Texto de Reflexão de Amor
O que é o amor
Amor não é encontrar alguém perfeito,
daqueles que só existem nos sonhos —
porque perfeição não mora na pele,
mas no olhar que acolhe,
no gesto que entende,
no silêncio que conforta.
Amar é ver o outro por inteiro,
com encantos e imperfeições,
e ainda assim escolher dizer:
“É você.”
É celebrar as qualidades com ternura
e abraçar os defeitos com paciência.
É crescer lado a lado,
ser abrigo, ser impulso,
ser ponte entre o que somos
e o melhor que podemos ser.
Porque o amor, ah…
o amor é isso:
encontrar no coração de alguém
o lugar mais bonito para morar.
“Depois do Fim”
Amor, foi chama, foi luz,
foi abrigo em noite escura.
Mas também foi tempestade,
despedida, ruptura.
Nos olhos, um céu tão vasto,
no peito, um nó sem razão.
Te perder foi como um raio
partindo em dois o chão.
Mas da dor nasceu coragem,
na ausência, renasci.
Se o amor virou saudade,
a vida seguiu em mim.
Cada lágrima caída
regou o chão da esperança.
E aprendi, na despedida,
a força que a alma alcança.
Não fui feito só de encontro,
também sou de superação.
Resiliência me guia
pelos trilhos do perdão.
Hoje sigo mais inteiro,
mesmo com pedaços meus.
O amor partiu comigo,
mas a fé me ergueu dos breus.
Que a dor não seja o fim,
mas ponte para a mudança.
Quem sobrevive à separação,
renasce com mais esperança.
“Flores no Asfalto”
Amor um dia partiu,
mas eu fiquei, de pé.
Com o coração partido,
e a alma em muita fé.
Não nego que houve pranto,
nem que doeu demais.
Mas descobri, no entanto,
que a dor também traz paz.
A vida me ensinou
a erguer-me após a queda,
a plantar no chão ferido
sementes de nova entrega.
Refiz meus próprios passos,
juntei meus cacos no chão.
Não sou quem fui no começo,
sou mais forte: sou razão.
A cada noite escura,
acendi meu próprio sol.
Fiz da perda uma pintura
e da dor, um farol.
Não busquei outro amor
para me reconstruir.
Foi em mim que encontrei
razão pra prosseguir.
Superar não é esquecer,
é lembrar e ser maior.
É caminhar, mesmo só,
sem temer o que é pior.
Hoje carrego cicatrizes,
mas não carrego rancor.
Porque quem vence a si mesmo
descobre o real valor.
Leve é o Caminho
Aprende, sim, com cada dor,
com cada queda, cada amor.
O ontem foi teu professor,
mas o agora é o condutor.
Não carregues em tuas costas
o que já foi, as horas mortas.
O que te trouxe até aqui
não precisa mais te seguir.
Deixa que o tempo leve embora
o que já não serve agora.
Fica só com o que te ensina,
com a força que ilumina.
Tua história é ponte, não prisão,
é semente em evolução.
Olha à frente — céu aberto —
o teu destino é sempre incerto,
mas tua fé é bússola no peito.
E mesmo sem saber o jeito,
caminha. Um passo de cada vez.
O futuro floresce por tua vez.
Ao amor
É bom
ter alguém que partilhe
da amplitude dos teus pensamentos
e que ao mesmo tempo
te ame e te beije ardentemente
Viu só?
Em certa ocasião
já havia dito...
Não precisa ser perfeito
só precisava me fazer bem!
Por isso não desisto de amar
seria tolice desistir
de algo tão bom
que simplesmente
encanta
aprisiona
aconchega
e surpreende...
É flor que nasce sem necessariamente
ser semeada
em meio a solo infértil
anseia fazer morada
Que fique
que preencha
que inunde
Que seja bom
e eterno...
Ao amor um brinde
um cântico
uma valsa
um sorriso
um olhar intenso e destemido
Ao amor um beijo meu
com o sabor dos lábios teus
Amor
Que chegue na hora que desejar
Que não prometa
Para sempre ficar
Porque toda promessa é dívida
Cá entre nós
Prometer é perda de vida
Desejo somente
Que entre sem pedir
E que me deixe inteira
Na hora em que partir
E se não quiser partir
Que fique então
Mas saibas
Que em meu colo
Há fome de amar
Não haverás de encontrar mansidão
E se ainda assim
Quiseres ficar
Que não sintas medo...
