Silêncio e o Tempo

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"Somos feitos de tempo e silêncio, mas é no gesto de amar que nos tornamos eternos."

A tristeza de uma mulher é uma ferida aberta que o tempo não cicatriza, é um silêncio que grita dentro do peito, sufocando cada suspiro. É acordar todos os dias com um vazio que não se preenche, mesmo rodeada de pessoas. É estar em um lugar cheio de vozes e ainda assim sentir-se invisível.
Ela carrega nos olhos um mar de lágrimas que raramente deixa transbordar, porque o mundo não tem paciência para sua dor. Aprende a sorrir quando tudo dentro dela está em pedaços, aprende a dizer “está tudo bem” quando, na verdade, tudo está desmoronando. A tristeza de uma mulher é uma prisão sem grades, mas com correntes pesadas que a arrastam, tornando seus passos lentos e sua alma cansada.
Não é apenas a dor de um momento, mas a soma de várias decepções, de amores não correspondidos, de promessas quebradas, de sonhos arrancados sem piedade. É o coração se doando inteiro e recebendo migalhas. É acreditar nas palavras e ser ferida pelas ações. É esperar o abraço e receber apenas distância.
O mais cruel é que, mesmo dilacerada, ela continua a ser pilar. Segura os outros, enquanto dentro de si tudo desmorona. Cuida, mesmo quando não é cuidada. Ama, mesmo quando não é amada. E sua tristeza cresce justamente porque se doa além da medida, até perder de vista a si mesma.
Mas há uma verdade que poucos percebem: a tristeza de uma mulher pode afundá-la, mas também a ensina a voar. Do fundo da dor, nasce a força que ninguém imaginava. Do cansaço, nasce a coragem de recomeçar. E quando ela decide renascer, não há dor que a detenha, não há corrente que a prenda, não há tristeza que consiga vencê-la.
Porque a tristeza de uma mulher, por mais profunda e cruel que seja, também é a chama que a transforma. É o caminho da queda que a leva ao auge de si mesma. Ela sofre, sim. Ela chora, sim. Mas um dia, essa mesma tristeza se tornará apenas lembrança, e dela surgirá uma mulher ainda mais forte, mais consciente e impossível de ser ignorada.
Gláucia Araújo

EU TIVE/TENHO TEMPO


Eu tive tempo de plantar flores,
mas deixei o jardim em silêncio.
Tive tempo de escrever versos,
mas calei o papel em branco.
Tive tempo de abraçar mais forte,
e, às vezes, abracei o vazio.


Eu tive tempo de sonhar alto,
mas temi o vento das alturas.
Tive tempo de arriscar caminhos,
mas caminhei na margem segura.


E, no entanto, o tempo não partiu.
Ele pulsa agora, dentro de mim.
Ainda há sementes à espera da terra,
a canção ainda mora na garganta,
o abraço ainda cabe nos braços,
e os sonhos ainda sabem voar.


Pois nunca é tarde quando há desejo,
e nunca é distante quem tem coragem.


Eu tive tempo…
e, mais que isso,
eu tenho tempo.

Lá, onde o silêncio ecoa,

a voz do tempo que voa.




Não há pressa, nem saudade,

nem há prisões da vaidade.




de um eco em terra de ninguém,

a sombra do hoje que se tem.

Mero Pensador...

O tempo dá voz ao silêncio das escolhas.

A grandeza não está no que se mostra, mas no que se conquista em silêncio. O tempo revela o que o esforço constrói.

Há coisas que só o tempo é capaz de colocar no lugar.

Nem o grito resolve,
nem o silêncio cura.

O tempo, esse velho artista invisível, molda, alinha, apaga, ensina.

Há dores que só o tempo traduz.
E há respostas que só ele revela,
sem pressa, mas com precisão.

Confia.
O tempo é lento,
mas justo.

A vida ensina em silêncio,
Com gestos que vêm do tempo.
Cada erro é começo imenso,
Cada acerto, um alimento.

A alma que confia em Deus aprende que o silêncio d’Ele não é ausência, mas preparação, pois o Tempo do Senhor é perfeito, e os milagres que Ele semeia florescem sob a Luz da Sua Eterna Graça.

Será que ainda resta tempo para fugir, para ouvir o silêncio, para dizer o que nunca foi dito.
Ou será que o medo — mesmo pequeno — continuará a sussurrar, escondido, tentando me convencer de que a felicidade e o amor são apenas lampejos destinados a iluminar breves instantes?
Instantes que se tornam eternos somente quando ousamos vivê-los, enquanto o tempo ainda nos pertence.
É uma tortura existir sem descobrir, de verdade, o que significa viver..

