Textos Vc Nao foi Homem pra Mim
Terra que pulsa em mim
(Eliza Yaman)
Não é o chão que falta — é o perfume,
da flor que só no meu país floresce.
Aqui, o céu é outro, o ar resume,
a ausência que em silêncio me adormece.
Minha pátria não é só geografia,
é o afeto que moldou minha raiz.
Mesmo longe, ela canta em minha via,
como um tambor que nunca se desdiz.
Espelho do que fomos
(Eliza Yaman)
Olho o espelho e vejo o que não vejo:
teu rosto em mim, teu gesto em minha mão.
És reflexo que vive no desejo,
és ausência que tem encarnação.
E mesmo que não estejas ao meu lado,
és parte do que sou, do que me forma.
Teu amor é traço eternizado,
na moldura onde a dor virou reforma.
Deus que habita em mim
(Eliza Yaman)
Não sou eu quem escreve — é Sua chama,
que acende em mim o verbo e a canção.
Cada verso é louvor que se derrama,
como incenso que sobe em devoção.
Sou barro que se curva à Sua arte,
sou templo que se rende ao Seu querer.
E mesmo que o silêncio me desparte,
é Deus quem me ensina a renascer.
Você morreu para mim.
Não fisicamente, mas dentro do meu coração, onde já não existe espaço para você. O que um dia foi amor virou pó, e o que restou foi apenas o vazio de alguém que já não me diz nada.
Morreu quando deixou de me enxergar, quando deixou de me respeitar, quando me fez sentir sozinha mesmo ao seu lado. Morreu quando suas atitudes falaram mais alto que qualquer palavra.
Hoje, falar de você é como falar de alguém distante, apagado, inexistente. Alguém que invadiu minha vida suavemente de forma ardilosa e não valorizou e me perdeu para sempre, se eu disser sinto muito vou está mentindo quero que você suma da minha vida e nunca mais pense que um dia tu me terás novamente.
Diz pra mim que é de verdade,
que o que eu sinto não é só meu.
Jura que também te queimou por dentro,
quando nossos olhos se encontraram.
Eu prometo te dar o melhor de mim,
se me disser que também perdeu o ar.
Cada segundo ao teu lado é tão pouco,
pra esse amor que não sabe esperar.
É tão claro, tão gritante,
a sorte apontou pra você…
e você, distraído, nem vê.
Por ser exato, o amor transborda.
Por ser encantado, ele se entrega.
E por ser amor, ele invade e fica —
até o último suspiro.
Então me diz…
onde você está agora,
além de dentro de mim?
Solitude
Um espaço inteiro se abre dentro de mim
não é ausência, é presença silenciosa
um abrigo onde o eco respira devagar
e cada pensamento se deita como sombra
Caminho por corredores sem janelas
as paredes não pesam, apenas acolhem
o vazio não me fere, apenas sustenta
como se o nada fosse uma forma de colo
Há um mar profundo sem ondas
sua superfície é espelho imóvel
e nele me encontro sem pedir companhia
somente eu e a transparência do tempo
Solitude é a árvore sem folhas no inverno
que mesmo nua guarda a seiva escondida
não busca olhar, não implora estação
ela simplesmente é, inteira na espera
O vento passa sem pressa pela memória
levando consigo fragmentos esquecidos
e o que resta é uma quietude intacta
onde até a dor aprende a descansar
No escuro há uma claridade discreta
como vela que não brilha para ninguém
iluminando apenas o íntimo do ser
onde habita um segredo impossível de calar
A ausência de vozes não é castigo
mas convite para escutar o indizível
o som de um coração que pulsa sozinho
em ritmo diferente da multidão
E nessa vastidão que parece deserta
descubro raízes invisíveis sob meus pés
elas me prendem, mas também me libertam
pois só na solidão percebo o infinito
Então, aprendo a caminhar sem medo
com a sombra como única companheira
a cada passo o mundo perde contorno
mas dentro de mim nasce um horizonte novo
Solitude é jardim sem visitantes
florescem nele cores que ninguém vê
mas eu as recolho como oferenda
ao silêncio que me guarda e me molda
É também um templo sem portas abertas
onde o altar é feito de silêncio puro
ali não se fazem preces, apenas respirações
e cada suspiro é aceito como oração
Quando o dia se alonga e tudo cansa
a solitude me veste como túnica invisível
e mesmo no meio da cidade ruidosa
sou capaz de escutar apenas meu dentro
Ela é o livro que ninguém folheia
mas que guarda histórias intermináveis
linhas escritas pela mão da espera
e capítulos feitos de pausas infinitas
Entre seus muros, o tempo se dilui
não há relógios que interrompam sua maré
o instante se prolonga até o infinito
como se o universo parasse para ouvir
Solitude é uma estrada sem destino
mas não é vazia, está repleta de ecos
cada passo gravado no chão invisível
se transforma em testemunha silenciosa
E quando penso estar perdido demais
descubro nela um mapa secreto
feito de cicatrizes, lembranças e gestos
que me guia de volta ao meu próprio ser
Assim, aceito sua presença como guia
não como cárcere, mas como vastidão
um lugar onde aprendo a ser inteiro
mesmo quando nada ao redor me acompanha.
