Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
O que acontece quando um planeta com recursos limitados, encontra uma criatura com estupidez ilimitada?
Meus amigos não são doces, eles são amargos e sempre prontos para me detonar quando encontram um defeito. Nunca elogiam sem que isso seja verdadeiro. Quem disser que isso não é amizade, não faz ideia de que estas tem a tendência de ser as únicas pessoas que estarão ao seu lado numa necessidade real!
De qualquer forma, o fogo não importa. Haverá outros incêndios, meu amor, e sobreviveremos a todos eles.
Estudamos o passado para que possamos conhecer o futuro. Por que não estudar no exterior, para que possamos nos conhecer?
Um verdadeiro amigo conhecerá o seu coração, e ouvirá o rugido das águas correndo e o vento distante sobre as montanhas na canção da sua cítara, sem a necessidade de você falar em voz alta.
Meus dedos estão em silêncio. O silêncio do outono quando tantas folhas estão caindo na passagem para uma nova estação. Minha boca aguarda em silêncio. O silêncio “das línguas cansadas” ansiosas por uma nova linguagem. Meu ouvido se aquieta em silêncio. O silêncio de quem necessita ouvir o que diz o universo. Meus olhos dormem em silêncio. O silêncio de quem reconhece a urgência de enxergar o invisível. Ah! Mas esse meu coração menino não consegue ficar em silêncio. Inconsequente, irreverente, leviano, quer soltar pipas, rodar pião, pular corda, bolinha de gude, carrinho de rolimã, amarelinha. Ainda quer bater palmas, cantar a canção, ouvir histórias, ver o mundo. Insiste ainda em brincar de esconde-esconde com a vida.
