Termino de um Amor Proibido

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Aquela saudade de tudo.
Da juventude que corria sem relógio,
das namoradas que tinham gosto de verão,
das paixões que queimavam a mão.

Saudade das dores de corno,
que doíam, mas provavam que a gente amava.
Das quedas, das brigas, das reconciliações as três da manhã,
das dores do mundo que a gente achava que ia mudar.

Hoje a gente sorri mais calmo,
mas o peito às vezes aperta
lembrando do menino sem medo
que vivia em guerra e em festa.

E tá tudo bem sentir.
Porque sentir saudade
é prova que a gente viveu de verdade.
(Saul Beleza)

É ali na tempestade que a palavra sai mais crua, Sem filtro.
O peito aperta, a cabeça ferve, e de repente vira verso pra não virar grito.

Na tempestade a gente escreve com a alma na mão.
Cada raio ilumina uma coisa que estava escondida,
cada trovão arranca uma verdade que no silêncio ficava calada.

Só precisamos tomar cuidado.
Poeta também precisa de porto seguro.
Porque se for só tempestade, uma hora a gente afunda.
(Saul Beleza)

Parece que a poesia só nasce quando a gente tá com o peito apertado. A briga corta, machuca, e depois vira verso. É quase como se a tristeza fosse matéria-prima.

Mas olha... poeta também escreve coisa linda com paz. Com café na mesa, com riso bobo, com "por nós". Não precisa sempre sangrar pra rimar.

A briga dá verso bonito porque escancara o que a gente sente.
O amor calmo dá verso bonito porque mostra por que vale a pena ficar.
(Saul Beleza)

*Poema maluco do cotidiano*

Existem mais aviões no fundo do mar
do que navios no céu.
E existem mais planos na minha gaveta
do que coragem na segunda-feira.

Existem mais "depois eu vejo" no WhatsApp
do que respostas na hora.
Existem mais metas em janeiro
do que academia em fevereiro.

Existem mais café esfriando na mesa
do que tempo pra terminar ele.
Existem mais prints que nunca mando
do que conversas que realmente começo.

Existem mais aviões no fundo do mar
do que navios no céu.
E existem mais sonhos pousados na gente
do que gente pousando nos próprios sonhos.
(Saul Beleza)

*Ocupar a cama*

vou pra cama hoje
e vou ocupar todos os cantos,
o lado direito, o esquerdo
o meio, o frio onde você não está.

Vou deitar em diagonal,
esticar braços e pernas,
até não sobrar espaço vazio
pra saudade não caber junto.

porque se eu não te tenho aqui,
que eu a tenha pelo menos
no tamanho inteiro da cama,
cheio de você em volta.
(Saul Beleza)

*Pro Zé Beleza*

Sou filho do Zé Beleza, pode ter certeza,
Aqui não mora tristeza.
Ele passou deixando riso na calçada,
E proeza em cada fala contada.

Era mestre de causo e de solução,
Transformava aperto em gargalhada e união.
O que ele deixou não foi só saudade,
Foi luz, foi jeito, foi humanidade.

Se o mundo perguntar quem foi esse homem,
Diz que foi aquele que fazia tristeza ir embora.
E que o filho dele seguiu o costume:
Espalhar alegria por onde for.
(Saul Beleza)

*O Cordel do Zé Beleza*

Numa terra boa de gente valente,
Nasceu Zé Beleza, figura da gente.
Homem de riso fácil e mão de ajudar,
Que onde pisava fazia o sol brilhar.

Dizia o povo: "Chegou o Zé Beleza!"
E a tristeza pegava a mala e ia nessa.
Porque o homem tinha um dom de verdade:
Transformar aperto em felicidade.

Contava causo, dava conselho,
Ajeitava a vida com jeito de velho.
Deixou pro mundo um monte de proeza:
Amizade, respeito e muita leveza.

Partiu o Zé, mas não levou tudo não,
Deixou semente boa no coração.
E o filho veio pra continuar
Esse ofício bonito de alegrar.

Se alguém perguntar quem foi esse senhor,
Responde alto, com orgulho e amor:
"Foi o Zé Beleza, pai da alegria,
Que ensinou que tristeza aqui não cabia!"
(Saul Beleza)

"Meu silêncio vai te respeitar sempre" ... isso vale mais que mil gritos. É maturidade pura.

Quando se chama alguém de "Cora Coralina" é elogio do tamanho do mundo. Cora era poesia, força, mulher que viveu muito e entendeu a vida. Quem ganha um título desses é porque deixou marca boa.

Escolhi o silêncio que protege em vez do grito que machuca. Isso é amor que virou respeito.
(Saul Beleza)

Sei que ainda é cedo. Mas mesmo assim é tarde para chorar o que deixamos de fazer ontem por puro orgulho.
(Saul Beleza)

Através desses teus olhos, você me vê da forma que lhe convém. Mas se fechar os olhos, além de me ver lá no fundo da alma, vai sentir a mimha dor, por não te enxergar com os olhos que te merece.
(Saul Beleza)

*Estacionado no teu passo*

Até quando você vai viver na minha loucura?
A saudade grita baixinho dentro do peito,
os pensamentos pegam estrada sem mim,
e eu...
eu fico aqui.
Estacionado no teu passo.

