Textos sobre o Amor Incondicional

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Choro


Choro pela vergonha que passo.
Com minhas mãos sobre meu olho,
pisco e sinto meus cílios a tocar-las.


Sentir algo ameniza o desgosto.
Conscientizo a existência da carne e do osso.


E no fim não respiro, eu sufoco.
Mesmo sentindo, eu duvido.
Mesmo chorando, eu questiono.


Percebo que a pele é a prisão.
Que prende o coração de querer,
de poder ser o alguém que deseja ser.

Menina dos meus desejos mais sinceros, profundos e insanos.


Desejo debruçar-me sobre os contornos da tua face meiga e serena, sentir meus dedos deslizarem suavemente por tua pele, enquanto teu suspiro me convida a continuar e assim embala a cena.


Com a mão direita, envolver teu pescoço e com a esquerda, percorrer teu corpo, explorando cada pedaço como quem descobre um tesouro.


Apertar, com vontade, tua cintura maravilhosa, deleitar-me em tuas curvas preciosas e me perder nas tuas silhuetas prazerosas.


Escrever palavras em teu corpo com a caneta dos meus lábios e, com o pincel das mãos, desenhar delícias nessas curvas que me tiram do sério. Chegar aos teus ouvidos e sussurrar palavras doces e provocantes; com os olhos, ler teus arrepios, e com os ouvidos, saborear teus gemidos.


Quero beijar teus lábios, subindo lentamente até a tua boca, enquanto me perco no tempo nesse intervalo.


Provar o suave e doce mel desses lábios, fazendo-te delirar em prazer e rendição.


Quero colar minha boca à tua, sentir teu corpo se entregar, enquanto tuas pernas repousam sobre meus ombros.


Menina, te quero. Te desejo!


Ismael Miranda

Recônditos de mim


Demétrio Sena - Magé


Meu olhar sobre o mundo me apreende,
porque tudo caminha rumo ao nada;
quase prende o meu ar onde não sei,
pois é fundo; em recônditos de mim...
Levo a vida com peso de cimento,
minha entranha se arrasta sem destino,
levo meu pensamento em labirintos
e me sinto menino em um deserto...
É que o mundo me liquidificou
em estados opostos e confusos;
parafusos mentais; farpas rasantes...
Minhas asas estão em desalinho;
só há ninho possível pros meus sonhos,
onde o mundo não pode me alcançar...
... ... ...


Respeite autorias. É lei

Viver sem ser uma bomba a explodir
⁠Na jornada da vida, turbilhões a girar,
Refletindo sobre a infância, o tempo a passar.
Dias incríveis e trágicos se entrelaçam,
Onde estou agora, será que alcanço os sonhos que traçam?

Ser criança era simples, banho quente, café no ar,
Hoje, o gelo do banho não aquece, só faz gelar.
Ansiedade, cobranças, trabalho sem fim,
Amores frustrados, coração exausto assim.

Viver sem ser uma bomba a explodir,
Em meio às tensões que insistem em nos ferir.
Viver de verdade ou só sobreviver?
Questionamento que nos faz refletir e reviver.

Altos e baixos marcam nossa trajetória,
Não ter todas as respostas é parte da história.
A vida adulta traz fardos a carregar,
Mas encontrar a paz é essencial para caminhar.

Entre responsabilidades e pressões a enfrentar,
É normal se perguntar se estamos no lugar certo a ficar.
Viver verdadeiramente requer coragem e persistência,
Para transformar sobrevivência em plenitude e existência.

Hoje, 20 de novembro,
um sopro antigo atravessa o tempo
e repousa suave sobre nossos ombros.
É a voz dos que vieram antes,
dos que caminharam descalços na terra quente,
dos que levantaram o rosto mesmo sob o açoite,
dos que sonharam liberdade
quando o mundo lhes negava o sol.

Hoje, estou em harmonia
e nada pode perturbar minha paz.
Porque carrego comigo a força
de cada ancestral que resistiu,
de cada mão que plantou futuro,
de cada corpo que, mesmo ferido,
dançou para não esquecer quem era.

