Textos de Lua
Mundo vago
que em meio a um passo
já fujo do raio do compasso
e começou a outra parte da dança
mesmo que a mente ainda se cansa
de tanta exigência sem ritmo impedida pela distância
me presenteie então, ao menos com sua despedida
já ficaria feliz
pois de tudo o que aconteceu
que meu entendimento não consegue chegar
minha mente instalou bem ali o seu jeito de me olhar.
corações amargos
que em busca do amor desenfreado
ainda procura alguém para estar do lado
mesmo depois das facadas levadas
mesmo depois das pessoas importantes virarem nada
mesmo depois do sentimento por extinto
mesmo o fim voltando para esse início distinto
da procura por alguém que preencha seu vazio
mesmo que por instinto.
Poético silencioso
que se deslumbra numa noite branda
rodeada de olhares curiosos a se debandar.
Lua branca e clara como as ruas do entendimento
que me preenche de sentimento
deixando a mente livre querendo voar
novamente volto a escrever pensando em quando vou descansar
mesmo que a mente em rimas de momento não pare de pensar
para compor mais um pedaço da alma
um resquício que me acalma e me faz querer continuar.
Venha chuva
deixe de ser passageira
more em mim como a uma veia que pulsa e corre a cada bater.
Dance de ante as batidas do meu coração
mostrando que dentro de nós reside uma canção
e que nada no mundo irá te fazer parar de dançar.
Pule, rodopie e se jogue, mas tudo o que te peço
é que passageira a ser tu não volte
pois mesmo sendo sua vida corriqueira
aí de mim se perder mais uma veia.
O Amor é algo tão belo,
Mas ao mesmo tempo é algo tão confuso.
O Amor é algo tão esplêndido,
Mas ao mesmo tempo é algo tão doloroso quando não compreendido.
O Amor é algo tão Maravilhoso quando cultivado da forma correta,
Mas ao mesmo tempo é algo tão Horrível quando cultivado da forma incorreta.
O Amor é algo tão complexo e difícil de entender...
O pó da terra agarra
nos rotos chinelos
desgastados pelo tempo
que ainda protegem os pés,
de jovens e crianças
que nasceram de um lar
que não possuem um par de meia
Sala ampla, mesa farta
Na casa de poucos têm!
Na maioria do povo,
a fome é o que mais convém
Pelo olhar dos poderosos,
os pobres são onerosos
dos tesouros que a Pátria tem.
Lutando por uma pátria justa.
(LUA, Pedra da. Poeira e fome. In: GONDIM, Kélisson (Org.). Vozes Perdidas no tempo. Brodowski: Palavra é Arte, 2020. p. 90).
O sonho da Pátria Livre
vem do ventre das fêmeas.
Que entre flores e frutos,
ousam somente sonhar
Com uma pátria justa e livre
que os seus filhos abriga
em marcha e luta
para uma sociedade decente.
Entre lutas e dores
Seguem carregando sementes
de melhores dias e formas
de se viver com Justiça
Com homens, mulheres
Jovens e crianças
Uma pátria em mudanças
Que acolha toda gente
E abrigue todos os sonhos
Daqueles que vivem somente
Lutando por uma pátria justa.
(LUA, Pedra da. Sementes da Pátria justa. In: GONDIM, Kélisson (Org.). Vozes Perdidas no tempo. Brodowski: Palavra é Arte, 2020. p. 89).
Dia 23 de nov. 18:20
Hoje resolvi começar escrever pra mim mesma, não sei ao certo o que sinto, tô ouvindo Lana del Rey, ele sumiu o dia todo, me questiono quantas vezes mais passarei por isso, sou responsável por mim cara, preciso gritar, chorar, mas algo me diz fique quieta.
Ele ainda não chegou, cadê o cara que te levava café na cama?
Resposta: se perdeu no meio desses sete anos e tá tudo bem.
- Lar Doce Lar.
Por baixo dessa escuridão que chamam de mundo eu descobri o meu próprio, teu olhar.
Sei que ao fitar teus olhos castanhos corro o risco de que eles facilmente poderiam me matar e com toda certeza eu correria esse risco sem nem pensar. Olhar para eles me fazem pirar e ficar sem ar, borboletas costumam cercam meu estômago e ele começa a embrulhar, sinto uma conexão de outro mundo, não há como negar.
Em um só olhar avistei uma nova constelação de estrelas que não havia nada no mundo que eu poderia comparar, me diz porque parece pecado te admirar?!
me perdi no seu olhar e espero nunca me encontrar, achei meu mundo neles, um sem escuridão, um novo aconchego, que agora posso chamar de meu lar.
Eu cura.
Eu morte.
Eu ajuda.
Eu castigo.
Eu aqui para você ou para os meus?
Eu sou para escolher ou para escolher fazer?
Vim te salvar de todos ou te jogar para eles.
Quando teremos nossa vida em nossas mãos?
Quando deixaremos de confiar no saber do outro?
Sejamos detentores do nosso bem estar.
