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Ser filho do nordeste
é algo que me faz tão bem
enche o peito de orgulho
o coração dispara a cem
pode ter secas e crises
que não nego minhas raízes
pra agradar a seu ninguém.
O nordestino e sua saga
de enfrentar as novas crises
quando o olhar distante vaga
não esconde as cicatrizes
se a esperança não se apaga
o amanhã quem sabe traga
outros dias mais felizes.
Na nossa terra tudo tem
nosso povo é diferente
aquele que de fora vem
admira o nosso oxente
ser nordestino é um bem
que ninguém tira da gente.
Desculpe-me por, torna-lo áspero
Feito Eu Pois, somente sentindo
cada lágrima derramar de meus, olhos percebi o quanto afiei os cacos:
Que atualmente cortam-me!
Deixe de alimentar a tristeza
E perceberá Ela, se esvair:
De sua (casa) feito um camundongo
Que jamais encontrará
Tuas, migalhas.
Sou grato por existir
esse lugar que me deste
do sol que faz refletir
um mar azul cor celeste
se Deus assim permitir
eu vou chorar, vou sorrir
dizendo eu amo o Nordeste.
No fogão a cantoria
que borbulha da chaleira
assim começa meu dia
com um café de primeira
e o cuscuz que é a magia
que transforma em energia
quem trabalha a vida inteira.
As vezes por ouvir dizer
que essa terra é seca e quente
o cabra fala sem saber
zomba até do nosso oxente
mas quando vem conhecer
se encanta e quer viver
aqui bem pertinho da gente.
Mude! Diz o equinócio de primavera. Por que te apegas ao inverno?? Não sabes tu que a nova estação te oferta flores?
@suspirandoversos
Nosso nordeste é perfeito
lugar que se vive bem
pra quem falta com respeito
com certeza nada tem
não guarde rancor no peito
tire a inveja e o preconceito
e vem ser feliz também.
Uma criança curiosa
admira um arco-íris resplandecente
ansiando chegar ao seu final
Um ladrão cuidadoso
espreita um diamante elegante
ansiando possuir o seu valor
E um simples cara que sou eu
observo a sua bela imagem
ansiando ficar com você
DUALIDADE
Às vezes sou um verso inacabado
Em outras um poema inteiro
Sou silêncio
Também sou grito
Há dias que sou apenas uma nota
Em outros uma sinfonia
Posso ser cinza
Colorida
Nua
Ou vestida
Às vezes sou jardim
Ou só um botão
Acho que é melhor assim
Morreria se coubesse em um padrão.
A honra é um bem sagrado
de toda mulher nordestina
quem bulir sem ser casado
não espere boa sina
pra todo cabra fuleira
se fugir de uma peixeira
se estrepa na carabina.
Quando fiz dos meus versos amargo estudo
Machuquei ensinamentos, meu passado,
Inventei de cortar com um machado
Doce rima, sons, metro, quase tudo
Que me fazia lembrar, tornei-me mudo.
Sou nordestino meu povo
desses que tem pé no chão
cuscuz eu gosto com ovo
café pra mim é com pão
leite só quero da vaca
fruta gostosa é a jaca
e terra boa é o sertão.
Têm muitas pessoas que acham que a vida é só flores.
Por isso têm muitos corações despetalados por aí...
Márcia G Oliveira
Não tenho mais interesse em encontrar esse tal de amor da vida.
Cansei.
É uma busca chata.
Me fadiga.
Quando eu decido amar eu lanço-me por completo, sabe?!
Eu mando cartas, eu faço versos.
Eu faço bolo, café, eu preparo a mesa e o coração.
É farto, como tudo dentro de mim.
Eu tenho uma loba na alma que não dorme nunca.
Ela não descansa e nem me deixa descansar.
E ela que ama
Eu não
Eu quero amar a xicara de café, quente.
Eu até tolero café morno, mas pessoas não. Pessoas precisam ser quentes.
[Café também, pensando bem.]
Eu quero amar a brisa da manhã.
Eu quero amar a lua que nunca será monogâmica e mesmo assim ela consegue ser recíproca.
Pessoas não, de pessoas eu cansei.
Talvez eu esteja mentindo. Não sei.
Acordou antes do sol.
Tomou café e banho quentes.
Acariciou e foi acariciada pelo amor.
Sorriu para si mesma.
Ignorou os ruídos do mundo.
Vestiu-se de flores e cores.
Apagou todos os números da agenda.
Perfumou-se com gotas de laranja, flores do campo e brisa.
Apartou-se das ilusões transitórias de outrora.
Pegou caneta e papel e fez o seu bilhete e o deixou na janela:
- FUI SER FELIZ E NÃO VOLTO.
É assim, quanto mais eu me sinto pronta pra vida, mais ela me abraça.
O compasso nunca foi tão certo.
O que era incerto já não existe.
Deixei pra trás.
Meus passos têm pressa.
Mas ao mesmo tempo eles correm devagar, mas com propósito, com direção.
Nunca fui tão exata como agora.
E também nunca fui tão grata.
O processo não é tão simples assim; regado de medos e infortúnios, as nossas estações são metamorfoses necessárias.
Não sei, de verdade, não sei quem vai estar comigo até o fim.
Quiçá, se estarei acompanhada ou só.
Mas de uma coisa eu tenho certeza: beijarei na testa todos aqueles que respeitaram meu florescer.
Até mesmo no meu outono particular, onde fui um pouco fria, indiferente, insegura e raivosa, eles estavam lá segurando minha mão.
Vendo minhas fraquezas sem duvidar da minha força.
É tão bonito olhar pra dentro, porque a gente não vê beleza em tudo, mas a gente vê a gente exatamente como a gente é, e, mesmo sabendo das imperfeições a gente sabe que as nossas raízes mais profundas, onde guardamos o DNA da nossa verdade, ali a gente é amor.
As nossas estações são metamorfoses necessárias.
Não sei, de verdade, não sei quem vai estar comigo até o fim.
Quiçá, se estarei acompanhada ou só.
Mas de uma coisa eu tenho certeza: beijarei na testa todos aqueles que respeitaram meu florescer.
Sabe, eu acredito nisso que a gente sente. Eu acredito na simetria dos gestos e dos afetos que se perdem na infinitude do sentir.
Mas, acima de tudo, eu acredito na gente. Nesse formato bobo de gostar.
- Dorme bem!
- Você também!
Eu acredito na entrega sem reservas, no desejo mútuo.
- Me beija?
- Beijo!
Eu acredito nas palavras ditas com carinho e cuidado. E acredito no silêncio que afaga com o olhar.
Sabe, eu também acredito no medo. Medo de ser pouco. Medo de ser muito. Medo do medo só pelo medo.
E é assim, eu vivo de acreditar, que, é um dia de cada vez que faz o calendário inteiro. E aprendo, entre um oi e um adeus, que não adianta nada passar a vida regando cactos se a gente sabe que deles nunca vamos colher flores.
Mas eu só descobri isso depois que vi que o amor não é uma só estação, ele é feito de primavera, mas também de verão. E a gente precisa descobrir quem está disposto a suportar o nosso outono e o inverno, aí sim, a gente vê brotar a semente daquilo que vamos chamar de amor da vida da gente.
Menina, não encolha em seu tamanho, tu é maior do que podes imaginar.
Sente-se no altar do teu coração, e sinta a tua alma desacelerar.
Menina, tire o dedo da tomada! Permita-se desligar. Para conectar-se é preciso desconectar.
