Sinto muito mas eu te Amo
Sinto meu tempo se apagando,
chega o instante final
de despejar a saudade.
No coração já não cabe,
as lágrimas transbordam
o peso da perda,
lutando contra o desejo
da eternidade.
Eu não sei exatamente o que sinto.
E talvez esse seja o sentimento.
Há algo em mim que observa a vida
como quem encosta a testa no vidro
e não entra.
Penso demais.
Sinto antes de entender.
E quase nunca entendo.
Carrego uma estranheza mansa,
uma lucidez que cansa,
como se existir exigisse
atenção o tempo todo.
Às vezes sou profunda demais
para momentos rasos.
Às vezes sou simples demais
para explicações longas.
Não é tristeza.
É consciência.
Essa percepção silenciosa
de que a vida acontece
enquanto eu me pergunto
o que exatamente está acontecendo dentro de mim.
E sigo.
Não porque sei para onde,
mas porque parar
seria sentir ainda mais.
Ao longo da minha trajetória, muitos se foram, mas não sinto falta, o que partiu, na verdade nunca me pertenceu.
Ultimamente, sinto-me no automático, como se minha existência estivesse programada para repetir incessantemente as mesmas tarefas diárias. Cumpro cada gesto sem reclamar, contendo pensamentos inquietantes que ousam emergir, pois sei que, aos olhos da sociedade, questionar ou sentir demais é rotulado como rebeldia. Ironia cruel: a conformidade, esse silêncio interno imposto, revelou-se a verdadeira prisão, mais implacável do que qualquer algema visível.
Sob a velha Hercílio Luz, diante da imensidão do mar que se perde no horizonte, sinto a mão de Deus me abraçando, lembrando-me da dádiva de ter nascido neste pedaço de paraíso que pulsa com a brisa, a chuva e o som das ondas.
Muitas vezes, me sinto afogado em minhas próprias mágoas, como se cada lembrança fosse uma âncora disfarçada de suspiro, e o silêncio, um oceano que me acolhe e me consome. Não há remos, nem pressa, apenas o flutuar das horas e o cansaço manso de quem já se acostumou à tempestade. Talvez esse seja meu fim, ou apenas um recomeço em outra maré, onde a dor aprende a repousar, e eu, enfim, aprendo a respirar dentro do que me afoga.
O alívio que sinto não é uma fuga covarde da realidade, é um reencontro necessário e vital com a fonte que me sustenta.
É como se fosse um escombro sobre meus ombros sinto pesado, porque as ruínas do nosso passado nos pesam mais que o presente.
A verdade tem dentes, mas não morde para matar, morde para acordar. Quando a digo, sinto-a arrancar peles de desculpa. O processo é doloroso, ainda assim, necessário. Porque uma verdade tortuosa vale mais que conforto fingido. E sobrevivo à mordida sabendo que cura virá depois.
Há dias em que me sinto pequeno, mas lembro que fui esculpido pela luta, pequeno não significa fraco, pequeno significa essencial, e essencial basta.
Quando chego ao limite, finjo que não sinto o frio. O corpo anestesia, a alma não, esta última é outro animal. Ela late na escuridão, pede por pão e silêncio, e eu aprendo a oferecer o pouco que tenho: o meu tempo.
A cidade tem lembranças afiadas como cacos de vidro. Passo descalço por algumas ruas e sinto as marcas. Cada cicatriz urbana me conta quem já soube amar. Há um consolo no reconhecimento das próprias falhas. E, por isso, volto ao lugar que me fez aprender.
Quando lembro de rostos que se foram, sinto biblioteca. Cada rosto é livro que permanece em pé. Releio páginas e guardo citações vivas dentro do peito. A memória é editorial que não fecha jamais. E eu sou leitor fiel dessa editora íntima.
Pode ser pela bebida, e minhas memorias, mas não sinto a vida vindo de mim.... Curioso, a parte ruim que está em mim, fala até no subconsciente.
Sinto-me mal por não ter te amado mais — a ponto de ter certeza do meu amor.
I feel bad for not having loved you more, to the point of being certain of my love.
e m'en veux de ne pas t'avoir aimé davantage, au point d'avoir la certitude de mon amour.
Agradeço a bondade de quem deseja me oferecer caminhos que trazem luz, (me Catequizar). Mas me sinto finito e pequeno diante de certezas absolutas. Minha limitação não cabe em respostas prontas; ela se move em perguntas. Talvez a verdade que procuro não esteja no fim do caminho, mas no ato de caminhar. Não desprezo esta vida em nome de uma promessa futura. Cada instante, mesmo frágil, é sagrado. Se há eternidade, que ela comece aqui, no presente, na dor e na alegria. Viver plenamente já é a minha forma de agradecimento a D'us.
Alexandre Sefardi
Ela mexe comigo
No olhar, vejo valor,
Na respiração, sinto o afeto,
Nos detalhes, percebo a personalidade,
Na vida, reconheço como um presente,
Meu paraíso
Preso aos desejos sinto o peso do existir no passado e viver fragmentado no presente.
Já fugi de tantas realidades, já sumi de tantos futuros possíveis, já quis estacionar em tantos momentos por eras.
Joguei muitos sonhos no tempo e em respostas, o universo devolveu através das dores profundas presentes no silêncio.
O meu paraíso não é o meu próprio existir, o meu paraíso sempre caminhou com a tua presença todos os dias no meu existir.
