Som
Composição dum Nada
Ao som da orquestralma, que solenelucida
nossa antiga caosciladora descida,
subimos agora escada avulsa e comprida.
Tal como composição por aglutinação,
tornamo-nos um. Para isso, perdi-me
em ti, que te perdeste em mim. Por tanto,
perdemo-nos em nada. Por quê?
Somos um, somos nada.
Ser que me envolve e tem, ancião
tu és de mim. Já que sou tu,
me chame pelo teu nome;
já que és eu, fogo cru,
chamarei-te pelo meu.
Porque te necessito assim como ar.
Porque te almejo assim como andar.
Porém estou sufocada por esse nada
e paralisada por aglutinação indesejada.
O campo
Em um campo
esverdeado,
Onde o som do vazio é constante
O sentimento ruim não pode ser evitado.
É o que a neblina me diz a todo instante.
Carros vão e voltam...
Os pássaros cantam bem baixo
E eu não espero que eles mintam...
Pois, estou calmo como um riacho.
A lua ilumina o belo campo
A paz habita aquele local.
A tristeza que me consumia me tornou franco
E me fez saber que ali nunca houve mal.
Som ao peito, que se finge fielmente de surdo quando a ave, que, voou além do quê meus olhos enxergam.
Foi no som da tua voz, que se fez caminho, por onde me guiei. Minha escolha foi seguir até te ouvir novamente. Isso é sobre alegria de amar sem ter que possuir.
Mesmo que eu não possa te ver sei quando se aproxima, sei porque sinto o seu cheiro, conheço o som do seu caminhar.
Ainda que acusada, julgada e não mais entoasse o som de meu nome, nada poderia apagar as lembranças de minha passagem.
Reflita na força ressurgindo no raiar da aurora, renascendo como som da musica nos olhares, de tambores da felicidade desta harmonia por nome vida.
Quão bom é, acordar ao som dos pássaros, e ver-se despida de tudo, despida de orgulho, despida de vaidade, despida do desamor, do desencanto e da incompatibilidade.
Assim você se olha no espelho,
E se vê como realmente é,
É aí que você pode escolher,
Onde, como, e se... Deve mexer!
A vida é rotulada, como:
Própria,
Como um sopro,
Como o "se não houvesse amanhã",
Como "espera o tempo de Deus".
Você é quem escolhe!
Você, é quem resolve onde se encaixa!
As consequências também são suas; mas aaaah! Que vida estranha, alguns escolhem seguir o caminho do "não arranha" e vivem pagando um sofrimento ao que seu olhar estranha.
Não tenho mais rotulagem,
Cada um a seu modo,
Seja livre para seguir,
Procurar evoluir,
Agora vou dormir,
Amanhã cedo acordo.
Amanhã eu escolho,
O que quero ou sinto ser,
Me redescubro no impensável,
Sou amor, sou poeta
Sou ódio, sou beata
Vivo letras,
Vivo da caneta prata,
Vivo do inimaginável.
Verde Natureza
Terra dos verdes pastos, ao som dos pássaros, encanto a alma. Cheguei no meu recanto, estou aqui em meu canto, onde acaba-se o pranto.
O lugar de riso fácil, de paisagem admirável, de presença incomparável.
Eu gosto mesmo é do campo, do verde, do silêncio, me amanso.
Ah, boba moça!
Se achava dona da cidade
Quando viu a felicidade
Escapar de suas mãos.
Foi no campo que ninguém viu
A menina se redescobriu
Dona desse mundão
Sua vida com certeza é
No verde natureza
Rodeada da criação
Já nos veneraram. Lembra-se? Eles se sacrificavam por nós. Hoje tem um nome diferente, mas ainda somos importantes para as pessoas desta cidade.
"Andei pelo mundo afora,intensamente vivi o agora, até gastar as solas do sapato.Vi som de pandeiro comendo mariola,vi mulatas sambar com a viola,vi samba ao som de cavaco.Esperei você chegar,com o peito a te amar,com o coração em puro caco!"
(Rodrigo Juquinha)
— A alma existe entre o cantar de galo e o som do nevoeiro em dias de pura noite por isso dormes numa cama e sonhas procurando tudo e o tudo que encontras é o nada !
MEU SILÊNCIO
Eu consigo ouvir o som ensurdecedor do meu silêncio.
Um silêncio que não é completo e nem poderia ser.
O pulsar de cada artéria do meu corpo grita mais alto que um agonizante soldado ferido.
Mas, as falas dentro de mim, tornam-me mais audível, viva, serena.
Quisera ser somente eu e o meu silêncio.
Necessário é que seja assim.
Calo-me diante do meu silêncio e busco compreendê-lo. Saio do mundo para entrar dentro de mim mesma.
Por vezes falo mais alto que a voz dentro de mim. Perco-me em pensamentos incompreendidos justamente pelo fato de não deixá- los falar.
Aquilo que não é necessário falar não deveria ser dito. Aquilo que não pode ser compreendido deveria ser falado. Por vezes as repostas estão nas horas silenciosas que insistimos em falar.
As vezes no silêncio de mim mesma ouço outras vozes agonizantes, todas fora de mim.
Muitos que não ouvem seu próprio silêncio buscam ser ouvidos por quem não poderia compreendê-lo.
Minha atitude diante disso é o silêncio, silêncio que fala, que sente, que ouve.
Há um certo egoísmo no meu silêncio, e um certo altruísmo comigo mesma.
Calem-se todos, e fale eu! Eu ouvirei meu próprio silêncio. Mas, serei solicita as vozes que me falam.
Ouvirei muito, ouvirei tanto, até compreender a razão do silêncio dessas vozes. Compreenderei o vosso silêncio, e entenderei o meu.
Enquanto ouvem-se as vozes, eu ouvirei o silêncio, e falarei a mim mesma o que é pedido que eu cale. E, neste meu silêncio e no vosso silêncio, compreendo muito mais do mundo do que pelas vozes que me falam.
Solidão, meu bem! Solidão é quando você tem que rir, cantar e falar sozinho pra não esquecer o som da sua própria voz.
Rádio Cultura (anos 80)