No silêncio desta manhã,
sinto a pulsação dos que transformaram dor em trilha,
dos povos pretos e originários
que semearam coragem para que hoje
possamos respirar livres,
sem grilhões, sem sombras de chicote,
com a dignidade alinhada ao peito.

E nessa paz que me envolve,
eu celebro a memória e a vitória,
honro o passado que me sustenta
e caminho firme, sabendo que sou fruto
de uma história indestrutível.

Hoje, estou em harmonia,
e nada, nada mesmo,
pode perturbar minha paz.

Entendendo o sucesso de Virgínia e a sociedade em que vivemos

Hoje eu vou falar sobre o sucesso da Virgínia Fonseca, mas não para julgar ela como pessoa. A ideia aqui é entender o que o sucesso dela mostra sobre a sociedade em que a gente vive.

Muita gente admira a Virgínia porque ela mostra uma vida cheia de dinheiro, beleza, viagens, casas grandes e uma família que parece perfeita. Mas por que isso chama tanta atenção?

Primeiro: o que é capitalismo?

O capitalismo é o sistema em que a gente vive. É basicamente um jeito de organizar a sociedade onde quem tem dinheiro tem mais poder e mais oportunidades. No capitalismo, tudo vira produto: roupa, celular, comida e até a imagem das pessoas.

Por exemplo:
Quando a gente entra no shopping, tudo foi feito para a gente querer comprar. Nas redes sociais acontece a mesma coisa. Quando a Virgínia mostra uma bolsa cara ou um produto, ela não está só mostrando — ela está vendendo um sonho de vida melhor.

Ostentação: mostrar para ser reconhecido

Ostentação é quando a pessoa mostra o que tem para provar que venceu na vida.
Um exemplo simples:
Se alguém chega no bairro com um carro novo e caro, muita gente já pensa: “Essa pessoa está bem na vida”.

O sociólogo Pierre Bourdieu explica que isso gera prestígio, ou seja, as pessoas passam a respeitar mais quem parece ter sucesso. A Virgínia faz isso o tempo todo nas redes, e por isso tanta gente admira.

Beleza como trabalho

Hoje em dia, a beleza também virou trabalho.
Cuidar do corpo, do cabelo, da maquiagem e da roupa gera dinheiro nas redes sociais.

Um exemplo do dia a dia:
Uma pessoa comum tira uma foto bonita e recebe elogios. A Virgínia tira uma foto e recebe dinheiro, contratos e patrocínios.

O sociólogo Zygmunt Bauman explica que vivemos numa sociedade onde as pessoas precisam se vender o tempo todo para serem aceitas.

“Se ela conseguiu, eu também consigo”

Muita gente pensa assim, né?
Isso se chama meritocracia: a ideia de que todo mundo vence só com esforço.

Mas vamos pensar num exemplo simples:
Duas pessoas querem abrir um negócio.
Uma tem dinheiro guardado, apoio da família e contatos importantes.
A outra mal consegue pagar as contas no fim do mês.
As duas se esforçam, mas não começam do mesmo lugar.

Ou seja, nem todo mundo tem as mesmas oportunidades.

Agora: o que é patriarcado?

O patriarcado é um sistema antigo em que o homem manda mais e a mulher fica com a maior parte da responsabilidade da casa e dos filhos.

Mesmo hoje, isso continua acontecendo.
Um exemplo comum:
Quando um filho adoece, geralmente perguntam pela mãe, não pelo pai.

A Virgínia aparece como uma mulher rica e famosa, mas também como mãe perfeita, esposa presente e dona de casa organizada. A filósofa Angela Davis explica que isso coloca uma pressão enorme sobre as mulheres, como se elas tivessem que dar conta de tudo sozinhas.

Família como prova de “boa pessoa”

Mostrar uma família feliz passa a ideia de que a pessoa é correta e confiável.

Um exemplo:
Quando alguém diz “é pai de família” ou “é mãe dedicada”, automaticamente a pessoa ganha mais respeito.

