Sonho Perdido
A LUA E AS ESTRELAS
E se eu não tivesse um sonho
O que eu componho
Mentiria
Mas a ilusão
Que me ergue como um pêndulo
Acalanta a fantasia
Já sei ser triste
Nesse vai e vem,
Nesse balanço
É triste ser feliz, eu já fui triste um dia...
Amanso o meu espírito com tua presença,
Com a tua voz eu danço...
Tua voz é melodia
Eu sou tão triste...
Noite passada,
Passada a noite,
Passadas e mais passadas
De mim mesmo
Eu te vejo num luau
Sob tudo que tem sobre tua cabeça
A razão que te devora
De fora pra dentro
De dentro pra fora
Você é tão feliz... e isso é triste
você tem tudo
Mas você não sabe o que é ter a lua e as estrelas...
Meu sonho
É só um sonho
Eu sonho só
E e o sonho é só meu
E por sonhar sozinho
Eu me avizinho ao sonho
Me descomponho
O sonho sonha eu
Sonho...
Às vezes eu sonho;
A brisa entra pela porta do quarto
E areja o meu sonho...
O café ferve e cheira
Alimentando o meu sonho
O sol invade pela manhã
O meu quarto e acorda o meu sonho,
Mas a brisa continua arejando,
O sol aquecendo,
O café cheirando,
Ela esfrega os olhos...
E me fala de sonhos...
REFERÊNCIAS
Depois de todas as lembranças tinha o sonho; o rio estava seco, a terra rachada como sua mãe contava; as carcaças dos animais em decomposição exalava um odor insuportável; uma mãe raquítica e maltrapilha conduzia sua criança por uma estrada sinuosa e poeirenta... jamais soubera explicar tal sonho. Ainda tinha as lembranças da mãe e conhecia as histórias tristes das secas mais duras, uma delas levara a sua mãe e fizera migrar o marido, que raramente mandava notícias. A estrada poeirenta dera lugar ao asfalto, que tornava o ato de migrar muito mais fácil, apesar de que, há alguns quilometros já se aproximava um sistema de irrigação. A terra ainda ardia, mas tinha anos com invernos rigorosos mudando totalmente a paisagem e o rio mostrava se caudaloso esverdeando os horizontes. Era motivo de júbilo e comemoraçãoes por todos do lugarejo e de uma forma geral por todos que dependiam do cultivo do solo ou da piscicultura, mas no fundo a aridez já estava em nossas almas, e o sonho não não mudava: o rio seco, a terra rachada, as cárcaças, a mãe maltrapilha e ráquítica conduzindo a criança.
um dia widelário apareceu, trazia uma mochila e muitas desilusões, surpresa pra si mesma foi a sua indiferença a ponto de não fazer nenhuma cobrança. Percebeu que somos como a terra, que precisamos de “chuvas” ou a gente seca. Esteve seca por muito tempo, árida como aquela terra estéril. Hoje os tempos são outros, tem chovido com frequência e sua filhinha Primavera já conta com um ano e alguns meses. Ainda sonha, outras paisagens ou antigas referências mais sonha... percebeu que não há vida sem sonhos.
SAMBA ENREDO
Porque fico mudo
Às vezes me iludo
E sonho,
Componho o absurdo que sou
Barracão vazio com teto de zinco
Fantasias despidas em abstrações,
Um samba silente
Num ritmo dolente
Tocando em mil frustrações,
Vagalumes são os lumes das estrelas
Que entram pelas frestas do zinco,
O que sinto não presta,
O que presta não sinto,
Absinto me traz teu olhar,
Licor de tangerina a me embriagar...
Enredo a saudade às minhas mágoas
E tenho medo,
Meu samba enredo usa fraldas,
É uma criança, choraminga
Versos, estrofes e rimas
Sem nenhuma esperança,
Mas fala de amor
Homem sem Fé
Autor: Tadeu G. Memória
Existo na vida e vivo num sonho
Morro no dia a dia e me enterro na letargia
Existo no sonho de todas as coisas incríveis quer não existem.
Faço amor mas não amo o que faço,
Ou amo o que faço, mas não faço com amor.
Eu sou homem,
O homem sem nome, sem onde, sem fé.
Sou parte do que componho,
Sou metade verdade, metade sonho.
Existo num sonho ou sonho que existo.
Sou homem,
Tenho dois olhos que só acreditam no que vêem
Ou só vêem o que acreditam.
Tenho uma boca que sente fome,
Ou pressente a carne,
Tenho mãos que se pedem pra abrir,
Mas só abrem pra pedir.
Tenho um corpo que tem necessidade de sentir,
Mas só sente necessidade.
Tenho um sorriso que só contrai,
Tenho um rosto que é só estampa,
Tenho um perfil que se envolve com o tudo
Mas absolve no nada.
Existe nisso tudo, e por isto tudo persisto na inexistência.
BARQUINHO DE PAPEL
De vez em quando vou a praia
Não com a frequência de antes,
Mas ainda sonho diante das ondas...
Se eu fosse um peixe eu já teria sido pescado
Se eu fosse uma embarcação já teria naufragado...
Talvez tenha acontecido em outras vidas
Com peixes espadas e um navio fantasmas
Com degoladas namoradas
Que amei intensamente e nunca as tive...
Mas ainda sonho nessa imensidão de vagas enormes
Como um barquinho de papel que sobe e desce nessa ilusão
Que viaja no passado e de vez em quando vai a praia,
E não com a frequência de antes, mas ainda sonha...
