Sorriso
Sorrisos expressam passagens de vida. Sempre renovados, porque sorrir, é existir em todos os lugares.
Primavera: o olhar une-se ao sentimento; Verão: movem-se os sorrisos em direção ao ósculo; Outono: a saudade conserva o beijo em todos os lugares; Inverno: recupera-se o beijo ou deixamo-lo voar em todas as estações…
Sorrir com frequência para a Vida, ouve-se a alma em estado vibrante e permanente de felicidade. É esta a filosofia que faz chorar a infelicidade.
Quando o meu olhar observou o sorriso dos teus olhos, percebi que comecei a amar-te sorridentemente.
Desnatado Natal
Vagarosamente os flocos brancos
vestem as árvores e as ruas.
Pulam sorrisos nas mãos das crianças.
Casas adornadas de esperança
com pisca-piscas de mil cores
estampadas em portas coroadas de azevinho.
Fazem-se partir milhões de pedidos
aos confins da Lapónia,
sonhos embrulhados de inocência,
alarvemente aproveitados
pelo incessante consumismo.
À medida que o vento faz o playback da harmonia,
o Mundo fantasia-se de bondade.
A solidariedade incentiva a humanidade
a um consoado cessar-gelo,
comovem-se corações e Invernos
num calor humano que não aquece a verdade.
E a vocês, que fazem da rua a vossa cama,
das estrelas o vosso tecto, não têm sonhos,
[mas sabiamente observam
esses sociais mendigos corações
nos seus costumes no desnatado Natal],
abro as portas da minha casa,
ofereço-vos a minha mesa,
o calor do meu abraço,
e o sentimento deste poema:
o Natal é uma camuflagem
passageira no coração das civilizações.