Mas esse modelo de família não representa todas as realidades, e muita gente acaba se sentindo inadequada por não viver assim.

O que é racismo estrutural?

Racismo estrutural é quando o preconceito não aparece só em xingamentos, mas na forma como a sociedade funciona.

O jurista Silvio Almeida explica que pessoas brancas, no geral, têm mais acesso a oportunidades do que pessoas negras.

Um exemplo do dia a dia:
Uma pessoa branca e uma pessoa negra entram numa loja.
Muitas vezes, a pessoa negra é mais observada pelo segurança.
Isso é o racismo funcionando de forma silenciosa.

A imagem de sucesso da Virgínia segue um padrão de beleza e de vida ligado à burguesia branca, que é vista como modelo ideal na sociedade.

A Virgínia não é só uma pessoa famosa. Ela é um símbolo do tipo de sucesso que o capitalismo valoriza: dinheiro, beleza, consumo e família perfeita.

Entender isso ajuda a gente a parar de se comparar tanto e a perceber que o valor de uma pessoa não está no dinheiro, na aparência ou na vida que aparece nas redes sociais, mas na sua história, nas suas lutas e na sua humanidade.

⁠Sobre Paulo Gustavo

Senti essa perda como se fosse alguém bem próximo... E é, de certa forma, de milhões de pessoas... Mais uma perda para esse vírus, mais uma dor dilacerante nos corações de quem ama, mais um aperto no peito de dor, agonia, medo. E a pergunta que fica é: Até quando? É desse sorriso que quero lembrar a partir de hoje. E que Deus conforte cada coração dilacerado pela dor da perda nesse cenário que vivemos há mais de um ano. Que Deus seja o bálsamo consolador para cada lágrima derramada. Para todos vocês que ficaram e que sofrem, meus mais sinceros sentimentos e um profundo abraço.

Josy Maria

⁠Às vezes parece que uma avalanche de problemas cai sobre nós, parece que não pode ficar pior, mas fica. O desespero bate. O cansaço pesa. A cabeça grita. A fé esmorece. Mas é importante que a fé se sobressaia aos destroços dos problemas e dores, pois ela será a força que lhe puxará acima de tudo que lhe aflige e lhe manterá a salvo. Os problemas não deixarão de existir, mas você terá a calma, a saúde mental e emocional necessárias para agir e terá a percepção do inesperado acontecer pelas bênçãos que Deus envia.
Quando estamos soterrados de problemas, nossa visão trava e não percebemos as possibilidades. Além de tirar nossa capacidade de suportar até que passe, pois passa. Tudo passa. Só precisamos ter força e fé suficientes para ver o arco-íris depois da tormenta. Deus está aí. Confia.

Josy Maria

Algumas pessoas vão dizer que você é "difícil de lidar", e vão colocar sobre você um peso que você não precisa carregar. Acontece que incomoda a elas o fato de você ser diferente do que elas querem que você seja.
Diz respeito apenas a elas, e não a você. Não perca seu tempo tentando se encaixar no quadrado dos outros.

Dois amigos caminham tranquilamente sobre uma ponte. Um deles pergunta:

— Sabia que existem milhares de crianças passando fome?

— Sim, eu sei.

— Os políticos luxam com o dinheiro que daria pra comprar comida pra elas.

— Porque são corruptos, pois eles não têm amor no coração, eles próprios sabem que recebem mais do que merecem receber.

— Tu tem inveja de político?

— Não, até porque não sou cego. Eu simplesmente não concordo com as injustiças causadas por eles.

— Nem eu, nem vou.

⁠CONVERSANDO SOBRE O MUNDO

Dois amigos estão na beira do rio conversando sobre o mundo enquanto apreciam o sol surgindo no horizonte. Um deles pergunta:

— Já percebeu que a maioria das pessoas confunde vingança humana com justiça divina?

— Sim, já percebi — responde o outro, mostrando sinais de que tem uma mente saudável. — Se Deus faz mal aos que fazem mal, que diferença Deus terá dos que fazem mal?

