Texto sobre Pessoas
A Expansão de Dois Universos
Há pessoas que atravessam a vida umas das outras como quem visita um lugar. Eu não.
Sempre acreditei que existem pessoas extraordinárias. Pessoas que carregam dentro de si universos inteiros. Com constelações ainda sem nome, galáxias jamais exploradas, oceanos profundos e infinitos esperando alguém suficientemente curioso para permanecer.
Talvez seja por isso que nunca consegui amar pela superfície. Porque a superfície nunca foi capaz de sustentar aquilo que eu procurava. O extraordinário é raro. E, quando dois universos raros se encontram, o desejo deixa de ser apenas estar ao lado. Passa a ser descobrir.
Descobrir os continentes escondidos nas palavras não ditas, decifrar as estrelas por trás dos medos, encontrar vida onde ninguém antes teve paciência para procurar. E, enquanto isso, permitir que alguém também percorra o meu pequeno universo. Não apenas para me possuir, mas para me conhecer. Porque universos não se conquistam. Universos se desvendam.
Existe algo extraordinário quando duas imensidões deixam de apenas se observar e escolhem explorar uma à outra. Não para que uma complete a outra, mas para que ambas se expandam. Cada descoberta amplia a seguinte. Cada pergunta abre espaço para novas galáxias. Cada vulnerabilidade ilumina uma parte que ainda permanecia invisível.
É como se dois infinitos, ao se encontrarem, não diminuíssem um ao outro. Ao contrário. Expandissem. Porque conhecer profundamente alguém nunca reduz o mistério. Apenas revela que o infinito sempre foi maior do que imaginávamos.
Talvez seja esse o encontro que sempre procurei. Não alguém que apenas me olhasse, mas alguém disposto a passar uma vida inteira descobrindo os infinitos que habitam em mim, enquanto eu faria o mesmo pelos infinitos que habitam nele.
E talvez seja por isso que, um dia, escolhi entregar o meu universo. Não em partes. Não apenas o que era bonito ou fácil de compreender. Entreguei também os silêncios, as cicatrizes, as galáxias ainda sem nome e os lugares onde quase ninguém teve coragem de permanecer. Porque um universo só pode ser verdadeiramente entregue quando alguém confia ao outro até aquilo que ainda não foi completamente descoberto.
Talvez poucos compreendam o peso dessa entrega. Mas quem compreende sabe que receber um universo nunca foi um privilégio comum. Foi um convite para uma jornada sem fim.
Quando há amor entre duas pessoas não se deve olhar o sexo, a cor, a altura, nem a idade. Quando há amor não se pode colocar na balança conceitos sobre quem devemos amar e a quem devemos pertencer. Quando há amor nada mais importa, o importante é amar e ser amado na mesma medida.
💞
Feliz dia dos Namorados!
Não custa nada
Encantar
Minha mãe e pai
Minha filha
Meus irmãos
Meus amigos
As pessoas que encontrar
Encantar
Amar
Sonhar
Só se leva o encanto
De um para o outro
Vai se embora
O encanto fica
Não esqueça você
Faz parte de mim
Leva um pouco
E deixa para o outro
O encanto sem fim.
Eu acho lindo o amor.
Torço por ele, mesmo quando não é o meu.
Gosto de ver pessoas se encontrando, se escolhendo, se cuidando.
Talvez eu ainda não tenha vivido algo assim.
mas isso não me impede de acreditar.
Porque quem reconhece a beleza do amor,
já carrega um pouco dele dentro de si.
Não receie ser taxada de egoísta e seja sempre o melhor para si mesma, já que para pessoas que nunca sabem o que realmente desejam, o seu máximo nunca será o bastante! Não se diminua para caber na expectativa de quem nunca se satisfaz e escolhe permanecer vazio por dentro.
(Aline M. Abdalah)
Bom dia!
O mundo não precisa de pessoas perfeitas. Precisa de pessoas verdadeiras.
Em um tempo em que muitos escolhem a indiferença, tenha coragem de preservar a empatia. Em um tempo em que tantos seguem a multidão, tenha coragem de pensar por si mesmo. Em um tempo em que o valor humano é, muitas vezes, medido por números, aparência ou poder, lembre-se: o que realmente transforma o mundo é o caráter.
Cada amanhecer é um convite silencioso para escrever uma página que ninguém poderá escrever por você. O passado já cumpriu seu papel. O futuro ainda não existe. O que define a sua história é o que você decide fazer agora.
