Reflexão sobre o tempo e o amor
É falta de respeito levar uma flor para colocar no túmulo de alguém com quem você esteve o tempo inteiro em vida, alegando que era boa pessoa e que o amava. Enquanto, quando estava viva, você não conseguia dizer nenhuma palavra do bem que fazia.
Caminho da Felicidade
O tempo passa de repente,
Infelizmente não podemos acompanhar,
Envelhece a matéria e capacita à mente,
Dando-nos paciência e ensinando a amar.
Na vida louca que vivemos,
Queria poder o tempo parar,
Para corrigirmos os erros que cometemos,
E o nosso próximo podermos perdoar.
Não permita a sua mente te maltratar,
Busque uma vida com qualidade,
Amando seu semelhante sem enfeitar,
Nunca omitindo a pura verdade.
A vida muita das vezes nos apronta,
Tirando-nos a vontade de amar,
A nós pode parecer uma afronta,
Pelos propósitos de Deus não interpretar.
Tudo que fazemos é pela felicidade,
Mas nem sempre podemos alcançar,
Por termos um coração cheio de maldade,
Com dificuldade para nos libertar.
Sempre a Deus tudo nós pedimos,
E pouco nos lembramos de agradecer,
Será que um dia nós redimirmos?
E a nós mesmo conseguiremos convencer?
Encarando uma nova realidade,
Lutando muito para entender,
Que o caminho da felicidade,
Só Deus poderá nos conceder.
Du’Art 11 / 02 / 2016
Chama Resistiva
Tudo começou entre nós há algum tempo,
Você inexperiente, ainda bem menina,
Muitos imaginaram apenas passatempo,
Mas transformou na paixão que nos fascina.
Nosso amor se configurou muito cedo,
Acendeu a chama que nunca apagou,
Aprendemos a nos entregar sem medo,
Quem diria ser fogo em palha se enganou.
Dizem que o tempo passa o amor esfria,
Algo que até o momento não enxerguei,
Pois vejo no brilho de seus olhos todo dia,
A linda menina por quem me apaixonei.
Hoje te amo mais do que ontem te amava,
O tempo passa e eu não consigo entender,
Movimento os lábios sem dizer a palavra,
Basta um olhar já sabe o que quero dizer.
Quando a escolhi, encontrei o meu porto seguro,
Hoje tudo que faço é somente para te encantar,
Você faz parte do meu passado, presente e futuro,
Porque um dia me ensinou realmente a te amar.
Ao olhar no retrovisor da vida, ainda vejo a poeira,
De uma estrada longa, charmosa e sem desenganos,
Com vistas laterais belíssimas de uma cachoeira,
Que nos fornece a paz e a felicidade nestes 36 anos.
Vivendo todo esse tempo buscando a paz sem vaidade,
Sabendo que a tristeza e a alegria, da vida faziam parte,
Mas com sabedoria transformamos tudo em felicidade,
Por isso que tu és a minha Maria, eu sou o seu Duarte.
Du’Art 10 / 05 / 2016
Ele chegou a este mundo,
quando as trevas dominavam
e com pouco tempo de sua chegada,
recebeu uma benção e uma maldição,
sua família lhe foi tirada,
mas resultou na sua salvação
contra um grande mal
que deixou uma marca do seu ato,
por ter escapado, logo ganhou fama,
entretanto, longe de uma vida fácil,
sua árdua jornada estava apenas começando.
Com onze anos, descobriu que era um bruxo, que não estava sozinho,
conheceu pessoas que logo no início
tornaram-se amigos queridos e valiosos com os quais passou a enfrentar
os seus desafios, cada um se preocupando com o bem-estar do outro,
passaram a ser uma forte família,
com falhas, dores, alegrias e superações,
enfrentaram muitos males juntos,
desfrutaram o sabor de cada vitória
mesmo que por breves momentos,
cientes que ainda não havia acabado,
mas finalmente aquele grande mal
de uma vez por todas foi derrotado
por continuarem juntos,
por não terem desistido
e terem superado os seus limites,
portanto, eles compreenderam
que o Amoré a maior magia que existe.
