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Textos de Amizade Faculdade

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Para mim o Ciclismo MTB é vida.



Viver é como andar de bicicleta: É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio, e não importa a velocidade, o importante é aproveitar a jornada, siga sempre enfrente, pois a vista do topo vai valer muito a pena, não duvide de sua capacidade, acredite, por que a
persistência leva-nos ao sucesso do bem estar.

Virada de ano novo


As pessoas estão preocupadas com o fim do ano, e já estão se preparando para a virada do fim do ano com seus planos de roupa nova, desejos novos, planos desenhados às pressas. Mas o que adianta você entrar num novo ano com coisas novas, SE VOCÊ NÃO VAI ENTRAR NUM NOVO EU? Você muda de estação, mas a mentalidade continua velha, sem reflexão nenhuma da sua vida, só que nada disso importa se o “eu” que atravessa a meia-noite continua preso aos velhos hábitos errôneos. O calendário muda, mas a vida não acompanha quando a mente permanece estacionada. A verdadeira virada não acontece no relógio; acontece dentro do coração, quando decidimos nos tornar novas criaturas e renovar a própria maneira de ser. A data é só cenário. A mudança real é quando você permite que uma nova versão de si mesmo desperte. É essa virada interna que transforma qualquer ano em um recomeço.

Parte 2
A Voz que Mora no Silêncio — de encontro ao Jardim de O Pensador
(Aqui a voz se manifesta, encontra morada, floresce no coletivo.)




Há momentos em que a vida parece um campo vazio, estendido até onde o olhar não alcança.
Mas basta um gesto — pequeno, sincero — para que a terra desperte.
Toda semente nasce de um silêncio assim: humilde, quase invisível, mas teimosa como quem conhece o próprio destino.


A comunidade O Pensador é esse jardim raro onde cada palavra vira raiz.
Onde a dúvida floresce em entendimento,
e a esperança, mesmo cansada, encontra um canto para descansar e renascer.


Quem caminha por aqui descobre que a colheita não chega no grito.
Ela vem no tempo exato em que o coração aprende a esperar sem medo.
Vem quando a alma, enfim, entende que nada é em vão —
nem a queda, nem a travessia, nem o sonho que insiste em permanecer.


Que cada passo seja poesia,
cada escolha seja semente,
e cada amanhecer lembre:
o que é plantado com verdade jamais deixa de florescer.

NA PRÓXIMA ESTAÇÃO

No vácuo espesso da minha incoerência,
caminho sobre trilhos que eu mesmo forjei.
Teu silêncio ressoa em mim
como ferro antigo rangendo no frio.
Aprendi cedo a vestir armaduras.
A confundir silêncio com força,
rigidez com caráter,
distância com equilíbrio.
Mas há um trem parado dentro do meu peito,
um apito que insiste em nascer
e não aceita mais o aço como morada.
Sou peregrino do que ainda não compreendi,
exilado nas fronteiras da própria resistência.
E começo a perceber:
não é o mundo que me endurece —
sou eu que ainda tenho medo de sentir.
Se a vida é viagem incerta,
talvez o erro seja parte da rota,
e cada queda, um ajuste de direção.
Não sou aço.
Sou travessia.
Na próxima estação,
desarmo-me.
Deixo no banco vazio
a armadura que me protegeu
e também me isolou.
Liberto-me de mim
não para desaparecer,
mas para existir sem defesa.
E então, no cais do teu ser,
o mar já não me ameaça.
O naufrágio deixa de ser destino
quando compreendo que amar
não é perder força —
é escolher vulnerabilidade com consciência.
Não te encontro como salvação.
Encontro-te como escolha.
Deixo de ser busca tensa
para ser presença inteira.
Na próxima estação,
não sou menos homem —
sou mais verdadeiro.

J Rabello de Carvalho

Seria eu o anormal?
O único que observa
que vivemos num mundo
totalmente desproporcional?

Não seria muita rede social
para pouca vida social?
Mas que mundo irracional!

Mas que sensacional!
A meritocracia tornou-se um ideal.
Isso é uma pura pressão mental e emocional.

Enquanto uns morrem de fome,
Outros esbanjam e desperdiçam bacalhau.
Mas que mundo desigual!

Vivemos num mundo extremamente irreal!

