Texto sobre eu Amo meu Irmao
O tempo, cruel, passou em vão.
Viu a estação mudar, o ponteiro avançar.
Mas o vazio aqui, no meu coração,
recusa-se a sair, a se findar.
Somos dois mundos, sem a ponte.
Distantes, sim, e o drama é meu.
Vejo o futuro lá no horizonte,
mas ele é igual ao dia que você partiu.
Nada mudou.
Na quietude fria da sala,
onde só o silêncio me acompanha,
escutei, em uma onda, uma farra,
o murmúrio da sua voz, tão estranha.
É o toque final desta melancolia:
saber que a dor tem seu nome, sua morada.
O amor se foi, mas a saudade é magia
que te traz de volta, em cada madrugada.
✨35-36 ( Transição de idade)
Carta aberta.
Quando sentir se tornou meu ponto de virada.
Todo ano eu me prometia recomeçar. Me prometia cuidar mais de mim, prestar atenção no que eu sentia, mudar o que precisava ser mudado. E, ainda assim,
o tempo passou… anos passaram… até que, finalmente, eu me enxerguei.
Logo eu, que sempre me achei tão atenta, tão pronta para resolver qualquer situação que surgisse — desde que não fosse dentro de mim.
Porque para o outro sempre foi fácil.
A palavra saia rápida, certeira, quase automática.
A gente fala, aconselha, acolhe… e acredita que isso basta. E, para o outro, basta mesmo.
Mas quando se trata de nós… ah, aí tudo pesa diferente.
Com a gente própria, a cobrança vira eco.
“Você precisa emagrecer.”
“Você precisa mudar.”
“Você precisa melhorar seus hábitos.”
E essas frases, sem sentimento, viram só barulho. Viram vento.
O difícil nunca foi saber o que fazer.
O difícil sempre foi sentir.
Sentir a dor, o incômodo, a verdade crua.
Mas também sentir orgulho, força, vitória.
Porque é quando a gente sente de verdade que a gente se posiciona.
É quando a gente decide sair do piloto automático e tomar de volta as rédeas da própria vida.
O meu ano 35 foi exatamente isso: um encontro comigo.
Confesso — vivi o que muitos chamam de crise da meia-idade.
Eu chamaria de transição.
Chegaram os questionamentos, as reflexões, as inquietações, as rupturas… e, principalmente, as mudanças internas.
Aquelas que ninguém vê, mas que transformam tudo.
Hoje, olhando para mim com mais honestidade e carinho, reconheço o quanto precisei quebrar para entender minhas peças. O quanto precisei me ouvir. O quanto precisei sentir para, enfim, começar a me reconstruir.
E se tem algo que aprendi, é que o recomeço não mora no calendário.
Mora na coragem.
E essa, eu descobri que eu tenho — e sempre tive.
Cuidar da minha saúde foi meu maior ato de amor próprio.
Perdi 26 quilos, mas o que realmente perdi foram os medos, os hábitos que me prendiam, as versões minhas que já não cabiam mais.
E tudo isso começou por onde todo mundo deveria começar: pela mente.
E como a vida gosta de recompensar quem se reencontra, ganhei meu maior presente:
A minha bebê, que em breve vai chegar trazendo mais luz, mais propósito e ainda mais alegria para os meus dias.
Hoje, finalmente, posso dizer:
eu recomecei.
E dessa vez, por mim.
Anely Sofia 2025.
Quero aqui em alguns versos
Fazer também o meu protesto
Defender o meu nordeste
Do preconceito e da discriminação
Eu escolho o cordel
Por ser a linguagem mais fiel
Que representa o sertão
Pra ser sincero
não entendo a indignação
Dessa gente infeliz
Que não sabe o que diz
E só fica aí falando mal do nosso povo
Só porque não fomos baba ovo
De um presidente que a qualquer custo queria ganhar a eleição
Mas, felizmente, essa já não é mais a questão
O fato é que o nordeste sempre foi injustiçadooo
Taxado por muitos de atrasado
Lugar de gente sem noção
Mas contra isso eu digo é não
O povo aqui é tão sabido e politizado
quanto você que mora aí do outro lado… e fica falando mal do meu sertão.