Que você caminhe com dignidade, trate as pessoas com respeito e nunca permita que as dificuldades roubem aquilo que há de mais valioso em você: a sua humanidade.
Tenha um excelente dia.
O mundo anda tão estranho que as pessoas vivem cobrando o que elas mesmas não fazem.
Vivem cobrando atenção, reclamando da sua distância, da falta de um convide, do seu "sumiço". Mas são incapazes de dar atenção, se aproximar, te convidar para algo, aparecer, ligar, se importar.
Acho que reclamar virou vício e ser recíproco virou raridade.
É mais fácil culpar o outro pelo distanciamento da relação que olhar as próprias atitudes e falhas e reconhecer o real motivo do gelo da relação.
Ser recíproco não dói. Ser recíproco, une!
Quando só um lado liga, chama, aparece, presenteia, se importa, convida, isso CANSA. E cansaço é um negócio que leva tempo pra sair.
Talvez não sejam as pessoas que te enganam.
Talvez, seja você quem confunde tudo.
Alguém que te faz de bengala emocional, nunca terá amor para suprir essa sua carência, menina!
Alguém que te procura quando precisa se sentir vivo, a cada encontro e desencontro, te mata um pouquinho. Mata a vida que há em ti.
E, se for para escolher o quê ou quem morre nessa história, não escolha você! Escolha amar. Escolha, viver. Escolha renascer.
Quem não muda, desconfia de quem mudou.
pessoas usam o passado dos outros como lente rápida porque dá menos trabalho do que reconhecer a mudança real... Quem te conheceu antes tende a congelar sua imagem, mas isso não te define em nada, segue em frente. Quem não quer enxergar quem você é agora, não merece ter essa sua versão, não faz parte da sua caminhada!
Estamos normalizando a ideia de que pessoas com graves desequilíbrios psicológicos não precisam de tratamento real, mas apenas de “aceitação” e liberdade irrestrita.
O resultado é previsível e perigoso: uma massa crescente de indivíduos emocionalmente imaturos, que se creem acima de qualquer limite, responsabilidade ou consequência, e que transformaram a vitimização em identidade e estratégia de poder.
Das pessoas
Acabei de ler "100% dos clientes são pessoas. 100% dos funcionários são pessoas. Se você não entender as pessoas, não entenderá os negócios" (Simon Sinek).
Pessoas são complexas... você sabe disso, né? Se sabe, vai colocá-las em pé de igualdade com você, vai respeitar os sentimentos, os pontos-de-vista alheios... vai entender 'certas' ações que não seriam as suas próprias... vai ser mais compreensível com o outro... com as pessoas.
Pessoas são complexas... eu sei que você sabe disso. Então, você vai deixar seu ego um pouquinho de lado um poucão de vezes... e vai... ah vai... tratar o outro como gostaria de ser tratado... e esse é um exercício diário, my friend... ah é!
Pessoas são seres emocionais, você sabe disso, né? Se sabe vai entender momentos de mau-humor, de silêncio, de falar demais, de entender de menos... e vai relevar mais... ah vai.
Pessoas são seres emocionais... eu sei que você sabe disso. Então, você vai tentar entender as pessoas antes de qualquer coisa... vai amar mais, vai julgar menos... ah! e vai começar por você, afinal você é uma pessoa e, se você não se entender, estará fadado ao fracasso... mais dia... ou menos dia. Pode crer ;)!
Rosangela Calza
Da motivação
Motivação – “Motivação é um impulso que faz com que as pessoas ajam para atingir seus objetivos [...] Motivação é o que faz com que os indivíduos deem o melhor de si, façam o possível para conquistar o que almejam” .
Em tempos de pandemia (Covid – 2020), a falta de motivação em um grande número de pessoas tem aumentado consideravelmente.
É difícil falar de motivação em tempos assim... como falar desse tema se parece que o mundo está se esvaindo dia a dia? Tudo está tão indefinido... como, então, ter objetivos se o que temos é nebulosidade total? Como planejar para sair em busca de algo se não sabemos nem quando poderemos sair de casa sem o medo do vírus?
Entende-se perfeitamente que as pessoas estejam tristes, assustadas, desmotivadas...
Mas, vamos lá! A vida continua... e pode ser que na próxima curva venha a solução para o que nos assola neste momento... e como temos de seguir procuremos seguir da melhor maneira possível os dias que se apresentam.
Um dia de cada vez – eis uma forma de seguir em paz e com serenidade.