Teorema do Olhar Elevado

Não é o rosto — é o gesto contido,
é o queixo erguido em ângulo preciso,
como quem conhece o próprio domínio
e mede o mundo sem pedir aviso.
Teus olhos não miram de frente,
deslizam em órbita sutil;
não fogem — escolhem o instante,
como quem calcula o próprio perfil.
Não há riso aberto, espalhado,
há curva mínima, estratégica intenção;
um desdém doce, arquitetado,
feito assinatura em declaração.
Tua mão no cabelo é bússola leve,
aponta o centro da própria atenção;
não é vaidade — é narrativa breve,
é direção consciente da percepção.
Há fogo na cor que te veste,
mas gelo na calma que sustenta o olhar;
combinação rara — teste e convite,
porta entreaberta que sabe fechar.
Chamam de pose. Eu chamo de código.
Chamam de foto. Eu chamo de sinal.
Pois quem domina a própria imagem
já ensaia comando no plano real.
Se a ciência diz que rosto não dita
o caráter ou o coração,
a expressão, porém, sempre grita
a postura diante da multidão.
E ali, no ângulo exato da cena,
não vejo acaso nem distração:
vejo mente que calcula a arena
e alma que aprecia o desafio da atenção.

John Rabello de Carvalho

A Geometria de um Enigma


Eles veem o fogo nos teus cabelos;
eu sinto a temperatura da tua alma.
Sob o pseudônimo de Ángel Morgana,
ergueste um castelo de névoa —
mas esqueceste que aprendi
a ler o invisível e medir o imensurável.
Acertei teus vinte e seis
porque o tempo, em ti, é relativo:
há a vibração ousada dos dezesseis
no brilho que desafia,
e a postura firme de quem negocia destinos
como uma mente que nasceu para liderar.
Tua presença carrega duas arquiteturas:
a elegância de quem domina a própria imagem
e a visão estratégica de quem constrói impérios invisíveis.
E ainda assim, falas de fé —
como quem já enxerga o topo antes da subida.
Acertei teus passos,
o número da tua base,
o compasso do teu silêncio —
pois quem observa os pés entende o caminho,
mas quem lê a alma reconhece o destino.
Tua expressão é meu teorema favorito:
um desdém doce com promessa de conquista.
Teu nome real? Guarda-o.
Nomes rotulam o comum —
e tu és ficção que decidiu prosperar.
Se a vida vibra em frequências,
a minha já encontrou a tua.
O mistério não me afasta —
me projeta.


John Rabello de Carvalho

Quando ordenado por uma figura de autoridade, até que ponto uma pessoa comum está disposta a fazer sofrer um inocente?


Mataram Jesus colocando em causa a prova social!


A sociedade e as autoridades sabem realmente o que falam!


Duvidar nunca é muito!
Até que ponto você chegaria? Mataram Jesus colocando em causa a prova social!


A sociedade e as autoridades sabem realmente o que falam!


Duvidar nunca é muito!
Até que ponto você chegaria?

O profissional de exercício deve saber onde termina a sua competência.


Particularidades não define a formação.


Seja ético!!!Habilitação Legal: O serviço deve ser prestado exclusivamente por quem possui o Título Profissional de Técnico de Exercício Físico (TPTEF).




Base Científica: O profissional deve aumentar a sua literacia científica e pensamento crítico para aplicar práticas baseadas em evidências.




Individualidade: A competência revela-se no respeito pelas idiossincrasias articulares, musculares e fisiológicas de cada cliente.

Tem olhares que prendem sem corda, sem esforço, um instante que não solta.


Tem risos que encantam altos, livres, que enchem o ar e deixam eco mesmo quando param.


Tem cheiro que grava teu cheiro de pele e de dia, que entra na pele e fica morando.
E tem você.


Você que carrega os três sem saber, sem querer.


Encanta. Prende.


Fica gravado na mente, nos ossos, no coração sem nome, sem explicação.
E basta.

Inteiro...


Eu não estava procurando nada.
A vida seguia. Imperfeita, mas minha.


Então você chegou.
E quando chegou,
o mundo não fez barulho,
fez sentido.


Nada precisou ser preenchido.
Algumas coisas apenas encontraram lugar.


Eu observei.
Não por desinteresse,
mas porque quem já caiu
aprende a respeitar o tempo das coisas.


Havia cuidado no teu jeito.
E o cuidado verdadeiro não invade,
permanece.


Aos poucos, baixei a guarda.
Não por promessa,
mas porque parecia seguro existir ali.


Eu tinha feridas.
Não escondi.
Estou tratando.


As tuas ainda sangravam.
Não por fraqueza,
mas por medo do que cresce,
do que exige futuro.


