Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
*08 de Janeiro - Dia do Fotógrafo *
Ode ao Fotógrafo (2)
O Fotógrafo
arranca a poesia
das entranhas da paisagem,
violenta o segundo
antes que ele apodreça no tempo.
Caça o instante
com olhos famintos,
respira luz,
sangra sombra,
dispara o silêncio.
Congela o que nunca mais será,
fere o fluxo da História
com um corte preciso
e chama isso de memória.
Não pede licença ao mundo:
invade, captura,
expõe a nudez do real
sem filtros morais.
Fotografar
é um ato de risco,
um confronto direto com o efêmero,
uma emboscada armada
contra o esquecimento.
O Fotógrafo sabe:
toda imagem é um grito
preso num instante
que se recusa a morrer.
✍©️ @MiriamDaCosta
Escrevo porque não sou
muito propensa a falar
e porque escrever
é a forma que encontrei
de me manter sã
em um mundo doente.
Escrevo porque a fala me fere,
me atravessa,
me expõe demais
num mundo quase surdo.
Escrevo para não adoecer
junto de um mundo enfermo
que normaliza a loucura
e estranha quem ainda sente.
Escrevo porque o silêncio
me entende e traduz
melhor que a voz.
Escrevo para permanecer inteira
enquanto o mundo
adoece de si mesmo.
✍©️@MiriamDaCosta
Autodidata,
aprendi datilografia
nas tardes lentas
em que escrever
era o meu brinquedo secreto,
o meu passatempo preferido
de menina
que já pressentia
o destino das palavras.
✍©️@MiriamDaCosta
Escrita e Sentido
Pode ser que alguém
lá fora, longe de ti,
precise adentrar-se na tua escritura
e emergir nas mensagens
que dela brotam,
como quem busca ar
no fundo de si
e encontra, nas tuas palavras,
um sopro de sentido
para continuar...
✍©️@MiriamDaCosta
Os versos dos poetas
são unguentos sagrados
derramados em silêncio
sobre corações cansados
de atravessar o tempo.
Tocam onde as palavras comuns
não alcançam,
curam fendas invisíveis,
acendem pequenas luzes
nos templos da memória.
Ah! As palavras poéticas
das almas aladas
( sacerdotes do indizível )
são sopros de eternidade
emprestados às almas humanas
que ainda creem
no milagre do sentir.
✍©️@MiriamDaCosta
Sem equilíbrio,
a realidade nos embrutece.
Mergulhar demais no cotidiano cruel
nos faz emergir desumanizados:
cínicos, debochados, frios,
calculistas e perigosamente cruéis.
Toda imersão profunda
cobra um contrapeso.
A arte não é luxo,
é sobrevivência.
A poesia, a música,
ler, escrever,
silenciar junto à natureza,
conviver com os animais
sem arrogância
são pequenas doses de sanidade
num mundo que insiste
em nos adoecer.
✍©️@MiriamDaCosta
É preciso equilíbrio.
Sem ele, a realidade, dura e crua,
nos afoga em suas correntes
e nos devolve à superfície
endurecidos, cínicos,
friamente calculados,
distantes do que pulsa.
Toda imersão exige cuidado.
Até o mergulho na verdade
precisa de ar.
A arte é esse respiro.
A poesia, a música,
o gesto silencioso de ler e escrever,
o encontro mudo com a natureza,
o respeito na convivência
com os outros animais
nos lembram
que viver não é apenas suportar,
mas também sentir.
✍©️@MiriamDaCosta
A visão e a indignação seletivas dizem muito menos sobre o mundo
e muito mais sobre quem olha para ele.
Pensar isso é reconhecer que, muitas vezes,
a indignação não nasce da injustiça em si,
mas da conveniência.
Indigna-se quando dói no próprio território,
silencia-se quando o dano beneficia, protege ou confirma crenças.
A visão seletiva é uma forma sofisticada
de cegueira:
olha, mas não vê;
vê, mas escolhe esquecer.
E o que dizer?
Que a indignação seletiva não é ética,
é estratégia.
Não é consciência,
é cálculo moral.
Não é empatia,
é espelho.
Ela grita contra certos absurdos
enquanto cochicha cumplicidades
diante de outros.
Aponta o dedo com uma mão
e tapa os próprios olhos com a outra.
Talvez a frase mais honesta seja esta:
Quem escolhe quando se indignar
já escolheu de que lado não está.
✍©️@MiriamDaCosta
A indignação seletiva
não nasce da justiça,
mas do interesse
bem vestido de virtude.
Quem se indigna por conveniência
não defende valores,
defende posições.
✍©️@MiriamDaCosta
O agente secreto , Golden Globes 2026, Globo de Ouro...
Wagner Moura, como outros representantes da arte em geral no Brasil, superou ele mesmo!
Superou a política anti cultura que imperou na nossa Nação.
Superou a cultura do viralatismo.
✍©️@MiriamDaCosta
Mistério e Loucura
Ignoro minha origem,
me escapa o meu destino,
sabe-se lá, qual...
Caminho entre mistérios,
habitante do enigma,
tentando compreender,
com mãos trêmulas de sentido,
de versos e de interrogações
este mundo estranho
e muito louco
em que respiro, escrevo e
sou vida.
✍©️ @MiriamDaCosta
Meus olhos cevam-se
enquanto devoro palavras.
Ler é nutrir a alma
faminta de sentido
num mundo que a esquece
à míngua.
