Sinto muito mas eu te Amo

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Há dias em que me sinto pequeno, mas lembro que fui esculpido pela luta, pequeno não significa fraco, pequeno significa essencial, e essencial basta.

Quando chego ao limite, finjo que não sinto o frio. O corpo anestesia, a alma não, esta última é outro animal. Ela late na escuridão, pede por pão e silêncio, e eu aprendo a oferecer o pouco que tenho: o meu tempo.

A cidade tem lembranças afiadas como cacos de vidro. Passo descalço por algumas ruas e sinto as marcas. Cada cicatriz urbana me conta quem já soube amar. Há um consolo no reconhecimento das próprias falhas. E, por isso, volto ao lugar que me fez aprender.

Quando lembro de rostos que se foram, sinto biblioteca. Cada rosto é livro que permanece em pé. Releio páginas e guardo citações vivas dentro do peito. A memória é editorial que não fecha jamais. E eu sou leitor fiel dessa editora íntima.

Há noites em que o céu me pede silêncio. Ele me julga sem palavras, apenas com vastidão.
Sinto minha pequena história diante do infinito. E a sensação é de humildade e alívio. Aceito o lugar que me deram no cosmos.

Sinto falta da ignorância de quando o mundo parecia gentil, antes de eu aprender a arte da desconfiança e o peso do silêncio.

A escrita não é para o mundo, é para mim. Se eu não colocar no papel, o que sinto acaba por me implodir.

Sinto saudades de uma versão minha que talvez nem tenha existido, apenas a ideia de quem eu poderia ser antes de tudo.

Às vezes sinto que minha alma é um piano de cauda abandonado sob a chuva, onde cada gota que cai sobre as teclas evoca um acorde de saudade que ninguém mais sabe tocar. A música que resta em mim não é para os ouvidos do mundo, mas para o silêncio dos que já se perderam de si mesmos.

Sinto falta de uma infância que talvez nem tenha existido, um tempo de barro e sol onde o amanhã era apenas uma hipótese irrelevante. Hoje, o futuro é um monstro que se alimenta das minhas horas de sono, sussurrando que o tempo é uma ampulheta cheia de vidro moído.

Ao longo da minha trajetória, muitos se foram, mas não sinto falta, o que partiu, na verdade nunca me pertenceu.

Ultimamente, sinto-me no automático, como se minha existência estivesse programada para repetir incessantemente as mesmas tarefas diárias. Cumpro cada gesto sem reclamar, contendo pensamentos inquietantes que ousam emergir, pois sei que, aos olhos da sociedade, questionar ou sentir demais é rotulado como rebeldia. Ironia cruel: a conformidade, esse silêncio interno imposto, revelou-se a verdadeira prisão, mais implacável do que qualquer algema visível.

A gratidão veio como consequência, não é consolo, é testemunho do esforço, sinto-a como alimento.

Sob a velha Hercílio Luz, diante da imensidão do mar que se perde no horizonte, sinto a mão de Deus me abraçando, lembrando-me da dádiva de ter nascido neste pedaço de paraíso que pulsa com a brisa, a chuva e o som das ondas.

Muitas vezes, me sinto afogado em minhas próprias mágoas, como se cada lembrança fosse uma âncora disfarçada de suspiro, e o silêncio, um oceano que me acolhe e me consome. Não há remos, nem pressa, apenas o flutuar das horas e o cansaço manso de quem já se acostumou à tempestade. Talvez esse seja meu fim, ou apenas um recomeço em outra maré, onde a dor aprende a repousar, e eu, enfim, aprendo a respirar dentro do que me afoga.

O alívio que sinto não é uma fuga covarde da realidade, é um reencontro necessário e vital com a fonte que me sustenta.

É como se fosse um escombro sobre meus ombros sinto pesado, porque as ruínas do nosso passado nos pesam mais que o presente.