Não faz muito tempo que li uma frase que diz "A arte é consolar aqueles que são quebrados pela vida", a qual dizem ser do Vincent van Gogh, não tenho certeza a respeito desta autoria, entretanto, achei muito profunda por mostrar um propósito bem justificável e motivador, resultando em uma recíproca euforia que faz esquecer brevemente da dor, capaz de melhorar o dia como um simples gesto de amor.
Fez tanto sentido que pude logo refletir e chegar a conclusão de que é muito satisfatório trazer por intermédio dos meus versos, um pouco de consolação para aqueles que estiverem com o coração partido ou certamente precisando de alguma sensação agradável, um vislumbre amável de equilíbrio para um semblante que está cansado, também estarei sendo bom comigo, será o mesmo que dar e receber um abraço.
E assim, juntar todo os pedaços transformando a vida, trazendo até um novo significado, um efeito que simplesmente inspira e deixa o ânimo renovado, decerto, uma grande conquista, um bem mútuo e de bom grado, sem os devidos atos, as palavras muitas vezes não são benquistas, mas continuam poderosas e em momentos determinados, são o que alguém mais precisa, tamanho refrigério a ser prestado.
Quando tomo conhecimento deste impacto poético, penso que graças ao Senhor, talvez, eu seja o maior beneficiado, uma forma de lembrar de que acerto, de que não estou sempre errado, que aquilo que expresso é significativo, não são frutos de pensamentos vagos, são feitos de sentimentos vivos, que podem tocar a alma se forem identificados, um conforto para o meu espírito, um ótimo motivo para eu continuar inspirado.
Deslumbramento inevitável, que causa com facilidade, um lapso do tempo, provocado por trajetos charmosos de um universo incomparável, cujos sentimentos são fervorosos, uma mulher fortemente encantadora que torna os momentos mágicos, um encantamento que a cada noite se renova com o fervor de um fogo incansável, um amor veemente que transborda de um coração imensamente acalorado, que reluz nos seus olhos e eu todos os seus traços.
Pode ter certeza de que às vezes penso que se fosse possível, teria uma conversa séria com o tempo, na qual, pediria a ele para que não andasse tão depressa, seria uma gentileza e tanto, desta forma, a sua infância seria felizmente mantida por alguns anos a mais, tendo em vista, que a criança de outrora, agora já está se tornando um rapaz, entretanto, não faz sentido lamentar, muito pelo contrário, há inúmeros motivos para agradecer assim como o fato de graças a Deus poder presenciar desde o início, o seu crescimento, contribuir na construção do seu caráter, ser abrigo através dos meus abraços, causar bons sentimentos, proporcionar momentos de felicidades, ainda que de um jeito imperfeito, as falhas também fazem parte, mas espero que eu tenha tido mais acertos, você é uma benção, minha grande preciosidade, merece o meu amor e o meu respeito, portanto, peço ao Senhor que eu possa continuar presente ao seu lado, no seu caminhar, mesmo que não fiquemos sempre pertos, que os seus olhos continuar a brilhar diante da simplicidade, que o seu agir seja prudente, que siga o caminho da verdade, que a maldade fique ausente dos seus dias, que seja temente e grato a Deus, nas tristezas e nas alegrias e não se esqueça de que pode contar comigo, sua vida, eu muito aprecio, meu amigo Guilherme, meu amado sobrinho.
Pauso um pouco o tempo para observar o fulgor misterioso nos teus olhos, um mistério sedutor no teu jeito intenso de olhar, refletindo a junção de amor e desejo, sendo este lindo reflexo confiante, caloroso, bastante peculiar, que parece conversar facilmente com o imaginário, que consegue se destacar no teu belo rosto, além da tua boca pequena de lábios suaves naturalmente harmônicos, detalhes cativantes embelezados por tua rica essencialidade,
Cada instante pode se tornar grandioso, desfrutado na tua companhia, mesmo em um acontecimento lúdico, construído pelos meus pensamentos dedicados a ti, emotivos, autênticos, criativos, vivenciado com a intensidade do vermelho, emoção à flor da pele que floresce nos nossos corações, sentimentos, naturalidade, gentilezas e atrevimentos, viveza de um sonho a dois, beijos, diálogos, entrosamento, afetos trocados, linhas e versos do nosso memorável momento
Talvez, algo bem distante da realidade, mas no mínimo deixa fácil chegar ao entendimento que a tua simples presença é poderosa, ainda que estejas em silêncio ou apenas em uma foto devido a tua grandiosa expressividade, uma beldade maravilhosa, cuja sedução é farta, integridade respeitosa de corpo e alma, uma forma de arte enriquecedora, valiosa singularidade, iluminada, muito inspiradora, que faz valer com eficácia todas estas palavras que acabei de usá-las agora.
