Sou Apaixonada pelo meu Namorado
Segredo
contei meu segredo pra lua,
pra ela e mais ninguém, ela guarda o meu segredo eu guardo o dela também
Entrelaça a tua mão na minha
Mais uma vez
Se ao meu lado
Tu se sente tão segura e bem
Repousa em mim
Vive em mim
Passa outra noite aqui
Aqueça esse peito
Que só bate assim por ti...
As minhas rugas e olheiras, são marcas de expressão do meu rosto, elas representam a beleza da passagem pela vida, apagar essas marcas seria rasgar o livro existencial de cada um, então o meu sorriso é como um livro que deve ser aberto sempre e lido com felicidades, e desfrutar de um bela arte da natureza.
A projeção que virou espelho
Achei que te via,
mas o reflexo era meu.
Tuas palavras vinham de fora,
mas quem as moldava por dentro
era o que eu queria ouvir.
Todas as vezes que olhava o pôr do sol no horizonte,
na verdade, era uma projeção de nós dois
iluminando meu inconsciente.
Uma foto sua e se abria um álbum em minha frente,
histórias criadas e até roteiros feitos...
Projetei um enredo,
acreditei no roteiro que escrevi sozinho,
e, quando o silêncio chegou,
percebi que o eco não era ausência tua —
era excesso meu.
Criado por um, mas pertencente em silêncio a dois.
Nesse excesso, criei um mundo todo só nosso —
mas apenas eu tinha acesso.
Hoje olho com carinho todo esse sentimento.
Não acabou, na verdade, é apenas o primeiro dia
fora do nosso mundo encantado.
O que doeu não foi perder alguém,
foi perder o personagem que inventei.
Descobrir que o amor idealizado
tem o brilho exato do pôr do sol:
belo, mas breve,
e feito de despedida.
Observando tudo que criei e senti ao longo desse tempo,
me vejo como um belo arquiteto,
porém, um péssimo projetista —
criei estruturas lindas, dignas de um conto de fadas.
Hoje vejo de fora o “nosso mundo perfeito”,
sem saber o que você acharia dele de verdade.
Hoje entendo:
a decepção é só a luz acendendo no cinema,
mostrando que o filme era projeção.
E no escuro que fica depois,
a vida me convida a assistir de novo —
dessa vez, com os olhos abertos.
Das cenas que eu mais gosto são os créditos.
Pois mesmo sendo o único colaborador físico dessa criação,
todas as cores e formas são méritos seus.
Lhe agradeço por fazer tanto por mim.
Nunca haverá mágoas em um mundo onde nunca existiram
dois corações batendo acelerados
por compartilharem o mesmo sentimento.
Amor, sinto tanto sua falta que parece que meu coração não aguenta. Cada lembrança sua dói e acalenta ao mesmo tempo. Quero te abraçar, ouvir sua voz e sentir você aqui. A distância não diminui o que sinto; só aumenta a certeza de que te amo como nunca amei ninguém. ❤️
Soneto do jardim
Você levou a melhor parte de mim
Por outro lado deixou no meu peito
Um belo, grande e lindo jardim
Lugar onde faço do amor meu leito
Vejo flores por todos os lados
Porém, em toda rosa há seus espinhos
Por isso, ando com todos os cuidados
Procurando você por todos os caminhos
Amo-te mais do que tudo
Sinto sua falta quando não te vejo
Conto os segundos para teu perfume aspirar
Infelizmente, na vida há algum contudo
Você é o que mais desejo
Como a mulher para a vida compartilhar
Eu me sinto perdido mais um dia, sobre essas sensações confusas e discordantes. Em meu corpo há uma luta eterna entre o ódio e o amor, ódio a todos que me rejeitaram, e amor ao que poderíamos ter tido. Amizades profundas ou até mesmo amores intensos. Como calibrar esses lados e conseguir viver sem tamanha angústia em meu peito. Sinto-me tão ferido, certos momentos é difícil falar ou focar na realidade. Penso como posso me manter caminhando se a cada vez que há uma pedra eu a vejo e sinto ela, tocando tua forma, vejo seus entalhes, passo dias fitando-a. Não é só uma pedra, é uma antiga montanha, ela se forma tão grande e cheia de significados, como ver ela como uma simples pedra e pular sobre ela? Só de imaginar ter que dar um passo sobre tal pedra minhas pernas perdem a força. Não é uma pedra, ela é a pedra angular que sustenta o muro. E por alguma razão me tornei o muro que ela sustenta.