Minha dor grita, mas não me paralisa;
ela explode dentro de mim e me empurra por cima de limites que eu pensava impossíveis.
Cada ferida, cada queda, eu transformo em força bruta para levar a palavra,
porque eu não sou dono da minha dor — sou apenas o instrumento que ela escolheu.
–Purificação
Tu que vieste de outro mundo, despertaste em mim um sentimento sem nome,
não sei decifrar, apenas sei que sinto
algo que parece amar antes de existir, sem começo.
Somos de vias distintas, nos olhando por reflexos distorcidos,
quase um submundo secreto, onde o toque é ausência e o olhar é desejo.
Tão diferentes, tão espelhados,
duas faces do que admiramos, do que gostaríamos de ser.Dois seres de mundos diferentes, conectados por um fio invisível,
inexplicável, porém real na superfície do silêncio.
Tem dias em que a saudade aperta como abraço não dado, toda vez que passo meu perfume , é o que tenho mais próximo de ti, pois veio de ti...
e me pergunto: como posso sentir falta de quem nunca vi?Talvez porque te vejo no silêncio,
te encontro entre as entrelinhas do dia,
te sinto onde não há presença, mas há verdade.
Senhor, eu recebo hoje o Teu livramento. Jesus, intercede por mim, porque sem a Tua presença eu não sou nada. Cura onde dói, não deixa que a ansiedade tome conta da minha mente. Guia os meus passos e que seja sempre o Senhor a falar e a tomar decisões por mim. “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8:31) Deus te fortaleça hoje; que Ele renove suas forças, te dê paz e te guie em cada passo. Amém.
Bom Dia Paz E Graça.
Pra hoje? Um poema!
Eu amei
Em mim não existe arrependimento, eu amei, mas, não tive tempo e nem condições de amar, eu amei na adversidade.
No contrário das ondas, no andar contra o vento, no desespero da dor.
Na insônia de minhas noites, na solidão das minhas dores, eu amei na inutilidade que meu ser devora, na ausência de saúde em mim.
No pensar de uma canção de outrora, no pesar de quem não fui bastante, na incerteza do meu choro em pranto.
Amei sem poder amar, mas, amei!
Obs. Esse é um trecho do meu livro: O último dia, do último mês.
Queria não me sentir tão bem quando estou com você
Você sempre cansada pra mim, eu sempre disposto a você
Vai embora por favor, eu sei que sou bom demais pra você ir tão facil assim
Mas me livre de ser tão bom pra você, lembre-se quão ruim você foi e é pra mim
Quero ir embora, mas você se dispôs a me deixar mais perto de casa
Quanto tempo faz que você não liga pra mim?
Será que você só volta nas vezes que eu vou embora?
E se eu for quem sempre disse que sou, ainda vai querer me moldar?
Fato é que não preciso de você, fuga é oque preciso de você.
Nunca consigo ir embora, mas dessa vez preciso me livrar de você.
Igual as dezenas de vezes qual disse a mim mesmo que preciso me livrar de você.
Talvez eu seja uma pessoa boa.
Boa demais pra mim mesmo.
Talvez por isso eu deva me despedir.
Ou deva somente sumir do mapa de vez.