...De me amar...
Quero conquista a moda antiga
Sem whatsapp
Facebook
e lista de contatinhos
quero tudo clichê
amor em tom degradê
quero encontro repentino
mensagens com carinho
sussurradas no ouvido
entregues na ponta da língua
Quero tudo bem clichê
No meu mundo
Eu e você
mundo que você não vê
com todas as versões que você não crê
quero o preto no branco
escovas de dentes encaixadas
cama de casal
lençol bagunçado
gemidos inexprimíveis
um misto de dor e prazer
nós lado a lado
quero tudo bem clichê
amor em tom degradê
quero tempo
e um lugar pra gente sossegado
te quero pra mim
de papel passado
quero tempo
com você
sem status
sem fotos perfeitas
tudo bem clichê
apenas eu e você
ultrapassando qualquer necessidade de expressão
ADORAÇÃO DOENTIA
Como eu te adoro amor sagrado,
Se tu soubesses tanto tanto
Que por vezes eu garanto
O quanto no pranto,
O tenho abafado.
Como náufrago que vai a nado
Com um poema erguido
Na mão cansada, fremido,
Como se carregasse um fado
No fardo às costas sentido.
No destino de dor suprema
Num cântico de heresia
Pão, sopa e vinho, poema
Como eu te amo, minha pena,
Minha louca poesia!
(Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 27-08-2022)
I N V E N Ç Ã O
Fui eu que inventei o amor,
Mesmo sem saber se era dor
Aquele ardor que se sente
Logo que se pronuncia
A palavra amor.
Senti-lo, é bem pior
Do que praticá-lo?
Eu sei lá!
Só sei que o amor
É uma coisa
Que quase deixaram
De pronunciar
Com medo do bicho amor.
Afinal, não fui eu
Que inventei o amor
E jamais
O inventarei.
(Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 01-09-2022)
DIZ-ME NUM VÓMITO
Diz-me, porque estás triste ?
Amor rebelde, sem meu coração
Do sangue que pedias
Com a tua espada em riste,
Nessa mão,
Tremulando
Velhinha de emoção
Como a minha ficando
Apalpando o que não existe.
Diz-me, porque estás triste ?
Assombramento meu,
Sempre ao cimo da minha cama
De penas,
Tão apenas
Nas noites claras de breu,
Quando eu tinha medo de mim
Ao subir as escadas da cama musical
De bacanais infernal,
Que dizem ser ruim,
Até a do Orfeu.
Maldito seja eu
E quem me desafia
Em euforia,
Nesta noite tão só, tão fria,
Em que vou, sem vir
Mais que tempo de ir
Sem pena
Nem pensar
De voltar.
Diz-me, porque estás triste?...
(Carlos De Castro, " in Portugal Sem Censura, No Brasil, Sim", Em 06-09-2022)
CRUEL DESTINO
Pedem-me amor
E eu não sei o que isso é;
Porque nunca o tive ao pé
De mim.
Assim,
Não sei se ele é dor
Ou prazer do início ao fim.
Pedem-me poemas
E eu não sei o que isso é;
Porque, malditas as minhas penas:
Poemas, será gente de fé?
Não quero nada,
Porque nada sei dar
Desde menino,
A não ser meu cruel destino
De querer amar
No já,
A quem nada me dá.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 08-11-2022)
FOTOGRAFIAS
Ó linda musa das minhas fotografias,
Por onde andas agora, amor silvestre?
Bati em ti tantos flashs de alegrias,
Mesmo quando na objetiva me bateste.
Lembras-te quando do ângulo me fugias,
A correr atrás da cansada borboleta?
Nem notavas que eu depois por outras vias,
Batia a câmara a captar melhor careta.
E neste vai e vem de fotos de gaveta,
Só me lembrei de ti, infeliz, ao ver-te
A chorar, em nova, com cara de pateta.
Se do mundo ainda fores um ser vivente,
E te restar alguma faúlha de vergonha,
Lembra-te de mim, sempre, mulher peçonha.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 09-01-2023)
CARTA A UM AMOR IMPOSSÍVEL
Escrevi-lhe uma carta, numa tarde de verão,
E meti-a no correio pela minha própria mão.
Esperei,
Desesperei
E quase endoideci
Por não obter resposta.