Viva com atenção o seu presente... organize seu dia... planeje o seu dia (nada além de um único dia)... tenha uma agenda de atividades diárias e cumpra-as, valorizando o momento e o que está sendo feito... você sabia que o passado e o futuro são ilusões, não sabia?
Pois é... Tinha razão Dalai Lama ao dizer “Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver”.
Vamos viver o hoje, ou melhor, o AGORA!
Rosangela Calza
Do não que já se tem
A maioria das pessoas não está preparada para receber um 'não'. Mas, se elas se dessem conta de que o não elas já têm... perderiam o medo. Se já o têm, não há como ganhá-lo.
Então, se não fizerem nadinha de nada, o máximo que pode acontecer é permanecer no não. Que já é terreno conhecido, é zona de conforto.
Com você é assim também? Não consegue administrar os 'nãos'?
Então, acostume-se, sua vida estará repleta de 'nãos' – é tudo o que você já tem.
Agora, arrisque-se... o mínimo que pode acontecer é você permanecer no não.
O mínimo...
Rosangela Calza
As pessoas nas redes sociais colocam o que querem para você acreditar no que ela quer que você acredite.
"A mentira visualizada e compartilhada mil vezes se torna verdade.".
Mas, é preciso saber contá-las e compartilhá-las.
Seja por quem estiver contando para quem estiver acreditando.
Não são pessoas,
lugares ou circunstâncias
que nos afastam de Deus.
Mas, a falta de uma
verdadeira transformação
interior.
O resto, é só uma desculpa.
Existe uma enorme
diferença entre falar
que anda com Deus,
e viver como se
com Deus andasse.
Quem anda com Deus,
carrega a presença
de Deus por onde vai.
Tentando desenhar o que vi no sonho...
Um barco caravela da era colonial em um cais, muitas pessoas descendo e subindo do barco...
Eu desci, e logo vi alguém encostado no parapeito da orla, era ele novamente o 'C', nos olhamos profundamente, e rimos um para o outro.
Me despedi desse alguém, e dissemos um adeus que seria para sempre...
Porque enquanto eu estava descendo naquelas terras, ele estava indo para outras.
Eu continuei caminhando, e indo com a minha mala cheia de pertences, para não sei onde...
Eu estava tão feliz naquele instante, mas alguma coisa me dizia que eu deveria embarcar com aquela pessoa de volta, porque depois daquele momento, nunca mais nos veríamos.
Lembro que eu estava com roupas de camponesa.
Uma saia longa e uma blusa de meia manga branca...
Porém, tudo o que fiz foi andar para frente, e olhar para trás, até sumirmos das vistas um do outro.
Ele me olhava com amor e ternura, como quem dissesse "fica comigo e vamos viajar juntos, para nunca mais nos separarmos..."
Antes de partir, havia me aproximado dele e o abraçado. Era como se fosse o último abraço das nossas vidas.
Tão intenso.
É só disso que me lembro ❤️
10/11/2021
A POBREZA HEREDITÁRIA QUE MOLDA A SUA VIDA
Existe um peso silencioso que muitas pessoas carregam sem nomear. A pobreza. Não como uma fase pontual, mas como uma herança. Algo que atravessa gerações, molda escolhas, limita horizontes e ainda assim é tratada como falha individual. Você, homem ou mulher, em algum momento já sentiu essa culpa disfarçada de responsabilidade excessiva. Como se bastasse querer mais, trabalhar mais, tentar mais, para sair de um lugar estruturalmente desigual.
A pobreza não é um fracasso pessoal. Ela é um fenômeno histórico, social e familiar que se repete porque cria ambientes onde as opções são reduzidas desde cedo. Você não começa do zero. Começa do menos. E isso muda tudo. Muda o tempo que você leva para aprender, as oportunidades que aparecem, a margem de erro que você pode ter sem ser destruído ou destruída.
Quando alguém diz que basta esforço, ignora o custo invisível de crescer sem rede de apoio. Ignora o cansaço acumulado de quem precisa resolver o presente antes de pensar no futuro. Ignora que errar para quem tem pouco custa muito mais. Um erro financeiro, uma escolha profissional mal informada, uma doença, uma crise familiar podem empurrar você anos para trás.
A narrativa do mérito absoluto é confortável para quem recebeu reforços. Educação estável, apoio emocional, referências, tempo para errar, incentivo para tentar de novo. Quando esses elementos não existem, o esforço sozinho vira uma corda curta. Você puxa, mas não alcança o outro lado com facilidade.
