Tenho um ser que Mora dentro de Mim

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E quando vier o inverno, a escuridão...
Que eu domine o fogo com seu calor, luz e poder de transmutar.

E se vier forte o medo, a incerteza...
Que a experiência do escuro e do frio superados revelem o aprendizado e sua beleza.

E se vier o fim, se vier a morte...
Que me seja suficiente o trajeto, que segui sem bússola que me apontasse um norte.

Que eu tenha sido nada pra envergonhar minha essência.
Enquanto tudo fui para honrar a centelha em mim confiada de existência.

Sangue indígena
Sangue cigano
Nem tão alienígena
Nem tão humano

Omissão exposta
Em vigília ou em sono
Explorador da crosta
Filho do dono

Do início ao fim
Do percurso ao meio
Sendo o todo em mim
Experimento sem freio

Eu fui
Eu sou
Eu serei
O que quero
O que temo
O que criei

Onde estou?
Onde estarei?
Olhe para ti antes!


Sem saber se vou
Se ficarei
Sem determinar qualquer instante


Um ponto
Uma redenção
Um instante
Uma recriação


Um conto
Sem noção
Variante
Confusão entre criação e destruição

Todas as observações são pontos
Que ninguém saberá onde chegar


Contados da forma que cada ser
Quiser que possam o enxergar


Você escolhe?
Você observa?
Ou aceita o que está escrito?


Desde que digam que é sagrado
Que é bonito
O que você reserva?


Essência, conveniência...
Fé, experiência ou ciência?
Qual é o seu sistema de crença?

“Existem carros que passam pelas ruas.
E existem aqueles que permanecem na memória.”


— Mário Augusto de Castro

“Alguns carros transportam pessoas.
Outros transportam histórias.”


— Mário Augusto de Castro

Somos apenas seres medíocres, os quais temem mais a miséria ao linchamento. Desejamos ter quem não podemos e choramos uma dor que é tão suja quanto um córrego. Sentimos o ódio com tanta força que este esmaga o amor encostado no canto da mente. Acreditamos no único deus capaz de salvar a humanidade, mas este mesmo deus não acredita em nós.

"CONFIANÇA TEM LIMITES, O EXCESSO NOS TORNA IMPRUDENTES" Ademar de Borba

O melhor que poderia esperar da vida recebi no dia em que minha filha nasceu. Não tem realização melhor neste mundo que um filho.

Quem tem coragem dialoga, os covardes promovem guerras!

"Saudade" é a forma resumida de: Sinto tanto sua falta que não consigo viver sem você.

Exerça a profissão de forma ética, com honestidade e competência que o sucesso será consequência.

“Ter coração não é fraqueza, ter compaixão é realeza.”

Se não existe o sagrado


Se não existe o sagrado
O lobo não corre na tempestade, uivando no vento


Se não existe o sagrado
O céu não tinge os olhares intrigados na noite


Se não existe o sagrado
O luar não se derrama pelos trigais amarelos


Se não existe o sagrado
O silêncio nada inspira aos amantes


Se não existe o sagrado
Não há o frescor do orvalho sobre o cansaço da ciência


Se não existe o sagrado
A fúria do mar não nos deixa introspectivos


Se não existe o sagrado
O infinito não é misterioso e revela-se a qualquer tolo

Se não fosse o mudo imaginário o mundo real sequer existiria

⁠O autor principal da Santa Escritura é o Espírito Santo; o homem foi apenas o seu autor instrumental.

“No arrebatamento, as leis da física serão superadas: a gravidade não conseguirá segurar o meu corpo.”

Asas do Mesmo Pássaro


Esquerda e direita: asas do mesmo pássaro voraz, que voa alto sobre o rebanho adormecido. Elas batem em uníssono, fingindo oposição, enquanto o bico ceifa as liberdades que prometem defender. Os acéfalos, massa de manobra cega, agitam bandeiras opostas como se batalhassem por destinos distintos, mas servem ao mesmo voo predatório, manipulados por narrativas que os mantêm no chão, pisoteando uns aos outros em nome de ídolos vazios. Enquanto isso, desperta quem vê a gaiola: o multilateralismo, essa teia de tratados e cúpulas que escraviza nações soberanas a elites invisíveis. Esses visionários, que ousam questionar o consenso globalizado, são tachados de antidemocráticos, marginais, conspiracionistas. Silenciados por algoritmos, censurados em púlpitos digitais, exilados do debate público. O pássaro, incomodado, bica
os que ameaçam revelar suas penas sujas de ouro e poder. Mas o voo cessa quando as asas se rebelam contra o corpo e o rebanho, enfim, ergue os olhos para o céu.

REALIDADE PARALELA


Vivemos em réplicas de espelhos quebrados, onde o reflexo não devolve o rosto, mas o eco de um grito engolido. As mentes, lascadas como vidros sob o martelo do tempo, teias entre o frisson e o divino: o delírio vira profecia, o tremor das mãos se ergue como hino aos céus partidos. O que parece cura é veneno disfarçado de salvação, e o veneno, ah, ele se veste de milagre, cuspindo promessas em línguas que ninguém mais ouve. Aqui, o real se contorce como fumaça em vento contrário. Um homem ajoelha ante o altar de comprimidos partidos, crendo que a náusea é êxtase celestial, enquanto a multidão aplaude o surto como visão apocalíptica. Não é loucura, dizem; é revelação. Não é doença, insistem; é deus infiltrado nas veias. Mas o que aparenta ser santo desaba em abismo, e o abismo, fingindo luz, engole o que resta de nós. A distorção rasteja, invisível, reescrevendo o mundo: o céu chove cinzas que chamamos de bênçãos, o chão se abre em feridas que juramos serem portais. Fragmentos de mentes se chocam, confundindo o pus com óleo sagrado, e o que é se desfaz no que parece. Nesta paralela, a verdade não existe, só o eco de si mesma, distorcendo até o silêncio.

Há uma angústia silenciosa que se instala quando se percebe que já não se consegue resolver sozinho boa parte da própria vida. Não é apenas a dificuldade prática que pesa, mas a sensação profunda de invalidez, como se algo essencial tivesse sido retirado sem aviso. A autonomia, antes natural, passa a ser um privilégio distante, e cada decisão depende de terceiros, de permissões, de circunstâncias que fogem ao controle.
Essa condição corrói por dentro. O indivíduo sente-se diminuído, não por falta de vontade ou capacidade intelectual, mas por estar aprisionado a limites que não escolheu. Surge a frustração de querer agir e não poder, de saber o que precisa ser feito e ainda assim permanecer imóvel. A dependência forçada fere o orgulho, a identidade e a dignidade, criando um conflito constante entre o desejo de reagir e a realidade que impede qualquer movimento efetivo.