Em mim, fez-se depressão.
Comecei a ter vida de inferno,
Quando me entregaram na mão
Numa manhã fria de inverno,
A carta que eu tinha
Tão perfeitinha,
Escrito numa tarde de verão...
Vinha, ainda por abrir,
Suja, enrugada,
Já de cor amarelada
Como filha pródiga a vir.
No verso, no lado contrário,
Li, em letras garrafais,
Que foram para mim fatais:
"Desconhecida no destinatário”.
(Carlos De Castro, In Há Um Livro Por Escrever, em 11-02-2023)
AMOR DE SALVAÇÃO
Vem, amor de salvação - ao nosso ninho
Que construimos no chão - de mansinho,
De penas, musgo, paixão - tão maciinho,
Como pássaros doidos sem perdão.
Vem, amor de salvação, alivia então
Esta dor saudosa e assaz magoada,
Faz do nosso ninho
Já velhinho ,
A nossa cama, a nossa morada,
Com rodas de algodão
Para percorrer a estrada,
Rumo ao planeta da ficção.
E se as rodas
Tão melindrosas,
Furarem pelo caminho,
Não faz mal:
Ficaremos sempre no nosso ninho,
Esse destino fatal!
Vem, amor de salvação!
(Carlos De Castro, in Há um Livro Por Escrever, em 03-10-2023)
E me pediu mil vezes,
Molde meu coração
Só para ti
E com amor, adorne no fim
E eu serei tua enquanto ainda estiver aqui.
Mas infelizmente
O cara aqui, quebrou a santa
Há cacos até nas lembranças
Há lágrimas até nas palavras
E não posso voltar a ver luz
Porque pisei na mina, GAME OVER.
Autocuidado propícia amor-próprio, amor-próprio gera mais autoaceitação, autoaceitação gera mais autoconhecimento, se conhecer mais gera decisões mais congruentes com nossas necessidades psico-emocional, e tomar decisões mais acertadas com quem somos nos possibilita prazer existencial, e prazer existencial nos possibilita paz interior, e paz interior nos possibilita força para superar desafios, e força para superar desafios nos torna mais competente no lidar com o mundo, e lidando melhor com o mundo nos tornamos mais sábios, e nos tornando mais sábios, nos cuidamos mais.
Escrita para viver.
Caminho do Amor
No sabor salgado da pele
molhada de coral e algas
transparece a colorida emoção
salpicada de búzios que abraçam o vento.
Nos areais e enseadas luarentas
deposito a minha alma no teu colo
refresco-me na tua boca
bebo o teu sentir de mim.
Mãos percorrem gemidos arfantes
navios naufragados adormecem
nos teus olhos em ecos de sal
o ar respira as entranhas do sossego.
Abismo opaco pula segredos
escondidos no vazio causticante do medo
onde os mais humanos não sucumbem
e fielmente seguem o caminho do Amor.
Fomos Todas as Partes do Amor.
A manhã fugiu da minha boca
para a tua boca.
A tarde pulou das minhas pupilas
para as tuas pupilas.
A noite voluptuou-se do meu corpo
para o teu corpo.
Nesta constante dupla infusão
fomos todas as partes do Amor.
E no peito das nossas almas
existe uma certeza: em todas as vidas.
Guitarra à Luz de Velas
O amor é uma nua canção
dividida em curtos fados
pela súmula pulsante do coração
que se ouve nos mares cansados.
No estreito silêncio das flores
murmura o pólen das pétalas
desfolhadas pelos acordes indolores
no rosto duma guitarra à luz de velas.
As arcadas cegam os claustros
que sustêm as paredes calcinadas
das celestes melodias dos astros
cantadas no sangue da madrugada .
Move-se pelo esquecido poema
a voz calada do poeta
propaga a luz verbal do fonema
na elíptica cauda do cometa.
Mar Ferido de Amor
O refluxo de correntes e marés
em vagas esbatidas pelos ventos.
Nas amplitudes frágeis dos horizontes
cega-se o corpo em espuma de sal
na entrega absoluta do mar ao luar
onde naufragam as almas aos céus.
Remos que remam a distância
em louvor às entranhas do silêncio.
Navegam as sentinelas dos astros
no nevoeiro insípido e rouco:
chora este mar ferido de amor.
Depositando o seu pranto nos areais
e regressa ao mergulho profundo
das suas lágrimas.