Não podemos ser sós.
eu e você
não servimos um para o outro
nós dois somos feitos de
pó de estrela e
fragmentos do sol
sua chama me acende
mas se sair da medida você me queima
sem evitar
a minha frieza te assusta
você não entende as minhas fases
e não sabe lidar com elas
isso nos machuca
eu sou sua incógnita
e você é meu karma
pessoas nascem destinadas a
se encontrarem
tenho certeza que existe amor
mas amor é sobre liberdade e cuidado
talvez não tenhamos entendido isso
a tempo
mesmo que nunca aconteça ou
não seja para todo o sempre
ainda haverá sua chama
em mim
e meu brilho em você
-eclipse
Agora sim, é pra valer, eu parti
Segui por uma rota sem volta
Sem escapatória
Mesmo que eu sinta falta
Não posso olhar pra trás
Mesmo que eu queira de volta
Já é tarde demais
Mas saiba que você sempre vai ter
Uma parte de mim
Saiba que você sempre vai ser
O meu maior “e se?”
Se você quer que seu filho seja um bom fruto, então seja uma boa árvore;
Se você quer que seu filho colha coisas boas, então é melhor que você plante coisas boas;
Se você quer que seu filho seja diferente, então seja a diferença;
Se você quer que seu filho seja educado, então seja a educação;
Se você cuidar direito do seu filho ele não será um fruto ruim e não irá estragar os bons frutos.
As vezes eu respiro fundo e falo:
"Eu não sei oque fazer da minha vida."
Isso me dói tanto. Eu me pergunto por que eu não posso ser como os outros adolescentes, repletos de sonhos, cheios de vida.
Último ano na escola e todos os alunos conversando sobre a faculdade que irão cursar, que estão prestando vestibular, outros falando de seu emprego e eu... eu não sei oque fazer da minha vida...
Talvez seja porque minha mente está fudida. Tudo bem a culpa é minha.
Não complique,
Descomplique,
Duplique,
Triplique minha felicidade ou se retire.
Soma, divida, me ensina
Não me reprima.
Preenche, entende, me sente
Ou se ausente.
Me tenha, mas não retenha,
Me tome, mas não me torre.
Me consome na cama, não minha paciência, por favor
Me umedece entre as pernas, não meus olhos, meu amor
Sinta minha ausência,
Mas não cobre presença
Me ame, se apaixone
Não questione
Seja simples.
Café de Amanhã
Pão na chapa enche de açúcares
os vasos sanguíneos do burguês ao acordar
de açúcares padece o corpo cansado
sem pão na chapa na mesa ao levantar
Frutas fornecem nutrientes essenciais,
lipídeos e vitaminas que enchem o cérebro de energia;
uma uva, uma manga, uma banana
trocam de preços todos os dias no mercado:
a saciedade está tão cara comprar!
Mas o pão, o pão têm simbolismo divino
na alimentação
foram multiplicados, são o corpo de Cristo
cada pedaço fora dividido após terem sido ungidos
em suas santas bênçãos
Hoje, à mercê do Estado
que não é divino,
nem pai, nem democrático,
o pão, de tão caro contrasta desigualmente
com miseráveis salários
condenando à inanição!
O pão divide o burguês do proletário;
enquanto a mão de um estica-se
para no miolo algo ali passar
outras, juntas, rezam à noite
para quando, no café da manhã
do amanhã,
o estômago logo acordar.
Metro Quadrado
Entre poeira desceu o sol
o chão que as rodas amassavam mudou de aspecto
as árvores viraram pasto e o rio tornou-se pedra,
fazendo a sede assolar a comunidade
em pouco tempo, a comida escasseou,
os animais dos produtores das cercanias morreram
e as máquinas agrícolas derrubaram o que restava
Na cidade, todos assistiam à televisão falar que
o agro é pop e que aquilo era progresso brasileiro
mas só sabia a verdade quem era morto pelos madeireiros
Sem firmamento dado pela vegetação, a terra cedeu
e muita gente morreu no deslizamento
muitos se chocaram, a prefeitura disse que contratou engenheiros
e tudo estava nos “conformes”, mas isso não diminuiu a força da natureza
e o estrago feito em tantas famílias pelas perdas
Não bastaram os milhares de hectares, os homens queriam mais
eram garimpeiros, eram grileiros
até os indígenas foram embora
tiraram as onças, os tamanduás e por fim, as pessoas
Debaixo da massa de poeira que entrava pelas narinas
sufocando toda aquela quantidade de gado,
lá sobraram os culpados procurando mais algum metro quadrado.
Ser Aquarela
Desde cedo, a vida torna-se preto e branco para quem nasce destoando da tradicional paleta de cores imposta a todos por quem julga-se no direito de definir por quais nuances o rubor de um coração deve pulsar
Só, observando a todos pelas frestas empoeiradas, eu já sabia que havia vindo ao mundo com o peito iridescente
carregando o enorme fardo numa sociedade limitada
que era amar todas as cores
Em segredo, uma explosão de tons proibidos luziam em minha mente
contrastando com o silêncio gris das outras tantas pessoas coloridas da cidade
também fadadas à escuridão taciturna dos armários
Por vezes, tentei transmutar-me, regulei minha gradação,
simulei ser como me pintavam e acabei tornando-me
disforme e sem tonalidade,
expressa em inexata furta-cor
Chorava entre a dicotomia, como poderia ser preto ou branco
se em meu âmago possuía uma vibrante gama de cores traduzida em aquarela?
