Sou Pessoas de Riso Facil e Choro Tambem
Chão rachado guarda sementes, o que parecia fim, tornou-se promessa de fecundidade. Hoje eu sou esse chão.
Um dia fui queda, hoje sou voo atento. Aprendi o chão antes de conhecer o céu. O cuidado me deu outro modo de subir, voo lento, mas sigo certo do meu destino.
Sou estrela antiga, ecoando luzes que já se foram, meu coração queimando em silêncio. Cada fagulha é memória de mundos que jamais verei, cada brilho, um suspiro perdido. No vazio do cosmos, aguardo o instante em que tudo se desfaz, me transformando em poeira estelar, um murmúrio esquecido no infinito.
Posso parecer e por vezes sou, um amontoado de estilhaços, contudo, enquanto percorro a estrada tortuosa, recolho cada caco, cada fragmento que deixei cair, colando-os aos poucos até me refazer. Sei que a inteireza plena talvez não mais me pertença, mas nada do que um dia foi meu ficará pelo caminho.
O passado não me arrasta, me arma, não é peso, mas fundação, é raiz indestrutível da árvore que sou.
Sou ausência tão presente que domina o espaço e pesa no ar. Quanto mais me apago, mais insisto em permanecer, pois até no último suspiro o fogo se lembra de arder em si.
Não sou triste; sou um deserto onde a felicidade se perdeu como miragem. Caminho por suas areias quentes, carregando sede de algo que jamais tocarei. Cada passo levanta nuvens de lembranças secas, e o vento que passa parece sussurrar risos que não me pertencem. Aqui não há flores, apenas o eco vazio de promessas que evaporaram antes de nascer.
Ninguém me entende, sou rascunho com letras ilegíveis, pareço instrumento desafinado, um piano com cordas quebradas, emudecido num canto.
Perdi espectros do que fui; ganhei a clareza do que sou. Carrego menos bagagem, mais propósito. O amanhã já tem nome.
Sou o que não se doma, um cavalo errante, um verdadeiro Mustang selvagem, meu destino não se escreve em linhas, ele não tem selas,ele nasce no horizonte inalcançável.