A falsidade se mantém por um tempo, mas em determinado momento, a verdade virá à tona, o que é falso cairá por terra, assim, haverá uma libertação, o choro fingido será digno de um oscar, o prêmio por tamanha interpretação e fingimento, falta de sensibilidade, de um mínimo de consideração, que muitas vezes são ignoradas, disfarçadas por alguns fragmentos raros de atenção, portanto, querer enganar com tais lágrimas não será nada mais além de uma grande ilusão, não tocará mais a alma de quem teve o seu coração partido, o seu valor desprezado, que começará um novo ciclo por seu amor próprio ter despertado.
Não tem como olhar para ti e não ver que o tempo está passando aparentemente numa velocidade que não consigo acompanhar, já que cada vez mais estás mudando, parece que foi ontem que aprendeste a falar e a dar teus primeiros passos, então, gostaria que esta fase não passasse tão rápido, mas agradeço a Deus por estar muito feliz ao teu lado.
Meu coração fica repleto de felicidade quando vejo o resplendor dos teus olhos causado principalmente por um momento de simplicidade, teu sorriso espontâneo, inocente que graças ao Senhor deixa o meu dia eficazmente iluminado, que fortalece-me diante das dificuldades, que faz meu viver ser ricamente abençoado, portanto, o meu amor por ti, é verdadeiro e a minha gratidão é de verdade.
Esta tua infância preciosa logo passará, estarás crescida e bem diferente do que és agora, mas que possas sempre buscar aquilo que faça o teu olhar resplandecer, que traga espontaneidade ao teu sorriso e que não venhas a perder a tua essência, dessarte, que Deus permaneça contigo, pois, certamente, és uma bênção na minha vida que traz-me tanto regozijo.
Fazia tempo que não chorava...
Fazia tempo que as lágrimas em minha face não derramava...
Fazia um bom tempo que eu não precisava limpar as minhas lágrimas, nem muito menos chorar minhas mágoas.
O desprezo do amor é um pesadelo que causa dor...
As lamúrias da alma se manifestam em soneto torpe de um sonho que virou pesadelo.
APRENDI COM O TEMPO:
- Que a saúde é prioridade na nossa vida;
- Que a paz de espírito é fundamental para a nossa sobrevivência;
- Que o dinheiro faz falta quando não tem o que se fazer sem ele;
- Que quando alguém não te valoriza como pessoa, está na hora de partir;
- Que quando o teu valor está numa sigla, chegou o momento de fechar o ciclo;
- Que uma verdadeira amizade é aquela que te apoia em quaisquer circunstâncias;
- Que o amor é o símbolo da vida;
- Que a dignidade está acima de qualquer cargo.
Refletindo...
O tempo vai passando, se esvaindo,
diminuindo as nossas chances de sermos um pouco melhor.
Reféns dos aplicativos, trocamos e invertemos valores simples,
como um abraço, um beijo ou um singelo aperto de mãos.
Nos contentamos com as teclas ou telas do celular,
e deixamos de lado estar lado a lado de quem a gente gosta.
Reféns de pandemias , prisioneiros da solidão,
Mas acredito que ainda dá tempo dss mudanças,
necessárias para não transformamos nossas vidas em sociedades apocalípticas,
e ao olharmos as fotografias, veremos sómente as lembranças de um tempo que passou e acabou.
Mas ainda existe a esperança do amor que ainda não acabou,
Refletindo com sinceridade e emoção.
Por enquanto sómente refletindo....