Rendendo-me aos gostos alheios, por anos, tornei-me a cor mais ausente nas paisagens do meu mundo, que aos
poucos, tornara-se inexistente
Ao redor, arco-íris apagados davam espaço ao céu cinza-nublado,
e a cada estalar de beijos, gritos tempestuosos vociferavam, enquanto tantas outras tonalidades eram diariamente
silenciadas para a eternidade apenas por estarem amando fora do tom ordenado
Em meio a sórdidas guerras, cruéis injustiças sociais e rotineira criminalidade
vistas de forma superficial e translúcida
todos os esforços estavam focados em nós que estávamos apenas nos misturando a outra cor
Mas no fim, o preconceito sempre será incolor, mas amar é soberano, é aquarela!
Pois todas as pessoas são cores de diversas matizes, mas só o amor é a arte criadora de obras nas molduras que são a vida,
misturar-se é a única ordem imperativa!
Já não posso ser amanhã
Essa gente medrosa, manhosa, maldosa
com suas pieguices, autopiedades,
pessimismos insuportáveis
que diz que tem medo de falar
mas, na verdade, não fala porque não sabe
Desconfio de quem diz que a vida é ruim
e a mastiga como uma goma grudando
nas frestas do dente porque tem nojo do sabor
a vida exige muito pouco da gente
ela só diz: viva! O controle, egoísmo
e expectativas que geram dores
Essa gente calada, que não dão a cara a tapa
morrem de medo de morrer, mas não de não viver
empurram os dias com a barriga e depois se perguntam
porque não chegaram a lugar algum
não percebem suas manobras repetitivas
estão sempre em busca do tempo,
templo perdido, chorando pecados
a outros pecadores
que Deus não liga, ele nos fez como queria
Gosto de incomodar, desagradar, transgredir
podem me difamar o quanto quiserem
mas jamais dirão, em um minuto sequer,
que menti sobre quem era, só consigo ser eu
e ninguém mais, mesmo que mude depois
quando lágrimas chegam
digo: “e daí?”
o segredo não é permanecer em pé
é saber cair, sou forte demais para fingir não sentir
Você poderia quebrar minhas pernas
mas ainda assim eu não me curvaria
pois, crio asas pra me levantar
poderia atentar contra o meu coração
ele não é de ferro, é de carne, molinho
sangra, mas uma hora se regenera
a minha força está em cada nervo da sensibilidade
não espero o tempo melhorar
gosto da chuva e a deixo molhar
Já tive vergonha do meu nome,
“Maria é nome de mulher comum” — diziam
pois me dei ao luxo de ser a mulher mais comum que já conheci na vida
você me verá em muitos lugares, bares e pares
por que sou como todas? Talvez, mas principalmente
porque não me limito em momento algum
tenho muitas caras, ações, faço tudo e mais um pouco
Escrever é meu processo de cura
adoeço na mudez
tenho necessidade de falar, falar e falar
quando não falo, a garganta inflama
dizem que é doença do corpo,
digo que é doença da alma
antes de ser escritora, precisei corrigir minha biografia,
pois não havia um livro sequer disposto a conhecer minha história
quando me ensinaram o alfabeto vi que tinha
o mundo todo nas mãos
Já não posso ser amanhã, tenho fome de agora
se num minuto resisto, num instante explodo
sempre tento e quando encontro a tecla certa bato até quebrar
vou comigo até o fim da linha
sou muitas, em poucas estou
já não lembro mais quem eu era
não me cobre pelo ontem
sou inconstante, incontrolável e
inocente dos personagens que já fui
porque jamais me releio, escrevo e jogo fora
outros personagens e histórias sempre virão.
OS DONOS DESSA TERRA
Terra não é um amontoado de areia,
não é uma área, assim como também não é uma matriz de lucro,
ela é de quem não a vê como inumana, supérflua e vão
mas sim, como fundamental, cultural e histórica,
pois sabe que a mesma retém lágrimas,
sangue e restos de povos e culturas em cada grão,
a secura e a umidade carregam a história,
que conta desde os primórdios que:
muito antes de soja, Guaranis;
muito antes de gado, Caiapós,
muito antes de máquinas agrícolas, Potiguaras;
muito antes de madeireiros, Kaingangs,
muito antes de grileiros, Xoklengs,
muito antes de mineração, Tupinambás,
muito antes de empreendimentos, Pataxós,
muito antes de latifundiários, Carajás,
muito antes de ganância, Charruas,
muito antes do homem branco sonhar fazer um país,
tribos indígenas já habitavam este solo.
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