Sou Besta com a Falsidade de uns
Eu sou o que você é! Eu sou solidão em busca de companhia. Carinho em busca de afeto. Uma mulher em busca de um marido, um pai pros meus filhos. Alguém que queira amar, construir, trabalhar, viver em paz longe das loucuras desse mundo. Quero alguém pra dividir a aventura que é viver.
Se alguém estiver ouvindo, você sabe que eu não sou muito de rezar, mas eu não sei mais o que fazer. Eu estava pronta para desistir uma vez, e a Gabrielle entrou na minha vida. Por favor, não deixa aquela luz que brilha no rosto dela se apagar. Eu não conseguiria suportar as trevas que se seguiriam.
(Xena)
Eu sou o cavaleiro da árvore
Eu sou o poeta da campina árida
Eu sou o suspiro em um lugar vazio
Eu sou a fome: quem mais eu sacrificarei em si mesmo?
Eu sou o convidado que você não espera
Eu sou a canção para acordar os mortos
Eu sou a maré que afoga sua mente
Eu sou o trapaceiro: quem mais te traz aflição e riqueza ao mesmo tempo?
Eu sou a lança que ruge para o sangue
Eu sou o lobo vermelho e implacável
Eu sou a tempestade que agita distante
Eu sou o adivinho: quem mais ajusta a cabeça fresca sem vida com fumaça?
Eu sou o conselho que traz a fama
Eu sou a espada que bebe sua vida
Eu sou o corvo em um cadáver
Eu sou a forca: quem mas te traz à morte enquanto te seguro?
Eu sou a chama em cada coração
Eu sou o grito em cada garganta
Eu sou o protetor para cada cabeça
Eu sou o túmulo de cada esperança
Diz que não quer ser amada
E que seu amor já basta
Quem sou eu?
Eu não sei se você percebeu
Que eu ando tão triste pensando na gente
E lembrando o que a gente viveu
Eu sou livre, não importa quais as regras que me rodeiam. Se eu as achar toleráveis, eu vou tolerá-las; se eu as achar muito desagradáveis, eu vou quebrá-las. Sou livre porque sei que só eu sou moralmente responsável por tudo o que faço.
Eu não sou, não pretendo e não quero ser Ovelha nenhuma... Gosto mesmo é de ser BODE!! Meu signo é Capricórnio!! Beijo da Bruxa!
POEMA
A minha vida é o mar o abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita
Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará
Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento
A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto
Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento
E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e tecto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.
Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero, com confortos de matriz, outra vez feto.
Por trás do que lembro,
ouvi de uma terra desertada,
vaziada, não vazia,
mais que seca, calcinada.
De onde tudo fugia,
onde só pedra é que ficava,
pedras e poucos homens
com raízes de pedra, ou de cabra.
Lá o céu perdia as nuvens,
derradeiras de suas aves;
as árvores, a sombra,
que nelas já não pousava.
Tudo o que não fugia,
gaviões, urubus, plantas bravas,
a terra devastada
ainda mais fundo devastava.
O Engenheiro
A luz, o sol, o ar livre
envolvem o sonho do engenheiro.
O engenheiro sonha coisas claras:
Superfícies, tênis, um copo de água.
O lápis, o esquadro, o papel;
o desenho, o projeto, o número:
o engenheiro pensa o mundo justo,
mundo que nenhum véu encobre.
(Em certas tardes nós subíamos
ao edifício. A cidade diária,
como um jornal que todos liam,
ganhava um pulmão de cimento e vidro).
A água, o vento, a claridade,
de um lado o rio, no alto as nuvens,
situavam na natureza o edifício
crescendo de suas forças simples.
Rasas na altura da água
começam a chegar as ilhas.
Muitas a maré cobre
e horas mais tarde ressuscita
(sempre depois que afloram
outra vez à luz do dia
voltam com chão mais duro
do que o que dantes havia).
Rasas na altura da água
vê-se brotar outras ilhas:
ilhas ainda sem nome,
ilhas ainda não de todo paridas.
Ilha Joana Bezerra,
do Leite, do Retiro, do Maruim:
o touro da maré
a estas já não precisa cobrir.
A um rio sempre espera
um mais vasto e ancho mar.
Para a agente que desce
é que nem sempre existe esse mar,
pois eles não encontram
na cidade que imaginavam mar
senão outro deserto
de pântanos perto do mar.
Por entre esta cidade
ainda mais lenta é minha pisada;
retardo enquanto posso
os últimos dias da jornada.
Não há talhas que ver,
muito menos o que tombar:
há apenas esta gente
e minha simpatia calada.
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