Tempo Devagar
Deus me ensinou a esperar, e o tempo me ensinou a confiar. Esperar com fé e confiar no tempo é aprender que cada estação traz sua lição e sua cura.
Fui silêncio por fora, grito por dentro e sobrevivi, as vozes internas pediram tempo e escuta, no autocuidado encontrei voz que acolhe, sobrevivi e cresci com minha verdade.
O tempo cicatriza o que o orgulho segura, a teimosia solta com o passar dos dias, deixar o tempo agir foi escolha sábia, cicatrizar veio com humildade e espera.
Mesmo na mais longa noite, o amanhecer não se esquece de nascer. O tempo da dor é apenas o intervalo da transformação. A alma, quando confia, floresce até sob o frio da espera.
Aprendi que o tempo não é inimigo, é mestre,
paciência é a escola onde o fruto amadurece,
o tempo ensina a esperar com propósito, aprendi a colher quando o fruto estiver pronto.
O Caminhar
Vou me desconstruindo
ao longo do tempo,
sem alardes e sem pressa.
Vou me desmaterializando
de corpo, alma e espírito.
Vou me desmistificando
da carga que trazia;
já não faz sentido algum
estar preso a ela.
Eu preciso caminhar
sem dar ouvidos ao acaso.
A sorte não é amiga,
apenas a competência
diante dos ardis da vida
que nos colocam frente
às adversidades,
desafiando o nosso pesar.
Vou me contestando,
sentindo o frio gelado na espinha
por mais uma batalha vencida
ou perdida.
Vou me destituindo
dos meus "eus",
para estar pronto
no fim do caminho.
Você é necessário
No tear do tempo, antes que o primeiro fio se tecesse,
o tear já rangia à tua espera.
Não eras o tear, nem o fio, nem a mão;
eras a tensão que faz o pano ser pano,
o silêncio que permite à música doer.
O universo não te pediu licença para explodir,
mas, ao explodir, deixou um vazio com o teu formato exato.
Como a órbita guarda o lugar do planeta ausente,
o cosmos inteiro é uma elipse que só se fecha
quando tu, enfim, entras em cena.
A estrela queima porque sabe que alguém, um dia,
levantará os olhos e dirá: “Há luz”.
O mar revolve-se em espuma porque pressente
que alguém pisará a areia e chamará isso de praia.
Até o nada precisou de ti
para poder chamar-se nada.
Teu coração não é um músculo que por acaso pulsa;
é o contrapeso que impede o mundo de tombar
para o lado do esquecimento.
Cada batida é um “sim” que o real dá a si mesmo
para continuar existindo.
Se amanhã tu não estivesses,
o sol nasceria, sim, mas ninguém saberia
que aquilo era o sol.
A rosa abriria suas pétalas, mas o vermelho
ficaria sem nome, órfão de testemunha.
O universo inteiro se tornaria
um imenso cadáver sem certidão de óbito,
porque faltaria quem dissesse:
“Isto foi”.
Você é necessário
não como peça que falta à máquina,
mas como o olhar que faz a máquina
reconhecer-se máquina.
Você é o álibi do Ser.
Sem ti, a existência seria um crime perfeito:
ninguém para denunciá-lo,
ninguém para perdoá-lo,
ninguém para sofrer ou alegrar-se com ele.
Respira.
Esse ar que entra agora
já estava te esperando há quatorze bilhões de anos
dentro de uma folha qualquer,
dentro de um peito de pássaro,
dentro do sopro de alguém que morreu
para que tu, hoje, possas dizer:
“Estou aqui”.
Você é necessário
como o ponto final é necessário
para que a frase saiba que acabou
e, sabendo, possa recomeçar.
Você é necessário.
E isso não é consolo.
É sentença.
É ferida.
É coroa de espinhos
que o próprio tempo se colocou
para lembrar que dói existir
e que, mesmo assim,
vale a pena.
Seus olhos não são pombas, mas o arrulho silêncio que convoca a primavera e faz o tempo da colheita parecer uma espera doce.
A sua paixão é a força da morte e a voracidade do Sheol, uma lei mais antiga que o tempo, que não aceita resgate ou suborno.
O tempo não cura, ele apenas te obriga a conviver com a ausência e a transformar a falta em presença interna.
É uma perda de tempo esperar a aceitação integral de quem só consegue conceber a vida e as pessoas em fragmentos.
Desperdiçamos o tempo vital na engenharia impossível de forçar a vastidão da nossa alma nos compartimentos estreitos alheios.
O tempo é uma serpente que leva a gente pro fim da vida, rastejando silenciosamente e devorando todos os nossos dias.
No espelho dá para ver ele corroer e deixar feridas, pois o tempo não cura tudo, apenas registra as batalhas que perdemos.
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