A Peça da Minha Vida


Às vezes sinto fome de vida, sabe? Sinto um enorme desejo de realizar meus sonhos, ganhar o mundo. Às vezes, até penso em alongar meu tempo, mas tenho receio de que toda essa dor física, que piora conforme a idade avança, me leve à loucura, ou pior, me impeça de ser dona da minha vida, assim como da minha morte.
A morte assistida não é sobre desistir da vida, mas sim não aceitar desistir dela! Não aceitar viver uma vida sem propósito ou possibilidade. Não aceitar, justamente por se amar muito, sentir tantas dores físicas a mais, além do risco de estar sozinha no pior, sem ter uma mão a quem recorrer no desespero, seja físico, emocional, ou ambos. É sobre não aceitar perder a minha autonomia, tornando a vida, verdadeiramente, insuportável a cada segundo.
A minha decisão não tem haver com tristeza, apesar de sentir tanta dor física afetar sim o nosso emocional em algum nível, ainda que sutil. Tem haver com razão, com racionalidade, além de verdadeiro amor, empatia, respeito e carinho por mim. Não quero correr o risco de viver um insuportável ainda pior do que todos os já vividos até aqui. Não quero sofrer tantas perdas, o que, infelizmente, é tão inevitável na vida. Não quero o sofrimento, porque já sofri demais. E não quero uma morte dolorosa como a vida foi, mas sim digna, humana, indolor. Me recuso a ter uma vida não vivida, infeliz.
Quero realizar, viver! A vida não é medida, ao menos por mim, pela quantidade. Para mim, o mais importante, e a única coisa que vale medir, que vale a pena, literalmente, é a qualidade, não a quantidade. Às vezes vivemos uma eternidade em pouquíssimos anos, e não vivemos nada em mais de um século. Se sou apenas eu por mim, que eu tenha a melhor e mais épica vida! Que nos poucos anos que me restam, eu tenha uma eternidade de realizações, conquistas, e deixe o meu legado. Que eu me orgulhe ao ver o fechar das cortinas, e possa me despedir das pessoas que mais amo. Que seja um sucesso a peça da minha vida!
- Marcela Lobato

Ocitocina (Carta a Cura)

