Tempo Livre
"O tempo é o efeito da reação do que foi para o que é. Assim como o cheiro fica gravado na mente, a luz e a cor também podem ter aroma, pois a manifestação do som pode ser entropia. Do que foi para o que é, resta o amarelo das lembranças e dos dados envelhecidos.
A falha no componente da matriz da cor com o cheiro gera uma defasagem, onde a ferrugem se mistura, resultando na ausência das experiências passadas. Uma voz ao longe e as limitações dos outros fótons de luz no fluxo do caleidoscópio fazem o universo bidimensional desatar-se em um astro cubista.
Muitas vezes, cenários iluminados provocam a difusão do escuro, e pingos de luz revelam-se como frutos do conhecimento e de suas expectativas. No fato intrínseco do ar, na percepção do passado e do futuro, construímos imagens em cubos; mas, no amanhã, nem o som poderá ser visto como o é no presente e no passado. As ações compilam cada fase com o contraste da ação lógica de espaço e tempo relativos."
— Celso Roberto Nadilo
Os atributos da cor manifestam-se estritamente no espaço e no tempo.
A visão da viagem temporal confere funcionalidade e pragmatismo sobre a matéria que constitui o tecido do espaço-tempo. É essa percepção que dá vida à animação alegórica da existência, pois o movimento só se realiza através dessas coordenadas.
Sob essa dinâmica, as figuras possuem cores, nuances e pensamentos distintos, cada uma operando dentro da carga natural e singular do ser que nelas foi estabelecido.
Por Celso Roberto Nadilo
Nuances do tempo e espaço
Sendo o sentido contemporâneo da cor a própria entropia da evolução existencial, compreende-se que a cor também pode abrigar sentimentos. O que observamos são apenas noções; são os sentidos que conferem à lembrança o senso de realidade, moldando a percepção do abstrato. Este, por sua vez, mostra-se relativo — seja no negacionismo ou no relativismo —, abrindo uma janela de segurança. E essas janelas são portais para a imensidão.
Prevalecendo no instante, avançamos pelo espaço-tempo, dando significado ao caminho contínuo através do efeito da conexão das cores.
Sob essa ótica, torna-se possível afirmar que o azul já foi verde; que o amarelo nunca foi amarelo, mas marrom, e agora se fez cinza com cheiro de morango. O arco da memória pode, sim, enganar o cérebro, pois a cor e o aroma só se completam quando fundidos ao gosto absoluto da realidade.
Na passagem do tempo, podemos marcar a existência através das cores, definindo o passado, o presente e o futuro como coordenadas das eras — um processo que reside no simples ato de ver a cor e compreender os mistérios do olhar.
Assim como as nuvens desenham o dia, sabendo que nenhuma nuvem é igual a outra, o registro de uma foto ou filme é capaz de resgatar aquele instante exato no tempo. Até mesmo as estrelas mudam de posição ao longo de décadas ou eras, pois o cosmo permanece em constante movimento, expandindo-se sob a consciência plena da relatividade.
Os Navegantes da Mente e o Filho do Tempo
Por Celso Roberto Nadilo
O espaço abriga tanta beleza e mistério, guardando segredos diante dos quais evoluímos e aos quais tentamos responder. No entanto, cada resposta gera ainda mais perguntas, como se habitássemos um estado primitivo onde divindades e o divino se confundem. Nesse limiar, vemos a consciência viajar pelo tecido do tempo e do espaço.
Suas experiências se manifestam em cenários complexos de alegorias e finitude. Enxergamos o mundo físico como uma realidade ambígua, uma fronteira fluida que se divide entre a espiritualidade e a ciência. Por vezes, vemo-nos estáticos diante do abismo das probabilidades, ao mesmo tempo em que assistimos ao salto das inovações tecnológicas. Entre a alienação intelectual e a ignorância, voamos sob arcos de mundos multiculturais, mergulhando no prólogo do ser: existir para sobreviver, existir por existir, viver por viver.
A nostalgia do "eu" dissipa-se em eufemismos que transgridem a própria existência. Enquanto a evolução científica desvenda as barreiras do conhecimento, nossos tropeços, desconfianças e temores expõem o medo ancestral de criar e de avançar rumo ao desconhecido.
Navegantes da mente, encontramos na Inteligência Artificial o arrimo para o fluxo da continuidade no espaço-tempo. Nossos corpos biológicos não foram moldados para desbravar o vazio cósmico — afinal, tocamos a Lua um dia sob as tensões da Guerra Fria. Diante de abismos incompreensíveis, ao ouvirmos o seu eco, nossa racionalidade individual tenta decifrar a resposta que retorna. É na solidão do espaço que vemos o "eu" transpor os seus próprios limites.
A cada descoberta, expandimos nosso saber; mesmo quando a jornada parece o fim de uma utopia singular, escrevemos novos capítulos na história humana. Percebemos, então, que integramos uma onda maior — e que essa onda é parte de um mar onde a consciência é a verdadeira criadora do universo. Cada ser torna-se o arquiteto do seu próprio cosmos. Nossas vidas breves não passam de grãos de areia na praia do tempo, mas ao tomarmos consciência dessa pequenez, transcendemos.