E nunca mais olhar nos olhos de ninguém.
Desconsidere minhas lágrimas escondidas.
Mas nunca minha dor, por favor.
Deixe de fazer aquilo que sempre fez.
Me desculpe falar de novo sobre você, mas poderiamos parar de falar sobre você?
tudo que você acha.
todos que você odeia.
todos que são muito burros.
todos que são muito feios
Será que podemos falar um pouco sobre mim?
Mas não o que você acha sobre mim
Não as mudanças que quer de mim
Não julgamentos que vem de ti
Será que há fim pro teu cansaço?
Fim do teu mal humor
Fim do teu egoísmo
Fim do teu sarcasmo
Morre por favor
Pra que eu deixe de amar tanto
Pra que eu sofra com razão
Sem que você possa voltar
E dizer algo que me faça morrer por dentro
De dor por poder te amar
Mas nunca poder te amar
COERÊNCIA
As coisas que não disse...
O que escondi dentro de mim...
O segredo da verdade...
Ou a mentira já no fim...
O tempo já dormia...
Quando se lembraram de mim...
O sol já brilhava...
Como convite de marfim...
Mas as coisas que não disse...
Continuam dentro de mim...
A vaidade nos atrai...
Mas escolhi ser assim...
António José Ferreira
POEMA AO MEU PAI
Eu não lembro da minha infância inteira.
Ela correu.
Passou por mim como vento,
como pipa que sobe e some,
como carretel que rola ladeira abaixo
e não volta mais.
Um morro virou campo,
o campo virou casas,
e eu virei homem
sem perceber o instante.
Um dia apareci no seu trabalho,
e o senhor me levou ao restaurante do português.
A sopa era ruim,
mas com você tudo tinha sabor.
O refrigerante era grande,
a mesa simples,
a vida imensa por causa da tua presença.
Depois te contei do amor que encontrei.
Você ouviu, aconselhou,
e me ajudou
por uma vida inteira.
Me trouxe para uma terra que eu não imaginava viver,
onde meus filhos nasceram,
onde o pão chegava com o seu chamado de manhã.
Hoje sou eu quem leva o pão,
e a lembrança do seu grito
ainda abre a porta dentro de mim.
Cuidei do senhor como quem segura o próprio passado pela mão.
Troquei carros,
troquei rotinas,
troquei o que fosse preciso
para te levar onde precisava.
E ainda assim,
quando você partiu,
eu estava longe —
longe do instante do adeus,
mas perto da dor que nunca se afasta.
Daquele dia em diante,
eu tive que dizer ao mundo:
“Agora eu sou homem.”
Sem pai, sem chão,
mas com a herança
do que você me ensinou a ser.
Hoje faço o que não gosto,
caminho onde não queria,
mas sigo firme
porque carrego o teu nome,
tua memória,
tua voz que, aos poucos,
volta a me encontrar.
Amo minha mãe,
amo minha esposa,
amo meus filhos —
porque você me ensinou a amar assim:
com força,
com verdade,
com sacrifício.
Pai,
obrigado.
Obrigado por tudo o que fui contigo
e pelo que virei depois de você.
Prometo ir mais longe
do que você um dia sonhou para mim.
Prometo viver,
ainda que doa,
porque viver é a última forma
que me resta de te honrar.
Um beijo.
Um abraço.
E um eco teu que nunca morre,
mesmo quando o resto do mundo
fica silencioso.
Não sei dizer...
Tentando ser engraçado ou tentando rir de mim mesmo. Tenho a mania de olhares engraçados em meus olhos que enxergam rindo. É a maneira de minha criança interior se divertir, brincar com os outros e até de amar. Quase ninguém entendi. Não importa se a piada tem graça ou não... Eu acho que tem... é sutil e não obvia...
Pronto falei! Caiu a casa!!!
Viajei
Viajei…
Hoje estou numa viagem… Dessas que não tem porto seguro!
Náufrago de mim mesmo… Mas, caminhando, ainda pensando sobre a morte, dela que cedo ou tarde terei sorte, vaguei por pessoas incomuns, boas, ruins, sem laço algum.
Andei pastos verdes, vi montanhas, atravessei rios, não me afoguei, engoli o choro e caminhei, mesmo indo pra tão, tão, distante, a minha frase preferida é de um burro a um ogro: “Já chegou”?