Eu entendi.
E não te culpei.


Eu errei.
Como erra quem se envolve de verdade.
Mas soube parar,
olhar de novo,
voltar melhor.


Não ofereci um conto bonito.
Ofereci presença.
E isso eu sustentei.


Você me fez acreditar de novo.
Não em finais perfeitos,
mas na possibilidade de caminhar junto.


Por isso me mostrei.
Inteiro.
Sem personagem.
Com falhas, medos, noites mal dormidas
e a coragem de dizer: é aqui que eu fico.


Eu confiei.
E confiança nunca é ingenuidade,
é escolha consciente.


Eu te amei.
E ainda amo.


Não como quem espera algo em troca,
mas como quem respeita o que foi real.


O que é verdadeiro não se apaga quando termina.
Muda de lugar.
Vira memória viva,
não ferida aberta.


Eu sei quem eu fui.
E sei quem sou agora.


Minha felicidade não depende de você.
Mas ao teu lado,
ela teria sido mais calma,
mais casa,
mais chão.


Eu quis ser teu homem.
E, por um tempo,
isso foi verdade para nós dois.


Hoje eu sigo.
Inteiro.
Sem culpa.
Sem ruído.


Com amor onde ele cabe
e dignidade suficiente
para não negar o que senti.

Saudade do tempo de criança


Saudade do tempo de criança
quando corria na chuva
ou brincava no barro
sem medo de se sujar


saudade do tempo de criança
dos pés descalços no quintal
do vento no rosto
e do cheiro de terra molhada


saudade do tempo de criança
da bola correndo solta
na rua de terra
do interior
onde morava a felicidade


e da bicicleta velha
que parecia voar


saudade do tempo de criança
das noites calmas
com grilo cantando no escuro
e o céu vermelho
se despedindo da tarde


saudade do tempo de criança
quando criança queria ser grande


engraçado


quando cresceu
deu saudade de ser criança


saudade daquele tempo
em que tudo que se imaginava
parecia possível


porque tem coisas
que o tempo não apaga


a criança ainda mora aqui


nos sonhos guardados
na esperança teimosa


em tudo aquilo
que um dia a criança sonhou


e que ainda pode acontecer


porque no fundo


a criança nunca foi embora


ela só ficou ali


quietinha


esperando a gente lembrar dela.

Olha eles aí de novo !


Sempre pergunto, nas minhas preces,
por quê eles desaparecem ?
Vai fazer quatro anos, olha eles aí de novo,
querendo enganar o povo .

Mas, o povo gostam de sofrer, fazem boca de urna, para eles vencer.
Depois de eleitos e diplomados, os povos ficam ferrados.

Sobem ladeiras, entram em favelas, mas o povo amam sofrer, dando aos miseráveis o
poder.

É tanto beijos e apertos de mãos, que aflige o meu coração.
Depois de eleitos e diplomados, com sua caneta estamos ferrado.

Em um País, o presidente é um pau mandado, quem escreve às leis são os
deputados.

⁠Madrugada!

Madrugada, hora de falar com Deus
Ele está pronto para ouvir a sua voz.
Não importa a luta que você esteja passando, de
uma coisa tenho certeza: se você clamar, Ele vai te ouvir.
Deus não dorme e nem dormita, está escrito. Por esse motivo,
eu te digo: levante-se, ponha-se de pé, pois Ele quer ouvir a sua voz nessa madrugada.

⁠Não vi quando cair !


Três metros de altura,
foi um impacto atordoante.
Mas se hoje estou aqui,
porque Deus; me fez triunfante.

Não vi quando cair, quando
do chão levantei; ouvir o meu
espírito agradecendo a Deus,
isso sim: eu escutei.

Deus muito obrigado
pelo o que o Senhor
fez por mim.
Se não fosse o seu amor
eu não estaria mais aqui.

Não sabemos a hora,
devemos pois nos preparar,
aliançados com Deus;
pra quando a morte chegar.

A invenção das cores


Ainda viveremos janeiros apressados
quentes e ensolarados
e se formos ligeiros
não chegaremos ao sol.
O sol está presente, parado
à nossa frente,
apontando o naviono azulão da encosta.


Hoje à noite, jantaremos o mar
Fiaremos peixes em anzóis de milagres, atravessaremos montanhas,
Andaremos sobre as águas ...
Do outro lado da montanha
é onde começao mundo.