Voar e Voar o sonho de ÍCARO que passou da mitologia aos nossos dias como das coisas mais triviais. Voamos através de máquinas, mas levitar e voar sem nenhuma tecnologia apenas com estímulo do pensamento, é um sonho e sonho que não queremos acordar, no meu caso. Recebo uma paz, harmonia infinita, incomensurável e celestial. Pena que são raros. Creio que se fosse constante e comum a todos, nosso planeta seria uma sucursal do paraíso, um reino feliz.
Um felizardo sonhou com a realização de um sonho: a “IA” (inteligência artificial) disponibilizou a máquina do tempo. Poderia escolher a data, mas somente para o passado, uma única vez e por apenas 5 minutos. Antes de acordar, ainda no sonho, se viu velhinho e que felizardo era literal, pois no balanço da sua vida a conclusão que foi feliz, pela oportunidade e privilegio dos iluminados 5 minutos.
Steve Jobs disse: “cada sonho que você deixa pra trás, é um pedaço do seu futuro que deixa de existir”. Bacana na adolescência, juventude e meia idade mas, quando chega a maturidade e plena, o futuro já chegou, sonhar bacana é com o próximo dia e, para alguns, felizes em viver na realidade do sonho no mundo da lua.
Acordar com a vontade de falar, de escrever tantas coisas de um sonho feliz - tão feliz que embaralha e enrosca, sem saber por onde começar, tamanha felicidade. Parece que a mente dá um nó, com o objetivo de guardar só para si, com absoluta exclusividade, um momento tão mágico e iluminado. Mas, pelo privilégio, com digno registro.
Sonhos Traídos
Um sonho quando traído,
Transforma-se em pesadelo,
Fica a vagar em um mundo imperfeito,
Aquele que um dia sonhou,
Todos os planos abandonou,
Deseja então, tornar-se um sonho novamente,
Um sonho bonito, um alto ideal,
Tem sua morada no plano astral,
Depois de traído, ele cai para o plano astral inferior,
Onde passa a viver com mentiras e más intenções,
Ai deste sonho, ai de seu sonhador,
Estão sempre ligados,
Tendo esta relação marcada pelo ódio,
Causando dor devido ao enorme rancor,
Por mais que tentemos os sonhos não podem ser destruídos,
Ao se sentirem esquecidos,
Se tornam algo horrível,
Estes são os sonhos traídos.
( Este poema foi inspirado pelo livro de "Contos de Horror e Mistério" do meu professor " Orestes Jayme Mega")
SOBRE O NOSSO EU
Há quem ache que a verdade obedece ao seu sonho, seja ele qual for. Pensa que viver é uma espécie de tapete fiel aos seus passos. O que não sabe mesmo, pois é muito arrogante para saber, é que acabará se perdendo no moinho dos fatos, por tanto olhar de viés o que jamais viu... Não viu, porque não quis ver.
Ninguém cai um dia neste plano, se não é para se ferir. Ninguém vem destinado a ser protegido contra o que será, pois o que será tem que ser. Já pertence mesmo ao caminho. Cada farpa que nos atinge rumo adentro é uma vacina conveniente contra nossa empáfia. Quem não é vacinado, ao fim da vida não terá vivido.
Será sempre bem-vindo para o ser humano esse hábito de sonhar acordado. Não se pode mesmo fugir de uma boa ilusão, e quase todas são boas, mas uma coisa é certa: Ninguém deve perder o chão enquanto isso, para que a queda eventual, quase certa, não seja no abismo... Naquele velho poço que não tem fundo.
Convém sabermos que o nosso mundo é de quedas... De quebras e remendos... Mesmo assim, viver é bonito e gratificante. Para isto ser possível, temos que levar os olhos para bem depois do cenário que só julgamos ideal porque rima com as nossas visões. A vitória está, muitas vezes, nas renúncias ao nosso eu.
JU
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Dorme o sonho de um anjo que acredita
nos poderes de um pai que tudo pode,
vence a cripta, o fogo, as forças cósmicas
ou as tramas ocultas dos mortais...
Põe a vida nos vãos da minha mão;
na leitura suave dos afagos;
no sermão dos meus olhos que traduzem
meu amor infinito; sem medida...
Pousa e dorme, acredita em seu herói
que não teme vilão, monstro noturno,
sara medo e dodói; assusta o susto...
Só eu sei que no fundo ela me salva;
tem a força, o poder, guarda meu mundo
e não deixa minh´alma se perder...
FORA DE MIM
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Perco todo esse tempo que tenho a ganhar,
quando sonho apressado e desprezo critério,
pois o mundo é mistério por ser desvendado
e voar nos exige visão de horizonte...
Já perdi muita vida por saltar no escuro,
por querer em excesso e me soltar ao léu,
rabisquei tanto céu e terminei no chão
do futuro passado, perdido e no fim...
Hoje quero conter os impulsos incautos,
o meu tempo de saltos avançou a idade,
mas às vezes esqueço que cheguei aqui...
E me perco nas perdas do tempo já gasto,
me devasto e jamais me replanto a contento,
porque tento correr para fora de mim...
FLOR DO SONHO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Tenha um sonho que o tempo não possa roer
ou roubar sua essência na marcha dos anos;
risque um traço afetivo que leve ao destino
entre perdas e danos de qualquer caminho...
Faça ninho por dentro, pois o vento arrasta
o que só se mantém à fina flor-da-pele,
sele a vida e cavalgue por suas certezas
do que busca e deseja com sinceridade...
É no traço afetivo que surge o desenho;
um engenho do mundo sonhado pra si,
mesmo sendo preciso apagar muitas vezes...
Erre muito, mas erre agarrado ao projeto,
redesenhe seu mundo quantas vezes for,
seu amor pelo sonho cuidará do resto...
