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Alma 1979
Esse calor que arrebata meu peito
Me mostre o caminho sem jeito
Meus pés nos espinhos de fogo
Minha alma ardente é um jogo
No teatro da vida há monólogo
Sem pensar duas vezes me afogo
Meu amor me encontre agora
Me mostre a flor-da-aurora
Nos velhos tempos de outrora
Nos meus olhos celestes se perde
Na minha alma não há o que preste
Sem chão estou apaixonada
Minha pele arde e me agarra paradoxalmente
Minha face envolve sua mente
Você se perde no tempo subitamente
SÉTIMO HEXÁSTICO
líquidos eruditos vãos
velhos discursos si produzem
ágoras de sós volatizam
logos e verbos pós-modernos
etéreos assim conduzem
infernos campos niilistas
OITAVO HEXÁSTICO
poetas líquidos não enformam
voláteis são vãs plantações
semeadas em campos estéreis
espigas de milhos sem grãos
debulhadas não dar para o pão
não mata a fome de inférteis
Os meus sonhos guardam poemas
os meus poemas guardam saudades
As saudades são dilemas
os meus sonhos, tempestades...
NONO HEXÁSTICO
brisa cálida… envolvente
afasta de mim esse cálice
nunca mais o beberei
jamais quero a embriaguez
soberbia e sucesso vãos
póstumo caminho eterno
DÉCIMO HEXÁSTICO
desejo é toda potência
motor de toda existência
valor supremo dessa vida
intrínseco da natureza
convenções jamais o impedem
sagrado faz-se eterno verbo
DÉCIMO PRIMEIRO HEXÁSTICO
a dor me cobre a ossatura
invade a carne de tod’alma
s’instala na tumba da carne
alimentando pensamentos
desconstruind’identidades
valores morais sedentários
Ele se intitulava Craw, falava bem das Rosas "seres de lindas cores, seus espinhos lhe fazem mais poderosa, de perto muito cheirosa, de longe bem mais formosa" e o engraçado era ver, como uma pessoa descreve tão nitidamente uma coisa que nem ao menos viu nascer, muleque do litoral, poeta crítico literal mais por causa das suas tatuagens e do seu alargador as pessoas lhe denominavam marginal, psicopata sonhador corria atrás dos seus sonhos pisando em espinhos e o seu semblante não mais expressava dor, pensou e tentou, pulou, pediu perdão tentou parar mais a vida não é justa e não o deixou continuar, textos ao vento, palavras ao ar, foram cortadas suas raízes, como rosas, e uma das vidas mais formosas, foi colocada em um porquê.
Queria te fazer feliz, mas talvez eu suma
queria te trazer pra mim, mas eu nunca trago.
lembro de você sempre que eu fumo, é que você era quente igual a ponta do meu cigarro.
E some do pensamento sempre depois do ultimo trago.
DÉCIMO SEGUNDO HEXÁSTICO
Onde some o ser humano
resta tão-somente o homem
prisioneiro do si mesmo
fluídico e sem forma própria
agrilhoado à sua caverna
é sombra sem a luz do dia
Farinha do mesmo fato
Não sei quando virei arauto da loucura
Discórdia da verdade nua
Existe sempre outro jeito
De realizar o que está feito
Agora vejo o verso do inverso
Que fica submerso
Em mentiras intrigantes
Criando algumas constantes
Trajadas com o manto de seda ruflante
Inexorável a vontade alheia
Intragável ao mesmo semblante
Que espuma a louca sabedoria feia
De um mago da política
Governante errante da escolha que fica
Ygor Mattenhauer
Já na minha alma se apagam
As alegrias que eu tive;
Só quem ama tem tristezas,
Mas quem não ama não vive
De Saudades vou morrendo
E na morte vou pensando:
Meu amor, por que partiste,
Sem me dizer até quando?
Se me deixares, eu digo
O contrario a toda a gente;
E, n'este mundo de enganos,
Falla verdade quem mente.
Tu dizes que a minha boca
Já não acorda desejos,
Já não aquece outra boca,
Já não merece os teus beijos;
Mas, tem cuidado commigo,
Não procures ser ausente:
- Se me deixares, eu digo
O contrario a toda a gente.
Queria apenas sentir seu corpo, mas apenas absorto, fecho os olhos e vejo o frio, este olhar causa calafrio, homens da era glacial, fingem estar numa aula teatral, Gritem para o povo, vários entre outros corvo. Batam asas sozinhos, pois não sobrou nem um único ninho.
DÉCIMO TERCEIRO HEXÁSTICO
não bastais com incompetência
até quando há de sangrar
a miserável paciência
manada rum’ao precipício
metadestino imanente
glória do rei concupiscente