— O mal provém da ignorância do povo em conjunto com o mau-caratismo dos seus governantes.

— Ainda bem que, mesmo em meio a essa bagunça, acontecem coisas maravilhosas, e é nessas que a tua alma precisa focar, pra não se desgastar com perspectivas decepcionantes.

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Eu, aliás, quando sobre filosofia digo eu mesmo algumas palavras ou as ouço de outro, afora o proveito que creio tirar, alegro-me ao extremo; quando, porém, se trata de outros assuntos, sobretudo dos vossos, de homens ricos e negociantes, a mim mesmo me irrito e de vós me apiedo, os meus companheiros, que pensais fazer algo quando nada fazeis. Talvez também vós me considereis infeliz, e creio que é verdade o que presumis; eu, todavia, quanto a vós, não presumo, mas bem sei.

(Em "O Banquete")

Ele é delicado. Não é com efeito sobre a terra que ele anda, nem sobre cabeças, que não são lá tão moles, mas no que há de mais brando entre os seres é onde ele anda e reside. Nos costumes, nas almas de deuses e de homens ele fez sua morada, e ainda, não indistintamente em todas as almas, mas da que encontre com um costume rude ele se afasta, e na que o tenha delicado ele habita. Estando assim sempre em contato, nos pés como em tudo, com os que, entre os seres mais brandos, são os mais brandos, necessariamente é ele o que há de mais delicado. É então o mais jovem, o mais delicado, e além dessas qualidades, sua constituição é úmida. Pois não seria ele capaz de se amoldar de todo jeito, nem de por toda alma primeiramente entrar, despercebido, e depois sair, se fosse ele seco. De sua constituição acomodada e úmida é uma grande prova sua bela compleição, o que excepcionalmente todos reconhecem ter o Amor; é que entre deformidade e amor sempre de parte a parte há guerra.

(Em "O Banquete")

⁠O Som da Luta


Uma história sobre coragem, esperança e propósito em Angola


O sol ainda dormia, mas o bairro já acordava.
O cheiro do carvão aceso misturava-se com o barulho dos chapas lotados e das vozes que se perdiam nas ruas estreitas.
Era mais um dia em Angola — onde o relógio da sobrevivência nunca para, e a esperança é o último bem que o povo se permite perder.


No meio daquela correria, Manuel ajeitava o seu pequeno carrinho de madeira, carregado de garrafas de sumo natural que ele mesmo preparava à noite.
Enquanto o resto da cidade ainda sonhava, ele já estava em movimento.
O seu lema era simples:


> “Quem quer mudar de vida, começa antes do sol nascer.”






Manuel não nasceu com oportunidades.
Cresceu num bairro onde a poeira é mais constante do que a eletricidade, onde o trabalho é pesado e o reconhecimento é raro.
Mas, desde cedo, ele aprendeu com a mãe que “trabalhar com dignidade é melhor do que mendigar respeito.”


Durante anos, procurou emprego.
Fez cursos, entregou currículos, e ouviu promessas vazias.
Cada “vamos te ligar” soava como uma esperança que morria devagar.
Até que um dia, cansado de esperar, ele decidiu criar o próprio caminho.
Pegou um carrinho velho, juntou umas frutas emprestadas e começou a vender sumos na rua.


No início, foi alvo de risos e comentários:
“Um formado a vender sumo? Isso é vergonha!”
Mas Manuel respondia com um sorriso e dizia calmamente:


> “Vergonha é roubar. Trabalhar nunca foi.”






O tempo passou.
O carrinho que parecia um fracasso virou uma barraca simples, mas movimentada.
As pessoas começaram a reconhecer o sabor dos seus sumos — e, mais ainda, o brilho da sua determinação.
O que era sobrevivência começou a virar sustento.
E o sustento, aos poucos, virou inspiração.


Manuel passou a ajudar outros jovens do bairro a começarem pequenos negócios.
“Não temos muito”, ele dizia, “mas temos mãos, mente e vontade. Isso já é capital.”