Então, meu compadre, respeite o meu nordeste pois aqui tem sim cabra da peste
E se você duvidar
Pega aí
Os cabras retados da literatura, da arte, da cultura
E vamos aqui comparar
Duvido que tem aí
No seu lugar
Um Luís Gonzaga
Um Chico Anisio
Um Jorge Amado
Ou um José de Alencar
Vou nem seguir com
a Lista
Para não te humilhar
Nem vou falar de culinária, nem das praias
Que você costuma vir aqui frequentar
Mas se você tá acostumado
Com falsidade, hipocrisia
ou até mesmo com essa sua ideologia
Dá no pé e vai cantar
em outra freguesia
Porque caráter e honestidade por aqui a gente não negocia
Também não vou te Tratar com desdém
E pode até continuar banhando em nossas praias
que a gente não faz desfeita de seu ninguém
Você pode não valer um vintém
Mas por aqui, meu Compadre, o mal se paga é com o bem
Soneto (parte 3)
Carta para meu lírio
Lírios azuis, flores de sonho,
Ternura que o coração sente,
Amor que não morre, não some,
Lembranças que para sempre se sentem.
No jardim da memória,
Lírios azuis florescem,
Trazendo lembranças queridas,
De momentos de amor e paz.
Seu perfume suave e doce,
Enche o ar de ternura,
Lembrando momentos felizes,
De amor e alegria pura.
Lírios azuis, símbolo de amor,
Ternura que não acaba,
Lembranças que ficam,
Mesmo quando a distância separa.
Hoje ninguém vai me obrigar a nada.
Me deixa aqui, no meu canto, no doce balanço dos meus pensamentos.
Só quero um tempo para reler, relembrar e me reconectar com essa parte minha que às vezes vem em abundância e, em outras tantas, se esvai.
Versos singelos que se expressam tentando tirar da alma sua mais pura essência.
Músicas tocam, cheiros no ar, alguém dorme ao lado sem imaginar os versos bonitos que essa alma quer resgatar.
_KM_
11/10 — 23h54
Karina dos Santos Megiato
Carta de Saudade e Amor
Meu amor,
Não há palavras suficientes para descrever a saudade que sinto de você. Cada dia longe de você parece arrastar-se, e cada noite é preenchida com lembranças do que fomos juntos e sonhos do que ainda podemos ser. Sinto falta do seu sorriso que iluminava meus dias, do seu abraço que me fazia sentir seguro(a), e do seu olhar que parecia entender tudo o que eu não conseguia dizer.
Às vezes, fecho os olhos e consigo sentir você aqui comigo — como se nada tivesse mudado, como se o tempo tivesse parado. Lembro das risadas que compartilhamos, das conversas que pareciam eternas e até dos silêncios que eram confortáveis, porque eram divididos com você. Cada pequena lembrança se tornou um refúgio na minha saudade, e é incrível como você continua presente mesmo quando está longe.
Meu coração anseia pelo dia em que poderei te abraçar novamente, olhar nos seus olhos sem pressa, sentir seu cheiro, ouvir sua voz e simplesmente existir ao seu lado. Enquanto isso não acontece, eu guardo você dentro de mim, em cada pensamento, em cada batida do meu coração, e até nos sonhos mais íntimos.
A saudade dói, mas ela também me lembra do amor imenso que sinto por você. Um amor que não se abala pela distância, que cresce a cada momento e que se fortalece na espera. Quero que saiba que, mesmo longe, você é minha prioridade, minha inspiração e meu porto seguro. Que em breve, a saudade se transforme em reencontro, e que possamos novamente viver tudo aquilo que a distância não conseguiu apagar.
Com todo o meu amor e toda a minha saudade,
[Seu nome] ❤️
Poema-Carta de Saudade e Amor
Meu amor,
A saudade me veste como um manto pesado,
cada fio entrelaçado com lembranças suas.
Sinto sua falta no vento que toca meu rosto,
no silêncio que ecoa o som do seu riso,
na noite que parece mais longa sem você.
Meu coração grita por sua presença,
por seu abraço que acalmava minhas tempestades,
por seu olhar que entendia minha alma
mesmo quando minhas palavras falhavam.
