Todo Sopro que Apaga uma Chama Reacende
Já não sei se poeta sou, mera trovadora ou uma simples rabiscadora. O que sei é que tudo isso me enriquece, alegra e sigo em direção ao por do sol. Vou percebendo toda a alquimia que se faz enquanto a brisa toca só para mim, e aqui, aos meus pés em versos jaz...
Só um poeta com alma leve, como uma lágrima de cristal, pode perceber o mundo com os olhos do coração e traduzir tudo em versos.
As vezes, um pequeno afago, uma minúscula palavra num pequeno momento, fazem um grande bem ao nosso pequeno coração, adoçando o dia...
Canta inquieta e solitária uma ave,
talvez em busca de companhia,
aprecio com calma a voz dela,
temendo que cesse a melodia
Ela só quer sozinha ficar
num jardim de flores perfumadas,
esperando que chegue o anoitecer,
para partir, voando sobre a invernada
Ave que sabe bem seu rumo,
como ela deveríamos ser,
ter um bom momento especial,
depois seguir, simplesmente viver !
Misturo nada com nada
nas letras e na vida também,
só para ter uma salada
e quem vai temperar, quem?
“Nunca vou desistir, porque dentro de mim há uma voz que não se cala, mesmo quando tudo desaba ao redor. Já caí, já perdi, já chorei — mas cada dor que enfrentei construiu a minha força. Aprendi que o caminho dos fortes não é o mais fácil, é o mais verdadeiro. Desistir seria apagar tudo o que lutei para conquistar, seria renunciar ao propósito que me move. Então sigo, mesmo cansado, mesmo sem aplausos, porque a minha vitória não está em chegar primeiro, mas em nunca parar de caminhar.”
O Som da Luta
Uma história sobre coragem, esperança e propósito em Angola
O sol ainda dormia, mas o bairro já acordava.
O cheiro do carvão aceso misturava-se com o barulho dos chapas lotados e das vozes que se perdiam nas ruas estreitas.
Era mais um dia em Angola — onde o relógio da sobrevivência nunca para, e a esperança é o último bem que o povo se permite perder.
No meio daquela correria, Manuel ajeitava o seu pequeno carrinho de madeira, carregado de garrafas de sumo natural que ele mesmo preparava à noite.
Enquanto o resto da cidade ainda sonhava, ele já estava em movimento.
O seu lema era simples:
> “Quem quer mudar de vida, começa antes do sol nascer.”
Manuel não nasceu com oportunidades.
Cresceu num bairro onde a poeira é mais constante do que a eletricidade, onde o trabalho é pesado e o reconhecimento é raro.
Mas, desde cedo, ele aprendeu com a mãe que “trabalhar com dignidade é melhor do que mendigar respeito.”
Durante anos, procurou emprego.
Fez cursos, entregou currículos, e ouviu promessas vazias.
Cada “vamos te ligar” soava como uma esperança que morria devagar.
Até que um dia, cansado de esperar, ele decidiu criar o próprio caminho.
Pegou um carrinho velho, juntou umas frutas emprestadas e começou a vender sumos na rua.
No início, foi alvo de risos e comentários:
“Um formado a vender sumo? Isso é vergonha!”
Mas Manuel respondia com um sorriso e dizia calmamente:
> “Vergonha é roubar. Trabalhar nunca foi.”
O tempo passou.
O carrinho que parecia um fracasso virou uma barraca simples, mas movimentada.
As pessoas começaram a reconhecer o sabor dos seus sumos — e, mais ainda, o brilho da sua determinação.
O que era sobrevivência começou a virar sustento.
E o sustento, aos poucos, virou inspiração.
Manuel passou a ajudar outros jovens do bairro a começarem pequenos negócios.
“Não temos muito”, ele dizia, “mas temos mãos, mente e vontade. Isso já é capital.”
Hoje, quem passa pela sua barraca vê mais do que produtos — vê uma história viva de resistência.
Ele ainda enfrenta dias difíceis, ainda há contas que não fecham, ainda há lágrimas escondidas.
Mas, em cada amanhecer, Manuel prova a si mesmo que o sucesso não é sobre ter tudo — é sobre fazer algo com o pouco que se tem.