Eu sinto a sua falta todos os dias. A cada segundo, desejo que estivesse aqui. Queria olhar nos seus olhos e dizer toda a verdade, me colocar por inteira, nua, crua, com a alma exposta, mas a vida não é tão gentil, e a complexidade do invisível escaneia o presente.
Naqueles textos, cartas como biblias, me lancei em tuas mãos, mas nunca sequer as enviei. Queria poder falar daquilo que não posso, da dor, da cura, do passado e do antes. Revelar de uma vez por todas, olhando nos seus olhos, absolutamente tudo, fingindo não tremer e gaguejar pelo medo de estar em frente a alguém que tem o poder de me curar e destruir, partindo em trilhões de cacos com uma única palavra. Totalmente vulnerável, sem poder prever o futuro, vou ao abismo perguntar se na escuridão poderemos nos reencontrar.
Se houvesse só um pedido a realizar, pediria para ser, ao menos, como antes. Pra ser novamente um ombro seguro para o seu pranto. Ser capaz de tirar a sua dor, e me curar na tua presença. Deixar o inverno para trás e te levar ao nascer do Sol, ainda que ele me queime em sua radiação. Queria te dar aquilo que nunca tive, mas sempre busquei, e sei que busca também. Te segurar firme nos dias mais difíceis, secar seus olhos e dividir contigo seja qual for preço. Te levar a paz e risadas das minhas besteiras e pensamentos excessivos tão exclusivos. Te daria o mundo inteiro, junto ao sol, à lua e às estrelas, se pudesse.
Por fim, esses textos ridículos, infinitos textos ridículos, são apenas para dizer o quanto sinto e não posso conter. O quanto dói não te ter. O quanto destrói não poder te ajudar. O quanto cada segundo longe de você é como uma faca cravada no coração da minha alma.
Realmente, eles têm razão ao dizer. Cartas de amor são ridículas, e o ridículo foi muito do que te dei, mas mesmo na dor, não me arrependo de um segundo disso. Se pudesse voltar, não digo que faria o mesmo, porque buscaria consertar os meus erros, então, se só pudesse mudar o quanto senti, novamente viveria toda essa dor, só para reviver cada segundo com você, e se houvesse uma lembrança onde, ao escolher, viveria para sempre, por toda a eternidade em um único momento, seria a noite onde descobri como é sentir algo para o que ainda não inventaram uma palavra, e seria a mais feliz vivendo nesse looping, como se fosse um paraíso.
Quando foi que nos perdemos? O que eu fiz? O que fizemos? Sua beleza é a visão que procuro quando mais preciso de algo bonito para ver. Sua presença é overdose de ocitocina, cura emocional, espiritual e física. Sua voz é a melodia mais bonita em minha mente e ouvidos. Sua distância é o veneno que mata gradativamente a minha luz, levando o brilho que já não existia mais, até que apareceu dez anos atrás.
Você é a cura, a ocitocina. A musa de centenas de músicas. Nunca esqueça do quanto é. Sua luz e sombra nunca me assustaram, mas o quanto sinto e o poder disso, sempre me faz tremer ao seu lado, por me tornar tão frágil. Por saber que o meu ponto fraco sempre foi e será você.
Não quero mais fingir. Não quero meias verdades, e definitivamente não quero mentiras. Tudo o que eu queria era você, do jeito que fosse, contanto que fosse o que realmente quer também. Eu não quero e nunca quis ser uma nova prisão pra você.
Eu preciso de você, e se for um crime dizer isso nos dias modernos, não ligo, e o mundo pode até me condenar, mas eu realmente preciso de você. Você é tudo pra mim.
Com você descobri que a minha Verdadeira Vontade, acima de tudo, sempre foi você. É o meu amor ágape, e desejo que seja feliz, mesmo que longe de mim, enquanto rogo aos deuses que queira seguir ao meu lado. Pior do que estar sem você, seria ser um fardo que carregasse.
Jamais quis te obrigar a nada. Nunca quis ser uma obrigação, apenas estar mais perto. Ser um porto seguro, como antes. Sentir aquela alegria que não deixava nenhuma dor me derrubar, e te ajudar, nem fosse ficando sozinhas juntas no silêncio, caso não soubesse como explicar, ou não quisesse, e poder, ao menos, amenizar a tua dor, ser um conforto, e provar que jamais estará sozinha, porque de um jeito ou de outro, nunca iria te deixar. Jamais poderia te abandonar. Jamais te deixaria sozinha! Você é a minha melodia, a inspiração de tudo o que já fiz, e o amor de todas as minhas vidas.
A vida é tão incerta, há tanto horror lá fora, e sempre tenho medo e peço aos deuses que cuidem de você, já que agora, só assim posso fazer isso. E eu te prometo, um dia tudo isso fará algum sentido.
Obrigada pela luz e pela cura. Obrigada por me fazer sentir algo tão inominável e incrível. Me ensinar a dualidade em sua máxima potência. Por me transformar em alguém melhor, mesmo com meus inúmeros defeitos e estranheza, ainda que tenha me perdido por um tempo. Te agradeço por ter me dado a vida, quando a luz em mim havia se apagado, e me manter nessa prisão, chamada vida, se tornava impossível.
Obrigada por me ensinar sobre o amor mais profundo e perigoso, tão capaz de curar quanto de destruir, assim como o fogo que aquece, mas também queima, e que me fez, pela primeira vez, querer que houvesse mais dias e noites. Talvez nunca saiba, porque palavras são insuficientes, mas você sempre foi o motivo. A cura.
Te quero livre, e queria voar ao seu lado. Que me chamasse para ir contigo, e te mostrar as maravilhas e loucuras do meu pequeno e insano mundo. Que aqui tivéssemos o final pelo qual lutamos tanto, e pelo qual viemos a esse mundo. Você é a minha luz e sombra. O remédio que a medicina nunca encontrou, e o fel ao partir meu coração em mil pedacinhos.
Eu te amo há milênios, e seguirei amando com ou sem você. Queria que conhecesse quem sou agora. Quem me tornei. Que, talvez assim, pudesse finalmente me entender, e a verdade é que, para te ver, se eu soubesse que também quer, largaria tudo só para ficar com você, nem que fossem somente cinco minutos.
Por você, moraria dentro dos meus sonhos, só para poder te encontrar todas as vezes que fosse dormir. E ao acordar, te vejo sempre, ao fechar os olhos, ao sair de casa, ao deitar na cama, respirar, ouvir uma canção de amor... ao viver bons ou terríveis momentos, só penso em te encontrar. Queria viver nos meus sonhos, se essa for a única forma de vê-la, estar contigo, e te ouvir falando sobre o seu dia, os problemas, enquanto aprecio a beleza do seu rosto, da sua alma e do seu sorriso, me tirando e entregando toda a paz de que preciso.
- Marcela Lobato

Sinto saudade das nossas conversas,
daquelas que falavam de virtudes,
de escolhas, de amor dito sem pressa,
como quem ensina e aprende ao mesmo tempo.

Conversas que às vezes tinham sentido profundo,
às vezes nenhum rumo

e ainda assim eram tudo.
Porque não precisavam chegar a lugar algum
para valerem a pena.

O tempo passava distraído entre palavras,
e o mais importante nunca foi o assunto,
mas o estar junto,
o silêncio confortável entre uma frase e outra,
a presença que aquecia.

Hoje, a saudade não cobra respostas,
só guarda esse lugar bonito
onde conversar era uma forma de permanecer.