Eu nunca chego, eu nunca vou…
Não abaixo a cabeça. A história é minha.
O mundo pode virar contra mim, mas eu seguro o tranco, porque ninguém pode roubar o que já está gravado no meu peito.
Ninguém consegue bater em alguém para sempre.
E quando um morto levanta, o velório acaba.
Eu saio do caixão, eu cancelo o luto.
Quem apostou na minha queda vai ter que assistir meu recomeço.
Levanto. Respiro. E escrevo minha própria história.
— Purificação
A pergunta que fiz para mim neste inverno;
- "Como assim? Como não se acostumou ainda? Desde que você nasceu, existe primavera, verão, outono e inverno!"
E olha que já faz tempo que você vive com estas mudanças!
Acostuma mulher! Levei um susto com a bronca recebida de mim mesma!😏
Viva e seja feliz!
“Monólogo do Inescolhido - Ato II”
E se o amor não for para mim?
E se eu tiver nascido fora dessa gramática secreta que une os corpos?
Fora da partitura onde os corações se encontram em compasso?
Há quem fale que o amor é universal, mas e se houver exceções?
E se eu for uma delas?
Às vezes, penso que o amor é uma língua que não aprendi.
Vejo os outros trocarem palavras de ternura, sinais, olhares… E eu, estrangeiro, só consigo assistir, sem tradução possível.
Ninguém me escolhe porque ninguém me entende ou porque nunca houve nada em mim digno de tradução?
E, no entanto, eu amo.
Amo com uma fome que me devora, com um excesso que ninguém parece querer.
Talvez seja isso... meu amor é demais para caber em alguém.
Ou talvez não seja nada, só um engano, um reflexo de desejo mal interpretado como amor.
E se o amor não passar de invenção?
Um mito contado para que suportemos a vida, ou um truque de sobrevivência da espécie disfarçado de poesia?
Se for assim, estou duplamente condenado, porque sofro a ausência de algo que talvez nunca existiu e ainda me culpo por não ser suficiente para alcançá-lo.
Estou cansado até de esperar.
Cansado de me perguntar o que há de errado em mim.
Cansado de abrir espaço dentro do peito e vê-lo sempre vazio.
Cansado de me oferecer em silêncio, como uma prece que nunca encontra deus.
E ainda assim, continuo.
Continuo porque não sei como parar.
Porque, se largar essa esperança, não sei se sobra alguém em mim.
Talvez eu seja apenas isso... Um corpo que insiste, uma alma que suplica, um resto humano que pede ao universo aquilo que ele nunca teve a intenção de me dar.
Que de mim emane!
Que de mim emane,
não o reflexo dos outros,
mas a centelha do que sou.
Mesmo que venha o viés,
que eu emane coerência —
pois coerência é o abrigo
dos que ainda creem na verdade.
Se houver confusão,
que eu emane clareza;
não a clareza dos que explicam,
mas a dos que compreendem.
Se houver divergência,
que eu emane convergência;
não por desejo de consenso,
mas por amor ao encontro.
Se me impuserem a arbitrariedade,
que eu emane colaboração;
porque o poder que se impõe
é pequeno diante do gesto que partilha.
Se eu vir a injustiça,
que eu emane ética —
mesmo que doa,
mesmo que me isole,
mesmo que me cale.
E se o mundo se encerrar no próprio umbigo,
que eu ainda emane comunhão.
Que assim eu emane,
ainda que nada volte.
Pois quem emana o bem
não o faz por retorno —
mas porque já o habita.
Às vezes engulo o que pesa em mim, não porque seja leve, mas porque desabafar me faz sentir ainda mais frágil.
Quanto mais falo, mais me arrependo de ter aberto a boca, como se cada palavra fosse uma arma entregue ao outro para, um dia, ser usada contra mim.
O alívio que dizem existir no desabafo nunca chega. Pelo contrário: vem a sensação de exposição, de vulnerabilidade escancarada. É como deixar portas abertas em uma casa que sempre tema ser invadida. Então, guardo em silêncio, não por força, mas por medo de que o pouco que digo se torne munição nas mãos erradas