✍©️@MiriamDaCosta
Sou fascinada pela palavra
em estado bruto,
antes da forma,
antes do adorno,
nua, crua e cortante
quando ela ainda sabe golpear.
A palavra que toca fundo,
que atravessa,
que deixa marcas.
Escuto-a ao contrário,
como quem busca
o eco secreto do sentido,
e nesse movimento
me deixo avassalar
avassalando.
Quando preciso vesti-la,
faço-o com deleite,
como quem escolhe
um tecido tênue
para a própria alma.
Mas meu amor maior
é pelo seu avesso silencioso,
aquele que só responde
quando tocado no escuro,
onde os significados sangram
em sentimentos vivos.
Sou excessiva
e visceral na linguagem
e delicada no gesto,
habito o extremo
e me encanto com a ternura.
Vai entender…
sou palavra em contradição viva.
E nessa contradição linguística,
entre visceral e tênue,
os meus versos harmonizam-se
na minha essência.
✍©️@MiriamDaCosta
Oh! Outono!
Volta para os meus braços.
Já não suporto o calor excessivo do verão.
Vem, refresca os meus dias
e embala as minhas noites com frescor.
Oh, Outono,
retorna ao abrigo do meu colo.
O verão me exaure
com seu fogo insistente.
Vem com teus ventos mansos,
refresca esses dias febris
e derrama silêncio fresco
sobre minhas noites.
Oh! Outono…
volta para os meus braços sedentos.
O verão arde demais em minha pele e na alma.
Preciso do teu sopro âmbar,
das folhas que caem como suspiros,
do frio suave que acalma o corpo
e adormece os pensamentos.
Vem…
refresca meus dias abafados
e devolve às minhas noites
o direito de respirar.
✍©️@MiriamDaCosta
Ode à cor laranja ( minha cor preferida)
Laranja é o incêndio manso
entre o grito do vermelho
e o riso do amarelo.
É o sol quando desaprende a ser astro
e resolve escorrer
pela paleta da tarde.
Cor de fruta aberta,
de sumo que explode
nos lábios da vida
de fome boa,
de poesia viva,
de desejo sereno
que não amarela com o tempo.
Laranja é a coragem
em estado morno,
não a fúria,
mas a chama que insiste
quando a noite ainda ameaça.
É o outono aprendendo a ser arte,
folhas que caem
sem culpa,
sem drama,
apenas porque amadureceram.
Laranja é o pulso da criação,
o instante em que a luz hesita
antes de virar memória.
Cor do entre,
nem começo, nem fim,
mas o salto.
Ó laranja,
ensina-me a existir assim:
intensa sem violência,
viva sem excesso,
ardendo sem me consumir.
✍©️@MiriamDaCosta
Às vezes é urgente
desligar-se do mundo
e de suas loucuras tóxicas
que escorrem pelas veias do cotidiano.
É preciso uma desintoxicação radical
do mal entranhado
nessa realidade coletiva adoecida
em que somos constrangidos em sobreviver.
Ser loucamente são
não é escolha estética,
é prioridade vital,
para não adoecer
da insanidade generalizada
que grita, contamina
e se normaliza.
Se o mundo padece
de uma doença profunda
em tudo e por tudo,
que nos salvemos, então,
com a ousadia
de uma sanidade fora do padrão.
A poesia, a arte, a música,
a natureza
(esses bálsamos indomáveis)
ainda nos mantêm vivos
onde tudo insiste em apodrecer.
✍©️@MiriamDaCosta
Nos teus braços
eu fui um esturrar
mas parte de mim
foi um querer fugir
e desflaldar...
Desculpe... mas a minha sina ,
sempre foi querer
seguir o Mar.
✍©️@MiriamDaCosta
Oh, Itaipu!
eu me desfolho em cada alvorada
no sal do ar, nas pegadas deixadas
na areia que me conhece por dentro,
e sabe do silêncio que carrego no centro.
Tuas águas são espelhos do que fui
e do que ainda serei...
quando me recolho às margens da tarde
e o céu se tinge de tons que só tu sabes dar.
Oh, Itaipu!
tu és poema que me atravessa em ondas
e em cada revoada de gaivotas que ronda
eu me reencontro inteira,
feito concha que escuta a si mesma.
✍©️ @MiriamDaCosta
Num mundo tão obeso de nada,
onde as pessoas são anoréxicas de sentido
e bulímicas de insanidades e descontroles,
vou usando a minha caneta emagrecedora,
tentando equilibrar
o peso
e o sentido das palavras
nos surtos poéticos e filosóficos
do meu âmago.
✍©️@MiriamDaCosta
Mulheres! ( Feminicídio - Brasil)
Leiam, reflitam e ATENÇÃO!!!
“Melhor que nada!”
— Não. Melhor nada.
Pensem com cuidado antes de se envolverem emocionalmente com qualquer exemplar masculino da fauna humana.
Verifiquem antecedentes, consultem registros públicos , o #JusBrasil está disponível para isso.
Informação também é forma de autoproteção,
procurem uma instituição de apoio à mulher,
uma ONG, uma delegacia da mulher, uma instituição social, o que houver...
Peçam orientação!
Não tenham medo.!
Nem vergonha.
As estatísticas mais recentes são alarmantes.
O perigo não é exceção.
É estrutural.
Todo cuidado é pouco.
E toda mulher tem o direito de permanecer viva, inteira e livre.
✍©️@MiriamDaCosta
