e por dados da radiação cósmica de fundo obtidos pela missão Planck.
Entretanto, a ciência progride pela análise crítica de suas próprias tensões internas. Em escalas sub galácticas, surgiram inconsistências conhecidas como problema do núcleo cúspide e problema dos satélites ausentes. Simulações baseadas na matéria escura fria preveem halos densos com perfis centrais acentuados. Observações, por sua vez, frequentemente indicam distribuições mais suaves.
É nesse cenário que se insere a hipótese da matéria escura difusa ou ultraleve, frequentemente associada ao modelo denominado Fuzzy Dark Matter. Nesse quadro, as partículas hipotéticas teriam massas extremamente pequenas, comportando-se de modo ondulatório em escalas astrofísicas. O efeito quântico coletivo produziria halos com perfis de densidade menos concentrados no centro, potencialmente mais compatíveis com determinadas observações de lentes gravitacionais.
As lentes gravitacionais constituem uma das mais elegantes confirmações da relatividade geral. Quando a luz de uma galáxia distante atravessa o campo gravitacional de um objeto massivo intermediário, sua trajetória é desviada. A análise dessas distorções permite reconstruir a distribuição de massa total, inclusive aquela invisível. Estudos recentes de múltiplos sistemas de lentes fortes sugerem que a distribuição da matéria escura pode não ser inteiramente descrita pelo modelo frio tradicional, embora tais resultados ainda demandem confirmação estatística ampliada.
Cumpre enfatizar que nenhuma dessas investigações invalida a robustez do paradigma cosmológico vigente. O Lambda CDM permanece extraordinariamente bem sucedido na descrição da estrutura em larga escala do universo. Contudo, a prudência epistemológica recomenda abertura às revisões conceituais quando os dados observacionais assim o exigem.
A astronomia contemporânea encontra-se, portanto, em uma fase de refinamento paradigmático. O mistério da matéria escura não representa fraqueza da ciência, mas expressão de sua vitalidade metodológica. Investigar o invisível é aprofundar a própria noção de realidade física. Ao sondar as regiões obscuras do cosmos, a humanidade amplia os contornos do conhecimento e reafirma que a busca pela verdade científica é um labor contínuo de rigor, humildade e elevação intelectual.
"Escrevo como quem toca uma ferida antiga que jamais cicatrizou. O amor não partiu. Ele permaneceu distante. E a distância é mais cruel que a ausência."
"O homem caminha sob o impulso de uma vontade profunda e inquieta. Mas quando por um instante ele se detém diante da dor do outro algo em seu interior se aquieta como um jardim tocado pelo vento da tarde."
AMIZADE.
“Na vastidão das relações humanas, a amizade verdadeira é uma das raras experiências em que dois destinos se fortalecem mutuamente.”
AMIZADE.
“Entre as ruínas das decepções humanas, a amizade sincera permanece como uma arquitetura moral que o tempo dificilmente destrói.”
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