Sinto a tua Dor

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A dor é um veredicto com data de expiração gravada na carne, mas o sofrimento é a assinatura mental que você renova à meia-noite, um
tormento autoimposto.

O recomeço não é fingir que o passado não existiu, mas usar a sabedoria que a queda e a dor nos deram. Não voltamos ao zero, mas ao ponto onde a Graça se tornou mais real e essencial. Cada novo dia é um convite para pintar a vida com cores mais vivas, pois o Artista Maior já perdoou os erros de ontem.

Existem lembranças que pesam como ferros, mas moldam como mãos de artesão. Cada dor que carreguei me empurrou para dentro, e lá encontrei partes de mim que nunca ousaram nascer. A vida às vezes arranca, às vezes entrega. Mas sempre ensina, mesmo que a lição seja dura demais para a idadeque tínhamos.

Meu corpo já desistiu muitas vezes, mas minha alma nunca. Ela conhece caminhos que a dor não alcança. E quando tudo parece perdido, é ela que me puxa de volta ao fôlego. Esse fôlego é Deus, o resto é sobrevivência.

O tempo não cura tudo, apenas muda o lugar onde a dor se acomoda. Às vezes ela se torna menor, às vezes muda de forma, às vezes se transforma em sabedoria. E em raros momentos, vira força. Mas nunca desaparece totalmente.

A dor não é fim, é página espessa que engrossa a letra da coragem e nos obriga a reler a vida.

A dor é um idioma, nomeá-la devolve silêncio ao que antes era ruído antigo.

Eu vivo. Isso é o bastante para um poeta cujo ofício é transformar a dor em beleza.

A dor que não cala transforma-se em matéria-prima da compaixão oferecida ao outro.

A dor afina a escuta: o mundo passa a soar em outra frequência, mais áspera, mais verdadeira.

Aprendi a moldar a dor como quem esculpe uma palavra, a transformar o sangue em frases que cabem na boca. Não busco cura, procuro sentido, um fio que atravesse o vazio, um verso que substitua o soco, que torne a queda suportável.

Quando a dor parece ocupar toda a sala, eu falo com ela como a um parente. Pergunto seu nome, ofereço café, faço perguntas óbvias sobre seu humor. Às vezes ela responde com socos, outras, aceita sentar e dividir o jornal. Descubro que humanizar o sofrimento é um modo de domesticar o desespero.

A dor mais profunda não está em perdoar quem nos feriu, mas sim em carregar o peso corrosivo do ódio, que atua como um veneno lento na alma. Por isso, a escolha mais libertadora é sempre a do perdão, que nos permite não esquecer o caminho percorrido, pois a memória protege e ensina, mas que nos livra da prisão que construímos para nós mesmos. Esta é a resiliência que exige leveza para voar alto. Minha alma já foi um campo de batalha, um barulho caótico, mas hoje se transforma em uma melodia calma e afinada, um equilíbrio conquistado onde não me permito ser derrubado. Eu escolho a dor que me liberta e o autovalor que exige reciprocidade, aprendendo a diferenciar quem é apenas uma estação passageira de quem se torna um destino importante. Essa sabedoria nos traz a leveza da alma necessária para entender que a vida nos derruba para nos alinhar, nos desmonta para nos reorganizar, não é destruição, mas a lapidação que nos prepara para o ápice do nosso renascimento.

A dor não é um erro do caminho, mas o martelo da providência que molda a alma para o propósito eterno, ensinando a verdadeira sabedoria que não se compra com ouro, o sofrimento de hoje é a escola que capacita o líder de amanhã, e o coração quebrantado é o único altar onde o Divino aceita a oferta de louvor, transformando a cinza em coroa de glória.

A dor não é um sinal de fraqueza, é a prova viva de que o nosso sentir é imenso demais para ser contido, e que o coração, apesar de tudo, ainda está vivo.

A dor só é insuportável enquanto a gente se recusa a nomeá-la, o reconhecimento é o primeiro passo para a anestesia.

Há flores que só florescem no concreto da dor e a beleza delas é a prova de que a vida sempre encontra um caminho.

VITÓRIA
Mulher de fé, guerreira incansável,
na dor encontrou força admirável.
Entre pedras, construiu seu caminho,
fez da esperança o seu maior destino.


Mesmo quando o vento soprou contra,
ergueu-se firme, nunca se mostrou pronta
a desistir do sonho que carregava,
pois sua luz sempre iluminava.


És exemplo de coragem e ternura,
alma que vence qualquer amargura.
Mulher batalhadora, és poesia,
és vitória, és fé, és alegria.

Transforme toda dor em amor ⁠e gentileza e viva melhor. Ficar parado é sinônimo de não compreender o extraordinário.

FILHAS ANÔNIMAS DA DOR.

Ó mulheres ocultas pelas brumas de séculos impiedosos,
vossas almas percorreram a terra como sombras que carregam o peso, de injustiças que a História jamais ousou nomear.
Sois o sal das lágrimas que nenhuma crônica registrou,
a argamassa silenciosa que ergueu civilizações inteiras
sobre vossos corpos exauridos e vossos espíritos oprimidos.

Filhas da caça às bruxas, marcadas pelo fogo que não purifica, mas que consome o indefeso.
Em cada madrugada de auréola acinzentada, uma de vós era levada para interrogatórios despóticos, acusada por línguas cruéis que temiam a vossa lucidez.
Ó mulheres caladas pela tirania,
vossos gritos ecoam ainda hoje nas fendas do tempo, onde a opressão deixou cicatrizes que nem o esquecimento cura.

Filhas escravizadas, arrancadas de vossa terra natal, como raízes mutiladas que ainda pulsavam vida.
Vossos nomes foram dissolvidos entre correntes, vossos sonhos esmagados por açoites, vossos úteros transformados em campos de tormento.
Mas mesmo naquele abismo sem alvorecer, carregastes a centelha indômita da dignidade, e com ela preservastes a essência do ser
nas noites mais densas da crueldade humana.

Filhas do luto materno, a quem a morte visitou repetidas vezes
como um hóspede voraz que nunca se dá por satisfeito.
Vossos braços, outrora depositários de promessas,
ergueram ao céu corpos frágeis que não resistiram às intempéries e às pestes do século.
E ainda assim permanecestes de pé, envoltas numa resignação que roça o sagrado, como guardiãs da dor mais antiga que existe:
a dor de amar o que se perde.

Ó mulheres anônimas, vosso sofrimento não foi vã litania.
Vós sois o subterrâneo moral da humanidade, o testemunho de que a grandeza por vezes se oculta naquele que mais padeceu.
A cada uma de vós dedico esta ode, este cântico sombrio que resgata a dignidade que vos foi arrancada por eras insensíveis.

Que vossas sombras se tornem luz para os vindouros,
e que da vossa dor antiga brote a lembrança de que nenhuma alma destinada ao bem sucumbe para sempre.
Porque na memória profunda das eras mora a força que transcende, e nela repousa a luminosa supremacia da nossa perpétua vida.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .