Somos Ligados pelas nossas Alma
O amor-próprio é o alicerce mais antigo da alma, o único lar seguro e o primeiro ritual ao cruzar essa soleira é o perdão visceral que demola todas as acusações.
Puxe o ar até o fundo da alma, que o caos ululante do mundo seja um som distante, pois seu peito é um santuário autônomo onde a tempestade externa não tem permissão para entrar.
A alma é a verdade nua que não conhece o ardil nem a mentira, o corpo é o mensageiro de carne que, através da dor e do prazer, é forçado a traduzir sua fala. É preciso aprender a escutar o corpo para compreender a linguagem da sua essência mais profunda.
A alma não se revela nos dias de glória, mas nos instantes em que nenhum aplauso existe para sustentá-la. É no silêncio onde a verdade surge sem maquiagem, expondo as rachaduras que insistimos em esconder. Só na nudez da vulnerabilidade percebemos o tamanho do peso que carregamos. E às vezes, o maior milagre é continuar caminhando mesmo sem saber para onde ir.
A alma tem caminhos que nenhum mapa traduz. Ela se curva, se esconde, se revela apenas a quem tem coragem de vê-la sem filtros. E quando finalmente se mostra, não apresenta beleza, apresenta verdade. E a verdade, essa sim, cura e fere ao mesmo tempo.
Há dias em que a alma parece uma casa sem teto: tudo entra, tudo molha, tudo desaba. Mas mesmo nas ruínas, algo dentro pede reconstrução. E esse pedido é prova de que a esperança, embora pequena, ainda respira. Respira fraco, mas respira.
Meu corpo já desistiu muitas vezes, mas minha alma nunca. Ela conhece caminhos que a dor não alcança. E quando tudo parece perdido, é ela que me puxa de volta ao fôlego. Esse fôlego é Deus, o resto é sobrevivência.
A luz intensa do farol feriu meus olhos, dividindo a noite e revelando a verdade nua de dez mil almas emudecidas.
Quando chego ao limite, finjo que não sinto o frio. O corpo anestesia, a alma não, esta última é outro animal. Ela late na escuridão, pede por pão e silêncio, e eu aprendo a oferecer o pouco que tenho: o meu tempo.
Existem amores que não querem durar, apenas incendiar a alma, como uma ária final que explode antes do fim.
A dor não é um erro do caminho, mas o martelo da providência que molda a alma para o propósito eterno, ensinando a verdadeira sabedoria que não se compra com ouro, o sofrimento de hoje é a escola que capacita o líder de amanhã, e o coração quebrantado é o único altar onde o Divino aceita a oferta de louvor, transformando a cinza em coroa de glória.
O toque mais profundo é o que a alma dá, e não a mão, é a conexão que dispensa a presença física para ser sentida.
Minha alma cansou de avisos ignorados, hoje falo menos e observo mais, a verdade aparece sozinha, para quem sabe ver, eu sei.
Quando o coração se expressa, esculpe-se sempre algo de sacro, e, desse modo, toca-nos a alma, independentemente de outras razões inválidas para a Arte.