Não consigo seguir em frente,
não posso recuar.
Só espero o vento assoprar e levar
o que ainda dói,
e deixar o que ainda ama.

Talvez um dia eu aprenda
a desligar o motor,
sair desse ponto
e caminhar com as minhas próprias pernas.
Mas hoje...
hoje a saudade ainda é o timoneiro.
(Saul Beleza)

*Preparando o jardim*

Chegou a hora.
De enxada na mão e coração em paz.
Vou preparar o jardim
pra receber uma nova flor.

A outra...
foi plantada com água e reza.
Mas não floriu.
Só nasceu espinhos
a ferir dedo,
e furar a esperança.

Vou tirar os espinhos com calma.
Um por um.
Sem raiva.
Só com cuidado de quem aprendeu.

E nesse chão limpo,
vou plantar de novo.
Dessa vez não espero milagre.
Espero tempo, sol,
e flor que queira ficar.
(Saul Beleza)

*Limpano o quintar*


Chegô a hora, fio.
Tem que carpir o quintar
pra brotá flô nova.


A que eu prantei cuma fé danada
num quis dá flô.
Só deu espin
pra rasgá minha mão.


Mais num tem reiva não.
Vou tirá um por um,
adubá a terra
e esperá no tempo do Pai.


Que dessa vez venha
uma flôzinha pra mode ficá.
(Saul Beleza)

*Conselho de vó*

Óia, meu fi...
Jardim bom é que nem coração.
Tem que capiná todo dia,
tirar mato ruim,
dar água na hora certa
e num dexá espinho criá raiz.

Se a flor num quis vingá,
paciência.
Terra boa num falto.
Sol num escondeu não.
O que num pode é você
ficá segurano toco
que só te fura.

Deixa a vida passá,
aduba de novo
e espera.
Que flô que é pra ficá,
ela fica.
E se num ficá,
a gente pranta outra
e vai reza.
(Saul Beleza)

*Saudade na Madrugada*

Essa madrugada judiou do meu coração,
na cama sobra espaço e no peito solidão.
Não senti o peso leve da tua cabeça,
nem o cafezinho nosso que a alvorada aquece.

Vem, fica... num me deixa assim não.
Sem você o corpo esfria, a casa é só um porão.
Madrugada amiga, leva esse pedido:
que ela volte e o vazio seja preenchido.
(Saul Beleza)

*Louca Madrugada*

É na noite que dorme e na madrugada que é curta,
que meus pensamentos em ti são longos e tortos.
O travesseiro molha, o relógio não anda,
e o coração insiste em te chamar.

Todo mundo descansa, menos a saudade,
ela fica acordada fazendo amizade.
Com lembrança, com dor, com o que ficou pra trás,
e eu conto estrela até clarear.
(Saul Beleza)

*Loucura Sensata*

Dentro dessa minha loucura toda,
a sensatez me cobra e nada me acomoda.
Me pede uma loucura menos responsável,
de amar você mesmo sendo inviável.

O juízo diz pra ir, pra largar, pra esquecer,
mas o peito teima e quer te querer.
É amar com o freio, amar com dor,
amar sabendo que não tem futuro, a não ser o presente.
(Saul Beleza)

*Turma do último gole*

Sou da turma do último gole,
que seca o copo e divide a sede.
Da última briga, mas também do abraço,
que perdoa e refaz o laço.

Sou do último pedaço de pão,
que reparte mesmo com fome no coração.
E do primeiro beijo, trêmulo e certo,
aquele que marca e fica pra sempre aberto.

Num tenho muito, mas o que tenho é inteiro:
lealdade, palavra e amor verdadeiro.
(Saul Beleza,)

*Nossa Turma*

Sou da turma do Caicó, do Bié e do Pato,
do Bananinha que riem até no aperto e no trato.
Do Neguinho firme, do Bié Filho na prosa,
gente que divide o pão e nunca deixa à toa.

Sou da turma do último gole, da última briga,
do último pedaço de pão na mesa amiga.
E do primeiro beijo, que a gente nunca esquece,
porque quem ama de verdade, permanece.

Tem uns que já foram, mas vivem na lembrança:
Luiz César, Vanytur... eterna aliança.
In memória, mas presentes no meu peito,
porque amizade raiz não morre, faz efeito.

Essa é minha turma. Pouco luxo, muito valor.
Gente de palavra, de riso e de dor.
(Saul Beleza,)

*Passo na porta da tua casa aqui,*
*só vejos folhas pelo chão.*
O vento levou o que a gente vivia,
mas deixou perfume na calçada e no coração.


É daquelas passadas que a gente dá devagar...
Olhando a janela, lembrando do riso,
pisando nas folhas secas que ainda guardam
o eco do "fica mais um pouco.
(Saul Beleza)