Soneto da Saudade
Não consigo compreender a saudade. É tão estranha que me causa beleza e dor ao mesmo tempo. Saudade tem nome, sobrenome e endereço.
A saudade chega no crepúsculo do entardecer, onde recordo seu passar luzindo pela última estrada percorrida, para que juntos pudéssemos planejar seus mais alguns dias.
O Brasil é o país da nostalgia. Vive-se no ontem, no antes de ontem. É uma saudade eterna, declamada ao som da melancolia. Alguns ainda insistem na monarquia, outros se lamentam nostálgicos até do fim da ditadura. Ancorados num passado que não fabrica peças de reposição, assim nos tornamos cemitério de tudo, um povo aos prantos pelo que se esvai, um museu sempre lambido pelo fogo, ferro-velho de memórias que se decompõem a céu aberto.
Saudade daquilo que não se pode postar, porque a inveja alheia é tão grande que tenho medo de estragar
"Para não importunar teu silêncio, calei minha saudade que chora, digita e apaga por falta de coragem."
"Quando eu sonhava a noite, acordava e sentia tua falta, você não estava...Restava a saudade, dormia e sonhava novamente para poder te encontrar."
E quando você pensar que não, vem sempre a saudade com uma máscara do dia das bruxas lhe assombrar pelas noites sombrias.
A distância faz esquecer, mas a saudade faz lembrar. Recordar é viver, enquanto o sentir fizer sentido.
Saudade é como o nó que ata e desata quando retornamos a nos ver, porém nunca se sabe quando isso acontecerá, somente o tempo que voa como o vento, e carrega em seu fôlego a folha da árvore a brotar...
Se a saudade bater veste aquela camisa folgada que você guardou dele, fecha os olhos e lembra de quando ele te abraçava trazendo paz.