Isso não significa que sair da pobreza seja impossível. Significa que é raro. E quando acontece, costuma envolver algo além da força de vontade. Um encontro, uma oportunidade específica, um acesso inesperado, alguém que estendeu a mão, uma política pública, uma mudança estrutural. Reconhecer isso não tira o mérito de quem consegue. Tira a culpa de quem ainda não conseguiu.
A pobreza também molda a mente. Cria urgência constante. Você aprende a resolver o agora, não a planejar o depois. Aprende a sobreviver, não a expandir. Isso não é falta de visão. É adaptação. O problema surge quando essa adaptação é julgada como limitação moral.
Você não escolheu nascer onde nasceu. Não escolheu o nível de instrução da família, o bairro, a escola, as referências. Essas condições iniciais influenciam diretamente o quanto de energia sobra para sonhar, arriscar e persistir. Dizer que tudo depende apenas de esforço é ignorar a realidade concreta da vida.
A pobreza atravessa gerações porque se reproduz no cotidiano. Na necessidade de trabalhar cedo. Na interrupção de estudos. Na normalização do cansaço extremo. Na falta de tempo para errar com segurança. Cada geração herda não apenas menos recursos, mas mais responsabilidades.
E ainda assim, você é cobrado e cobrada como se tivesse recebido o mesmo ponto de partida que todos. Essa cobrança cria vergonha, e a vergonha paralisa. Ela faz você acreditar que não merece querer mais, que sonhar é ingenuidade, que tentar é perda de tempo. Esse é um dos danos mais profundos da pobreza. Não é só material. É simbólico.
Reconhecer isso não é se vitimizar. É se localizar. É entender o terreno em que você pisa antes de se culpar por não correr mais rápido. Quando você entende o contexto, pode buscar estratégias mais realistas. Pode valorizar pequenos avanços. Pode procurar reforços externos sem sentir que está trapaceando.
Esforço importa. Mas ele não opera no vazio. Ele precisa de estrutura, de tempo, de margem para erro. Sem isso, o esforço vira exaustão crônica. E exaustão não liberta ninguém.
Você não é menos capaz por ainda estar onde está. Você está operando dentro de um sistema que exige mais de você para entregar menos. Isso não define seu valor. Define a dificuldade do caminho.
Sair de uma hereditariedade de pobreza exige mais do que vontade. Exige acesso. Exige suporte. Exige rupturas que nem sempre estão sob controle individual. Entender isso devolve dignidade. E dignidade é o primeiro passo para qualquer transformação real.
Você não precisa carregar a culpa de um sistema inteiro nas costas. Pode carregar apenas a responsabilidade possível, aquela que cabe dentro da sua realidade atual. O resto não é fracasso. É contexto.
E quando você para de se tratar como defeituoso ou defeituosa por não ter vencido uma corrida desigual, algo muda. Você passa a se mover com mais consciência e menos vergonha. E isso, embora não resolva tudo, já rompe um ciclo silencioso.
A pobreza não define quem você é. Ela explica parte do que você enfrenta. E entender essa diferença é um ato profundo de lucidez e respeito consigo mesmo e consigo mesma.
O FRACASSO CONDICIONADO QUE AFASTA PESSOAS
Existe um abandono que não acontece de uma vez. Ele vai se espalhando conforme você não conquista o que o mundo chama de sucesso. Quando não há posses, status ou resultados visíveis, as pessoas se afastam com uma naturalidade fria. Não é sempre hostilidade aberta. Muitas vezes é silêncio, distância, ausência. Convites que param. Conversas que não continuam. Você, homem ou mulher, passa a existir menos nos olhos alheios.
A pobreza e o fracasso funcionam como filtros sociais cruéis. Eles revelam o quanto a maioria das relações é condicional. Enquanto você tem algo a oferecer, presença é garantida. Quando não tem, o espaço se fecha. Isso dói porque confirma uma suspeita antiga. O valor que te atribuem não está em quem você é, mas no que você representa.
Esse afastamento costuma ser interpretado como prova de inadequação pessoal. Você pensa que há algo errado com você. Que não é interessante, útil, digno. Mas o que está acontecendo é outra coisa. As pessoas se afastam porque o fracasso as incomoda. Ele lembra que a estabilidade é frágil. Que o sucesso pode não durar. Que o sistema não protege a todos. É mais fácil se afastar do que encarar essa verdade.
Há uma solidão específica em não conquistar nada segundo os parâmetros externos. Você não é procurado ou procurada para conselhos, oportunidades, trocas. Você se torna invisível. E a invisibilidade machuca porque você ainda é o mesmo por dentro. Seus pensamentos, sua sensibilidade, sua lucidez continuam ali, sem plateia.