VOCÊ MEU CALENDARIO
O vento passa na janela
Calendário que se foi
Vidas imaginário colorido
Amor
Dolorido de
ciúme
Desbotado, sem perfume
Passos de idas
Passos de volta
Acolho teu caminhar
No meu peito
Em uma paixao
Que não me solta
Consertei meu jardim —
as flores voltaram a sorrir,
o vento brinca entre os ramos
e a terra respira por vir.
Mas hoje há muros altos,
feitos de calma e cautela;
onde antes havia frestas,
agora há grades, sentinelas.
Entre as rosas, pus tranças,
raízes firmes, seguras;
nenhuma lagarta ousada
ultrapassa minhas muralhas puras.
O jardim segue belo, enfim,
mas aprendeu com a dor:
flores que um dia sofreram
agora florescem com amor —
sem deixar de lembrar
quem tentou roer seu florir interior.
Parei de correr atrás de quem não me dá um "bom dia".
Meu tempo é muito valioso para perder tempo com quem não tem tempo pra mim!
O PAI E A SAUDADE
Meu pai, foi-se cedo.
Fugiu.
Meu Deus, credo
Que meu pai partiu
Cansado,
Martirizado,
De tanto me ouvir,
Insistir,
Perguntar:
Porque me construíste, pai!?...
A mim, um vivo-morto
Cada vez mais vivo na morte
Que se fosse de outra sorte
Eu sentiria conforto
Se te tivesse comigo
Como aquele amigo
Que além disso é pai
E a gente pensa
Mesmo na descrença
Que ele, nunca, mas nunca se vai.
(Carlos De Castro, in Há um Livro Muito Triste Por Escrever, em 23-10-2025)
Fones no ouvido, silêncio absoluto no quarto, olho para o teto branco, as batidas do meu coração, o som da minha respiração e gritos internos.
Dou play no tocador, fecho os olhos, sinto meu coração se juntar a melodia. Tudo parece tão simples, tão fácil.
Escrevo e escrevo e nada faz sentido, nada nunca faz sentido, mas eu sei, ela também sabe.
Eu sinto saudades de 2015, sinto falta dela também, das conversas e de como tudo se mostrava tão leve.
Penso em muitas palavras das quais não posso pôr no papel, como parte disso, guardar num potinho que parece casa, enterrar a chave e mudar de bairro.
Passei na frente algumas vezes, gostava de olhar a imensa e linda árvore que tinha na frente da casa, colhia algumas rosas do jardim, bem, outras já estavam mortas, e eu nunca mais plantei nada, não podia, o que eu colheria? Espinhos.
Faz um tempo que não passo em frente aquela casa, não sei se a árvore morreu, se o jardim foi coberto por folhas secas e sem vida, se a tinta da parede ja perdeu a cor, não sei. As vezes sinto vontade de ir lá, mas já não mora mais ninguém que eu conheça naquela casinha. Guardo uma foto, uma única foto de quando tudo era lindo, feliz e colorido. Prefiro essa lembrança as que tenho agora...
Abro os olhos, dou uma leve risada, coloco os fones ao lado da cama e adormeço. Mas meu coração nunca dorme, ele sente saudades de ir naquela casinha. Ele sente saudades dela.
As palavras mais belas que escrevi nasceram do silêncio do meu coração quando ele sussurra teu nome… porque em cada batida há poesia, e em cada verso, o eco suave do nosso amor.
