Tag poeta

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⁠Nunca pensei que meu coração bateria assim novamente 
Mas você orquestrou novas batidas
Realmente, não é justo
Enquanto uma ferida se fecha, outra se abre

Somos inconstantes, enquanto um vai, outro vem
Se ontem passou, o hoje também passará
Se hoje é cedo, amanhã pode ser tarde 
Não quero que acabe, mas não sei  como prosseguir 
Não te procuro em outros corpos, aliás, pares são pares
E sinto que nunca serei ímpar 
Mesmo que o momento não seja esse
Me permito sonhar como se fosse

"Não se apaixone" não serve de aviso quando já se é tarde
Mas ainda vivemos o hoje, o tempo não para
Então não deixe o amanhã pra hoje, e talvez o hoje pra depois 

Não há necessidade de esconder, quando seus olhos contam todos seus segredos 
Não tem como fugir enquanto andamos em círculos

Não sou poeta, mas por ti me atrevo a escrever 
Não sou poeta, muito menos sei amar 
Talvez algum dia me ensine 
Até lá, vou te amar como um idiota ama

⁠EU VOU SER BREVE

Eu vou ser breve por estar saudoso
De tanto que a tua falta me é sofrer
De tanto que me fiz um aturado ser
Eu vou ser breve, neste ato fragoso
Nos meus versos fui um desejoso
Poetando afeto, mimo, podes crer!
E, na minha poética o doce querer
Dos beijos, aquele mais formoso

O olhar você já tem, é só me olhar
E a prosa é sedutora, vai sustentar
Uma poesia com amor é sentimento
Então, qual o porquê da provação?
Em nós o alvor é de tanta sensação
Te quero! ... mais a cada momento!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
13 de maio, 2022, 19’19” – Araguari, MG

⁠Quem Tem Escada Alcança o Teto Primeiro

⁠A Poesia Jamais Irá Morrer Enquanto o Homem Ainda Sonhar 

⁠Escute com atenção, meu bem:
no final não há quem
não decepcione você. 

⁠Eu descrevo o amor alheio com maestria sem ao menos ter vivido o meu próprio amor

⁠Enquanto jogadores e pessoas no mundo inteiro
Protestam exigindo
Direitos humanos,
Brasileiros e brasileiras  brigam em redes sociais
Concordando com a perda de direitos conquistados a duras penas unicamente para defender o seu político de estimação.

⁠Para Os Tolos a Realidade Emoldurada Causa Mais Comoção Que a Realidade Observada 

⁠Enquanto Você Estiver Cegamente Direcionado a um Amor Ilusório, Você Jamais Vai Perceber o Amor Real

⁠⁠É Bem Melhor Viver Na Eterna Dúvida, Do Que Conviver Com a Triste e Momentânea Certeza 

⁠Antes, catavento. Hoje somente abro os braços e sinto o vento me atravessar. O que for de vir, vai vir. O que for de ficar, vai ficar.

⁠Hoje o amor norteia ao medo 
E eu covarde, o temo
Me esquivo 
Me escondo 
Mas ele sempre sabe me alcançar
Então ele me encontra
Me tranquiliza  
Mas não demora muito 
Pra que eu volte a temer 
Temo me entregar de mais
Temo me entregar de menos
Temo não me entregar 
Sem nenhum motivo, o temo 

⁠não me invadas
Se ficar não for sua intenção 

⁠Salpicão
Panetone
Arroz à grega...
Tudo passa!

⁠tempestade

Uma chuva de verão
no princípio do inverno
E a sã superstição
diz que vaga no Eterno

um espírito pagão
implorando por perdão
na entrada do inferno...

⁠Vinte e três de abril

Guarde a lança, cavaleiro!
No outro lado do alforje
vai a espada do guerreiro.
Eu não sofro mal algum!

Nem sei bem-dizer se Ogum
é devoto de São Jorge
ou Jorge é filho de Ogum...

⁠ode a odé

A imagem no andor
Sete flechas, dor serena
Na cabana, o benzedor
junta folhas de jurema

Na vontade de compor
sete linhas de louvor,
toda arte ainda é pequena...