Hoje, quem passa pela sua barraca vê mais do que produtos — vê uma história viva de resistência.
Ele ainda enfrenta dias difíceis, ainda há contas que não fecham, ainda há lágrimas escondidas.
Mas, em cada amanhecer, Manuel prova a si mesmo que o sucesso não é sobre ter tudo — é sobre fazer algo com o pouco que se tem.


Quando alguém lhe perguntou o que o manteve firme em tempos de desespero, ele respondeu sem hesitar:


> “Foi a fé. Eu acreditei que Deus não me fez para desistir.”






O som da luta continua ecoando nas ruas do bairro.
O mesmo som que vem dos vendedores, das zungueiras, dos mototaxistas, dos estudantes que andam quilômetros para aprender.
Cada um à sua maneira, todos gritam a mesma verdade:
“Enquanto houver esperança, há motivo para continuar.”


E assim, no coração de Angola, entre poeira e calor, entre lágrimas e sorrisos, nasce uma geração que aprendeu a lutar com o que tem — e a acreditar que o amanhã pode, sim, ser melhor.


> Porque em cada angolano há um guerreiro.
E enquanto o coração bater, nunca vamos desistir.

Talvez seja o sentimento de culpa o que mais pese sobre os ombros de todos aqueles que não conseguem se ver com olhos de amor.
Não que você tenha culpa. Não que eu tenha culpa.
É que as pessoas vão dizendo que a gente errou, errou, errou, e nem sempre foi assim.
O primeiro amor que você deve ter é o amor por você mesmo.
Se você mudar o olhar, se sair de dentro e olhar para si de longe, vai se apaixonar, com certeza, pelo ser humano que você é.
Se, por acaso, você não se apaixonar, se sentir vergonha daquilo que está sendo no mundo, está na hora de repensar.
E, quem sabe, ainda dê tempo de ser melhor.


Nildinha Freitas.

Havia uma mulher que vivia sobre um palco. Ela não caminhava pelas ruas da alma alheia como quem busca encontros, mas como quem encena. Seus gestos não eram diálogos, eram ensaios.


Suas palavras vinham com pausas medidas, silêncios calculados e olhares coreografados. Vivia para ser vista, não para ver. Queria aplauso, não presença.


Precisava de plateia, não de vínculo.

Noite de pós chuva as nuvens caminha sobre os telhados como carroceis de cavalos brancos...
O clima de frio em ascensão os pedaços das sombras arrastadas um zumbido crescente que se intensifica não há nada lá movendo nas teias da solidão criamos saudade em lembranças que já se foram os nos olhos ver o brilho do passado através uma lagrima ou de varias...
Ela passou aqui tão rápido ousou me usar nem feriu á solidão tão entranha como razies nas veias eu já desolado queria um "eu te amo" mais o ventos assopra o tempo de asas ligeiras...
E os ventos, sempre eles, levando no sopro fino as promessas que ninguém sustenta…
A noite respira devagar, ferida, como se cada estrela fosse um soluço preso no céu.
Caminho entre restos de silêncios rasgados os passos ecoam como se anunciassem um destino que não muda.
A lua, pálida e distante, abre fendas de luz nas poças ainda frescas da chuva onde meu rosto se desfaz em reflexos partidos.
E no embalo das lembranças, a saudade mastiga o peito com dentes de bruma, recorda o toque que nunca voltou,
a voz que se perdeu no labirinto das horas.
Ela sombra breve atravessou meu mundo como um cometa cansado, queimou pouco, brilhou menos, e ainda assim deixou rastro demais.
Fiquei com o gosto amargo do quase, do que não foi dito,
do “eu te amo” abortado antes de nascer…
E o vento, tão cruel quanto sábio, recolhe cada palavra que tentei salvar, joga tudo no abismo do tempo
e segue, indiferente, com suas asas ligeiras carregando o pouco que restou de nós.
E quando o silêncio repousa pesado demais, parece que até as paredes respiram comigo, num lamento lento, quase humano,
como se a casa inteira sentisse tua ausência.
As sombras se dobram nos cantos, fazem gestos estranhos,
arrastam memórias como correntes antigas.
E eu, nessa vigília sem nome, procuro no escuro algum vestígio teu
um cheiro, um eco, um pedaço de riso esquecido entre as frestas do tempo.
Mas tudo foge tudo evapora tudo se esvai como vapor frio
saindo da boca de quem deseja e não tem.
A madrugada, cúmplice amarga, pinta no céu cicatrizes de açafrão e cinza
E eu sigo, solitário, colhendo restos de sonhos
como quem recolhe folhas mortas de um outono que nunca termina.
Teus passos ainda soam na minha lembrança, tão leves que ferem,
tão rápidos que machucam
E o coração esse velho sobrevivente
bate torto, lento, como relógio cansado que insiste em continuar dizendo ao mundo que ainda há luz em algum canto.
Mas o vento, eterno mensageiro dos perdidos que espalha minhas esperas pelo ar como papéis de poemas rasgados de uma história inacabada