Mas existe um lado que poucos têm coragem de admitir. Esse afastamento também limpa o terreno. Sem posses, sem prestígio, sem resultados para exibir, não há interesseiros. Não há bajulação estratégica. Não há relações baseadas em conveniência disfarçada de amizade. Quem fica, fica por algo mais raro.
Essa fase mostra quem se importa com você e quem se importa com o que você pode fornecer. Mostra quem enxerga sua humanidade e quem só enxerga utilidade. É um aprendizado duro, mas extremamente esclarecedor. Porque você para de confundir presença com lealdade.
Quando você está no fundo, não há performance possível. Não há como impressionar. Não há como negociar valor social. O que sobra são vínculos desarmados ou nenhum vínculo. E embora isso doa, também devolve verdade. A verdade de que muitas relações eram sustentadas por expectativa, não por afeto ou respeito real.
Se um dia você vencer na vida, e isso pode significar muitas coisas além de dinheiro, você saberá com quem pode contar. Não porque essas pessoas estarão ao seu lado no topo, mas porque estiveram quando não havia nada a ganhar. Essa memória se torna um critério interno poderoso. Você não se ilude com facilidade depois disso.
A pobreza e o fracasso ensinam algo que o sucesso raramente ensina. Ensina a ler pessoas. Ensina a perceber silêncios, ausências, prioridades. Ensina que algumas despedidas não são perdas. São revelações.
Isso não torna a solidão fácil. Não romantiza o abandono. Mas retira a culpa que você costuma carregar. O afastamento dos outros não é prova de que você não vale. É prova de que muitos vínculos eram frágeis demais para atravessar a escassez.
Você aprende também a se tornar companhia de si mesmo e de si mesma. Não por escolha idealizada, mas por necessidade. E dessa convivência forçada nasce uma autonomia que não depende tanto de aprovação externa. Você passa a se ouvir mais, a se observar mais, a se fortalecer internamente.
Quando o mundo se afasta, você descobre que ainda existe você. E isso muda a relação consigo. Você começa a construir valor interno sem aplauso. E isso, paradoxalmente, prepara você para não se perder quando o aplauso eventualmente vier.
Se a vitória chegar, você não estará ingênuo ou ingênua. Saberá que nem toda aproximação é afeto. Que nem todo elogio é respeito. E terá critérios mais firmes para escolher quem entra e quem fica.
Até lá, essa fase de vazio relacional não é uma punição. É um período de depuração. Dói porque revela, mas também protege. Protege você de se cercar de pessoas que só caminham ao seu lado enquanto há algo a extrair.
Você não perdeu todo mundo porque fracassou. Você apenas perdeu quem não suportaria caminhar com você sem garantias. E isso, embora machuque agora, pode ser um dos aprendizados mais valiosos da sua vida.
Quando você entende isso, a solidão deixa de ser humilhação e passa a ser um intervalo de lucidez. Um tempo difícil, sim, mas honesto. E honestidade, no fim, vale mais do que companhia interesseira.
Geralmente, a maioria das pessoas que estão em um púlpito pregando, são pessoas que se escondem atrás da Bíblia. As que assistem também. É impressionante como a fé, que poderia ser algo tão genuíno, tão transformador, acaba se tornando um escudo, uma máscara para as coisas mais horríveis. As pessoas fingem ser o que não são, e ninguém parece perceber. Fico pensando em quantas vidas são moldadas por palavras que saem de bocas que escondem intenções nada nobres.
Eu mesma tenho uma história que me deixa sem palavras quando lembro. Fui quase abusada na adolescência por um presbítero que pregava todo dia na igreja com a Bíblia na mão. A imagem dele, o semblante sério, a autoridade que parecia inquestionável, me perseguem até hoje. É revoltante pensar que alguém que se dizia guardião da palavra de Deus, alguém que todos confiavam, podia ser tão cruel, tão oportunista. E não é que a vida me mostrou que isso não é exceção. Hoje conheço pastores que vivem uma vida infernal, que batem na mulher, que manipulam, que julgam, que destroem, e continuam lá, com a Bíblia na mão, como se nada tivesse acontecido. É de deixar qualquer pessoa abismada.
O problema não é que a religião ou a fé existam. O problema é a hipocrisia, a falsidade, a postura de santidade que não se traduz em atos. É fácil pregar sobre amor, perdão e compaixão quando se está cercado de olhares que acreditam na máscara. É muito mais fácil fingir. O púlpito virou palco, e a plateia, cúmplice. As pessoas que deveriam questionar, refletir, se proteger, também acabam se escondendo atrás do mesmo livro sagrado, como se fosse uma proteção contra a verdade incômoda.
