Sinto falta do meu Passado
Paz
A minha morada
é a morada da paz.
O meu pensamento
é feito de paz.
A minha Cidade
é a Cidade da paz.
A minha emoção
é feita de paz.
O meu Estado
é o Estado da paz.
O meu sentimento
é feito de paz.
A minha Nação
é a Nação da paz.
Os meus sonhos
são sonhos de paz.
O meu Continente
é o Continente da paz.
Os meus desejos
são desejos de paz.
O meu Hemisfério
é o Hemisfério da paz.
A minha comunicação
é a comunicação da paz.
Se qualquer pessoa
ou circunstância
for diferente da minha paz,
a cabeça jamais faz.
Não permanecerei por perto
para que tenha acesso,
nem darei sucesso
a tudo o que não é de paz
Viver em paz a diferença faz,
e o melhor sempre nos traz.
Nascer potente em Vidal Ramos
e na sua foz em Itajaí encontrar
o meu Oceano Atlântico Sul,
É o curso do Rio Itajaí-Mirim
que enleva razões para mim:
borda sentidos e rega a vida.
Sem o nosso amado rio
é só partida, e logo garrida.
O Rio Itajaí-Mirim eu sou,
e ele obviamente é para mim,
que sou filha da Mata Atlântica
praticamente desaparecida.
Até quando a poesia azul
da amada Santa Catarina,
pelo Rio Itajaí-Mirim falo,
canto, reclamo e declamo,
Porque eu preciso mais dele,
do que ele precisa de mim,
Sabe-se que existe um tipo
de gente que não pense assim.
Não me interessa o que
acontece ao meu redor,
quero ser todo o seu amor,
Você é a festa inteira
que desejo intensamente viver.
O meu coração latino
já a celebra o doce sentir
enquanto minh'alma
espera com a sua se fundir,
sob a Tinguaba a florir.
Pelo seu poder de diversão,
deixo-me entreter,
porque pelo meu
tu haverá de se de derreter,
e inteiro se render.
Um mora na mente
e no coração do outro
sem um minuto sequer
da gente se perder,
O amor é o prêmio
que a vida irá nos conceder.
Sentir o vento quando
chegar no Planalto Serrano
Para hoje é o meu plano,
Lembrar que o seu primeiro
nome era Casa Branca,
que também que foi
chamada de Encruzilhada.
Para os tropeiros foi lugar
de pouso para se refazerem
para enfrentar a estrada,
É de Otacílio Costa
da gente tão hospitaleira
que eu estou falando,
que em qualquer lugar
que você para quieto,
e amigo tu acaba ficando.
Otacílio Costa, erguida,
com honra e muita luta;
Uma cidade de gente
que valoriza a família,
a terra e a honesta labuta.
Otacílio Costa, querida,
de gente amável que
põe sabores na mesa
que são como poesia.
É para aí que estou indo
para sentir o vento
do Planalto Serrano,
tocar as estrelas
e a Lua com os dedos,
porque entre nós
nunca houve segredos.
Otacílio Costa, fostes
parte de Lages,
disso também não esqueci;
Mesmo distante de ti,
contigo no meu coração,
honro para sempre
com todo o amor e paixão,
como parte infinita de mim.
A tez, o sangue e o perfume
são de Cattleya intermedia,
Do Sudeste ao Sul, tudo meu,
inclusive a visível poética.
Os tempos seus, na verdade,
são mais meus do que seus;
Não preciso de pressa porque
confio plenamente em Deus.
A preparação da travessia
do meu peito ao seu tem
algo de Via Láctea que ilumina,
e os olhos rejeitam perder a vista.
Quando você chegar não faço
nenhuma questão de ser forte,
Ou até mesmo ter razão absoluta;
para mim, o suficiente é ser sua.
Línguas ou armas estrangeiras
colocadas contra o meu povo,
da minha parte sempre
encontrarão forte oposição.
Outras Nações jamais
estarão acima da minha Nação.
Espero, da mesma maneira,
que assim seja para você e sua Nação.
Com igual lealdade, ainda que solitária,
tal qual a dos guardiões
das pirâmides do Sudão,
é a que guardo no coração:
ela mantém meus pés e a alma
fincados neste chão
que, sob o Hemisfério Austral,
enlevo em total sagração.
Não sei de onde me lês
nem que terra te chama,
mas desejo a ti a mesma devoção.
Cultivar o nosso amor vivo
em dias solares ou de tormenta,
nas noites de lunação ou escuridão,
é o meu diário voto e querer:
que a poesia se cumpra
e nunca nada me faça esquecer;
para que ninguém nos domine
e nada abale o meu e o teu viver.
Existem entre hemisférios
mistérios que nos unem
Do meu coração para o seu
e do seu coração para o meu,
plenos no firmamento particular
e um paraíso amoroso a cultivar:
(Somos aves migratórias).
Meu amor, você sabe bem
que os pensamentos seus
tomaram conta dos meus,
sem nenhuma censura
e com infinita ternura.
É fato que não tenho
olhos para mais ninguém;
sorrio por sua causa,
sem tempo para trégua,
muito além de maio
e nem um pouco de soslaio.
Aguardo um sinal seu
como quem aguarda um milagre
dos céus em Santa Catarina;
a Alegria-dos-jardins cresceu
e floresceu repleta de poesia.
