Soneto da Falsidade de Vinicius de Moraes
O desesperado se apega a qualquer fator que lhe traga paz de espírito. Encontrei em andanças, vidas que se dividiam em manias, tracei um plano que exclui tudo que eu não estava pensando. Meu ego é o prego que afunda depois da batida do martelo, prefiro o dialeto eclético, no mínimo cético, racional ao ponto da desconfiança. Cansei de aceitar tudo pra te agradar. Agora me encontro em momentos de reflexão, onde cada passo é um tijolo que sustenta a construção.
A ansiedade antecipa a morte em recortes, o coração é um ato de honestidade, frente a roteiros de herdeiros dessa cidade. Necessidade de auxílio, recluso, incluso, suspeito, frente a necessidade de atenção, ninguém sabe porque veio, tem horas que tudo me irrita, deve ser essa ansiedade que me revisita, sempre me lembra do estresse de lidar com situações, percebi na vida que nada é por acaso, tudo tem seu motivo, o olho que percebe carrega consigo o segredo, olhares em meio ao nevoeiro, me perdi em caminhos que juravam me guiar ao sol, cheguei as nuvens e observei o quando somos pequenos, vi um carro desgovernado acabando com o que foi belo.
Na madrugada, ela ainda vem me visitar; de manhã, sua voz sussurra quando eu acordar. Começo a refletir e logo passo a escrever. Na vida só vale a pena sentir antes de morrer. Depois da esfera não sei o que me espera, tomara que minha vida tenha valido a pena. Somos maquinistas de um trem sem trilho, nem eira, nem beira. Cresci comendo sucrilhos, depois me estraguei na bebedeira. Sorriso esquecido na lixeira. Somos todos ovelhas. Me estresso com o que não entendo, ignorância quando não me atrevo. Não confio em trevo, leio e escrevo. Se vejo, percebo. Se persisto, aprendo. Se sinto é porque tô vivendo.