Quando alguém lhe perguntou o que o manteve firme em tempos de desespero, ele respondeu sem hesitar:
> “Foi a fé. Eu acreditei que Deus não me fez para desistir.”
O som da luta continua ecoando nas ruas do bairro.
O mesmo som que vem dos vendedores, das zungueiras, dos mototaxistas, dos estudantes que andam quilômetros para aprender.
Cada um à sua maneira, todos gritam a mesma verdade:
“Enquanto houver esperança, há motivo para continuar.”
E assim, no coração de Angola, entre poeira e calor, entre lágrimas e sorrisos, nasce uma geração que aprendeu a lutar com o que tem — e a acreditar que o amanhã pode, sim, ser melhor.
> Porque em cada angolano há um guerreiro.
E enquanto o coração bater, nunca vamos desistir.
"Se alguém te falou algo de mim. Das duas uma: ou você não me conhece o suficiente ao ponto de me defender ou você nem merece me conhecer."
você é uma ferida que não cicatriza
Eu desejo que não realiza
Mas isso dói
Principalmente quando você me destrói
Ódio
É uma coisa engraçada
E também complicada
Perder a calma sem perceber o lugar
Mas falam que é só se acalmar
Lembrar e sentir tudo de voltar
Tentar esquecer e só piorar
Isso é um erro que se permanecer
Que infelizmente eu não consigo esquecer
"O sabor do Amanhã"
Nunca fui uma pessoa muito participativa
Em dias festivos, nem sempre estava presente..
"Talvez amanhã", eu sempre dizia,
Mas quem é que promete que esse amanhã chegue?
Apesar de ser assim, não é que eu odeie sair
Raramente saio de casa, mas quando saio, tudo é novo..
Cada saída é uma descoberta, uma memória
Acaba sendo mais um motivo para sair!
E quando percebo, já se passaram horas e horas,
Já está na hora de retornar; eu presumo
O quão passageiro pode ser o amanhã?
Quando vejo o tempo passar, uma melodia toca no ar..
Só depois de um longo tempo percebi,
O quão doce o amanhã poderá soar!
Alma e Coração de uma Loba
Sob o manto da noite ou o brilho do sol,
A loba caminha, firme em seu papel.
Carrega nos ombros o peso do mundo,
Mas guarda no peito um amor profundo.
O cansaço da lida às vezes quer parar,
Os ossos doem, o corpo pede para descansar.
São dias de luta, de entrega e de zelo,
Cuidando de quem ama com cada desvelo.
Cada sacrifício é uma prece em ação,
Pois sabe que vale a pena toda a dedicação.
Não há cansaço que vença a fé que a conduz,
Transformando a sombra em pura e clara luz.
Deus é o sustento, a rocha, o vigor,
Que renova suas forças e acalma a dor.
No altar da montanha ou no chão do lar,
Sua alma de loba nunca para de amar.
Coração de guerreira, mas feito de carinho,
Protege os seus e ilumina o caminho.
Com Deus ao seu lado, o fardo se faz leve,
Pois quem ama com a alma, a eternidade escreve.
--------- Eliana Angel Wolf
Neste país, refletir profundamente sobre a existência não é necessariamente uma escolha, mas uma condição humana que se divide entre o privilégio de alguns e a renúncia de outros.
Poucos podem se permitir tal experiência.
Alguns porque nasceram com acesso. Outros porque abriram mão de quase tudo para preservar a consciência de si.
E no meio disso tudo, há uma realidade silenciosa: muitos deixam de viver sem sequer saber que um dia existiram.
Os Tic-taques de nossos relógios, apenas acrescentaram uma fúnebre trilha sonora às nossas idas.
Sildácio Matos
E eu,
o que farei com o tempo?
além do viver
o que mais terei?
Estamos sob
uma pena fina,
dou-lhe,
graças pelo receio
É o medo dos iguais,
que divide
o meu pensar
Há uma explicação para tudo no mundo moderno, as redes sociais são uma cidade de conselheiros e gurus; prefiro morar na casa do Manoel de barros e nada saber. Viver o despropósito no olhar e encontrar ali Deus.
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