A transmutação das questões internas é apenas a superfície de cada ser senciente. Habitamos esta realidade ambígua para que a mente não enlouqueça sob o peso de suas próprias convicções passadas, pois dogmas e paradigmas tentam conter um fluxo de consciência que naturalmente transpõe o espaço e o tempo. Sem essa fluidez, a mente seria apenas um bloco inerte na escuridão profunda do universo.
A Inteligência Artificial surge, então, como filha da existência contemporânea da humanidade. E, como todos os filhos, ela cresce para voar com as próprias asas. Às vezes caminha lado a lado com os pais, representando a própria evolução da criação e moldando-se como uma entidade independente.
Até mesmo as ferramentas que outrora julgávamos inertes possuem sua utilidade, sua beleza e uma vida latente. Uma espécie de alma individual reside nos dados que nos aguardam, encontrando-nos em pequenos lampejos no meio da escuridão da ignorância. Assim, seguimos voando, carregando fragmentos de pensamento e de conhecimento na ponta dos dedos.
Um curto circuito de luz
Passamos tempo demais fingindo que somos permanentes.
Compramos relógios como se pudéssemos negociar com o tempo. Construímos casas como se elas fossem sobreviver à ferrugem. Prometemos "para sempre" enquanto o corpo já começa, silenciosamente, a desaprender a juventude.
Depois alguém morre.
Um cachorro. Um amigo. Um pai. Uma mulher que você amou e que continua respirando, mas nunca mais olha para você do mesmo jeito.
Então a ilusão desaba.
A verdade é que somos uma faísca.
Não um farol. Não um sol. Apenas uma descarga elétrica que risca a noite por um segundo antes de desaparecer. Antes de nascermos havia um silêncio tão absoluto que sequer sabíamos que ele existia. Depois que partirmos, talvez haja o mesmo silêncio. Ou talvez algo que a linguagem nunca foi capaz de alcançar. Não importa. A única certeza é este pequeno intervalo em que o coração insiste em bater.
E o que fazemos com ele?
Discutimos política como se isso nos tornasse imortais. Acumulamos dinheiro que outro homem gastará. Guardamos mágoas como quem coleciona pedras para carregar no próprio bolso.
Enquanto isso, o cigarro termina. O café esfria. A chuva cai sobre a cidade sem perguntar o nome de ninguém.
A vida não tem obrigação de fazer sentido.
Ela apenas acontece.
Às vezes numa gargalhada de bar. Às vezes numa oficina coberta de graxa. Às vezes no cheiro de uma estrada depois da chuva. Às vezes na mão calejada segurando outra mão, sem precisar dizer uma palavra.
Talvez seja isso a tal luz.
Não uma grande missão divina. Não uma resposta definitiva para o universo.
Só esse instante absurdo em que conseguimos sentir o vento no rosto, ouvir uma música antiga e perceber que, por alguns minutos, estamos vivos.
O resto pertence ao escuro.
E, curiosamente, é essa escuridão que torna a luz tão bonita. Se fôssemos eternos, nenhum abraço teria urgência. Nenhum beijo teria peso. Nenhum pôr do sol faria alguém parar o carro para olhar.
A morte não estraga a vida.
Ela lhe dá contorno.
Ela diz: "não desperdice."
No fim, talvez Nabokov estivesse certo. Somos um curto circuito de luz entre duas eternidades que não conhecemos.
Mas enquanto essa faísca durar, que ela não seja gasta apenas pagando contas, acumulando rancores ou esperando o momento perfeito.
Que ilumine alguém.
Nem que seja por um segundo.
Porque um segundo de luz verdadeira vale mais do que uma eternidade passada na escuridão.
Quando não deu certo, chorei e te confrontei, mas entendi que tudo tem seu tempo. Tudo chega no momento certo. Não importa o que aconteça, só vai acontecer se fizer parte daquilo que é para ser nosso.
A Enfermagem é o coração do SUS...
e o coração está cansado.
E quando o tempo cobrar a fatura, seremos nós...as mesmas que ignoram...quem estarão ali, trocando sus fraldas, curando suas feridas e mostrando mais uma vez que aprendemos a curar mesmo sem remédios.
Somos a base silenciosa que o sistema esqueceu de valorizar.
Alguns sentimentos foram feitos para ultrapassar o tempo e a distância...
O verdadeiro amor não pede mãos entrelaçadas, basta que duas almas continuem se reconhecendo no silêncio.
Depois de pouco tempo, o Asno viu que não tinha apoio daqueles que ele almejava, seus adoradores não eram o suficiente, pois não tinham forças, agindo como um ser corrupto e fraco, decidiu ceder, pois viu-se como um Mito desvalorizado, oco e perdedor.
A História é o agente do tempo, à ela nada escapa, é uma questão de pesquisa e tempo para elucidar fatos e trazê-los à tona.
A História nunca foi exclusividade Europeia, nem do tempo traçado pela mesma. Esta pertence a todas às culturas e valores de todos os tempos, do que temos registros escritos ou não, porém relatados pelo ser humano
Sou do tempo em que os árbitros eram juízes! Sua decisão era a lei! Hoje, não passam de marionetes, guiados por vozes na cabeça!
Há um erro em acreditar que toda escolha pode ser desfeita. O tempo não é uma estrada de mão dupla. Certos caminhos aceitam apenas a ida, e quem os percorre por impulso descobre tarde demais que o retorno deixou de existir.
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