Mãe, eu gostaria de voltar no tempo para te beijar desde ainda estando em seu ventre, mesmo que durasse "mil anos"... seria pouco para que eu não sentisse a sua falta
Eu estou convencida de que todos nós precisamos de um minuto no tempo...
A conexão com o seu "eu"... é tão valiosa... não gaste suas energias com quem não merece.
Ontem eu te vi novamente depois de tanto tempo, eu amei os seus olhos sobre os meus, eu descobri que você... além de ter sido o meu amor mais marcante, será o único.
MEU CÃO - A FIDELIDADE QUE SOBREVIVE AO TEMPO E À RUÍNA DOS CORPOS.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
* “Prefiro confiar em meu cão São Bernardo do que confiar na criatura humana.”
Dr. Axel. Munthe, autor do best-seller: O Livro De San Michele. Escrito originalmente em 1929.
A história de Argos, o cão que aguardou por vinte anos o retorno de seu senhor, permanece como uma das mais elevadas expressões éticas legadas pela tradição clássica. Mais do que um episódio secundário da epopeia homérica, ela constitui um testemunho silencioso acerca da natureza da fidelidade, da memória e da lealdade que resiste ao desgaste do tempo, à corrosão da matéria e à falência moral dos homens. Nessa narrativa, a condição animal não se apresenta como inferior, mas como depositária de uma virtude que a civilização, em sua complexidade, gradualmente perdeu.
O retorno de Odisseu a Ítaca não se dá sob o brilho do triunfo, mas sob o véu da decadência. Após vinte anos de ausência, dez consumidos pela guerra e outros dez diluídos em errâncias e provações, o herói regressa envelhecido, marcado pela dor, pela fadiga e pela experiência. Aquele que outrora fora símbolo de engenho e vigor já não possuía o corpo que o consagrara, mas carregava em si a memória viva de tudo o que fora perdido. A própria astúcia, outrora instrumento de glória, agora servia apenas à ocultação de sua identidade.
Atena, expressão da prudência e da razão estratégica, aconselha-o a ocultar-se sob a aparência de um mendigo. A pátria que deveria acolhê-lo transformara-se em território hostil. Os pretendentes haviam tomado sua casa, dissipado seus bens e ameaçado a integridade de sua linhagem. Nem mesmo Penélope, símbolo da fidelidade conjugal, foi capaz de reconhecê-lo sob o véu da decrepitude. A visão humana, condicionada pelas aparências, falhou. O olhar viu, mas não reconheceu.
Foi então que a fidelidade se manifestou onde menos se esperava. Argos, o velho cão abandonado à margem do palácio, esquecido entre a poeira e os detritos, conservava intacta a memória do seu senhor. O corpo exausto já não sustentava a vida com vigor, mas a essência permanecia desperta. Ao ouvir a voz e sentir o odor daquele que amara, ergueu-se como pôde, moveu a cauda e reconheceu. Nenhuma máscara, nenhum disfarce, nenhuma degradação física foi capaz de enganá-lo. O reconhecimento foi imediato, absoluto e silencioso.
O gesto de Argos possui uma força simbólica que transcende a narrativa. Ele não exige palavras, recompensas ou reconhecimento. Sua fidelidade não depende de promessas nem de reciprocidade. É fidelidade ontológica, inscrita na própria natureza do ser. Odisseu, impedido de revelar-se, contém as lágrimas, pois compreende que ali, naquele instante, se manifesta uma verdade mais profunda do que qualquer triunfo humano. Logo após cumprir sua última função, Argos morre. Não por abandono, mas por consumação. Sua existência encontra sentido no ato final de reconhecer aquele a quem sempre pertenceu.
Esse episódio, narrado no Canto XVII da Odisseia, ultrapassa o campo da épica para inserir-se no domínio da reflexão ética. Ele revela que a fidelidade não é produto da razão discursiva, mas da constância do ser. Enquanto os homens se perdem em interesses, disfarces e conveniências, o animal permanece fiel àquilo que reconhece como verdadeiro. A memória afetiva, nesse contexto, revela-se mais poderosa do que qualquer construção racional.