⁠dois dois

É menino feito santo;
olha a luz dessa criança!
Escondido no seu pranto
um sorriso de esperança

Quando ouve o povo banto
entoar seu doce canto,
faz ciranda, grita e dança...

⁠zi fi

De visita a uma dama
que mexia com o além,
perguntei: como se chama
esse velho sem vintém?

Rindo, disse a tal mucama:
preto-velho não se chama;
se precisa, ele vem...

⁠Ave Poeta

Voa, voa, ave poeta
Paira pela imaginação
Leve contigo cada meta
Do coração!
De versos e palavras
Pouse na tua criação
Ouse, chore e voeje
Ave poeta! ... emoção
No que a alma rege
E todas na sensação

Voa, voa, ave poeta
Paire pelos amores
Siga por tua reta
Do longo caminho
Cante o canto poeta
Com sonho e carinho
E, põe-te a trovar
Vai-te do teu ninho
Passa o passado, no ar
E vai-te bem mansinho
O que mais vale é voar
Então. Eu passarinho....

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
22 de junho, 05’45”, 2021 – Araguari, MG

⁠[...] vã̃ e breve, a vida tal uma curta poesia
expira, em terra funda, dura e fria
o teu canto, ali, acabará...
Eis o que aperta, e dói no coração
a morte é um mistério
fugaz... cheio de sensação
má́ ou boa, penoso critério
aqui apenas uma oração
em suporte
a realidade
um triste verso à morte...
versado com saudade!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
27/06/2021, 5’10” - Araguari, MG

⁠AMOR ARDENTE

Ah! nada é maior do que a surpresa
Do afeto dado, sabendo-me amado
Num coração. Permita-me a riqueza
Deste sentimento, assim, apaixonado

De alma feliz, farta e nada de tristeza
Saudade sem sombra de um passado
A poética cheia de sensação e beleza
Tendo aquele intenso desejo ao lado

Emoção no peito, que traz significado
De gentis suspiros cortando os ares
E permitindo cada olhar enamorado

Assim, ao prazer e sem os pesares
Que Deus nos tenha e nos guarde
No querer sã, dum amor que arde!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
28/06/2021, 5’45” - Araguari, MG

⁠CONDIÇÃO

Dissolveu o amor e a dor saliva
No vazio. Pondo a alma no cais
Este afeto que já foi muito mais
Está sensação que andais cativa

Solitária a emoção, e pensativa
Sente e chora este mal, e jamais
Pensou ter e que doesse demais
E eu sem ti e cá com a falta viva

Mas amei de todo o bem, amei
Sei que após continuei amando
Assim, lhe vi pelo cerrado indo

Sofrer, porque sei que sofrerei
Pois o ter insiste estar sonhando
Haver-te, o adeus vai possuindo!

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29/06/2021, 12’17” - Araguari, MG

⁠Tou sentado a porta de casa
E vejo os netos que queríamos a brincar
Chamam-me avô como tínhamos imaginado
Os girassóis que sempre gostaste estão lindos
E até agora nem uma única doença me afeta
Meu coração continua poeta
E passo os dias a jogar ao dominó com os vizinhos, tal como tínhamos planeado em jovens
Tantos planos que foram concretizados 
Como o sonho de nos casamos 
E nem um do outro fomos convidados

⁠As armas de um poeta:
são uma caneta e um papel
E com elas conquistamos
o nosso próprio céu

O poeta é aquele
que escreve a voz da alma
Como se fosse um dom...
Aquele dom que acalma

Ele fala da vida
de sonhos e de alegrias
Pois se não falar dos mesmos
dele o que seria?

Ele tem o seu mundo
repleto de fantasias
Mas é lindo, é belo...
E você entrando nele
Sair jamais deveria

Nesse mundo ele toca
Sua alma e coração
Sua vida interior
É tudo luz, é canção

Como também ele grita
chora como criança
Mas depois é tão incrível...
renasce sua esperança



(MARQUES, Iraci. Mundo-poeta. In: GONDIM, Kélisson (Org.). Vozes Perdidas no tempo. Brodowski: Palavra é Arte, 2020. p. 56).