Não sei quanto tempo
levará para que você seja meu
e para que eu seja tua;
de todo o coração, tens habitado
até na minha prece noturna.
És o meu mistério favorito
todo cheio de magnetismo.
Com Acaçá nas mãos,
bem servido e envolvido
em folha de bananeira,
Você haverá de ser meu,
queira ou não queira,
Na tua imaginação tenho
todo o dia sido o poema.
Com a sutileza da caraúna
tocando o sereno riacho,
assim te percebo ao meu redor
e desejo para nós o melhor.
Teu ser, embora bem talhado,
promete ser como lingote
que se renderá ao meu calor.
É claro que não negarei amor.
Com as minhas carícias
prometo lapidar tudo o que
desejas me entregar altivo,
porque assim haverá de ser:
estamos nos seduzindo.
Tudo dá voltas ao mundo
e em Santa Catarina
encontra a convergência.
Tudo dá voltas ao mundo
e em Santa Catarina
encontra a convergência.
Como aves migratórias
que cruzam hemisférios,
trazem no peito a sutil essência
e no coração guardam o ninho:
discernimos nosso destino.
Vampiros malditos
deseducaram o vocábulo,
Para dominar e arrasar
o meu solo Pátrio,
Não vou esquecer, nem perdoar,
leve o tempo que levar.
Te coloco sob o meu olhar
e faço da minha arquitetura
o teu lar de arrebatamento,
De um jeito que obstinação
ninguém poderá controlar,
O que busca para amainar,
tornou-se urgência sem par.
Não preciso performar
e nem fingir submissão,
como território conquistado;
Pois é peremptório,
fixo e desapegado —
o meu perfume afrodisíaco,
feito do Oceano Atlântico Sul,
é o teu favorito santuário.
Na troca afável entre
meu e o seu pulsar aurum,
Mentes e corpos
em plena convergência,
profunda, sedenta e quente,
No abandono das horas
no melhor acordo entre a gente
para incorporar a êxtase
que se derrama inteiramente.
Jogos de imprevisibilidade
para aquecer o inverno
que se aproxima em Santa Catarina,
Não nego que assim quero,
mas que venham com
a tranquilidade de um chá de Tinguaciba,
com o seu abraço cheio de aconchego,
e a tua carícia que até a minh'alma alisa.
Não preciso de passaporte,
porque para você, anjo meu,
jamais serei estrangeira,
O amor é a bandeira,
e para ele não há receita.
Mas há um interminável
banquete sobre a mesa,
e não é apenas um poema.
Seja na Capoeira, no Candomblé,
ou até mesmo na Umbanda,
o meu coração atende
ao toque do Barra Vento,
como fiel e protegida.
Este é o meu sentimento:
bater forte, como cada tambor
dos terreiro desta amada Pátria.
Na primeira linha de Xangô,
assumo-me herdeira
do poetinha do Brasil,
semeando esperança
para ser, sempre, vencedora
em qualquer demanda.
Depois de toda tempestade,
a bonança se anuncia,
e o meu Oxalá sempre será o maior;
só Ele é digno da confiança,
de toda glória e do mais alto louvor.
Na praça pública em exposição,
Contigo no meu poético coração.
Mesmo diante da tua silenciação,
O tempo estático como
monumento feito de bronze:
Traz para a poesia — a lapidação.
O meu brio encontra o seu,
ambos pantaneiros,
concedidos pelo nosso Deus:
vivemos tempos alvissareiros.
Durante a descida dos andores,
todos com beleza adornados,
os corações batendo feito tambores
ao som do cururu, todos animados.
Com as mãos mergulhando
São João no Rio Paraguai,
eu de Corumbá e você de Ladário,
o meu coração apaixonado,
morando contigo lado a lado.
Contigo não tem sido diferente:
estamos morando um no outro,
ainda protegidos de toda a gente,
esperando o dia certo para anunciar
que viveremos só de amor imparavelmente.
Noite fria sobre o Guapuruvu
florido neste mês de Agosto,
No meu destino com toda
a poesia tenho escrito
Versos Intimistas com afinco,
Para quem sabe conhecer
o teu amor em pleno gozo,
e contigo tocar o infinito,
De nós já é tudo ou nada,
é coração, corpo e espírito,
No nosso caminho o amor
por si só já tem sido escrito.
Da onde a minha ancestralidade
veio e por onde teve que caminhar,
não troco o meu Brasil Brasileiro
serenamente nenhum outro lugar.
Parte de mim também é indígena
e convicta sob a Timbaúba florida
tenho razões para me inspirar
seja na terra, na água ou no ar.
Não adianta insistir porque
a minha mente não vai mudar,
e o seu tempo comigo irá gastar.
Sei que tudo e todos passam,
e escolhi não deixar me perturbar
porque tudo e todos vão passar.
A Muirajuba que floresce
também no meu Brasil,
traz a conexão profunda
com a América do Sul,
em dias alegres ou tristes,
Faz lembrar que no coração
floresce sob o céu perenal
com apego e total devoção
a nossa chama austral.
A herança do Sul do Sul;
o olhar de romance
que continua invicto
com um quê de lirismo,
mesmo diante de tudo
isso o quê se passa lá fora.
Tipo pinha plantada
pela Gralha-Azul na terra
assim sigo porque tenho
poesia que não se encerra
sem clamar por plateia.
História viva nas veias,
amor e ternura na memória,
quero crer que se perpetua
forte ti mais do que nunca.