É nesse ponto que a reflexão de Axel Munthe se insere com notável precisão. Ao afirmar que * " Prefere confiar em seu cão a confiar no ser humano " , o médico e pensador não profere um juízo de misantropia, mas uma constatação ética fundada na observação da realidade. Sua experiência com o sofrimento humano ensinou-lhe que a razão, quando desvinculada da integridade moral, converte-se em instrumento de dissimulação. O cão, ao contrário, desconhece a duplicidade. Sua fidelidade não é estratégica, mas essencial.
A frase de Munthe revela uma crítica severa à condição humana moderna. O homem, dotado de linguagem, inteligência e consciência, frequentemente utiliza tais atributos para justificar a traição, disfarçar interesses e legitimar a ruptura dos vínculos. O animal, desprovido dessas faculdades, conserva uma coerência ética que o eleva moralmente. Ele não promete, mas cumpre. Não calcula, mas permanece. Não racionaliza, mas é fiel.
Há, portanto, uma convergência profunda entre a figura de Argos e a reflexão de Munthe. Ambos denunciam a fragilidade moral do homem civilizado e exaltam uma fidelidade que não depende de convenções sociais, mas de uma adesão silenciosa ao outro. Essa fidelidade não se anuncia, não se exibe, não se justifica. Ela simplesmente é.
Assim, a história de Argos e a sentença de Munthe convergem para uma mesma verdade essencial: a de que a grandeza moral não reside na eloquência, no poder ou na razão instrumental, mas na capacidade de permanecer fiel quando tudo convida ao abandono. Nesse sentido, o cão torna-se espelho daquilo que a humanidade perdeu ao longo de sua história. E ao contemplar esse espelho, resta ao homem reconhecer que, por vezes, a mais elevada forma de humanidade habita silenciosamente no coração de um animal.
Capítulo XVIII –
CARTA QUE O TEMPO RASGOU.
Livro: NÃO HÁ ARCO-IRIS NO MEU PORÃO.
Joseph bevouir - Escritor.
“Nem toda carta enviada busca destino. Algumas apenas desejam ser lidas pelas mãos do esquecimento.”
— Joseph Bevoiur, manuscrito recolhido ao lado de um relicto de piano sem teclas.
Camille Marie Monfort,
Perdoa-me por ainda escrever.
É que há sons que não cessam —
mesmo quando o mundo silencia.
E há nomes que continuam exalando perfume,
mesmo quando já se foram há muitas estações.
Esta noite, enquanto as janelas se recusavam a refletir o luar
e os espelhos evitavam meu rosto,
ouvi pela décima vez ou milésima aquela gaita de fole espectral.
Sim, Camille…
a mesma que ecoava nas colinas do meu delírio,
com sua melodia lancinante,
como se um fantasma pastor estivesse a ensaiar seu lamento
por um rebanho que jamais existiu.
Mas hoje, ouvi algo mais.
Ouvi o acompanhamento insólito
de um piano lírico porém, não qualquer piano.
Não, Camille…
Esse não tocava notas,
mas sons secos,
golpes vazios de teclas que não mais se movem.
E então perguntei, para o teto da noite,como um exorcista cansado:
_Quem executa essa gaita de fole tão covardemente ao amor
que, até é acompanhada por sons secos vindos das teclas de um piano lírico
quando esse nem por anacronismo poderia assim existir?
Não recebi resposta, como era de se esperar.
Talvez fosse tua sombra que ali dançava.
Ou talvez e essa é a hipótese que me fere seja apenas minha culpa tentando compor uma sinfonia
com os restos do que não vivi contigo.
Fica, então, esta carta não como súplica,não como epitáfio,mas como o último gesto de um homem que aprendeu a sofrer com elegância,à tua imagem e semelhança a ti, tão somente a ti mesma.
Não peço que me leias.
Peço apenas que, caso a brisa leve este papel aos teus pés etéreos,não o pises.
Pois cada palavra aqui escrita
ainda traz o peso do meu nome
e a leveza do teu.
- Joseph Bevoiur
(ainda ajoelhado entre ruínas, onde o amor se transforma em som que ninguém ouve.)
" E assim permanece a certeza antiga e inabalável. Tudo passa pelo tempo. Mas somente a verdade permanece de pé quando ele termina de falar. "