E eu fico aqui pensando nas marcas invisíveis que isso deixa nas pessoas. Porque quem assiste, quem confia, quem ama, acaba aprendendo que a aparência vale mais que a essência. Que a palavra é importante, mas quem segura a palavra pode ser desonesto, cruel, manipulador. Que o medo de desagradar ou de duvidar é maior do que o medo de se ferir. A fé se transforma em algo confuso, em um jogo de poder, e a cada história como a minha, a cada abuso quase consumado, a cada violência disfarçada de autoridade, eu me pergunto como alguém consegue seguir acreditando sem perder a lucidez.
É revoltante, mas também é engraçado se pensar por outro lado. É engraçado como o ser humano consegue usar a religião como uma fantasia, um disfarce para os próprios vícios, para as próprias fraquezas. É quase cômico se não fosse trágico. É como assistir a uma peça de teatro onde todos fingem ser santos enquanto a plateia aplaude sem perceber que está sendo enganada. É um absurdo que se repete, geração após geração, e que deixa marcas invisíveis que às vezes só quem já sofreu consegue ver.
E eu rio, às vezes sozinha, do quão contraditório tudo isso é. Rir da tragédia, rir da hipocrisia, rir da plateia que acha que está assistindo a algo divino quando, na verdade, é só uma performance muito bem ensaiada. Rir para não chorar, rir para não enlouquecer, rir para lembrar que a verdade existe, mesmo que ela seja escondida atrás de uma Bíblia e de olhares que fingem virtude.
Mas não é só indignação, também é aprendizado. Aprendi a desconfiar, a questionar, a não aceitar máscaras nem nos púlpitos nem em qualquer outro lugar da vida. Aprendi que fé de verdade não se mede pelo que alguém fala ou prega, mas pelo que alguém faz, pelo cuidado que oferece, pela integridade que demonstra mesmo quando ninguém está olhando. Aprendi que o medo de abusos, de manipulações, de pessoas falsas, pode ser enfrentado, e que a indignação pode se transformar em força, em clareza, em liberdade.
E assim sigo, abismada, indignada, às vezes rindo, às vezes quase chorando, mas sempre acordada para a realidade. Porque a vida é muito curta para fingir, para se esconder, para aceitar que a santidade é apenas uma máscara. A fé que vale a pena é aquela que não precisa de máscara, que não se esconde atrás de púlpitos, que não destrói quem confia. A fé verdadeira é transparente, humana, justa, e quando existe, é impossível passar despercebida, mesmo em meio a tantos farsantes com a Bíblia na mão.
Ontem sonhei que estava em um tipo de abrigo, junto com várias outras pessoas que também precisavam de cuidados. Havia uma indiana chamada Lininus; ela era muito alegre e feliz, e estava com uma criança. Ela me dizia “Deus te abençoe” e me deu um abraço forte. Eu disse a ela que, se conseguisse algo material na vida, iria procurá-la para ajudar no que fosse possível. Ela riu.
Depois, apareceu um rapaz negro. Ele sorriu para mim e orou por mim, segurando o topo da minha cabeça com a mão direita e os olhos fechados. Eu também fechei os meus. Ao final, ele me desejou boa sorte e deu um leve beijo na ponta do meu ombro esquerdo.
Em seguida, havia uma menina que conheço. Ela estava diferente da vida real: tinha cortado o cabelo em chanel curto e estava muito, muito feliz ao contar um sonho que teve comigo, para mim e para quem quisesse ouvir. Ela começou dizendo: “Era uma linda flor, e apareceu o espírito…”. Ela gesticulava e ria. Eu vi várias outras pessoas conhecidas ali, naquele lugar.
No sonho, eu estava voltando para minha casa após dois meses me recuperando de uma cirurgia. O curioso é que, na vida real, estou na casa da minha sogra, me recuperando de uma cirurgia de três hérnias, uma umbilical e duas inguinais. Hoje, 18 de abril de 2026, faz 1 mês e 13 dias da minha segunda cirurgia.
Nesse sonho, acredito que eram guias espirituais zelando por mim, em forma de pessoas que conheço. Eu estava muito feliz e disse a todos que os ajudaria de alguma forma, algum dia na vida. No final, nem deu para ouvir o restante do sonho da Alessandra, porque meu marido entrou no quarto e eu acabei despertando.
