Sou Apaixonada pelo meu Namorado
Às vezes no alto da montanha mirando as minúsculas casas no vale vislumbro meu real tamanho no Universo. Quem mata bebês não tem noção da sua própria insignificância cósmica!
(LilloDahlan)
Na tv
notícias
do meio dia
meu olhar
não está
na tela
escorre pela
janela
numa cortina
de nuvens
cinza
sobre o azul
num casal
de ararinhas
voando
em direção ao sul...
Nas minhas caminhadas matinais, vou treinando meu olhar para descobrir belezas escondidas em cada canto, em cada momento.
E a natureza está sempre me surpreendendo.
Meu coração de avó é um laboratório onde minha netinha pode experimentar, descobrir as coisas da vida, sem se preocupar com erros e acertos.
Meu mundo nos olhos da menina
sem nenhum segredo
seu brilho me fascina
compartilhando alegrias e medo.
Minhas crianças
Paro no tempo olhando fotos e escuto. O som da voz de minhas crianças alcança meu inconsciente desfazendo o passar dos anos. Me tornam de novo jovem e aliviam meus medos próprios de quem está próximo da melhor idade. Tenho filhos que me adotaram e que me amam, simplesmente. Não existe viagem inadiável no tempo que transforma crianças em adultos. Mas, existe a viagem ao que já foi…
E, para a mãe que sou destas crianças de ontem ou de hoje, não há acontecimento mais incrível do que o momento em que posso abraçá-las, nas lembranças de ontem, ou na realidade do hoje, já adultos.
Imagem antiga do meu interior
Sossego!
Ruas de terra batida, cheiro da poeira fina, barulho de pés pisando o cascalho.
Sombra fresca do caramanchão.
Descanso da lida após almoço farto. Prosa boa ou cochilo. Tanto faz!
Na vendinha da esquina, fumo, cereais, pinga da boa, chapéus…e a caderneta do fiado.
Mães amorosas, pano branco na cabeça, levando os filhos para a escola.
Pracinha coroada pela pequena matriz de São Bernardo.
Janelas e portas sempre abertas, acolhedoras.
Na torre única, ninhos de andorinhas e o toque do sino que me toca.
Repica alegre anunciando uma boa nova?
Ou tange triste no adeus a alguém que sobe para morada final.
Que fica lá no limite da vista.
Entre a terra e o céu.
Como um aviso: É preciso apreciar, sem limites, o que o olho vê ou o coração sente.
A imagem antiga do meu interior, encanta o meu presente.
Meu trabalho:
interação de elementos paradoxais
realização e alienação
repetição e criação
exercício da vontade e constrangimento
palmatoria e aplauso
infantilização de sujeitos...
Ah, o olhar do meu pai!
Eram janelas que escancaravam o amor que transbordava do seu coração.
Que bom seria se todos os pais olhassem os filhos assim...
Pandemia
A saudade
é como um passarinho preso
na gaiola do meu coração.
Vontade de bater asas por aí...
Nas minhas paredes faço patchworks.
Presentes e lembranças de pessoas que moram no meu coração.
Paredes nuas são só muros.
Prisão.
