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Meu amor de ontem
Ele havia chegado.
Foram 25 cinco anos de sertão. Barba por fazer, desodorante faltando, mal-cheiro falando.
Português capenga, só ficava rachando lenha, trabalho braçal mesmo. Verbalizar algumas palavras somente depois de uns goles de pinga.
Até que morava bem, num “igarapé” fresquinho às margens do Rio das Mortes, uns 100 quilômetros da cidade, na seca. Na chuva nem tiro ideia. Ventilação só do vento nos buritis.
Lugar bonito por lá. Tem duas estações: a seca e as águas. Ouvi dizer que vendem perfumaria nos alagados.
Vizinhança próxima, toda sorte de animais silvestres e rastejantes.
Ele me explicou bem como era feliz. E fez esta viagem com proposta de sermos mais unidos.
Na verdade fiquei embasbacada e pensando se o banheiro
tinha lixa de pé e “bidê”.
Olhei sua camisa de um algodão rústico e desbotado, seus pelos agora também descoloridos saindo revoltos entre os botões.
O vento derrubou meu chapéu panamá e ele não se inclinou para pegá-lo.
Disse que tinha hóspedes e muita pressa.
Saí da conversa com um calor sufocante e uma pergunta im- pertinente.
“Será ele o mesmo que tanto amei ?”
Ele virou Anhanguera e não o reconheci.
Lembranças, às vezes, é um lugar confortável.
Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury
A última carta de amor
Sinto sua falta e as areias sopradas pelo vento frio batem em
meu rosto e acordo com as lembranças.
A chuva fina penetra em meu corpo e penso em seus beijos
tão quentes como ares do Equador.
Meu demônio infernal que arrasta meus dias em desejos
queimantes e fico cega.
Chamá-lo de meu amor é tão vulgar e abstrato e meu pensamento
se dirige a ti de forma tão concreta que sinto e quero sua
presença.
Fica tudo tão distante. Meu corpo, meu desejo, que nem as
cartas cobrem esta ausência.
Dizem que amores não tem corpo, mas do que é feito sua
intensidade sem seus contornos físicos,
perfumes perdidos sem seu cheiro?
E o vento apaga as palavras neste deserto de solidão e gasto
tanta pena e tinta e nem sei se verbos atravessam oceanos e intempéries.
Mas fica a força de meus punhos grafados, para contornar
seu corpo nesta carta.
Pensamentos bons podem sair de onde menos esperamos. Assim como em um sótão sujo, é possível encontrar uma bela caixa de livros escondida.
Por meio do dinheiro, a democracia se torna seu próprio destruidor, depois que o dinheiro destruiu o intelecto.
Quando o pensamento comum de um povo altamente culto começa a considerar "ter filhos" uma questão de prós e contras, o grande ponto de inflexão chegou.
A vida do indivíduo não tem importância para ninguém além dele: a questão é se ele deseja escapar da história ou dar a vida por ela. A história não se preocupa com nada da lógica humana.
E agora o fator decisivo: nosso impulso ilimitado de seguir e servir, de adorar a qualquer pessoa ou coisa, de acreditar cegamente e com lealdade canina, apesar de todos os conselhos em contrário.
Hoje vivemos tão acovardados sob o bombardeio dessa artilharia intelectual que quase ninguém pode atingir o distanciamento interior necessário para uma visão clara do drama monstruoso. A vontade de poder operando sob um puro disfarce democrático terminou sua obra-prima tão bem que a sensação de liberdade do objeto é na verdade lisonjeada pela escravidão mais completa que já existiu.
Você está preso na corrente de mudanças incessantes. Sua vida é uma ondulação nela. Cada momento de sua vida consciente liga o passado infinito ao futuro infinito. Participe de ambos e você não encontrará o presente vazio.
Hoje, um democrata da velha escola exigiria, não liberdade para a imprensa, mas liberdade da imprensa; no entanto, enquanto isso, os líderes se transformaram em parvenus que têm de garantir sua posição perante as massas.
A política sacrifica homens por uma ideia; eles caem em uma ideia; mas a economia apenas os desperdiça. A guerra é a criadora, a fome a destruidora de todas as grandes coisas. Na guerra, a vida é elevada pela morte, muitas vezes a um ponto de força irresistível cuja mera existência garante a vitória, mas na vida econômica a fome desperta o tipo de medo feio, vulgar e totalmente não metafísico pela vida sob o qual a forma superior do mundo de uma cultura desmorona miseravelmente e começa a luta nua pela existência dos animais humanos.
Diante de tanta tribulação, minha ansiedade às vezes toma conta e acabo me desesperando, me preocupando até demais com o futuro, com algo que ainda nem aconteceu. Na maioria das vezes, desacreditando das pessoas ou até de mim mesmo. Nesses últimos tempos, tenho pretendido muito tentar recomeçar, fazer diferente, encontrar um novo amor, amizades novas e até ter uma boa relação com a família.
Tento sempre acreditar que o mundo não está perdido, talvez um dia eu possa me frustrar, mas entre acreditar ou não acreditar eu prefiro acreditar, me sinto bem melhor assim.
Existem diversas coisas que me fazem sempre continuar e nunca perder a fé que as coisas irão melhorar, que eu posso, sim, fazer diferente, que, sim, eu posso sonhar, pois, além do mais, querer mudar é o pilar de tudo.
Tenho me sentido muito bem ultimamente, tanto tempo que eu não tinha motivo para descrever o que eu penso, sempre gostei de fazer isso, é algo de maneira espontânea.
Quanto menos você esperar das pessoas algo que você esperaria de si próprio, menos frustrado você se tornará. Você é quem controla suas atitudes, assim como as pessoas controlam as atitudes delas. Não se deixe abalar por essas questões. As vezes você é uma pessoa íntegra, e a outra pessoa, um ser digno de desconfiança.
O Escritor encontra em pensamentos e frases aquilo que nenhuma pessoa emite na sua representação externa.
Verifiquei que na vida existem muito mais momentos felizes que os tristes. Pensar assim me fez feliz.