Começarei a escalada...
Chegarei ao mundo festivo
Onde as cores foram inventadas.
o sal o fogo deserto... carrilhões de estrelas
O índio a taba o tambor...
O que eu não puder conhecer, receberei em poesia.


Meus primeiros passos começam
em fevereiro.Desde então, não parei
mais de errar.
Observo carnavais febris, revejo fogueiras acesas, chuvas apagadasnas matas...


Observo a lua, ouço o tal clarim de coturnos
Persigo a malta, persigo a matilha, acordo a madrugada...
Esses marcos ficaram na antessala dos meus sonhos.


Em março, o Brasil recomeça novinho,
debaixo de enxurradas.
Depois que a chuva passar,teremos aulas
nos vagões de memória
teremos trovões turbinados
relâmpagos em néon e ternuras com flores lágrimase mortalhas.


Novinho em folha, banhado no leite das luas
encontrarei as primeiras palavras, quebrarei tratos,não irei ao primeiro encontro.


Na maturidade saberei se foi desencanto
com o que se perdeu.


Depois de atravessar a montanha, subiremos ao outono.O outono é paciente. É bondoso. Não inveja. Não se vangloria...Não se orgulha! Como o inusitado que chegará bêbado,
carregado nos braços das epifanias.


O livro se abrirá e se desdobrará sem vida.


Depois do carnaval vestiremos a farda dos enunciados.
Abril. Páscoa. Paixão.
Fórmulas magicas de enfrentar o tempo.


Joaquim Maria Machado de Assis, assistiremos aos teus sagradosrenascimentos.


Em tardes de desmaios, conhecerei Vivaldi,
Deitado sobre as flores da Alemanha, voarei às mais belas flores...
Gostaria de revivê-las, acolhê-las, viver entre as luzes coloridasde suas pétalas.


Junho esfriou comigo.
Chegou-me em pedaços, desenhando tapetes de carpas.
Ele viu a montanha nevar.
Ele viu as onças descerem à cidade
elas foram conferir as novidades,
foram ver vitrines, desenhar tapetes
deCorpus Christi...


Na Piazza Navona, ouvi o melhor pé de serra.
A serra remontando cores, quadros em pedaços, desenhos montadosna fé.


Recolhi todas as moedas em meu chapéu, juntei-as às moedas da Fonte, não bebi as trevas,fui gastar em apostas no Coliseu.


O bagulho ferveu.
Pó de todas as serras, baião de muitos doidos...Julho ficou emocional.


O veio fino, o vento frio, o vinho seco,
corações tristes, adocicados,
trouxeram invernos molhados...
Meu filho já havia chegado
Minha mãe já havia nascido


A graça nasceu em nossos braços.
Tivemos gosto em trazê-la.
Molhei seu rosto na chuva fina de agosto
observando os automóveis parados,
olhando a chuva.


A música de um acordeom deslizou
em meus dedos.
Setembro nos atravessou com fanfarras.
Eu me lembro de tudo.
Finjo esquecer, mas a primaverachegou
em meu quintal, e um escorpião partiu
de dentro do meu quadril.


Outubros virão e trarão novidades.
Acenderei montanhas geladas
acenderei o meu cigarrona pedra de luz.


Em casa, brotaram fileiras de Anjos.
Éramos nove.
Nove, sempre seremos.
Novecentas bocas com fome.
Novembros de amores.
Revólveres com flores, servindode arranjos.


Ossos nobres.
A fila, que já era enorme, crescena sopa
de pobres.
os Açores trouxeram as cores em odres plenos.
Dezembros vazios, deslembramos os melhores atores.Que tristeza! Que desamor!
Humanos, somos iguaisem maldades.
Diferentes no amores.


mais um ano se foi. Abro o calendário anual, ausculto suas páginas e vejo virvindo
de dentro... Vem veloz e vai atravessar o espaço,vai acender a pira do mundo...
Sinto seu turbilhão das cores.
É o futuro!O que será de nós no futuro?
Não sei. Sei que é o futuro e lá estaremos.