Adoção!
Muitos trazem nos pensamentos enganos sobre a adoção,
Nem imagina em verdade, como que funciona então,
Quando o coração avisa, que por ai vem irmão!
Já estavas preparado, destes não escapas não...
Recebes ai no teu meio, achando ser devoção,
Pensas que faz caridades, mas cuidado meu irmão!
Aquele que hoje te chega, vindo por outras mãos,
Na realidade é seu. Pode ter isto, como boa razão...
Estavas bem registrado, em tempos que longe vão,
Escolhas que escolhestes nestas formas de irmãos,
Que entraram em suas vidas de outros vindos então!
Colocando em seu caminho! Pagando os atrasados, que devias meu irmão...
Quero que tenhas na mente e também no coração,
Por não ter gerado, este que trazes hoje nas mãos,
Escolhestes em outros tempos terminar esta missão,
Que no hoje abraçastes, carregando ao coração...
Dar guarida e ensinamentos! E alimentando, também.
Provar que estava certo á aquele que te confiou o bem,
Não falharás nesta vida! E ainda dizendo amém,
Agradecendo o Cristo, pagando os seus vinténs...
Que ficaram em algumas dividas, que às vezes, tu nem lembras não!
Mas por bondade divina teve outra ocasião,
De resgatar seu passado, como forma de benção,
Abraçando estas crianças, e dando lhes educação...
Peço a você meu amigo que estejas em situação!
Cuidar bem destes pequenos com amor e devoção,
Nunca deixar de ensinar que Jesus é a solução,
Que os caminhos pra esta vida seguem junto com o perdão...
Independentemente da cor, do sangue, dos corações!
Todos somos mesmo irmãos, queira sim ou queiras não,
Do teu ventre ou de outro, o que mandas é a educação,
Esparramando o amor, seus filhos serão então...
(Zildo de Oliveira Barros.30/12/11)

CONSIDERAÇÕES SOBRE O TEMPO – A trilogia do Viver

O inesperado pode roubar-nos o presente; as mudanças, desviar-nos completamente do futuro; mas o PASSADO jamais nos é tirado, por onde quer que sigamos e até o último momento.

A relevância do FUTURO não consiste em vê-lo concretizado ou não, mas em emprestar sabor ao presente e converter-nos em molas propulsoras para buscá-lo neste exato e mais recente amanhecer.

O PRESENTE só faz sentido como resultado direto de toda uma história que construímos para chegar até ele, e atinge seu ponto máximo quando cada partícula do agora chega plena de prazer no exato momento entre o último que se foi e o primeiro que o seguirá.

O choro vem silenciosamente como a água de um pequeno riacho caminha sobre as pedras, o peso de cada gota é o peso de cada lembrança, momentos bons e felizes que não voltam mais.
O preço da culpa e o peso de se entregar tanto.
A saudade que bate é como uma marreta, que faz o coração entrar em uma tempestade imparável, aquele fio se cortando e ver tudo aquilo e não poder fazer nada, é oque faz pensar que não tem mais volta.