E mesmo assim, na ausência, você permanece,
como uma luz que não se apaga,
como a certeza de que o amor verdadeiro
não se mede em distância,
mas na força que nos mantém ligados.
Queria arrancar os ponteiros do tempo,
trazer você de volta a cada instante,
sentir você tão perto que pudesse ouvir
o compasso do seu coração junto ao meu.
Mas enquanto não posso, guardo você
em cada respiração, em cada sonho,
em cada batida que insiste em chamar por você.
A saudade dói, mas também me lembra
que amar você é viver intensamente,
que mesmo longe, você é meu tudo,
meu antes, meu agora e meu depois.
E quando enfim nos reencontrarmos,
prometo que cada segundo perdido
será recompensado com o dobro de amor,
com abraços que falam mais que palavras
e beijos que traduzem tudo o que o silêncio não disse.
Sempre seu,
[Seu nome] ❤️
Se Você Quer Saber
Simbora meu Nordeste
Tô cansado de ler
De te mandar recado no instagram
Você finge não ver
De deixar recado no seu whatsapp
Você finge não ler
Tô cansado de ver
Mais você se enganou
Pois quem te deletou
Na verdade fui eu
Se me ver por ai
Na balada curtindo
Diga que nunca fui seu
Não venha me dizer
Que está arrependida
Que o culpado fui eu
Se você quer saber
Eu te exclui do whatsaapp
Instagram
E do meu coração
Pois o mundo girou
Foi você que plantou
Tomou a decisão
Pesquisa no instagram
Quem é a Miriam
Que falava de mim
Minha nova paixão
Se você quer saber
Eu te exclui do whatsapp
Instagram
E do meu coração
Pois o mundo girou
Foi você que plantou
Tomou a decisão
Pesquisa no instagram
Quem é a Miriam
Que falava de mim
Minha nova paixão
Pesquisa,bebê
Ui, nêga
Aí o mundo dá volta demais
Bom demaise
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Morte
Vou te encontrar vestida de mim, pois em qualquer lugar me levará, sem vestir meu cetim, sem saber como aquelesfios finosdeslizariam sob mim.
Levando só a saudade das sensações humanas, queimando minha carne.
Nós momentos que somos, a riqueza que nos acompanha cabe no pensamento, de que não temos fim.
Escrevendo ao ouvir- Canto Para Minha Morte- Raul Seixas
Última Dose de Ilusão
William Contraponto
No espelho trincado da aurora,
Risquei meu nome com batom vencido.
Cada verso é uma estrada que chora,
Cada amor, um contrato rompido.
Apaguei cigarros com promessas,
Tatuando no peito um talvez.
A vida servida em mãos avessas,
Brindando ao silêncio outra vez.
Fui poeta de bares esquecidos,
Dos que cantam verdades tortas.
Minha alma é um quarto sem ruídos
Com mil portas e todas mortas.
Já vendi meu relógio ao futuro
Pra não ter que explicar o passado.
Hoje ando com o tempo mais duro
E um coração quase penhorado.
Se menti foi por pura ternura,
Se fugi, foi da zona de guerra.
Mas há sempre uma certa amargura
Naquilo que a gente mais erra.
Não me espere com flores na mão,
Me receba com vinho barato.
Que eu ainda componho a canção
Que ninguém cantou no teatro.
Análise
Visitei meu passado achando que lá encontraria alegria.
Feri-me mais uma vez, em mais uma oportunidade de aprender
Que a vida só se vive uma vez e que água passadas realmente não movem moinhos.
Do passado, só memórias.
Do futuro, só esperanças.
Do presente, só aceitação.
Visitei minhas dores achando que lá encontraria respostas.
Doeu-me mais uma vez, mais uma escolha desnecessária.
A vida se toca é adiante, não titubeie, levante!
Do passado, só histórias.
Do futuro, só ideias.
Do presente, só gratidão.
Visitei minhas destemperanças, lá sim pude me enxergar melhor.
Envergonhei-me de mim mesma,
E lembrei que com elas posso aprender e ser melhor.
Para o passado, meu adeus!
Para o futuro, meu talvez!