CK

Ovelha de Guarda
Por Mônica Barreto Alves
Fui a filha teimosa, a do contra, a rebelde, a ovelha negra que o rebanho não entende. Desobediente aos olhos de quem queria silêncio, fui o erro, o ruído, o eterno desavenço.
Meus passos eram tortos para a régua da família, enquanto os "escolhidos" brilhavam na trilha. Eles eram os troféus, o orgulho, a perfeição, eu era a sombra, o aperto no coração.
Mas o tempo, esse mestre que não sabe mentir, viu o brilho dos "queridos" um a um sumir. E quando o esquecimento se instalou no teu olhar, nenhum dos adorados veio te segurar.
O Alzheimer chegou, apagando o que restou, e o silêncio da casa os "perfeitos" afastou. Onde estão os troféus? Onde está a devoção? Não estão no teu leito, nem te dão a mão.
E aqui estou eu, a ovelha marcada, aquela que, para você, nunca valia de nada. Sou eu que te limito, que te guio, que te dou o pão, sou eu o teu porto, a tua única direção.
Sou eu quem segura o que a memória perdeu, quem cuida do pai que de mim se esqueceu. Porque o amor de quem foi julgado é o mais verdadeiro: não cuido por mérito, cuido por ser inteira.
A ovelha negra, no fim da jornada, é a única luz na tua estrada nublada.

O Avesso da Presença
Por Mônica Barreto Alves
Éramos cinco, e os olhos dela não brilhavam por mim.
Eu não era a escolhida, a doçura, o jardim.
Entre nós, as palavras eram pedras, o tom era de guerra,
brigas constantes, poeira que nunca se enterra.
Os preferidos viviam no altar da distância,
recebiam o elogio, a saudade, a importância.
Mas na casa deles, o rastro dela não ficava,
era o silêncio da ausência que lá habitava.
Já na minha porta, o passo dela era certo,
vinha com a crítica, com o dedo por perto.
Vinha ver se a casa estava limpa, se eu falhei em algo,
vinha para me acusar, do alto do seu palco.
Mas ela ia.
Mesmo para brigar, ela batia no meu portão.
Enquanto os "queridos" eram visitas de feriado,
eu era o seu destino, o seu porto irritado.
E o destino guardou o retalho mais pesado:
fui eu quem ouviu o seu grito desesperado.
Enquanto os outros estavam longe, no conforto do papel,
fui eu quem viu a dor rasgar o seu véu.
Fui eu quem chamou ajuda, quem correu pro hospital,
fui o braço que a segurou no portal final.
Ali ela entrou, e de lá nunca mais saiu,
mas foi nos meus olhos que o mundo dela ruiu.
Tive o que os outros, no luxo do orgulho, perderam:
a presença constante, os dias que se sucederam.
Fui o alvo das frases, mas também o seu retiro,
fui a última mão, o seu último suspiro.

O Teu Olhar Sobre Mim
Por Mônica Barreto Alves


Senhor, eu Te agradeço pelo caminho percorrido,
Pelo que foi ganho e pelo que foi perdido.
Olho para trás e vejo a Tua mão em cada traço,
Dando-me forças quando o cansaço vencia o meu passo.


Obrigada pela força naquelas pernas cansadas,
Que pedalaram 40 minutos por estradas isoladas.
Obrigada pelo "fiado" que alimentou os meus três,
E pela fé que me fez caminhar ao trabalho outra vez.


Obrigada, Pai, por me mostrares a verdade,
Naquela noite em que a janela foi a minha liberdade.
Tu ouviste a minha prece no escuro da rua,
E trocaste a minha dor pela paz que é só Tua.


Obrigada por cuidares da minha mãe no seu descanso,
E por me dares paciência neste mar que não é manso.
Por me ajudares a honrar o pai que se esquece de quem sou,
Enquanto o Teu amor, de mim, nunca se apartou.


Obrigada pelo encontro naquele banco de igreja,
Pelo parceiro que hoje luta comigo, seja o que for que esteja.
E pelo João, meu milagre, meu riso, minha luz,
A prova viva de que a Tua graça me conduz.


Não sou mais a ovelha negra, perdida ou sozinha,
Sou a filha amada que sabe a força que tinha.
Hoje o meu livro se fecha com o Teu nome no final,
Pois sem o Teu amor, nenhuma lição seria real.


Amém.

⁠Valor após a morte.


Nesta madrugada,
cheguei a uma conclusão,
Você só é valorizado, quando fecham o seu caixão.

Os vivos tem medo de serem ofuscandos,
quando você vive ao seu lado.
Não lhe dão valor, nem reconhecem,
a sabedoria que Deus, lhe concedeu.

Quando você desce a capa fria, choram que nem um falizeu.
Ficam cheios de alegria, porque seu concorrente morreu.

Bandos de miseráveis, igual aos tais,
sempre irão existir, torcem por sua morte,
para poderem ressurgir.