No silêncio antigo daquele mosteiro, onde o tempo parecia rezar junto com as paredes de pedra, nossos olhos se encontravam mais do que deveriam. Não era toque, não era palavra — era desejo contido, um incêndio discreto aceso apenas pelo olhar. A gente se olhava o tempo inteiro, como se cada segundo fosse uma confissão muda, um segredo dividido sem absolvição.
Entre cânticos e passos contidos, o desejo caminhava conosco pelos corredores frios. Era estranho e intenso: amar sem poder, querer sem permitir. O mosteiro, feito de regras e silêncio, tornava-se palco de uma ficção viva — como se estivéssemos presos dentro de uma cena projetada na tela da própria alma.
Às vezes, eu pensava que aquilo não podia ser real. Parecia cinema: dois corpos imóveis, duas almas em tumulto, e um amor que não pedia permissão para existir. Nossa visão se cruzava como quem escreve uma história proibida sem usar palavras, como quem desafia o sagrado não por rebeldia, mas por humanidade.
E assim seguimos, desejando em silêncio, vivendo na fronteira entre o que é permitido e o que é verdadeiro. Se aquilo era ficção, então a realidade tinha aprendido a sonhar. Se era pecado, era também a forma mais pura de sentir. Porque naquele mosteiro, onde tudo deveria ser ausência, nasceu um amor inteiro — visível apenas no encontro dos nossos olhos.

Melhor é o silencio e o tempo para revelar a verdade; o que fala, insita discussões tolas que tiram sua paz.

Talvez o mundo não esteja em silêncio.
Talvez ele fale o tempo inteiro,
em sinais simples, em verdades nuas,
mas poucos escutam sem o ruído do ego.
O deserto não é externo —
ele nasce quando a mente se fecha
e transforma perguntas em muros.
As sombras não vivem fora da luz,
vivem no medo de encará-la.
As correntes não são de ferro,
são feitas de certezas vazias,
de ignorâncias defendidas com orgulho.
E a saída do labirinto não exige força,
apenas humildade para admitir
que a luz sempre esteve ali,
esperando ser vista.

“Nesta tarde dourada, o tempo repousa no silêncio das árvores, e cada raio de sol sussurra que a beleza vive em quem sabe enxergar com os morfemas do coração.” ©JoaoCarreiraPoeta.


Campinas, 13/12/2025.⁠

“Quem não se cansa de pensar no que vai escrever
ganha mais tempo
observando o silêncio.”

Depois do silêncio


Fiquei calada
por mais tempo do que devia.
Não por falta de palavras,
mas porque ninguém queria ouvir.
Engoli dores
para não incomodar.
Aprendi a sorrir
com o peito em ruínas.
Carreguei ausências
como quem carrega culpa
sem ter cometido crime.
O silêncio virou hábito.
A dor, rotina.
E eu segui
invisível,
mas viva.
Hoje escrevo
porque sobrevivi.
Porque tudo o que calei
não morreu em mim.
Escrevo para que saibam
que houve noites longas,
quedas silenciosas,
e uma força que ninguém viu.
Não escrevo por vingança.
Escrevo por verdade.
Para que entendam
que o silêncio não era vazio,
era peso demais.
Agora falo em versos
o que a vida tentou calar.
Não para ser entendida por todos,
mas para não me perder outra vez.


— Alexia Ava

No templo do tempo

No silêncio antigo da tarde, dois olhares se cruzam sem pressa, são ecos de promessas caladas, amores que o mundo não confessa. O espaço é sagrado, suspenso, onde o toque é mais que pecado. Ali, o tempo curva-se manso ao reencontro tão desejado.

São mãos que se lembram do gesto, são vozes que tremem no ar. E o proibido, por um instante, parece enfim se libertar. Há um perfume de saudade pairando entre os corpos imóveis, como se o tempo, em reverência, parasse para ouvir seus nomes.

Os olhos dizem o que os lábios temem, e o coração, inquieto, reconhece o caminho antigo. Não há culpa, só memória, um amor que não se apaga, apenas se abriga no abrigo do tempo.

E quando o sol se despede, tingindo de ouro o instante, fica no ar a certeza: o que é verdadeiro, mesmo oculto, sempre encontra um jeito de voltar.

Muitos conflitos começam porque não ouvimos, só falamos. O silêncio nos dá tempo de refletir e entender antes de agir.

Acredite: o tempo cura em silêncio
E o amor é quem fica quando tudo se vai
Eu vou estar aqui, sem pressa, por perto
Te esperando no cais - Frase da música dias melhores sempre virão
do dj gato amarelo

Deixa o tempo parar nesse instante,
O silêncio também sabe cantar. . - Frase da música Pôr do Sol em Nós do dj gato amarelo