Para o presente, minha dedicação!
A Crueldade da Poesia
A poesia me abriu o peito
e pediu meu sangue.
Quando a entreguei,
ela leu em silêncio, sorriu
e foi embora.
Fiquei ali,
com o coração pingando,
verbo amputado, sem sentido,
entendendo — tarde demais —
que a poesia não consola,
nem o poeta, nem a musa.
Poeta não é herói:
ela o consome,
o destrói.
A projeção que virou espelho
Achei que te via,
mas o reflexo era meu.
Tuas palavras vinham de fora,
mas quem as moldava por dentro
era o que eu queria ouvir.
Todas as vezes que olhava o pôr do sol no horizonte,
na verdade, era uma projeção de nós dois
iluminando meu inconsciente.
Uma foto sua e se abria um álbum em minha frente,
histórias criadas e até roteiros feitos...
Projetei um enredo,
acreditei no roteiro que escrevi sozinho,
e, quando o silêncio chegou,
percebi que o eco não era ausência tua —
era excesso meu.
Criado por um, mas pertencente em silêncio a dois.
Nesse excesso, criei um mundo todo só nosso —
mas apenas eu tinha acesso.
Hoje olho com carinho todo esse sentimento.
Não acabou, na verdade, é apenas o primeiro dia
fora do nosso mundo encantado.
O que doeu não foi perder alguém,
foi perder o personagem que inventei.
Descobrir que o amor idealizado
tem o brilho exato do pôr do sol:
belo, mas breve,
e feito de despedida.
Observando tudo que criei e senti ao longo desse tempo,
me vejo como um belo arquiteto,
porém, um péssimo projetista —
criei estruturas lindas, dignas de um conto de fadas.
Hoje vejo de fora o “nosso mundo perfeito”,
sem saber o que você acharia dele de verdade.
Hoje entendo:
a decepção é só a luz acendendo no cinema,
mostrando que o filme era projeção.
E no escuro que fica depois,
a vida me convida a assistir de novo —
dessa vez, com os olhos abertos.
Das cenas que eu mais gosto são os créditos.
Pois mesmo sendo o único colaborador físico dessa criação,
todas as cores e formas são méritos seus.
Lhe agradeço por fazer tanto por mim.
Nunca haverá mágoas em um mundo onde nunca existiram
dois corações batendo acelerados
por compartilharem o mesmo sentimento.
Soneto do jardim
Você levou a melhor parte de mim
Por outro lado deixou no meu peito
Um belo, grande e lindo jardim
Lugar onde faço do amor meu leito
Vejo flores por todos os lados
Porém, em toda rosa há seus espinhos
Por isso, ando com todos os cuidados
Procurando você por todos os caminhos
Amo-te mais do que tudo
Sinto sua falta quando não te vejo
Conto os segundos para teu perfume aspirar
Infelizmente, na vida há algum contudo
Você é o que mais desejo
Como a mulher para a vida compartilhar
Consertei meu jardim —
as flores voltaram a sorrir,
o vento brinca entre os ramos
e a terra respira por vir.
Mas hoje há muros altos,
feitos de calma e cautela;
onde antes havia frestas,
agora há grades, sentinelas.
Entre as rosas, pus tranças,
raízes firmes, seguras;
nenhuma lagarta ousada
ultrapassa minhas muralhas puras.
O jardim segue belo, enfim,
mas aprendeu com a dor:
flores que um dia sofreram
agora florescem com amor —
sem deixar de lembrar
quem tentou roer seu florir interior.
O PAI E A SAUDADE
Meu pai, foi-se cedo.
Fugiu.
Meu Deus, credo
Que meu pai partiu
Cansado,
Martirizado,
De tanto me ouvir,
Insistir,
Perguntar:
Porque me construíste, pai!?...
A mim, um vivo-morto
Cada vez mais vivo na morte
Que se fosse de outra sorte
Eu sentiria conforto
Se te tivesse comigo
Como aquele amigo
Que além disso é pai
E a gente pensa
Mesmo na descrença
Que ele, nunca, mas nunca se vai.
(Carlos De Castro, in Há um Livro Muito Triste Por Escrever, em 23-10-2025)
Fones no ouvido, silêncio absoluto no quarto, olho para o teto branco, as batidas do meu coração, o som da minha respiração e gritos internos.
Dou play no tocador, fecho os olhos, sinto meu coração se juntar a melodia. Tudo parece tão simples, tão fácil.
Escrevo e escrevo e nada faz sentido, nada nunca faz sentido, mas eu sei, ela também sabe.
Eu sinto saudades de 2015, sinto falta dela também, das conversas e de como tudo se mostrava tão leve.
Penso em muitas palavras das quais não posso pôr no papel, como parte disso, guardar num potinho que parece casa, enterrar a chave e mudar de bairro.
Passei na frente algumas vezes, gostava de olhar a imensa e linda árvore que tinha na frente da casa, colhia algumas rosas do jardim, bem, outras já estavam mortas, e eu nunca mais plantei nada, não podia, o que eu colheria? Espinhos.
Faz um tempo que não passo em frente aquela casa, não sei se a árvore morreu, se o jardim foi coberto por folhas secas e sem vida, se a tinta da parede ja perdeu a cor, não sei. As vezes sinto vontade de ir lá, mas já não mora mais ninguém que eu conheça naquela casinha. Guardo uma foto, uma única foto de quando tudo era lindo, feliz e colorido. Prefiro essa lembrança as que tenho agora...
Abro os olhos, dou uma leve risada, coloco os fones ao lado da cama e adormeço. Mas meu coração nunca dorme, ele sente saudades de ir naquela casinha. Ele sente saudades dela.
MEU SONETO
As minhas lágrimas são da arte
E a minha solidão é do amor.
No meu poder tem o disfarce;
Dos meus sorrisos saem a dor...
No meu coração tem o enlace,
Na minh'alma esplendor...
E na expressão de minha face
Se faz brilhar todo o fulgor.
No meu silêncio tão profundo
Exalto a vida a todo mundo,
Levo às costas todo o poder...
Do maior amor sou dependente;
De mentiras vivo a toda gente,
Da ilusão, profano o meu viver...
© Dolandmay Walter
Sobreviver...
Minha vida...
Sem paixão,
Sem cor,
Sem tempero.
Nada move meu coração,
Nada agita meus temores,
Nem esquece meus amores.
É o nada... do nada.
Apenas SOBREVIVER.
E assim,
a cabeça dói,
O coração palpita,
Não de amor,
mas de tremor.
Minha vida sem jeito,
Sem graça,
Sem sal,.
Meu dia a dia,
na solidão,
na ansiedade,
Na escuridão.
Reflexão:🦉 O APRENDIZ
Um grande amigo meu já falecido, o Nelson Klar, com quem trabalhei em duas empresas, contou-me uma passagem interessante de sua vida, que reproduzirei aquiaté como uma modesta homenagem.
No seu primeiro emprego, no departamento contábil da antiga Metalúrgica Wallig, ele estava aprendendo as rotinas. O chefe imediato era o responsável pelo seu treinamento.
Em determinado momento o chefe falou que iria ensinarmeu amigo a "slipar", um antigo e já há muito extintoprocedimento que consistia em passar para um formulário os dados de cada documento contábil, para padronizar os lançamentos. Era feito em máquina de datilografia, grande e pesada (agora só vemos nos museus). A tal máquina estava em cima de um móvel, distante vários metros de onde os dois estavam.
Então, o chefe pediu para o meu amigo ir buscar a máquina... Foi aí que se ouviu do inexperiente e pretensioso aprendiz (dito por ele), uma frase:"pera aí, eu não fui contratado para carregar máquinas..."
Ficou um silencio profundo e constrangedor na sala, todos aguardando para ver o que aconteceria...
O chefe ficou por alguns momentos refletindo, depois levantou calmamente e foi até onde estava a tal máquina, trouxe e colocou na escrivaninha para continuarem o trabalho... E com naturalidade retomou o treinamento!
Meu amigo disse que corou de vergonha, percebendo a besteira que fez e nunca mais esqueceu a lição do chefe, que aliás ficou grande amigo dele depois.
É a vida que segue.
(Clovis G.A.Macedo)
